## Capítulo 567: Pai e Filha
"Tem visitantes logo de manhã cedo?" Chen Song caminhou em direção ao portão do parque. O porteiro era um homem de bom coração, e era a primeira vez que Chen Song o via discutindo com alguém.
"Não é questão de comprar ou não o ingresso. O parque não abriu, os funcionários ainda não chegaram, os equipamentos estão desligados. Mesmo que você entre, não vai conseguir visitar nada direito!"
Mesmo de longe, Chen Song ouviu a voz do porteiro. Ele correu até lá e viu uma garotinha e um homem de meia-idade com expressão vazia parados na porta da guarita.
O homem de meia-idade segurava dinheiro na mão, com saliva escorrendo pelo canto da boca. Seu nariz e olhos estavam tortos, ele falava de forma entrecortada, com uma voz estranha: "Brincar... minha filha... sempre quis... vir brincar."
"Amigão, o parque abre em meia hora. Espere um pouco. Se eu deixar vocês entrarem agora e acontecer algum acidente, não posso assumir essa responsabilidade!" O porteiro tinha toda a razão, mas o homem balançava a cabeça teimosamente, como se não entendesse o que ele dizia.
"Dinheiro... juntamos dinheiro... queremos brincar."
A língua do homem parecia fora de controle. Cada palavra exigia um esforço enorme, fazendo todos os músculos do rosto tremerem.
Ele parecia não entender por que o porteiro não o deixava entrar. Apertava o dinheiro na mão e o estendia para o porteiro.
"Como é que não entende?" O porteiro segurou a testa: "Logo cedo já aparece problema. Ultimamente, as coisas estranhas em Jiujiang estão cada vez mais frequentes."
"O que houve? Eles... são visitantes?" Chen Song saiu do parque e observou as duas pessoas na entrada.
O homem de meia-idade tinha paralisia facial e um QI abaixo da média. A garota era quieta, com traços um pouco estranhos, mas o olhar era límpido, escondendo um leve medo e receio.
Parecia que a garota, assim como o homem ao lado, também tinha algum problema semelhante.
"Essas duas pessoas insistem em entrar para visitar. Expliquei que o parque abre às nove, pedi para esperarem um pouco, mas eles não ouvem. Acham que estou dificultando de propósito. Eu tenho cara disso?" O porteiro estava apenas cumprindo seu dever.
Depois de ouvir o porteiro, Chen Song entendeu a situação. Ele parou na frente do homem e da garota.
O homem achou que Chen Song era o responsável pelo parque. Ele gaguejava algo incompreensível e estendeu o dinheiro para Chen Song.
Como se temesse que Chen Song não entendesse, ele apontou para a roda-gigante no parque e fez vários gestos.
"Deixa que eu cuido disso." Chen Song sorriu para o porteiro, pegou o dinheiro da mão do homem. Era uma quantia miúda, mas exatamente o suficiente para dois ingressos do parque. Dava para ver que não foi fácil para eles juntarem aquele dinheiro.
"Vocês pagaram a mais. Criança paga meia-entrada, não precisa de tanto." A compaixão exagerada também é uma falta de respeito para quem tem deficiência. A maneira mais educada de tratar é como se fossem pessoas comuns, sem olhar com preconceito.
Chen Song tentou devolver o troco, mas o homem não só recusou como ficou agitado, emitindo sons altos da garganta, sem que se entendesse o que dizia.
"Viu? Não tem como conversar. Ele ainda acha que estamos prejudicando ele." O porteiro também estava frustrado.
"Tudo bem. Vou levá-los para dar uma volta no parque. A entrada deles é por minha conta." Chen Song não insistiu. Deu um tapinha leve no ombro do homem, indicando que o seguisse: "Todos os brinquedos só funcionam às nove, mas antes disso, posso acompanhá-los para conhecer o lugar."
"Chen, toma cuidado. Já que aceitamos o dinheiro, eles são visitantes. Não deixe eles entrarem na sua casa mal-assombrada assim à toa!" O porteiro realmente temia que algo acontecesse com o homem e a garota. Às vezes, Chen Song passava uma sensação de confiança, outras vezes, parecia bem irresponsável.
"Fique tranquilo." Chen Song acenou e entrou no parque com os dois.
No parque vazio, alguns funcionários verificavam os brinquedos. Na estrada, além do homem e da garota, não havia mais nenhum visitante.
"A roda-gigante e o carrossel só funcionam às nove. Antes da abertura oficial, precisamos fazer uma inspeção."
"Ela... minha filha... quer brincar..." O homem gesticulava, claramente sem entender o que Chen Song dizia.
"Sua filha?" Chen Song olhou para a garotinha, que andava com os pés ligeiramente virados para dentro. Ela era muito tímida e se escondia atrás do homem.
Andando ao lado do pai e da filha, Chen Song notava que, sob os casacos desbotados, eles usavam roupas íntimas velhas. A vida deles não era fácil.
"De onde vocês são? Vieram especialmente para o Novo Século Parque? Tem algum brinquedo imperdível? Eu cresci aqui, conheço bem o lugar."
Chen Song falava devagar, gesticulando enquanto explicava. Levou um tempo até o homem entender.
"Leste... Donggang..." O homem disse duas palavras.
"É o subúrbio leste de Hanjiang?" Chen Song, enquanto falava, os levou até a porta de sua casa mal-assombrada: "O único brinquedo funcionando agora é a casa mal-assombrada. É um projeto independente que eu administro. Se quiserem visitar, posso acompanhá-los."
O visitante especial detectado pelo celular preto devia estar entre esses dois. Mas, considerando a condição deles, Chen Song não planejava assustá-los com fantasmas. Queria apenas deixá-los ver o cenário e tentar ativar alguma missão do visitante especial.
O homem de meia-idade ficou parado, como se processasse o que Chen Song disse. Foi então que sua filha saiu de trás dele, parecendo interessada na casa mal-assombrada.
"Ainda não abrimos oficialmente, então não vou cobrar o ingresso." Chen Song acariciou a cabeça da garotinha. Sem saber por quê, pensou em Xiaobu.
Ele levantou a cortina grossa e entrou com o pai e a filha: "Aqui tenho vários cenários diferentes..."
Antes que terminasse de apresentar, viu a garotinha correr sozinha até a porta de ferro que levava ao subsolo. Ela se agachou e fixou os olhos na porta.
"Será que essa criança percebeu eles?"
O homem de meia-idade mancou atrás dela. Chen Song observou de longe e decidiu testá-los mais um pouco.
"Você quer brincar no cenário subterrâneo?" Chen Song sentiu que sua voz soava um pouco assustadora, mas, para sua surpresa, a garotinha ergueu o rosto ingênuo e puro e assentiu com força.
"Essa menina é estranha." Chen Song usou as duas mãos para abrir a porta embutida no chão. Uma corrente de ar frio subiu do subsolo.
"Não corram. Fiquem atrás de mim." Para cuidar do pai e da filha, Chen Song acendeu todas as luzes do corredor.
Entrar no subsolo era como entrar em outro mundo.
O homem de meia-idade ficou inquieto, segurando a mão da garota e seguindo Chen Song de perto.
A garota, por outro lado, se comportava de forma incomum. Seus olhos límpidos estavam cheios de curiosidade.