Capítulo 667: Manchas de Gordura, Elevador, Cigarros (4000)
Por toda parte, gritos e lamentos. Era uma grande limpeza. A Sombra, no momento crucial, foi extremamente decidida: preferia matar mil inocentes a deixar um único culpado escapar.
Depois de sair do prédio, Chen Ge rapidamente percebeu a gravidade da situação. Nas ruas, nas paredes, nos edifícios ao redor, manchas humanoides começavam a surgir por toda parte.
Elas atacavam furiosamente tudo o que viam. Fosse um vivo ou um espectro cruel, uma vez descobertos, era uma luta até a morte.
— Sai daí!
A janela de uma casa à esquerda de Chen Ge foi empurrada. Através da grade de proteção, ele viu um homem vestindo apenas uma calça, segurando um abajur e batendo com força no canto do quarto.
A porta foi aberta silenciosamente. Uma mancha exalando um perigo intenso entrou no cômodo. Era um velho, de costas curvadas, sem rosto, voltado para o homem. Com uma velocidade totalmente incompatível com seu corpo, ele avançou em direção ao homem perto da janela.
— Droga! Não chega perto! — O homem pegou o cinzeiro de vidro no parapeito e o arremessou, mas o objeto atravessou o corpo do velho como se passasse por um líquido, sem diminuir sua velocidade em nada.
O medo em seus olhos quase transbordava. Ele jogou tudo o que podia pegar, mas nada conseguia detê-lo.
— Esta casa foi uma luta para conseguir, tirando de outros malucos. — Durante o tempo que vivera em Liwan, o homem já vira muitas coisas estranhas e passara por situações inimagináveis, mas sempre sobrevivera.
Ele era um louco, internado várias vezes pela família em hospitais psiquiátricos. Acreditava firmemente na existência de Deus, mas, diferente dos outros fiéis, teimava em acreditar que ele próprio era Deus. Não importava como se machucasse, não podia morrer de verdade — essa era a prova.
— Vou enfrentar! Velhote! Você está desafiando Deus! — A janela tinha grade de proteção, então o homem não podia sair. A casa que antes lhe dava segurança agora era uma prisão que limitava sua fuga. Só lhe restava lutar.
Ele pegou a cadeira tombada ao lado e a golpeou na cabeça da mancha humanoide.
Bater no crânio era a forma mais eficaz de usar uma arma contundente, mas, para sua surpresa, a cadeira atingiu a cabeça da mancha como se batesse em um líquido.
A cadeira atravessou a mancha. O homem largou-a rapidamente, mas o velho já estava na sua frente.
Ele correu para a cama, viu Chen Ge do lado de fora da grade e gritou por socorro, mas já era tarde.
A mancha humanoide subiu em seu corpo, grudou em suas costas e começou a se fundir com ele.
A pele do homem ficou cinza a olhos vistos. Suas mãos, que seguravam a grade, afrouxaram sem força. Em seu rosto, outra face começou a surgir, cheia de rugas, pele ressecada.
Os dois rostos se sobrepuseram. Talvez pela dor extrema, o homem perdeu a razão. Tentou se espremer por uma pequena falha na grade à direita, que ele mesmo havia deixado como rota de fuga — difícil de notar. Não estar vestindo uma camisa também era uma precaução para não ficar preso.
— Me salva! Me salva!
O corpo foi arranhado, deixando marcas de sangue. Sua expressão se distorceu. Algo parecia rastejar sob a pele, formando relevos que explodiam um após o outro.
Sangue cinza-escuro escorria do corpo sem vida do homem. No sangue, havia partículas pretas e cinzentas.
Em apenas alguns segundos, as partículas se juntaram e emergiram das costas do homem.
A cena era bizarra. Era como se o velho tivesse renascido naquela vítima. Chen Ge sentiu nele uma segunda emoção, além da destruição: uma sensação de vingança prazerosa.
O cadáver do homem ficou preso na grade. Mais assustador ainda: depois que o corpo caiu, no local onde ele morreu, surgiu uma pequena mancha.
A mancha ainda não estava formada, mas Chen Ge tinha o pressentimento de que, se não fosse impedida, em alguns anos, outra mancha humanoide apareceria no parapeito.
— Quem é morto por essas manchas também vira mancha. Isso é como uma doença contagiosa. — A morte do homem foi terrível. Chen Ge ficou ainda mais relutante em enfrentar essas coisas. — A arma secreta da Sombra é realmente assustadora. Depois que ele terminar a "limpeza", o número de manchas humanoides em Liwan vai aumentar.
Grá, grá, grá...
Um som estranho veio de trás. A garota sem rosto ainda seguia Chen Ge. O velho no quarto também o notou e veio atrás.
— Essas coisas devem ter um ponto fraco, mas não tenho tempo para procurar agora. — Chen Ge queria se livrar da garota e do velho, mas viu mais manchas humanoides na frente.
— A situação não é boa. — Chen Ge usou a Pupila Yin para olhar ao longe. Todas as manchas humanoides nos prédios de Liwan estavam despertando lentamente. Muitos assassinos foram forçados a sair para as ruas, correndo em duas direções principais.
Uma era o caminho onde o Dr. Gao enfrentava a Sombra. Havia muitas manchas ali, mas estavam bloqueadas por névoa de sangue e correntes, temporariamente impedidas de entrar.
A outra direção, Chen Ge não sabia para onde levava. Para não se expor, ele seguiu o grupo, misturando-se aos assassinos.
Quem conseguia sobreviver em Liwan, independentemente da habilidade, pelo menos corria rápido. Quando perseguido por monstros, só correndo mais que os outros se tinha chance de viver.
Liwan não era grande. Sob a perseguição das manchas, o grupo logo percorreu metade da cidade, parando finalmente diante de um prédio residencial antigo.
O estilo arquitetônico era de muitos anos atrás. Dentro, havia um elevador de porta corrediça.
Esse tipo de elevador raramente era instalado em prédios residenciais, sendo mais usado para transporte de carga.
— Saiam da frente! — A capacidade do elevador era limitada; quanto mais cedo entrassem, melhor. Com a vida ameaçada, os assassinos revelaram sua verdadeira natureza.
Não havia trabalho em equipe em suas mentes. Nunca pensavam em benefício mútuo; só queriam sobreviver sozinhos.
O prédio tinha nove andares, o que já era alto em Liwan. Chen Ge usou a Pupila Yin para examinar e também notou algo estranho.
Em outros prédios, manchas apareciam, mas neste reinava um silêncio absoluto. Sem manchas, sem espectros, e aparentemente sem vida alguma.
— Tenho a impressão de que este prédio é mais assustador que as próprias manchas. — O assassino mais à frente já havia entrado no elevador. Apertou o botão sem hesitar, desejando que a porta fechasse imediatamente.
— Pá!
Quem vinha atrás percebeu que o homem tentava ir sozinho e atirou armas afiadas em sua direção. A porta do elevador de carga antigo era vazada e lenta, fazendo com que ninguém conseguisse sair por ali.
— Vou pelas escadas. — Chen Ge não se interessava por aqueles assassinos. Não tinham valor nem para serem funcionários. Perder tempo com intrigas era pior que investigar por conta própria.
Chegou à entrada da escada, mas antes de entrar, ao erguer a cabeça, paralisou como se tivesse levado um choque.
Na parede ao lado da única escada do prédio, estava colado um pôster do Novo Século Parque!
O pôster estava amarelado e faltava um pedaço grande, mas Chen Ge o reconheceu de imediato, pois no centro estava a sua Casa do Terror!
Anos atrás, quando o parque abriu, a casa assombrada de Chen Ge era a atração principal. Na época, a informação não se espalhava tão rápido, então o parque distribuía cartazes e anúncios por toda Jiujiang. Os visitantes também ganhavam pôsteres gratuitos para ajudar na divulgação.
Se fosse só o pôster, Chen Ge não ficaria tão animado, apenas surpreso. Mas ele lembrou de algo.
No caminho, recebera uma ligação de Fan Cong.
Na ligação, Fan Cong disse claramente que tinha zerado o jogo da Xiaobu. A última cena mostrava Xiaobu entrando em um prédio, e na parede desse prédio havia um pôster do Novo Século Parque!
— Finalmente encontrei! — Chen Ge tinha procurado por esse lugar enquanto andava por Liwan, mas nunca o achara. Agora, finalmente, seu desejo se realizara.
— Xiaobu pode estar aqui. Meus pais podem ter deixado informações neste prédio!
No Depósito de Corpos Subterrâneo, depois de lutar com o Dr. Gao, este, que mal se controlava, mostrou a Chen Ge uma foto.
Na foto, os pais de Chen Ge estavam com a garotinha de vermelho. A garota era Xiaobu. Então, Chen Ge tinha certeza de que Xiaobu sabia algo sobre seus pais. Eles certamente haviam se comunicado!
Quanto mais missões ele desbloqueava, mais percebia que o desaparecimento de seus pais não era simples. Envolvia tantas coisas, era tão vasto, que superava sua imaginação.
Toda vez que achava estar perto da verdade, uma escuridão mais profunda se revelava.
Tocando a borda do pôster, Chen Ge olhou para a escada. Convocou todos os espectros que carregava e deu alguns passos para dentro.
— Bloqueado?
Ele não sabia se fora a Sombra ou se o prédio já estava lacrado. A escada estava obstruída por tijolos, sem a menor fresta.
— Pá!
Chen Ge bateu na parede com o Martelo Esmagador de Crânios. A parede era muito grossa; quebrá-la levaria tempo.
— Parece que só dá pelo elevador.
Xiaobu podia estar escondida naquele prédio. Envolvia o segredo final de Liwan e também o desaparecimento de seus pais. Chen Ge deixou de lado sua habitual gentileza. Com o martelo na mão e Xu Yin ao lado, correu para o elevador.
— Se ousarem fechar a porta, vou quebrar os cabos de segurança do elevador!
A uns dez metros de distância, Chen Ge gritou. Sua voz era calma, sem tom especial, mas mesmo assim os assassinos se aquietaram.
O prédio em si não tinha manchas humanoides. As manchas do lado de fora também diminuíram a velocidade ao se aproximar, mas só um pouco.
Aquele prédio parecia ser o segundo lugar proibido para a Sombra. Ao ver que alguém se escondia ali, ele começou a emitir aquele som estranho novamente, como se chamasse nomes.
Ao ouvi-lo, as manchas aceleraram e se precipitaram para o prédio.
— Se a Sombra sabe que Xiaobu está aqui, por que não age para capturá-la? Este é o território dele, em Liwan.
Vários assassinos se amontoaram. Antes de Chen Ge chegar, já tinham brigado por causa do excesso de peso. Ninguém queria ser jogado fora, então produziram alguns cadáveres.
Quando Chen Ge entrou, o elevador finalmente começou a descer, balançando.
— Por que está descendo? — exclamou o assassino perto do painel de controle. — Apertei para subir!
— Calma. Pode ser que alguém no subsolo queira subir. — O elevador estava lotado, mas, mesmo assim, ao redor de Chen Ge havia um espaço vazio.
O prédio tinha dois andares subterrâneos, todos alugados como porões para forasteiros que não podiam pagar aluguel.
Anos atrás, Jiujiang planejava desenvolver a zona leste. Todos estavam otimistas, construindo fábricas e prédios, atraindo muitos trabalhadores migrantes como Jia Ming. Ninguém imaginava que a zona leste se tornaria o que é hoje.
O elevador era lento. Estranhamente, o elevador de carga parou no primeiro andar.
Não havia ninguém lá fora. O homem no painel apertou várias vezes o botão para cima.
Depois de um momento, a porta fechou, mas o elevador ainda não subiu. Continuou descendo, abrindo no segundo subsolo.
— O que está acontecendo? — O homem apertou os botões várias vezes, mas a porta não fechava. Tentou por um tempo e de repente gritou: — Por que o elevador está mostrando excesso de peso?!
O visor do elevador antigo ficava no painel, muito pequeno. Quase não se via a linha inferior.
— O número de pessoas não mudou. Por que o excesso de peso? Alguém entrou no elevador? — Todos ali já viviam em Liwan há algum tempo e sabiam das situações possíveis.
A questão agora era: ficar no elevador ou sair.
Ficar significava ter um fantasma por perto.
Sair podia significar mais monstros no fundo do subsolo.
— Será que o elevador está quebrado? Alguém quer descer para testar? — Alguém sugeriu, mas foi logo rejeitado. Ninguém queria sair.
Comparado ao subsombo escuro, subir parecia uma escolha melhor, pelo menos à primeira vista.
Não dava para ficar assim. Chen Ge não podia matar todos os assassinos, nem tinha paciência para isso. Então, saiu do elevador.
Estranhamente, assim que ele saiu, o elevador voltou ao normal.
— O quê? Será que o elevador mede o peso dos fantasmas? Está contando eles também?
Vendo Chen Ge sair, os outros assassinos, com medo que ele mudasse de ideia, apertaram rapidamente o botão para subir.
Desta vez, a porta se moveu. Enquanto fechava lentamente, Chen Ge viu várias figuras de costas dentro do elevador.
— Boa sorte para vocês.
Chen Ge, com o martelo na mão, correu pelo segundo subsolo. Encontrou cada vez mais coisas estranhas, como pôsteres do parque bem preservados nas paredes e alguns equipamentos artesanais velhos. Tudo relacionado à sua casa do terror.
Correndo até o fundo do segundo subsolo, ele parou diante de uma porta.
A porta era igual a todas as outras, sem diferença. Mas no chão, na entrada, havia muitas pontas de cigarro. E a marca era exatamente a favorita do pai de Chen Ge.