Capítulo 695: Finalmente alguém me aprecia! (4000)
Chen Ge finalmente encontrou Li Xu e Huang Hu no necrotério do Hospital Particular Liwan. Ambos estavam inconscientes, mas com sinais vitais estáveis, sem necessidade de transferência para a equipe de emergência.
A marca de mão de criança na nuca de Huang Hu havia desaparecido. Tong Tong vinha manipulando secretamente a comunicação entre eles.
"Vá até o depósito de corpos e traga um carrinho", disse Chen Ge, arrastando o martelo de esmagar crânios, ao paciente que vigiava Li Xu. "Fique tranquilo, não vou culpá-lo. Para turistas que usam celular na casa mal-assombrada, que insistem no erro e têm uma atitude péssima, vocês podem agir à vontade. Afinal, temos os melhores médicos aqui. Quando tivermos mais dinheiro, vou importar mais equipamentos médicos para garantir que todos se divirtam com segurança."
O paciente, que antes estava ressentido, viu seu chefe tão compreensivo e rapidamente acenou com a cabeça, preparando-se para sair.
"Espere um pouco." Chen Ge olhou para trás. "Por que tanta pressa? Esses dois foram derrubados só por você?"
O paciente varreu com o olhar as macas cobertas de lençóis brancos e, finalmente, com um senso de lealdade, acenou que sim.
"No cenário do Hospital Particular Liwan, precisamos de um líder. Você é muito bom; vou investir em você no futuro." Chen Ge não estava apenas falando; ele era um homem de ação. "Tornar-se um Vermelho é muito difícil, mas meio-Vermelho é mais fácil."
O paciente ficou paralisado. Pouco antes, ele se divertira assustando os outros; um grupo de fantasmas perseguira os dois por mais de dez minutos até que eles desmaiassem. Só então lembraram se não tinham exagerado.
A imagem assustadora passou pela mente dele; muitos pacientes fugiram, apenas o mais honesto ficou.
Ele também se sentia desconfortável. Tinha se dedicado a satisfazer as necessidades dos turistas, mas quem sabe o que se passa no coração humano? Eles o enganaram, fazendo todos os pacientes do cenário se revoltarem.
Agora que algo deu errado, ele achava que a culpa era sua, por isso ficou.
Já se preparava para ser punido, mas não esperava que Chen Ge não só não o criticasse, como ainda prometesse investir nele. Esse contraste psicológico trouxe ao seu coração, antes tomado pelo rancor, um sentimento estranho e indescritível.
"Chega de ficar aí parado. Vá ao depósito de corpos, pegue um carrinho e leve os dois para a saída do cenário."
O paciente saiu correndo, feliz, enquanto Chen Ge se agachou ao lado de Huang Hu e Li Xu para examiná-los. "Li Xu está maquiado. Um turista veio à minha casa mal-assombrada se fantasiar de fantasma para assustar meus funcionários?"
"Huang Hu veio fazer live na minha casa, expondo o design interno para dezenas de milhares de pessoas. Li Xu veio se fantasiar de fantasma para atrapalhar. Eles têm funções claras, parece que tudo foi planejado." Chen Ge encontrou no bolso de Li Xu um pequeno kit de maquiagem e um cartão de acesso do Virtual Future Park.
O Virtual Future Park ainda não estava aberto, e todos os projetos internos eram sigilosos; só era possível entrar com o cartão.
"Então eles estão mesmo ligados ao Virtual Future Park." Chen Ge colocou tudo de volta no lugar, sem levar nada. "O Virtual Future Park vai abrir em breve, não posso perder mais tempo. Vou me esforçar para lançar o cenário de quatro estrelas no dia da inauguração!"
Levantando-se, Chen Ge arrastou o martelo e saiu do Hospital Particular Liwan.
...
No subsolo do Residencial Liwan, no segundo andar, Kurozaki e sua assistente Xia Xia estavam arrancando diligentemente a fita adesiva das paredes da sala.
Essa era a tarefa que Wei Jinyuan lhes dera, mas o que os deixava inquietos era que, minutos antes, do subsolo mais profundo, vieram os gritos de Wei Jinyuan, como se estivesse sendo abatido.
Os dois não eram muito corajosos; os gritos de Wei Jinyuan os deixaram ainda mais nervosos, com o coração batendo mais rápido.
"Vamos descer para ver?" Xia Xia perguntou educadamente a Kurozaki, mas seu rosto mostrava total resistência.
"Melhor não. Cada um na sua área. Wei Jinyuan disse que trabalha em uma casa mal-assombrada; acredito que ele possa lidar com isso." Kurozaki tossiu. Ele já tinha visto a marca na nuca de Wei Jinyuan e sabia que algo ia acontecer.
"E agora?" Xia Xia fez uma pergunta crucial. Wei Jinyuan, embora parecesse mentalmente instável, dava uma sensação de segurança. Agora que ele "morrera", os dois precisavam enfrentar os fantasmas desconhecidos sozinhos.
"Calma." Kurozaki pensou um pouco e teve uma ideia: "Vamos esperar aqui. Wei Jinyuan tem um companheiro no prédio ao lado. Quando ele ouvir os gritos, vai vir. Aí a gente segue ele."
"Ok." Xia Xia olhou para a porta entreaberta, além da qual o corredor escuro se estendia. "Que tal eu fechar a porta?"
"Sim, vamos fingir que não tem ninguém aqui e ficar de olho pelo olho mágico."
"Mas a fita da porta já foi arrancada."
"Não podemos nos preocupar com isso agora."
Os dois fecharam a porta e ficaram de guarda.
Kurozaki se encostou na porta e olhou pelo olho mágico. Lá fora, tudo era escuridão, nada se via.
Xia Xia, encostada na parede, suava frio. Sem saber por quê, sentia um aperto no coração, como se houvesse mais alguém na sala.
"Professor, por que todos os móveis desta sala estão cobertos de fita adesiva?"
"Não sei." Kurozaki respondeu distraidamente, ainda tentando enxergar o corredor.
"A fita serve para evitar que as coisas se quebrem. Será que esses móveis se movem sozinhos? Todas as frestas estão lacradas. Será que as gavetas podem se abrir sozinhas? O dono da casa lacrou tudo para evitar isso?" Xia Xia não percebia o horror do que estava dizendo.
"Abrir sozinhas? Por que as gavetas abririam sozinhas?" Kurozaki se virou para olhar Xia Xia.
"Talvez haja algo escondido dentro dos móveis, ou alguém invisível na sala que mexa neles."
"Alguém invisível?" Kurozaki empalideceu, mas ainda conseguia se manter calmo. "Isso é um ótimo material para meu mangá. Já encontrei duas ideias em poucos minutos de visita."
"Professor, será melhor irmos embora. Este lugar é estranho." Xia Xia olhou ao redor, inquieta, e notou que o DVD, antes desligado na sala, estava ligado.
"Estranho é bom! Quanto mais assustador, melhor! Quero mostrar a quem acha que só sei desenhar hentai que um verdadeiro mangaká pode dominar qualquer gênero!" Kurozaki, de temperamento explosivo e sem muitas obras além de hentais, ficava cada vez mais irritado.
"O DVD estava ligado quando entramos?" Xia Xia não prestava atenção ao que Kurozaki dizia; olhava fixamente para o DVD, e, sob seu olhar, a luz de espera da televisão na sala também acendeu.
"Olha!" gritou Xia Xia. "Professor! Parece que ativamos algo!"
"Calma." Kurozaki pediu que ela se acalmasse, e os dois se aproximaram lentamente da televisão.
"Deve ser controle remoto. Já vi isso em casas mal-assombradas no Japão. A situação é ruim; o dono assustador está agindo!" Kurozaki examinou a TV e, sem querer, tocou em algo. A tela mostrou uma imagem.
A luz fria e fraca iluminou seus rostos. Ambos olharam para a tela.
A qualidade da TV antiga era péssima, mas reconheceram imediatamente: a imagem era exatamente daquela sala.
Idêntica, como se alguém tivesse colocado uma câmera em cima da TV apontada para a porta.
"Circuito interno? Instalar câmera na própria casa?" Kurozaki e Xia Xia ficaram imóveis, olhando para a tela.
Passaram-se mais de dez segundos, e a imagem continuava a mesma, sem mudanças.
"Instalar câmera em casa significa que coisas estranhas acontecem aqui, e o dono quer descobrir a causa." Kurozaki abriu a gaveta do aparador da TV, cheia de CDs sem capa, todas gravadas pelo dono. "As pistas para escapar devem estar nesses CDs."
Kurozaki vasculhava a gaveta em busca de pistas, enquanto Xia Xia continuava olhando para a tela. Sentia que, na imagem aparentemente estática, algo se movia.
"São insetos?" Xia Xia deu alguns passos à frente, quase encostando o rosto na tela, e fixou o olhar na porta do banheiro.
A porta estava entreaberta; na lateral, alguns fios de cabelo preto apareciam.
"Parece cabelo."
Quando a TV ligou, não havia nada perto do banheiro; esses fios eram novos.
Xia Xia ficou confusa e ia chamar Kurozaki para ver, quando os fios de cabelo na tela se moveram de repente.
"O cabelo está se mexendo?"
A qualidade da imagem era ruim; ela queria ter certeza e se aproximou ainda mais.
Mas, quando se inclinou para a tela, o rosto de uma mulher surgiu abruptamente do banheiro!
"Ah!"
Xia Xia gritou, pulando no sofá de susto. "Fantasma! Professor! Na TV! Ela está na TV!"
A sala não era grande e estava silenciosa; o grito de Xia Xia assustou Kurozaki.
Ele largou os CDs e olhou para a TV.
Na tela, o rosto de uma mulher aparecia do banheiro.
Era um rosto delicado, mas o que aterrorizava Kurozaki era que, não importava onde ele estivesse na sala, aquele rosto parecia olhar para ele!
"Calma, não se desespere. Isso é só uma armadilha do dono da casa mal-assombrada." Kurozaki já estava gaguejando; queria desligar a TV, mas não achava o botão.
"Professor, vamos embora. Da próxima vez, trazemos mais gente." Xia Xia, pálida de medo, já estava sem forças, com as pernas bambas. "É muito assustador. Que tal você continuar visitando, e eu vou saindo?"
Xia Xia se apoiou na borda do sofá e tentou pular, mas, ao se virar, viu.
A poucos metros de distância, o rosto de uma mulher saía do banheiro, exatamente como no vídeo!
"Droga, estou tendo alucinações." Xia Xia olhou para a TV; a imagem ainda estava congelada no momento em que a cabeça da mulher aparecia no banheiro. "Isso, é cena da TV."
Ela virou a cabeça de novo e se deparou com uma mulher: traços delicados, rosto bonito, corpo cheio de cicatrizes e sangue escorrendo.
Os músculos do rosto se contraíram; ao cair para trás, Xia Xia usou toda a força para gritar: "Fantasma! Tem fantasma!"
Kurozaki ainda estudava por que a mulher na TV o encarava, suspeitando que ela usasse a técnica de Da Vinci ao pintar a Mona Lisa.
Mas, antes que pudesse descobrir, ouviu o grito de Xia Xia. Quando se virou, também ficou paralisado.
Na sala vazia que haviam verificado várias vezes, de repente apareceu uma mulher coberta de sangue e cheia de ferimentos!
Isso não era apenas assustador; era chocante!
Xia Xia o alertara, então Kurozaki estava preparado. Embora morresse de medo, ainda controlava o corpo.
A mulher bloqueava a porta da sala; Kurozaki arrastou Xia Xia para o quarto.
"Puf!"
Fechou a porta; seu coração batia cada vez mais rápido. Já pensava em chamar a polícia.
"O que fazer? O que fazer?!" Kurozaki, apavorado, quase esqueceu que estava em uma casa mal-assombrada. Levou um tempo para se lembrar: "É verdade, estou visitando uma casa mal-assombrada!"
Ele se encostou na porta e gritou para fora: "Desisto! Não quero mais! Vão embora! Por favor, vão!"
Ninguém respondeu; não se ouvia passos. Kurozaki segurava Xia Xia; nenhum dos dois ousava sair primeiro.
"Que tal... ficarmos aqui?" Depois do ocorrido, Kurozaki não ousava mais se exibir. Aquela casa mal-assombrada estudava a psicologia humana ao extremo.
Outras casas mal-assombradas relaxavam os turistas e, de repente, os assustavam.
Esta era diferente: já assustava de cara, quebrava a defesa psicológica e, depois, assustava de um ângulo diferente, dez vezes mais forte.
"Um dia, vou trazer os mangakás que me desprezam para visitar este lugar." Não havia movimento lá fora; Kurozaki não sabia o que fazer. "A mulher fantasma bloqueou a porta, impedindo a saída. Deve haver um motivo para o design da casa. Será que este quarto, o único esconderijo, tem pistas?"
Pediu a Xia Xia que segurasse a porta e olhou para dentro. Notou algo estranho: na escrivaninha do quarto, havia papéis de desenho e várias canetas de formatos diferentes.
"Caneta G? Caneta redonda? Caneta de arte?" Kurozaki reconheceu as canetas na mesa. "Caneta G para desenhar personagens principais, caneta redonda para detalhes como dobras de roupa e cílios, caneta de arte para preencher áreas escuras. São canetas de mangá! Será que o dono da casa é um mangaká?"
Nunca imaginou encontrar um colega de profissão em uma casa mal-assombrada.
Ele foi até a mesa e folheou os rascunhos.
No início, não deu importância, mas, quanto mais olhava, mais se surpreendia.
"Um estilo de desenho nunca visto antes; um design de história que causa arrepios só de olhar. Quem criou isso é um gênio! Será que ele está criando um novo gênero?"