Capítulo 518: Capítulo 518 Capítulo 508 O Comprador

Capítulo 508: O Comprador

A atmosfera na cela estava pesada. Alguns guardas se sentiam desconfortáveis; francamente, a primeira impressão que tiveram de Chen Ge foi muito boa, mas como alguém que parecia educado, gentil e ensolarado podia mudar de expressão tão de repente?

— Responda à minha pergunta. Você ainda se lembra da aparência do comprador? — Chen Ge raramente falava naquele tom. Sem expressão no rosto, ele encarava Ma Fu diretamente.

Ma Fu se encolheu no canto, o corpo tremendo violentamente. Parecia ter se lembrado de algo ainda mais aterrorizante. Ele cravou os cinco dedos na própria carne e batia a cabeça desesperadamente contra a parede, como se quisesse morrer.

— Nós também perguntamos a ele, mas sempre que tocamos em qualquer assunto relacionado ao comprador, ele tem uma crise. — Um dos guardas colocou a mão atrás da cabeça de Ma Fu, pressionando-a para baixo com força para segurá-la.

Vendo que Ma Fu estava pior, Chen Ge pensou em uma possibilidade: o comprador também já havia feito algo parecido com o que ele fizera.

Só que Chen Ge agira para vingar o fantasma do celular, enquanto o comprador assustava Ma Fu para impedi-lo de vazar informações.

Entrando na cela, Chen Ge se agachou na frente de Ma Fu, olhando para aquele traficante de pessoas meio louco, e sussurrou em seu ouvido:

— Você está pensando em algo muito assustador, não é? Consigo ver que você vive sofrendo. A morte, para você agora, deve ser um alívio, não?

A voz de Chen Ge foi ficando cada vez mais baixa. Apenas Ma Fu, na cela, conseguia ouvi-lo:

— Se você não falar, as crianças que você matou virão atrás de você. Já estou ouvindo as vozes delas, saindo do seu corpo. Elas te observam dia e noite, a todo momento. Suas costas estão cobertas pelas marcas das crianças. Você vai pagar lentamente pelos seus crimes.

Ma Fu queria desesperadamente se afastar de Chen Ge, mas, com os ombros presos pelos guardas, não conseguia se mover.

— Ainda não vai falar? Não consigo arrancar nada de você, então só me resta tentar adiar sua sentença, deixar você passar mais tempo com eles neste quartinho escuro. Continue vivendo assim. Ainda vamos nos encontrar.

Quando Chen Ge se preparava para se levantar, Ma Fu ergueu a cabeça. As veias em seu rosto estavam saltadas, e seus olhos cheios de vasos sanguíneos:

— Eu me lembrei.

— Lembrou? — Os guardas ao lado acharam inacreditável.

— Li Zheng, pegue o gravador. — O Capitão Yan foi o primeiro a reagir. Ele entrou na cela com Li Zheng, e os dois cercaram Ma Fu: — Pode começar a falar.

Ma Fu estava caído no chão com a parte inferior do corpo, a cabeça baixa:

— Eu conversei com o comprador por telefone. A pessoa era muito cautelosa, devia estar usando uma voz falsa ou um distorcedor. Soava como um menino de uns sete ou oito anos.

— Um menino? — A primeira frase de Ma Fu surpreendeu os policiais e guardas presentes.

— Sim. Não sei como ele conseguiu meu número, mas tenho certeza de que era o comprador. — A voz de Ma Fu era entrecortada, seu rosto sem nenhuma cor: — A voz parecia de criança, mas as coisas que ele dizia não eram coisas que uma criança poderia falar. Não sei se tinha alguém ensinando ele do lado, ou se ele treinou de propósito.

— Vocês nunca se encontraram pessoalmente? — Era isso que preocupava Chen Ge.

— Ele era muito cauteloso. Mudou vários pontos de encontro e, no final, me mandou levar a criança para a Cidade de Liwan. Quando cheguei, ele fez um pedido estranho: queria me pagar mais, com a condição de eu ficar três noites em Liwan. — Ma Fu não parecia estar contando uma história.

— O que aconteceu depois? E por que você matou aquela criança inocente? — O Capitão Yan estava presente, e ninguém mais se intrometeu.

— Já tinha trazido a criança até Liwan, seria uma pena desistir agora. Pensei muito e, no final, aceitei o pedido. — A expressão de Ma Fu estava distorcida, medo e várias emoções negativas se misturando: — Na primeira noite, tive um sonho. Sonhei que o quarto estava cheio de marcas de mãos de crianças. Algo estava correndo, e no final tudo se juntou em uma sombra que ficou ao lado da minha cama.

— Não invente. — Os guardas achavam que Ma Fu estava louco, falando bobagens.

— Deixe ele continuar. — O Capitão Yan fez um gesto: — A altura, o corpo daquela sombra? O que ela fez no quarto? Você consegue se lembrar?

— A sombra... — O medo nos olhos de Ma Fu aumentou: — A sombra que sonhei tinha a mesma altura que eu, o corpo também era parecido. Parecia que era eu. O sonho era muito real. Quando tentei olhar para o rosto da sombra, ela desapareceu.

— Quando acordei de manhã, estava tudo normal no quarto. Achei que estava pensando demais. Mas, no dia seguinte, tive o mesmo sonho de novo. A sombra apareceu novamente, e o mais assustador foi que, desta vez, ela saiu de trás de mim. Parecia que já tinha se tornado completamente minha sombra.

— Eu a vi claramente. Queria gritar por socorro, mas meu corpo não se mexia. Só pude ver aquela sombra sair da cama e abrir a porta do armário.

— A criança que eu tinha trazido estava dentro do armário. A sombra ficou olhando para ela em silêncio, até eu acordar.

— Na manhã do terceiro dia, o comprador me ligou de novo, mandando eu levar a criança para o número 104, Unidade 3, Vila Mingyang, no subúrbio leste, depois da meia-noite.

— Essa vila fica ao lado da Cidade de Liwan, ainda não estava pronta. Dizem que, logo depois de começar a construção, aconteceram muitas coisas estranhas. Para afastar o azar, mudaram o nome para Vila Mingyang.

— Depois disso, vocês já sabem. A polícia veio de repente para Liwan procurar a criança. A criança parecia estar possuída, chorando e gritando...

Ma Fu se ajoelhou no chão, olhando furtivamente para os presentes, sem ousar continuar.

— Li Zheng, entre em contato com o pessoal de plantão da delegacia imediatamente. Verifique o endereço que ele acabou de dar. Em dez minutos, quero os dados do proprietário. — O Capitão Yan saiu da cela, com medo de perder o controle e agredir Ma Fu.

— Já terminaram de perguntar? — Os guardas olharam para Chen Ge, que ainda estava imóvel, pensando.

Ouvindo as palavras de Ma Fu, Chen Ge se lembrou da sombra monstruosa que encontrou do lado de fora da Estação de Tratamento de Água no subúrbio leste. Ela tinha a mesma altura e corpo que ele, e parecia capaz de se transformar na sombra de uma pessoa viva.

— Zhang Ya está escondida na minha sombra. Naquela noite, será que o monstro já enfrentou Zhang Ya antes?

Sem conseguir entender, Chen Ge também não queria chamar Zhang Ya por causa de um detalhe tão pequeno. Se Zhang Ya saísse e não quisesse voltar, aí o problema seria grave.

Saindo da cela, não andaram muito até o Capitão Yan receber a ligação da delegacia. As informações do proprietário já tinham sido encontradas.

— A Vila Mingyang está em construção há sete anos e ainda não foi concluída? — O Capitão Yan parou, olhando para a tela do celular, e acenou para Chen Ge: — O proprietário já foi identificado. Chama-se Jia Ming. Vamos investigar isso até o fim.

— Tão rápido? A eficiência de vocês... — Chen Ge começou a falar, mas de repente parou.

— Jia Ming? Não é o nome do marido "fantasma" de Huang Ling? Não pode ser... O incidente do fantasma do celular foi há seis ou sete anos. Naquela época, Jia Ming ainda não devia estar possuído por um fantasma...

Já estava ajoelhado.