Capítulo 702: Capítulo 702 Capítulo 688 Realmente Deixa a Gente Confuso (4000)

Capítulo 688: Realmente Desconcertante (4000)

Na cidade abandonada, uma névoa leve começou a pairar sem que se soubesse quando, e sombras se moviam entre os edifícios sombrios de ambos os lados.

A temperatura caiu novamente, e era possível ouvir vozes de mulheres e crianças ao longe, mas quando a assistente tentou ouvir com mais atenção, percebeu que tudo ao redor estava em silêncio absoluto; o único som que conseguia ouvir era o próprio batimento cardíaco.

— Professor, você não está brincando comigo, está? — Na penumbra do cenário, com a névoa leve, a assistente não viu as marcas de mão no pescoço de Wei Jinyuan: — Será que foi algum funcionário da casa mal-assombrada? Quando o Wei Jinyuan enfiou a cabeça pela janela, o funcionário aproveitou para passar algum tipo de tinta especial no pescoço dele? Já vimos tintas parecidas no exterior; a cor é bem clara, mas quando a pessoa sua e fica um pouco úmida, a cor se intensifica.

— Também não estou entendendo nada agora. Sempre sinto que as casas mal-assombradas daqui são diferentes das de fora. Quando eu ia a casas mal-assombradas no exterior, não sentia essa ansiedade. — Kuroshaki segurou o peito: — Este lugar não tem coisas pesadas como sangue ou membros, mas, ao caminhar por ele, há uma sensação opressiva inexplicável, como se, neste exato momento, houvesse inúmeros olhos nos observando.

— De qualquer forma, não vou acreditar nessa história de alguém montado no pescoço. Mas é um material muito bom; você pode usar na sua obra. — A assistente achou que Kuroshaki devia estar sob muito estresse ultimamente, e, sendo ele um artista, isso gerava essas associações tão assustadoras.

Ao mencionar seu mangá, os olhos de Kuroshaki brilharam muito mais: — Verdade ou não, é um ótimo material. Está bem, vamos segui-los; com eles na frente abrindo caminho, estaremos mais seguros.

Fazer o que vem à mente era o estilo de Kuroshaki. Ele se dedicava de corpo e alma às suas paixões, e foi assim que, de um Li Baofu que vivia nas ruas, ele se tornou o mestre ilustrador Kuroshaki Daija.

O subsolo era muito escuro, com apenas algumas luzes fracas saindo dos edifícios ao redor, mas, quando alguém se aproximava, essas luzes se apagavam de repente, só acendendo novamente quando os visitantes se afastavam.

— Interessante. Parece que a casa mal-assombrada usa muitas tecnologias novas: luzes com sensor, máquinas de névoa... — Wei Jinyuan tentava interpretar a casa com seu conhecimento, analisando tudo com lógica.

Quando estava prestes a continuar andando, seu celular tocou de repente. Ele olhou para baixo e viu que era Li Xu ligando.

Atendeu a chamada, pensando em perguntar como estava a situação do outro lado: — Como estão as coisas aí? Encontraram alguma pista?

— Sinto que esta casa mal-assombrada é mais chata do que eu imaginava. Já revistamos alguns cômodos, mas estão todos vazios, sem mecanismos nem atores. — A voz de Li Xu veio do outro lado.

— Quando vim, já perguntei: esta casa mal-assombrada abriu vários cenários em sequência num curto espaço de tempo, é impossível que todos sejam perfeitos. E você notou? A dificuldade deste cenário é três estrelas e meia, parece um produto inacabado. Talvez o tal Chen tenha sido pressionado pela pressão do Parque Virtual do Futuro e tenha aberto o cenário antes de estar completamente pronto. — Wei Jinyuan andava pela rua, e cada vez mais cômodos apareciam dos dois lados.

— Não vou mais enrolar. Falamos daqui a dez minutos; vou continuar procurando pistas. — Li Xu desligou.

— Doente? Mal nos separamos há um minuto, pra que ligar? — Wei Jinyuan guardou o celular e coçou o pescoço, sentindo uma coceira estranha na nuca, como se tivesse sido picado por um mosquito.

O caminho à frente ficava cada vez mais estreito. Depois de mais uns dez metros, Li Changyin viu uma placa de madeira pendurada na parede ao lado, com uma frase escrita em sangue: — Estou entre vocês.

— Começaram com sugestão psicológica? Truque chato. — Wei Jinyuan tirou o celular e fotografou a placa, guardando a imagem: — Esta é a primeira surpresa que encontrei na casa mal-assombrada. Inacreditável que uma casa com sustos tão mal distribuídos possa fazer tanto sucesso.

— Não subestime. O que está escrito na placa pode ser verdade. — Li Changyin continuava com o rosto sério: — Vi análises na internet; alguns suspeitam que o dono da casa já misturou atores no meio dos visitantes para confundir o julgamento deles. Claro, é só especulação; ninguém tem provas ainda.

— Tanto faz. — Wei Jinyuan virou a placa; no verso estava escrito "Bairro Dongli": — Este lugar deve ser a área residencial. A segunda pista que o dono da casa deu está nesta área; provavelmente vamos encontrar algo aqui.

Li Changyin assentiu, e os dois entraram diretamente no pátio onde a placa estava pendurada.

— Professor, não fique aí parado; venha logo. — A assistente o apressou, enquanto Kuroshaki ficou do lado de fora do pátio, olhando para a placa na parede, como se estivesse pensando profundamente na frase.

— Você acha... que pode realmente haver algo infiltrado entre nós? — A voz de Kuroshaki estava rouca; ele olhou ao redor: — Talvez seja porque a atmosfera desta casa mal-assombrada seja bem construída, mas estou me sentindo estranho agora.

Kuroshaki e a assistente entraram no bairro atrás deles. Quase no momento em que pisaram no bairro, algumas sombras passaram rapidamente atrás deles.

Havia três entradas de prédios enfileiradas no bairro, numeradas de um a três. De dentro delas, sons estranhos saíam de vez em quando, como se uma criança estivesse batendo suavemente em vidro com alguma coisa.

— Além de parecer mais velho e deteriorado, me lembra o centro antigo da nossa cidade. — Wei Jinyuan olhou para as paredes descascadas e parou na frente da primeira entrada: — Juntos ou separados? O que está escondido nessas três entradas deve ser diferente.

— Eu vou sozinho; você fica com os dois. — Li Changyin entrou sozinho na entrada do prédio três, e sua figura desapareceu rapidamente, só se ouvindo seus passos.

— Que impaciente. Espero que ele não assuste os atores da casa. — Wei Jinyuan olhou para trás e viu que Kuroshaki e a assistente ainda estavam no centro do bairro: — O que vocês estão fazendo? Não enrolem!

— Desculpe, já estamos indo. — A assistente puxou a manga de Kuroshaki: — Professor, vamos.

— Tá. — Kuroshaki fixou o olhar na grama alta na borda do bairro. Mesmo sem sentir vento, a grama no canto da parede balançava, como se houvesse alguém deitado ali.

Sem se aproximar da grama, Kuroshaki, a assistente e Wei Jinyuan entraram juntos na entrada do prédio um.

No chão, havia manchas de água; as paredes estavam rachadas, parecendo bocas abertas.

O corredor descia, a luz era muito fraca, e só se viam portas entreabertas.

— Quantos andares tem isso aqui embaixo? — Wei Jinyuan pegou o celular e ligou a lanterna. A luz cortou a escuridão, mas não trazia segurança; pelo contrário, quanto mais se via, mais assustador parecia.

De vez em quando, pedaços de tinta branca caíam do teto; nas grades de ferro enferrujadas, havia marcas de mãos. A sensação opressiva aumentava, como se um peso enorme estivesse sobre o coração.

Coçando o pescoço, Wei Jinyuan empurrou a porta do primeiro cômodo. Dentro, só havia alguns móveis velhos jogados, parecendo muito comum.

Ele dizia não ter medo, mas, ao entrar no cômodo, ficou visivelmente mais cauteloso.

Examinou cada lugar com cuidado, procurando possíveis mecanismos, mas depois de um bom tempo, não encontrou nada. Era um cômodo muito comum.

— O dono da casa está tentando me confundir com isso? — Wei Jinyuan verificou os outros cômodos do andar; não havia atores nem mesmo objetos assustadores.

— Esse dono de casa mal-assombrada é doente? Construir cômodos vazios só para enfeitar?

Se não fosse dentro da casa mal-assombrada, Wei Jinyuan até acharia que esses cômodos poderiam ser alugados como apartamentos baratos.

Ele desceu as escadas até o segundo subsolo. A estrutura era a mesma, mas a diferença era que havia um corredor escuro e comprido, que conectava os três blocos de apartamentos.

Wei Jinyuan chamou baixinho na direção do outro lado do corredor: — Cara frio? Você está aí?

Conseguia ouvir passos, mas não via ninguém.

— O cara frio foi para o terceiro subsolo? Não faz sentido! Se está tão perto, ele deveria responder se ouviu minha voz.

Wei Jinyuan suava na testa. Todos os edifícios na superfície podiam ser disfarces; o que era realmente assustador estava no subsolo.

— Esses edifícios são interligados por baixo, como um labirinto subterrâneo.

Ele olhou para o corredor; uma aura gélida vinha de todos os lados. Era claramente diferente do lado de fora.

Empurrou a porta mais próxima, e, com a luz do celular, deu uma olhada de fora: — A disposição dos cômodos no segundo subsolo é igual à do primeiro. Qual será o objetivo do dono da casa com esse design? Não consigo entender a intenção dele!

Wei Jinyuan tentava o tempo todo entender o que tornava a casa mal-assombrada de Chen tão assustadora, por que atraía tantos visitantes, mas desde que entrou, ainda não tinha descoberto nada.

Empurrando portas uma após a outra, quando já estava prestes a desistir, ele de repente notou que uma porta era diferente das outras.

A fresta dessa porta estava toda lacrada com fita adesiva, e o olho mágico também estava coberto.

— Tem algo errado. — Wei Jinyuan arrancou a fita da porta e a abriu lentamente.

O cômodo atrás dessa porta era realmente diferente dos outros; todos os móveis estavam cobertos de fita adesiva.

— Parece que a pista está escondida aqui. — Wei Jinyuan arrancou a fita do sapateiro e olhou dentro; havia cinco pares de sapatos: um par de sandálias de salto femininas, um par de sapatos de pano de senhora idosa, e os outros três eram sapatos masculinos, todos de tamanhos diferentes.

— Esses sapatos são um enigma? — Wei Jinyuan pegou um sapato e examinou com cuidado, mas depois de um tempo, desistiu: — Esse dono de casa mal-assombrada é um psicopata? Colocar um monte de coisas inúteis! Será que ele sabe mesmo projetar uma casa mal-assombrada?

Quanto mais olhava, mais irritado ficava. Wei Jinyuan percebeu que ainda havia muitos móveis no cômodo cobertos de fita; sozinho, não daria conta: — Ei! Vocês dois, venham ajudar!

— Encontrou alguma coisa? — A assistente e Kuroshaki correram para o cômodo e, ao verem o lugar cheio de fita, levaram um susto.

— Arranquem toda essa fita; a pista deve estar escondida aí. — Sob o comando de Wei Jinyuan, eles arrancaram toda a fita dos armários, gavetas, debaixo da cama e das portas, reviraram tudo, mas não encontraram nada.

— Esse dono de casa está de brincadeira comigo? — Wei Jinyuan ficava cada vez mais irritado; coçou o pescoço com força, sentindo a nuca cada vez mais coçando: — Vocês dois fiquem aqui, arranquem toda a fita, sem deixar nenhum pedaço. Vou dar uma olhada no andar de baixo.

Wei Jinyuan deixou Kuroshaki e a assistente e saiu sozinho.

O andar mais baixo era ainda mais escuro; sem a lanterna, não se via nada. Diferente do andar de cima, havia dois corredores, um à esquerda e outro à direita.

Um corredor ligava os outros dois blocos, e o outro não se sabia para onde ia.

Wei Jinyuan respirou fundo; suas mãos estavam cerradas, e as palmas estavam molhadas de suor sem que ele percebesse.

Ele olhou para a esquerda do corredor; havia uma silhueta humana borrada encostada na parede.

— Li Changyin?

Sem usar o apelido, Wei Jinyuan chamou o nome completo de Li Changyin e apontou a lanterna para o lugar onde a figura estava.

Sem resposta. A figura não era Li Changyin.

— Como é que o cara frio parece ter sumido depois que entrou no prédio? Estávamos a apenas alguns metros de distância! — Não sendo o cara frio, só podia ser um funcionário da casa mal-assombrada. Wei Jinyuan segurou o celular e andou rápido.

— Normalmente, os atores de casas mal-assombradas se escondem em cantos ou atrás de portas e pulam de repente quando os visitantes passam. Mas esse cara, o que é isso? Ficar parado no corredor, como se quisesse que todos o vissem?

Por mais que Wei Jinyuan chamasse, a sombra não se mexia.

Quando se aproximou, começou a perceber que a silhueta parecia estranha; a forma dela mudava lentamente, ficando cada vez mais parecida com o próprio corpo dele.

Era uma experiência muito estranha, como se estivesse atrás de si mesmo, olhando para o próprio corpo.

Wei Jinyuan engoliu em seco; finalmente chegou a três metros da figura.

Ajustou a respiração e estava prestes a falar quando o celular que segurava no peito vibrou de repente!

— Puta merda!

Soltou um palavrão, Wei Jinyuan abaixou a cabeça e atendeu a chamada. Antes mesmo de ver o nome no visor, quando levantou a cabeça, a sombra à sua frente tinha desaparecido.

— Para onde foi?

— Alô, Jinyuan, encontrei um mapa da cidade aqui. Tem uma área marcada com um X vermelho aí do seu lado...

— Fala depois! — Wei Jinyuan desligou na cara e apontou o celular para os lados: — Acabou de ligar, e liga de novo. Que mania.

— Para onde ele foi? — No tempo de abaixar e levantar a cabeça, a pessoa à sua frente sumiu, sem fazer barulho, como se tivesse evaporado.

— Não ouvi passos. As portas dos dois lados estão abertas; ele deve ter entrado em algum cômodo. — Wei Jinyuan foi até o lugar onde a sombra estava: — O cômodo mais próximo fica a mais de um metro. Quantas vezes ele treinou para conseguir se esconder num piscar de olhos?

Wei Jinyuan olhou para dentro do cômodo. A estrutura era igual à dos outros, mas o chão estava cheio de manchas de sangue.

Em casas mal-assombradas, para causar impacto visual, o sangue artificial costuma ser muito vibrante, mas as manchas aqui tinham um tom marrom-escuro estranho, como se realmente tivesse ocorrido um crime ali, e o sangue tivesse sido deixado há muitos anos, penetrando na estrutura, impossível de limpar.

— Ele entrou neste cômodo? — Alguns cômodos, quando muitas pessoas moram, são animados, e ao entrar, sente-se a presença humana. Mas outros, ao entrar, causam um mal-estar, arrepiam os pelos; até hoje, ninguém deu uma explicação razoável.

Wei Jinyuan sentia exatamente isso agora. Naquele cômodo, não havia nenhum vestígio de vida; era como uma câmara frigorífica para cadáveres.

— Sai daí! Já te vi! — Wei Jinyuan gritou para dentro do cômodo, mas só ouviu o eco. Ele deu mais alguns passos para dentro, e as manchas de sangue aumentavam.

— O sangue está todo coagulado na estrutura, não só na superfície. Como ele fez isso?

Passou pela sala e parou na porta do quarto.

— Aqui tem mais sangue; o segredo do cômodo deve estar escondido aqui. — Wei Jinyuan empurrou a porta do quarto, segurando firme o celular, e um suor frio escorreu de repente.

O quarto estava cheio de manchas de sangue chocantes, e no fim delas, estava uma mulher vestida de vermelho.

Ela estava de costas para Wei Jinyuan, batendo levemente a cabeça na parede, produzindo um som estranho.