Capítulo 720: Alguém no Quarto
No filme, o celular vibra. Qiu Mei, que estava organizando documentos, vira-se e pega o telefone. Sem olhar para o identificador de chamadas, atende diretamente.
— Alô, quem é?
— Acabamos de conversar. Vi as informações na sua página e, como tinha um número de telefone, resolvi tentar. — Do outro lado, vem a voz de um garoto, ainda jovem, provavelmente na fase da muda de voz.
— Acabamos? — Qiu Mei só então olha para a tela do celular: — Você é aquele "pessoa inexistente"?
— Esse é meu apelido na internet.
— Por que você escolheu esse nome?
— Não importa o nome que escolho, o importante é que consegui ligar para você. — O garoto abaixa a voz de propósito, como se isso pudesse fazê-lo parecer mais maduro e misterioso.
— O número que deixei é verdadeiro. Você conseguir ligar é surpreendente? Já ligou para outras garotas antes? E acabou sendo enganado por elas? — Wen Yu não leva a sério o que o garoto diz.
— Estou usando o celular de um morto para falar com você. O fato de a ligação ter funcionado prova que pelo menos parte do que você disse é verdade.
— Esse seu método de verificação é bem estranho. — A atitude de Wen Yu fica muito mais fria. Ela não se assusta com as palavras do garoto: — Diga logo, o que você quer comigo?
— Só quero salvar sua vida, com medo de que você vá se meter em encrenca. — O garoto é jovem, mas parece ter bastante experiência.
— Meter em encrenca?
— Você se esforçou tanto para escapar de lá, por que quer voltar? Sei que não se lembra de muita coisa, mas já pensou que talvez a memória seja o preço que pagou para fugir? — O garoto tenta convencê-la: — Para escapar, você pagou até com a memória, e agora, para recuperar o que perdeu, quer voltar. Existe algo mais estúpido no mundo?
— Não volto para recuperar memórias, quero encontrar alguém naquela escola. — Wen Yu abre a gaveta trancada e olha para o caderno dentro: — Wen Yu é o nome deste corpo, mas não é o meu nome.
Seus dedos deslizam sobre a capa do caderno, passando pelas palavras "Qiu Mei".
— Não importa por que você quer voltar, não recomendo que o faça. Lembre-se: não volte de jeito nenhum!
Do outro lado da linha, ouve-se um som de algo pesado sendo arrastado. Assim que o som surge, o garoto desliga apressadamente.
— Sei que aquele lugar é perigoso, mas algumas coisas não podem ser evitadas. — A protagonista guarda os materiais na cabeceira da cama e se deita com o celular na mão.
Ela tenta contatar a "pessoa inexistente" novamente, mas ele não responde mais.
— As informações sobre essa escola podem ser encontradas na internet. Embora seja uma instituição particular, fundada por um indivíduo, pelas fotos anexadas online, seu tamanho não perde para faculdades oficiais, e a área construída é até maior que a de muitas escolas comuns.
Wen Yu está decidida a ir para essa escola. Ela pega papel e caneta e anota todas as informações que encontra no celular.
— Algumas imagens ainda têm marcas d'água, podem ser fotos roubadas. Outras, não sei por quê, parecem muito estranhas.
Seja pelo ângulo da foto ou por problemas na construção em si, em algumas imagens, não importa se lá fora é dia ou noite, os cômodos parecem sombrios e assustadores.
A mulher apaga a luz principal do quarto, deixando apenas o abajur de cabeceira, e se deita na cama para anotar tudo com cuidado.
Observando a mulher na tela, Chen Ge se lembra de si mesmo. Antes de começar uma missão, ele também costumava coletar informações como Wen Yu.
— Essa lenda urbana tem a ver comigo.
O tempo passa, minuto a minuto. Wen Yu, deitada na cama, adormece lentamente. A caneta escorrega de seus dedos, cai no chão e rola até parar na porta do banheiro.
Depois de trabalhar o dia inteiro e ainda ter que estudar e procurar escolas à noite, Wen Yu provavelmente está muito cansada e dorme profundamente.
A câmera se afasta, filmando a posição de sono de Wen Yu.
O diretor, não se sabe o que quer expressar, usa um plano-sequência de dez segundos apenas para filmar Wen Yu dormindo.
Os funcionários de Chen Ge raramente assistem a filmes e ficam curiosos, olhando fixamente para a tela, muito concentrados, tentando acompanhar o ritmo do diretor e entender sua intenção.
— Admito que essa mulher é bonita quando dorme, mas esse plano não está longo demais? — Bai Qiulin, depois de muito tempo, solta sua opinião: — Quando ela está de olhos abertos, parece carregar uma aura de rancor. Estranho é que, quando fecha os olhos, essa aura desaparece.
— Esse diretor é muito bom. Já vi um curta dele antes; nenhum quadro é desperdiçado. Esse plano-sequência deve ter um propósito.
Chen Ge espera pacientemente. Não demora muito, e ele faz uma descoberta: — Olhem para o canto inferior esquerdo da tela, sim! Onde a caneta que a protagonista segurava caiu.
A porta do banheiro está aberta, e a caneta está encostada nela.
A única luz no apartamento vem do abajur de cabeceira. Por causa do ângulo da filmagem, o banheiro não está completamente escuro; um feixe de luz fraca incide sobre o espelho.
A cena do filme parece estática, com a protagonista dormindo sozinha, mas, quanto mais se olha, mais desconfortável fica.
A razão fundamental é que a cena não é completamente estática: no canto da tela, dentro do banheiro, algo está se mexendo!
A imagem na tela parece muito aconchegante: luz amarela suave, cama macia, um lar acolhedor e uma bela garota adormecida.
Mas, quando o olhar se desvia para o canto da tela e vê a cena no banheiro, o contraste instantâneo faz os pelos se eriçarem.
No banheiro escuro, há uma mulher de vestido vermelho em frente ao espelho. Ela vira o pescoço, olhando fixamente para a câmera!
O rosto está escondido na escuridão. Quando o espectador o descobre sem querer, sente como se aquele rosto estivesse atravessando a tela, olhando para ele.
— Sabia que tinha algo errado!
Não importa a aparência que este filme tenha, no fundo, ainda é um filme de terror.
A caneta esferográfica no chão começa a rolar sem motivo. A mulher no banheiro já desapareceu, mas, pelo espelho, é possível ver, de vez em quando, uma mulher de vestido vermelho andando pelo cômodo.
Quatro quintos da tela não mudam muito; o que varia é apenas o reflexo no espelho do banheiro.
O apartamento é pequeno, sem sala de estar; o quarto, a cozinha e o banheiro são próximos.
A cena principal ainda é aconchegante, mas de vez em quando surgem ruídos estranhos.
A caneta rola no chão, uma lagartixa na parede foge rapidamente, a luz do abajur projeta uma sombra, mas essa sombra não pertence à dona do quarto.
Os documentos na mesa são virados, o cadeado da gaveta balança levemente, como se alguém tentasse abri-la.
Após um momento, tudo se acalma, e então a cena mais aterrorizante aparece.
O travesseiro na cama afunda um pouco, como se alguém tivesse se deitado ao lado da protagonista.
A tempo! (ヾ(≧▽≦*)o)