Capítulo 485
Chen Ge finalmente chegou na frente de Fan Dade e Fan Cong. A situação desses dois visitantes era mais grave.
Fan Dade estava com o olhar vazio, encarando fixamente o teto, como se estivesse refletindo sobre a vida e o futuro. Seu irmão mais novo, Fan Cong, já havia voltado ao normal, mas seu corpo tremia de vez em quando, o que parecia um pouco assustador.
— Já está melhor? — perguntou Chen Ge, colocando uma chaleira de água quente ao lado da cama. Fan Dade olhou para ele, atordoado, incapaz de associar sua experiência recente à figura amigável que agora se apresentava como o mentor por trás de tudo.
— Obrigado pela preocupação, já estou bem melhor. — Depois de levar vários sustos seguidos, Fan Cong parecia ter, por acaso, superado a tristeza do término, redescoberto o valor da vida e encontrado um propósito para viver.
— Que bom. — Chen Ge serviu dois copos de água quente e os deixou na mesa, preparando-se para sair. A Casa do Terror ainda estava aberta, e ele não podia se ausentar por muito tempo.
— Sr. Chen, espere um momento. — Fan Cong sentou-se na cama e olhou para Chen Ge.
— Algo importante?
— Posso lhe fazer uma pergunta? — Fan Cong segurou a borda da cama com as mãos gordas e pensou por um bom tempo antes de falar: — Você projetou tantos monstros e armadilhas na Casa do Terror. O senhor acredita que existem fantasmas de verdade neste mundo?
— Muitos visitantes já me perguntaram se existem fantasmas no mundo. — Chen Ge olhou para Fan Cong com certa surpresa. Aquele garoto gordinho e caseiro parecia ter uma história desconhecida. — Não sei a resposta. Talvez existam, mas eu nunca vi nenhum.
— Nunca viu? — Fan Cong parecia um pouco decepcionado.
— Por que essa pergunta de repente? — Mais do que saber se existem fantasmas, Chen Ge estava curioso sobre o que havia acontecido com Fan Cong. Ele parecia uma pessoa comum, mas, depois de tantos sustos repetidos, ainda mantinha a sanidade. Isso era impressionante.
— Na verdade, não é nada demais. Recentemente, estou jogando um joguinho que suspeito ter sido feito por um assassino. Pode ser que ele tenha registrado o processo dos crimes. — A frase de Fan Cong atraiu a atenção de todos no quarto.
— Um jogo feito por um assassino? — Chen Ge ficou interessado. — Mas o que isso tem a ver com a existência de fantasmas?
— Talvez por causa das imagens muito sombrias. Durante as longas horas de jogo, eu ouvia o choro de uma criança. No começo, pensei que fosse um efeito sonoro do jogo, até que, ao tirar o fone e sair do quarto, percebi que algo estava errado. O som ainda estava nos meus ouvidos. — Fan Cong estava dizendo isso pela primeira vez, com uma expressão estranha. — Suspeitei que fosse alucinação auditiva, mas, depois de um exame médico, me disseram que meu corpo não tinha nenhum problema. Ou seja, a voz da criança era real.
— Pode me dizer o que essa voz lhe dizia? — Chen Ge parou na porta do quarto.
— Ela só chorava, sempre aparecia à noite.
— E qual é o conteúdo do jogo? — Chen Ge fez outra pergunta.
— Na superfície, é um joguinho de vestir. Dá para arrumar a filha, deixá-la bonita, e, ao completar várias tarefas, ganham-se roupas diferentes: vestidos, trajes de gala, uniformes escolares, etc.
— Criar uma filha? Um joguinho de vestir? — Chen Ge olhou para Fan Cong com desconfiança. — Por que você foi jogar algo assim?
— Isso não importa. O importante é que, depois de completar todos os joguinhos, o jogo me recompensou com a última peça de roupa. — Fan Cong segurou a cabeça, enfiando os dedos no cabelo. — O nome da roupa era "Pijama da Mãe". Ao obtê-la, uma frase apareceu na tela: "Xiaobu encontrou uma chave para o porão no pijama da mãe."
— Xiaobu é o nome que você deu para a filha no jogo? — Chen Ge estava muito curioso.
— Não. — Fan Cong balançou a cabeça. — Naquela época, eu tinha acabado de terminar um relacionamento de quatro anos com minha namorada. Dei à filha do jogo o nome da minha ex-namorada: Liu Jiaru.
— Você deu o nome da sua namorada para a filha? — Chen Ge ficou chocado. Sentou-se na beira da cama, decidido a perguntar mais a fundo.
— Não se prenda aos detalhes. Na época, também estranhei. Eu tinha nomeado o personagem como Liu Jiaru, mas, ao completar o jogo, ele mudou sozinho para Xiaobu. Pesquisei攻略 online, mas não encontrei nenhuma informação sobre esse jogo. — Fan Cong, vendo a expressão de dúvida de Chen Ge, explicou: — Encontrei esse jogo em um fórum de joguinhos. Lá, muitos jogadores criam seus próprios jogos, alguns com dificuldade alterada, perfeitos para quem gosta de se desafiar.
— Você completou um jogo de simulação e vestir, ganhou uma chave para o porão. E depois, o que aconteceu? — Chen Ge tomou um gole de água quente e ouviu em silêncio.
— O cenário do jogo não era grande, era uma cidade pequena. Todas as tarefas eram feitas nela. Depois de conseguir a chave do porão, fiz a garota, que já tinha mudado de nome, vestir o pijama da mãe, sair do quarto e começar a procurar a entrada do porão. — Fan Cong se encolheu na cabeceira da cama, sua expressão mudando lentamente. — O estilo do jogo era muito aconchegante: sol brilhante, flores por toda parte, todos na cidade eram calorosos e amigáveis, ajudando uns aos outros. Eu tinha acabado de terminar o namoro, e foi por ver essas imagens tão curativas que decidi continuar jogando. Queria me distrair, mas quem diria que coisas mais dolorosas e aterrorizantes aconteceriam.
— Não enrole, vá direto ao resultado. — Chen Ge estava ansioso para ouvir o que veio depois.
— Passei uma semana clicando em cada canto da cidade com o mouse. Finalmente, atrás do armário no primeiro andar da casa da colega de Xiaobu, encontrei a entrada do porão. — Fan Cong ergueu a cabeça e olhou para Chen Ge. — Na tela, apareceu outra frase: "Você encontrou a entrada do porão. Deseja usar a chave do porão?"
Ele apertou e soltou as mãos, claramente muito nervoso. — Usei a chave. Após confirmar, o armário se abriu, e eu controlei Xiaobu para entrar atrás dele. Meu computador ficou completamente preto por um ou dois segundos. Quando a imagem voltou, o estilo do jogo já era totalmente diferente.
— Atrás do armário era um mundo de sangue? — Chen Ge pensou na "porta".
— Não. — Fan Cong balançou a cabeça. — Atrás do armário, tudo estava escuro. No chão, havia girassóis murchos, e as paredes eram muito grossas.
— Depois de sair do subsolo, havia uma estrada cinzenta. De longe em longe, um poste de luz.
— Dava para ver que ainda estava na cidade, mas estava escuro. Os prédios ao redor pareciam completamente diferentes dos do dia.
— Controlei Xiaobu para seguir pela estrada. Na frente, havia um ponto de ônibus. Ao lado da placa, estava estacionado um ônibus meio velho.