Capítulo 607: Capítulo 607 Capítulo 594 O Casaco do Afogado

Capítulo 594: O Casaco do Afogado

Ficou tempo demais sem respirar, e Chen Ge ainda não se recuperou totalmente.

Sua cabeça estava tonta e pesada, mas mesmo nesse estado, ele ainda segurava firmemente a tampa do caixão e a corda que atravessava o coração da boneca.

Respirando fundo algumas vezes, Chen Ge finalmente conseguiu se ajustar e olhou para a tela do celular.

"Gêmeos Afogados (missão de dificuldade duas estrelas), conclusão da missão em cem por cento, recompensa de item oculto — Casaco do Afogado."

"Casaco do Afogado (valor de rancor: dezessete): Há algo debaixo d'água, eles rastejaram lentamente para dentro da minha roupa e me arrastaram para as profundezas."

"Conclusão da missão em cem por cento. Parece que o buraco debaixo da represa não foi contado pelo celular preto como parte da missão dos Gêmeos Afogados." Chen Ge guardou o celular preto, mas ainda tinha muitas perguntas na mente: "O caixão estava preso no meio do buraco, seria para bloquear a entrada?"

Chen Ge havia notado antes que Xu Yin não ousava se aproximar da parte traseira da tampa do caixão, e achava que o segredo do caixão poderia estar escondido ali.

Vestindo-se, Chen Ge colocou a tampa do caixão atravessada no barco: "Não tem como carregar isso nas costas, e o táxi provavelmente não vai me deixar entrar com a tampa do caixão. Preciso dar um jeito."

A tampa do caixão que Chen Ge tirou da água era bem menor que a de um caixão normal, com a superfície já apodrecida e coberta por manchas avermelhadas, não se sabia se eram restos de insetos ou alguma planta aquática murcha.

Limpando essas coisas da superfície, Chen Ge fez uma descoberta impressionante na parte traseira da tampa.

Na madeira podre estava gravado um demônio, coberto de correntes e com seis olhos, quase idêntico ao demônio que a Associação de Contos Estranhos havia gravado na porta da casa mal-assombrada.

"A Associação de Contos Estranhos realizava rituais, matava pessoas e arrancava olhos, e no final fizeram essa coisa na porta da minha casa mal-assombrada. Eles queriam tomar a porta da minha casa na época, então esse símbolo de demônio deve ter a função de guardar a 'porta'." Chen Ge pegou o celular e tirou uma foto do símbolo: "O caixão estava preso no buraco, com o demônio gravado na tampa. Será que essa disposição era para selar a caverna debaixo da represa? Para impedir que algo dentro escapasse?"

Usar um caixão para selar uma caverna era uma ideia que só Chen Ge teria.

"O celular preto me deu a missão de recuperar os corpos, ou seja, ele já deveria ter considerado que eu levaria o caixão junto. Então, mesmo que haja algo assustador escondido na caverna, não representa ameaça para mim." Já que tinha tirado a tampa, devolvê-la era impossível. Chen Ge apenas encontrou uma desculpa para si mesmo: "O caixão provavelmente foi colocado pelo responsável pelos arredores leste. O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Se ele não queria que o monstro da caverna saísse, eu vou justamente soltá-lo."

Chen Ge não sabia o que havia na caverna, nem para onde ela levava.

Sinceramente, ele não estava nem um pouco curioso naquele momento. Só queria se afastar daquele lugar o mais rápido possível, com medo de que algo realmente escapasse e descontasse a raiva de estar preso nele.

Quando Chen Ge estava prestes a remar para sair, uma sombra escura e profunda apareceu na superfície calma da água.

"Quase me esqueci dela."

A sombra se grudou na borda do barco, e fios de cabelo preto emergiram da água, como se tivessem vida própria, rastejando para dentro do barco e finalmente entrando em uma das bonecas.

Pegando a boneca, Chen Ge percebeu que ela era diferente das outras. Usava um vestidinho manchado de sangue, o cabelo era de verdade, e o nome gravado nas costas também era vermelho-sangue.

"Zhao Shuang'er? Essa boneca é a irmã de Wenwen?" A missão dos Gêmeos Afogados já estava concluída, mas ainda havia muitas bonecas no barco.

"Todas as bonecas têm nomes gravados nas costas. Cada uma representa uma vida." Debaixo d'água, Chen Ge sentiu a ansiedade e o medo das crianças. Eram jovens demais, a maioria nunca tinha visto o mundo direito.

"Isso envolve coisas demais. Sozinho, não vou dar conta. Melhor contar para o Capitão Yan e os outros." Noventa por cento dos desaparecidos anuais em Jiujiang estavam nos arredores leste. Se todos tivessem morrido por causa do plano da Sombra, esse número seria aterrorizante.

Pegando separadamente a boneca onde a irmã de Wenwen estava escondida, ela tinha uma peculiaridade: a roupa estava sempre molhada.

Preocupado que ela molhasse o álbum de mangá, Chen Ge a colocou no bolso.

Chamando todos os fantasmas de volta, ChenGe remou até a margem.

Zhang Dapo, vendo Chen Ge voltar em segurança, finalmente respirou aliviado. Ele estava quase enlouquecendo na margem.

Aquele homem não só tinha ido sozinho para a represa à noite recuperar corpos, como também tinha pulado nas profundezas sem qualquer equipamento de segurança. Só de ver, Zhang Dapo já ficava com o coração na boca, com medo de que o rei dos peixes aparecesse e atacasse Chen Ge.

"Amigão, dá uma mão." O barco chegou à margem, e Chen Ge empurrou a tampa do caixão para a beira.

"O que é isso?" Zhang Dapo era um homem prático e puxou a tampa com força para a margem.

"Tampa de caixão. Encontrei no fundo da represa."

"Caixão?" Ao ouvir isso, Zhang Dapo quase perdeu o equilíbrio e caiu no chão: "Você não foi recuperar corpos? Por que está trazendo a tampa do caixão?"

"Tem quatro corpos no fundo da represa. Sozinho não dou conta. Melhor chamar a polícia e deixar os profissionais cuidarem disso."

"Qua-quatro?" Zhang Dapo mal podia acreditar que havia tantos corpos escondidos na represa que ele vigiava.

Chen Ge carregou tudo do barco para a margem, e nesse momento seu celular tocou.

"Vou chamar a polícia agora?" Zhang Dapo olhava para a tampa do caixão, com os olhos vazios e um pouco confuso.

"Calma, deixa eu atender primeiro." Quem ligava era Li Zheng. Antes, quando Chen Ge viu o marido de Huang Ling, tinha enviado mensagens para o Capitão Yan e Li Zheng, mas como era tarde, eles não responderam na hora.

Apertando o botão de atender, antes mesmo de Chen Ge falar, a voz de Li Zheng já saiu do outro lado.

"Chen Ge, você disse que o marido de Huang Ling é suspeito de homicídio? Qual a sua certeza?"

"Cem por cento. Sugiro que vocês o prendam o mais rápido possível. Esse homem é muito perigoso. Quanto mais demorar, pior." Chen Ge falou com toda convicção: "E mais uma coisa: encontrei quatro corpos femininos na Represa Donggang."

"Donggang?"

"Isso. Debaixo d'água. Quando desci para investigar, o marido de Huang Ling também estava por perto."

Li Zheng não perguntou por que Chen Ge estava procurando corpos na represa no meio da noite. Ele respondeu diretamente: "Espera aí. Nossa equipe já está a caminho."

"Obrigado pelo trabalho." Desligando o telefone, Chen Ge olhou para Zhang Dapo, que estava parado: "Amigão, a polícia já vem. Pode ser que ainda precise incomodar você."

"Sem problema. Se precisar de algo, é só falar." Depois de tudo isso, o olhar de Zhang Dapo para Chen Ge já era diferente.

Às três e dez da madrugada, os plantonistas da delegacia dos arredores leste e a polícia da delegacia municipal chegaram ao mesmo tempo.

Nesse momento, Chen Ge recebeu outra ligação de Li Zheng.

"Chen Ge, a situação está estranha. Fui pessoalmente à casa de Huang Ling. Ela está inconsciente, e o marido não está em casa."

"Vocês podem verificar as câmeras perto da Represa Donggang para determinar a rota dele. Esse homem é crucial e muito perigoso. Tenham cuidado ao procurá-lo."