Capítulo 622: Capítulo 622 Capítulo 609 Ouvindo a Escuridão

**Capítulo 609: Ouvindo a Escuridão**

A luz atrás deles desaparecia lentamente, como se o táxi estivesse sendo empurrado para as profundezas do oceano.

Quando o último raio de luz se extinguiu, os passageiros dentro do veículo foram completamente envolvidos pela escuridão.

"Tem... tem alguém aí?" Assim que os sons de batidas no carro cessaram, o motorista ergueu a cabeça devagar, tateando o interior com as mãos em busca do celular.

"Não se mexa. Deite-se." A voz era severa. O motorista não resistiu e obedeceu, curvando-se.

Quem ordenara que o motorista não se mexesse era Chen Ge. Embora os sons de batidas nas portas e janelas tivessem parado, aquelas coisas imundas ainda cercavam o carro, sem ir embora.

"O que eles querem, afinal?" Chen Ge possuía a Pupila Sombria, capaz de enxergar o que o motorista não via. A situação deles não era nada otimista.

A superfície do táxi estava coberta de marcas de mãos ensanguentadas. E aqueles que as deixaram, naquele exato momento, estavam parados ao redor do veículo.

Todos ostentavam expressões muito estranhas, com os corpos voltados para uma única direção. Seus lábios se moviam para cima e para baixo, como guelras de peixe, inalando algum tipo de gás presente no túnel.

Cerca de dez minutos depois, um som estranho veio das profundezas do túnel. Era difícil de descrever, como se várias centopeias rastejassem pelas paredes, ou algo respirasse com força, o ar exalado raspando a superfície áspera.

Assim que o som surgiu, as coisas imundas ao redor do táxi começaram a se mover, caminhando em direção à origem do barulho.

Passos soavam aos ouvidos, mas ninguém era visto. O motorista, escondido no carro, abraçava a própria cabeça, verdadeiramente aterrorizado.

Escuridão total, nada se via, mas os ouvidos captavam todo tipo de som estranho, que se aglomeravam e invadiam sua mente. O motorista sentia que sua cabeça ia explodir.

"Pá!"

Um leve estalo veio de algum lugar dentro do carro. Parecia que uma porta havia sido aberta por alguém.

Sem luz, ninguém sabia o que realmente acontecia dentro do veículo. Passaram-se longos trinta minutos, até que todos os sons ao redor desaparecessem e o túnel recuperasse a calma. Só então o motorista, tremendo, pegou o celular e, com a fraca luz da tela, examinou o carro.

A porta traseira estava aberta, não se sabia desde quando. Não havia um único passageiro dentro. Vazio. Apenas o motorista, sentado no banco do motorista.

"Onde estão as pessoas?"

Ter alguém por perto ainda amenizava o medo. Agora, sozinho, o motorista estava à beira do desespero.

Ele apertou o botão do rádio comunicador do carro, mas só ouviu o chiado de estática. Ninguém respondia. Tentou ligar para todos os números que lembrava, mas ninguém atendeu.

Seus movimentos ficaram mais bruscos, a voz embargada: "Tem alguém aí? Qualquer um, por favor! Tem alguém!"

"Pare de berrar. Fala baixo." Um feixe de luz iluminou a frente do táxi. O motorista seguiu a direção da voz e viu um homem com uma mochila parado ao lado do carro.

O motorista reconhecia aquela silhueta. Era o primeiro passageiro que ele pegara na cidade naquela noite.

"Sem enrolação. Faça o que eu mandar. Primeiro, tenta dar partida no carro." Chen Ge segurava a mochila com uma mão, a expressão muito séria.

O motorista sabia que a situação era urgente e não fez perguntas. Tentou várias vezes, mas o carro simplesmente não ligava.

"Sai do carro. Dá uma olhada no motor. Rápido, não perde tempo." Sob a pressão de Chen Ge, o motorista saiu do veículo. Ao ver as marcas de mãos ensanguentadas por todo o carro, sentiu o couro cabeludo formigar.

Ao abrir o capô, o motorista se inclinou para olhar. O motor estava todo enroscado em tufos de cabelo preto, impossível de desembaraçar sem ferramentas.

"Você tem uma tesoura?" perguntou o motorista, em voz baixa, a Chen Ge.

"Um martro serve?"

"Não... deixa pra lá." O motorista fechou o capô e, com o rosto amargurado, seguiu Chen Ge: "Deve ser o cabelo entupindo os dutos do motor. Não tenho ferramentas, não tem como consertar."

"Se não dá pra consertar, deixa o carro aqui. Daqui pra frente, fica perto de mim. Não importa o que aconteça, não se afaste." Chen Ge ligou a lanterna do celular e seguiu na direção oposta àquela para onde as coisas imundas tinham ido.

"Você viu os outros dois passageiros? Por que só você estava no carro?" O motorista hesitou, mas perguntou.

"Você ainda acha que eles eram passageiros comuns? Aqueles dois já entraram nas profundezas do túnel." Chen Ge não tinha paciência para explicações. Se não fosse por considerar o motorista uma pessoa de bom coração, ele nem teria se preocupado em tirá-lo dali primeiro. Teria se misturado à "multidão" e seguido as coisas imundas para o fundo do túnel.

"Este túnel tem problemas. Vou te levar para fora primeiro. Depois que você estiver seguro, eu vou embora."

"Muito obrigado." A gratidão do motorista era sincera. Naquela situação, ter outro ser humano por perto já era algo para se alegrar.

"Deixa o agradecimento pra lá. Quando você sair, espero que guarde segredo. Não conte o que viu esta noite para mais ninguém." A voz de Chen Ge era baixa e rouca, cheia de mistério.

O motorista assentiu repetidamente, prometendo seguir as instruções.

Os dois caminharam um atrás do outro pelo túnel por três ou quatro minutos, mas ainda não viam a saída.

"Isso não está certo." Chen Ge parou no meio do túnel: "O táxi foi empurrado para dentro e a luz sumiu em meio minuto. O carro se movia devagar, na velocidade de uma caminhada. Ou seja, no máximo em um minuto deveríamos ter saído. Já andamos três minutos e ainda não vemos nenhum clarão."

"É mesmo! O que está acontecendo?" Com a análise de Chen Ge, o motorista suou frio: "Será que fomos na direção errada? Entramos mais fundo no túnel?"

"A frente do carro apontava para o fundo do túnel. A direção está certa."

"Então por que ainda não saímos?"

"Você me pergunta, e eu pergunto a quem?" Era a primeira vez que Chen Ge enfrentava uma situação assim. Com uma mão apoiada na parede do túnel, ele discretamente pegou o celular preto com a outra.

"Se eu pudesse contatar aquele fantasma feminino de vermelho do túnel... Da última vez nos demos tão bem. Pedir uns pequenos favores não seria problema."

Chen Ge não sabia o nome da fantasma do túnel, nem como contatá-la. Relembrando a experiência da missão anterior, teve uma ideia ousada.

Ele deslizou o dedo no celular preto, abriu a missão "Profundezas do Túnel" e releu a dica da tarefa.

"Feche os olhos. Talvez você veja um mundo diferente."

Sob o olhar chocado do motorista, Chen Ge rasgou a manga de sua própria roupa.

"O que você vai fazer?"

Chen Ge não respondeu. Dobrou o tecido algumas vezes e, certificando-se de que não passaria luz, amarrou-o sobre os próprios olhos.

"Cara, fica normal, não faz isso." O motorista ficou paralisado, sem saber o que fazer. Não conseguia entender o que passava pela cabeça de Chen Ge.

"Fique em silêncio e me siga. Se estiver com muito medo, pode fechar os olhos também." Apoiando a mão na parede, Chen Ge continuou avançando.

Hoje o editor veio com uma faca me pressionar, dizendo que meus comentários são poucos demais e não satisfazem a todos. Tem uma notícia que só fiquei sabendo há alguns dias e que vou compartilhar com vocês em breve ╰(*︶`*)╯