Capítulo 714 – Colega de Mesa
“Só sei um pouco. Por que está perguntando isso?” O homem segurava a bengala de guia, tentando manter distância de Chen Ge, mas sua força era pequena demais para se soltar.
“Meu amigo desapareceu enquanto assistia a um filme na sala de exibição. Quero fazer a mesma coisa que ele para ver se descubro algo.” O tom de Chen Ge era casual, enquanto ele ficava em silêncio na escuridão, examinando toda a sala de exibição.
As fileiras de assentos, desiguais em altura, pareciam silhuetas de pessoas agachadas ou em pé.
“Você enlouqueceu? Vir aqui às duas da manhã me pedir para passar um filme para você?” Mesmo sem os boatos assustadores, o homem achava que ninguém normal agiria como Chen Ge, indo a um cinema quase abandonado no meio da noite para ver um filme.
“Estou muito lúcido e sei o que estou fazendo.” ChenGe apontou a luz do celular para os vários equipamentos ao lado: “Se não for conveniente para você, pode me dizer como operar, eu mesmo cuido disso.”
Chen Ge era uma pessoa muito curiosa, aprendia onde quer que fosse, e era por isso que tinha tantas “habilidades”.
“Pense bem. A história que contei antes não é ficção, é verdade.” As pálpebras tremiam levemente. O homem sabia bem de sua situação atual; colocou a bengala de lado e estendeu a mão para tatear a mesa.
Seus movimentos eram lentos, e ninguém sabia o que ele estava pensando.
Chen Ge ficou ao lado, observando-o fixamente, e quanto mais olhava, mais sentia que aquele homem não era normal.
Suas mãos eram ágeis demais. Mesmo de olhos fechados, ele sabia exatamente onde cada equipamento estava.
Isso podia acontecer por dois motivos: ou ele, antes de ficar cego, ou depois de cego, continuava repetindo a operação daquele equipamento, praticando até dominar, conseguindo operar fluentemente mesmo de olhos fechados.
A segunda possibilidade era que ele simplesmente não era cego.
“O disjuntor geral fica no segundo andar. Pode ligá-lo para mim?” O homem conectou todos os cabos, tateou até a fonte de energia do quadro de distribuição, mas tentou várias vezes sem sucesso.
“Segundo andar?” Chen Ge pegou o martelo de esmagar crânios, saiu da sala de exibição e subiu as escadas até o segundo andar, mas não entrou; ficou na entrada da escada, olhando para a saída da sala.
Em apenas cinco segundos, o rosto de um homem apareceu na porta da sala.
Ele ficou ouvindo por um momento e, ao não notar nada anormal, correu em direção à escuridão distante.
Dois passos ecoaram na noite silenciosa, mas antes que o homem fosse longe, seu ombro foi segurado.
“Como pôde me deixar sozinho lá?”
A voz de Chen Ge chegou aos ouvidos do homem, que pareceu atingido por um trovão, paralisado de susto.
“Não encontrei o disjuntor geral. Vamos juntos.” Chen Ge ajudou o homem a voltar ao segundo andar e ligou o disjuntor.
Com um “pá”, todas as luzes da sala de exibição piscaram.
“Só quero assistir a um filme aqui para encontrar meu amigo desaparecido, só isso. Se continuar me atrapalhando, vou ter que acreditar que o sumiço dele tem a ver com você.”
Com a energia do quadro ligada, o projetor iniciou automaticamente. O homem também ligou o disco rígido e, após carregar, levantou a cabeça: “Escolha o filme que quiser ver. Mas vou dar um último conselho: não assista a filmes de terror. Pode dar problema sério.”
Assistir a um filme na sala de exibição particular era apenas a primeira parte da missão de teste do Olho Esquerdo. Já eram duas da manhã, e se não terminasse logo, Chen Ge talvez não conseguisse completar as tarefas seguintes naquela noite.
Pensando nisso, Chen Ge examinou a lista de reprodução e decidiu escolher o filme mais curto.
“O celular preto só pede para eu assistir a um filme aqui, mas não especifica o gênero.” Chen Ge não ia aumentar a dificuldade para si mesmo; queria encontrar um drama leve ou um desenho animado, mas ao clicar na lista, descobriu que todos os filmes não podiam ser reproduzidos, com um aviso de que os arquivos estavam incompletos e precisavam ser baixados novamente.
Depois de muito procurar, Chen Ge viu que apenas os filmes de terror funcionavam.
Lembrando das palavras do homem, ele ficou um pouco intrigado: “É alguém tramando? Ou alguma coisa destruiu os arquivos dos outros filmes?”
Ao percorrer a lista, notou algo ainda mais estranho.
Chen Ge era dono de uma casa assombrada e, para buscar inspiração, assistia a filmes de terror com frequência, mas nunca tinha ouvido falar de nenhum dos títulos naquele player.
“Esses filmes de terror são diferentes dos que estão no mercado. Na capa, o nome do diretor e do produtor é o mesmo.” Chen Ge clicou na capa e anotou o nome do diretor: “Chang Gu? É nome artístico ou verdadeiro?”
“Já escolheu?” As mãos do homem tremiam sem parar. Não havia grandes mudanças ao redor, mas ele ficava cada vez mais inquieto, como se ficar muito tempo ali o fizesse ser perseguido por algo.
“Sim, vou colocar o mais curto.” A maioria dos filmes de terror dura cerca de uma hora e meia, mas Chen Ge viu na lista um filme de apenas vinte e cinco minutos.
O nome do filme era — Colega de Mesa.
Faltando cinco minutos para o prazo final, o filme começou oficialmente. Todas as luzes da sala particular se apagaram, e imagens um pouco borradas apareceram na tela.
“Sou cego, não vou assistir com você. Este é meu número de telefone. Me ligue quando terminar, e eu guardo tudo.” O homem ditou um número para Chen Ge, que o digitou no celular e ligou na hora.
O som de vibração saiu do bolso do homem; ele não estava enganando Chen Ge.
Tendo visto inúmeros visitantes em pânico, Chen Ge percebia que o homem estava realmente com muito medo.
Sabendo disso, ele menos queria deixá-lo ir. O homem certamente sabia de algo, só não queria contar.
“Não vá tão rápido. Ficando juntos, podemos nos ajudar.” Chen Ge ajudou o homem a sentar na fileira de espectadores. Pensando na segurança, escolheu um lugar perto da saída.
“Eu passo…”
“Fale baixo, o filme começou.”
Assistir a um filme de terror no cinema é uma experiência completamente diferente de ver em casa. A sensação de ser envolvido pela escuridão e imerso na cena não existe em casa.
Um som de batidas cardíacas chegou aos ouvidos, seguido por uma respiração pesada. Na tela, um olho enorme se abriu lentamente, e na pupila preta era possível ver vagamente a silhueta de uma mulher.
A câmera subiu lentamente, focando na mesa. O despertador marcava 4h30 da tarde. Lá fora, nuvens escuras cobriam o céu, uma opressão sufocante; uma tempestade estava prestes a chegar.
O filme inteiro parecia ser filmado em primeira pessoa. As imagens capturadas eram o que o protagonista via.
“Qiu Mei!”
Lá embaixo, alguém gritava um nome repetidamente. A câmera se moveu; o protagonista se levantou da cama e foi até a janela.
Ela abriu a janela, pareceu colocar a cabeça para fora, e a câmera capturou a cena lá embaixo.
Uma garota de casaco vermelho acenava para ela.