Capítulo 502: Capítulo 502 Capítulo 492 Todas elas!

Capítulo 492 — São todos!

O pequeno Gu ficou um tanto atordoado ao ouvir o que Chen Ge disse ao telefone.

Por que seu chefe entendia tanto de fantasmas? Não só não tinha medo, como ainda o ensinava, passo a passo, a conquistar a simpatia deles, e cada palavra transbordava experiência e sabedoria.

Ele sentia curiosidade, mas apenas isso; nunca pensou que Chen Ge quisesse lhe fazer mal. Para ele, Chen Ge era uma presença muito especial.

Aquele chefe, que parecia tão pouco confiável, já o salvara da morte duas vezes.

Na primeira, uma mulher com transtorno de personalidade múltipla o drogara, quase o desmembrando, e foi Chen Ge quem interveio corajosamente, chutando a mulher para longe.

Na segunda, ainda no bairro Fanghua Yuan, ele entrou por engano no prédio nº 3, com uma sombra branca sem rosto atrás de si, desmaiou tonto e, ao acordar, os policiais disseram que fora Chen Ge quem o resgatara novamente.

“Esta já é a terceira vez.”

O pequeno Gu guardou o celular no bolso da calça. Sentia que sua vida era muito perigosa, e só seguindo Chen Ge conseguiria viver em paz.

A ligação não foi encerrada. Com fones de ouvido, o pequeno Gu se inclinou contra a janela do ônibus, gravando cada palavra de Chen Ge na memória.

A chuva caía ainda mais forte. Do lado de fora, tudo era escuridão, impossível enxergar o caminho. Ele só podia contar o tempo em silêncio, determinar a posição da criança e se preparar para descer a qualquer momento.

Cinco minutos depois, a velocidade do ônibus começou a diminuir. Os músculos da panturrilha do pequeno Gu se tensionaram, e ele disse em voz muito baixa: “Está quase na hora.”

“Quando a porta abrir, não hesite. Aja direto, não dê tempo para aquela mulher de meia-idade reagir.” A voz de Chen Ge saiu dos fones.

“Certo.”

Através da janela, já se via o contorno do ponto de ônibus. A sombra vermelha ainda estava ali, vigiando.

O ponto na zona suburbana não tinha cobertura. A mulher, com sua capa de chuva vermelha, estava sozinha sob a tempestade, muito visível no meio do aguaceiro.

A velocidade do ônibus diminuiu. Quando estava prestes a chegar ao ponto, o toque do celular soou de repente.

Huang Ling, sentada na frente, mal tinha ligado o telefone quando o marido ligou. Talvez porque a raiva tivesse diminuído um pouco, ela não desligou na hora e atendeu.

“Huang Ling! Desce! Desce já!”

Uma voz masculina, rouca e desesperada, saiu do telefone. Huang Ling mal ouviu e desligou. Para ser sincera, ela também estava bastante assustada.

“Que loucura é essa?”

Mal desligou, o telefone tocou de novo. Era o marido novamente.

Huang Ling abaixou o volume ao máximo. Com um olhar de desculpas, olhou ao redor e percebeu que todos os passageiros a observavam.

Rostos com expressões estranhas, meio sorrindo, meio não, fixos nela, fazendo seu couro cabeludo formigar.

“Desculpe...” O celular na palma da mão de Huang Ling vibrava sem parar, fazendo um zumbido.

“Por que você não atende?” A velha sentada atrás do motorista falou pela primeira vez. O rosto enrugado como casca de tofu, os olhos cobertos por uma fina película branca. Quando o pequeno Gu subiu no ônibus, a velha não estava assim; não se sabia quando começara a mudar.

A aparência da velha era assustadora. Huang Ling, com o celular na mão, não entendia a intenção da senhora e só pedia desculpas repetidamente.

“Acho melhor você atender o telefone dele. Quanto mais você não atende, mais ele se preocupa com você.” O homem de jaleco branco deu uma risadinha. Seu olhar vagava entre Huang Ling e o pequeno Gu. O fio vermelho no pulso havia desaparecido, substituído por feridas marrom-avermelhadas.

Huang Ling não deu atenção ao médico. Atrás dela, a criança começou a tossir violentamente de novo. A paciência da mulher de meia-idade se esgotava. Seu rosto, já feio, tornou-se ainda mais sinistro, os traços tortos, olhando com rancor para a criança ao lado, com uma expressão aterrorizante.

O clima dentro do ônibus ficou tenso na hora. Foi então que uma voz fria e sintética saiu do alto-falante na frente.

“Ding! Estação da Estação de Tratamento de Água de Dongjiao. Passageiros desembarcando, por favor, levem seus pertences e desçam pela porta traseira.”

O ônibus 104 finalmente chegou ao ponto. Quando parou, as portas dianteira e traseira se abriram lentamente.

Assim que o veículo parou, o pequeno Gu se levantou. Esgueirando-se entre os passageiros ao lado, saiu do assento.

Seguindo o que Chen Ge lhe ensinara ao telefone, foi direto em direção à mulher de meia-idade.

Com a porta aberta, o pequeno Gu chegou perto dela: “Preciso pegar uma coisa. Pode me devolver o casaco?”

Antes, quando a criança tossia, ele havia emprestado seu casaco.

A mulher de meia-idade, de mau humor, ergueu a cabeça para olhar o pequeno Gu. Com um braço segurando a criança, a outra mão puxou o casaco.

A garganta do pequeno Gu tremeu levemente. Ele ergueu as mãos devagar.

Ao mesmo tempo, o celular de Huang Ling vibrou de novo. O marido parecia enlouquecido, ligando um após o outro, como se tivesse algo extremamente importante a dizer.

O casaco foi sendo puxado lentamente. A mão de dentro da mulher segurava a criança, enquanto a outra mão estendia o casaco para o pequeno Gu.

Tudo seguia o plano. O coração do pequeno Gu subiu à garganta. Ele olhava para o casaco cada vez mais próximo, os olhos fixos na outra mão da mulher.

Com as pernas afastadas, o corpo inclinado para a frente, ele ergueu os braços.

O tempo parecia desacelerar. Quando os dedos do pequeno Gu estavam prestes a tocar o casaco, Huang Ling atendeu o telefone de novo.

“Fala quando chegar em casa, não...”

“Desce! O ônibus que você está está cheio de fantasmas! Eles são todos fantasmas!”

A voz do telefone foi ouvida claramente por todos os passageiros. Huang Ling não teve tempo de desligar.

“Fantasma?” Ela não esperava que o marido dissesse algo assim. Quando olhou para trás, todos os rostos inexpressivos estavam fixos nela.

O ônibus tremeu violentamente. O motorista, com expressão de pânico, parecia ter visto sua própria morte. Os olhos fixos na estrada à frente, o suor escorria sem parar.

A mulher de meia-idade segurando a criança teve os traços ainda mais distorcidos. O corpo ficou mais inchado, como se fosse explodir.

“Argh!”

O passageiro que estava sentado ao lado do pequeno Gu começou a vomitar de repente. Ele estava encharcado, os dedos cavando a própria garganta, e tufos de cabelo grudados como algas marinhas jorravam de sua boca.

“Como podemos ser fantasmas? Não estamos vivos e bem aqui?” A velha sentada ao lado também virou a cabeça. As pálpebras grossas cobriam os olhos, impossível distinguir pupila de esclera.

Todos os passageiros sofreram mutações. Do outro lado da linha, Chen Ge também ouviu tudo. Sem hesitar, ordenou que o pequeno Gu saísse imediatamente.

“Vai!”

As mãos do pequeno Gu, que iam pegar o casaco, aceleraram de repente, atravessando-o para agarrar a criança. Mas quando tocou o corpo dela, sentiu que estava gelado, sem qualquer sinal de vida.

“Isso...” Foi só um instante de hesitação. A mulher de meia-idade percebeu a intenção do pequeno Gu.

“Você quer roubar meu filho?” A mão gorda da mulher avançou para o pequeno Gu. Seu rosto estava feio ao extremo.