Capítulo 498: Capítulo 498 Capítulo 489 Quatro Pessoas

Capítulo 489: Quatro Pessoas

O zíper da mochila estava meio aberto. O estudante parecia muito nervoso, com a mão segurando algo, mas sem tirá-lo da mochila.

"Canivete?" Xiao Gu viu vagamente um objeto brilhante pela abertura, não sabendo se era um espelho ou uma faca.

O ônibus já havia partido. Xiao Gu voltou ao seu lugar e sentou-se. Suas pálpebras tremiam, e ele se sentia inquieto.

A chuva lá fora ficava cada vez mais forte, e através do vidro já não se conseguia ver os prédios do lado de fora.

Dentro do ônibus, o silêncio era total. Ninguém falava uma palavra, e a atmosfera era muito opressiva.

"As pessoas neste ônibus são estranhas."

Xiao Gu estava encostado na janela. O médico, separado dele por um corredor, olhava em sua direção de vez em quando, com um sorriso inexplicável no rosto, como se tivesse descoberto uma obra de arte refinada. Sua expressão era muito estranha.

Pegando o celular, Xiao Gu deslizou a tela e abriu a opção de selfie.

Ele levantou o telefone e, através da tela, olhou para o estudante sentado na última fileira.

O garoto parecia estar enjoado, com a mochila no colo, o rosto cada vez mais pálido e suor frio escorrendo pela testa. No entanto, do começo ao fim, sua mão permaneceu dentro da mochila, sem tirá-la.

"Passando mal?" Xiao Gu ficou preocupado com o garoto, mas antes que pudesse se levantar, o estudante na última fileira percebeu que Xiao Gu o estava espionando pelo celular.

O garoto parecia não querer ser filmado. Ele cobriu o rosto com a mão, apontou discretamente para o médico de jaleco branco ao lado de Xiao Gu e balançou a mão levemente.

"Ele está me avisando? O médico tem problema?"

Depois de fazer o gesto, o estudante baixou a cabeça, abraçou a mochila e ficou em silêncio.

Xiao Gu guardou o celular e, com o canto do olho, observou o médico ao lado. De repente, lembrou-se de uma notícia que vira antes de embarcar: "Últimas notícias sobre o caso do roubo de cadáveres no Hospital Central: câmeras capturam figura rastejante."

Ele abriu a página. A reportagem vinha acompanhada de uma imagem muito borrada, supostamente capturada pelas câmeras de segurança do hospital.

Havia uma pessoa vestindo um jaleco branco, apoiada nas quatro extremidades, rastejando rapidamente pelo chão e entrando no necrotério.

"Jaleco branco?" Xiao Gu ampliou a imagem. A luz dentro do ônibus era fraca, e ele se concentrava totalmente na foto: "O rosto não dá para ver, mas o tipo físico parece um pouco com ele."

De repente, um toque de celular soou dentro do ônibus. Xiao Gu, que estava com a atenção totalmente focada, levou um susto. Segurou o próprio celular e levantou a cabeça.

O toque vinha da bolsa da mulher de terno, sentada na frente de Xiao Gu. Ela pegou o celular, olhou para o identificador de chamadas e pareceu ficar de mau humor instantaneamente.

Atendeu a ligação. Do outro lado, uma voz masculina ansiosa disse: "Huang Ling, onde você está? Ainda trabalhando até tarde? Vi que todas as luzes do prédio da sua empresa estão apagadas."

"Já saí há muito tempo. E você? Combinamos que você viria me buscar, esperei meia hora e não vi você!" Huang Ling também estava muito magoada. Com a chuva, trabalhou até tão tarde, exausta, e ficou esperando na porta da empresa até agora.

"Você saiu? Como não te vi?"

"Pare de fingir. Não é a primeira vez que você se atrasa. Você nunca cumpriu nenhuma promessa que fez comigo. Já estou farta de você!"

"Sei que fiz coisas erradas antes, mas desta vez realmente não me atrasei. Cheguei na porta da sua empresa às seis horas, vi todas as luzes do prédio se apagarem aos poucos, mas não vi você sair!" A voz do homem do outro lado ficava cada vez mais ansiosa: "Onde você está? Sua voz parece estranha. Aquele velho cachorro te encheu o saco de novo?!"

"Ele não me encheu o saco. Só estou cansada." Huang Ling diminuiu a velocidade da fala. Olhou para a cidade coberta pela chuva forte do lado de fora da janela: "Jia Ming, não tenho medo de uma vida difícil e cansativa todos os dias, mas pelo menos você precisa me dar uma esperança. Vou fazer trinta anos em breve, não quero mais trabalhar até as sete ou oito da noite todos os dias, pegar o último ônibus com apenas três ou quatro pessoas e voltar para o apartamento alugado para cozinhar para você."

"Xiao Ling, já encontrei um jeito de ficar rico. Nós dois viemos juntos da cidade natal para Jiujiang, já passamos por tantos anos. Me dê mais um tempo."

Huang Ling olhou para a chuva forte lá fora, com o olhar um pouco entorpecido: "Está bem."

"Onde você está? Vou te buscar agora..."

Antes que o homem terminasse de falar, Huang Ling desligou a ligação e guardou o celular na mochila.

"Cada casa tem suas dificuldades." Xiao Gu suspirou internamente. Ele tinha visto Huang Ling vestida de forma elegante e pensou que ela fosse rica, mas, olhando com mais atenção, percebeu que a maioria das roupas que ela usava eram imitações baratas. Só que, por ter uma boa aparência, parecia muito bonita.

"Ding! Chegamos ao Restaurante Hong. Os passageiros que vão descer, por favor, peguem seus pertences e desçam pela porta traseira."

O ônibus, sem que se percebesse, chegou à próxima parada. As portas dianteira e traseira se abriram.

Desta vez, ninguém subiu. Xiao Gu olhou pela janela para fora do ponto de ônibus. A mulher louca de capa de chuva vermelha ainda estava no ponto, parecendo até um pouco mais perto do ônibus.

"Que droga." Xiao Gu estava muito nervoso. Ele estava sentado perto da porta traseira. Se a mulher de capa vermelha subisse, a primeira pessoa que ela veria seria ele: "Será que essa mulher vai me seguir até em casa? Aparece em todos os pontos, será que vai me esperar no terminal?"

As portas dianteira e traseira do ônibus começaram a fechar. Quando a porta traseira estava prestes a se fechar completamente, ouviu-se uma tosse de criança no meio do ônibus.

A mulher de meia-idade que segurava a criança deu tapinhas leves nas costas do garoto, mas não adiantou. A criança tossia ainda mais forte.

"Parece que está com febre. Você sabe cuidar de criança? A diferença de temperatura entre o dia e a noite é grande, e você só vestiu uma roupa fina na criança?" Huang Ling ouviu a tosse da criança e ficou um pouco irritada.

"Estou cuidando do filho de um parente..." A voz da mulher de meia-idade era grossa, parecia a de um homem. Ela forçou um sorriso feio, não deu remédio nem água para a criança, só ficava dando tapinhas leves nas costas dela.

A criança tossia cada vez mais forte, o corpo tremendo levemente.

"Nesse estado, é melhor levar direto para o hospital." Xiao Gu se levantou, tirou o casaco e o entregou à mulher de meia-idade: "Enrole a criança primeiro."

"Está bem." A mulher de meia-idade hesitou um pouco, pegou o casaco e cobriu a criança, mas o garoto continuava tossindo sem parar.

Xiao Gu pegou o celular e os dezessete reais que tinha tirado do bolso do casaco e voltou para o seu lugar.

As portas já estavam fechadas. Quando ele estava quase chegando ao seu assento, ouviu-se um "tapa" na porta traseira. Uma mão magra e seca estava colada na porta.

"O veículo está partindo. Por favor, sente-se e segure-se firme. Bem-vindo ao ônibus sem cobrador da linha 104. Os passageiros que embarcarem, por favor, dirijam-se à porta traseira. Próxima parada: Centro Comercial Liwan."

A voz eletrônica soou, o ônibus arrancou, e a mão desapareceu rapidamente.

"Será que ninguém mais vê aquela mulher de capa de chuva?" Xiao Gu sentou-se de volta no seu lugar. Virou-se para olhar o ponto de ônibus. A figura vermelha estava gradualmente ficando borrada.