Capítulo 48: Por favor, me deixe ir!
Chen Ge fez uma careta estranha ao lembrar do olhar teimoso e da expressão feroz de Zhang Peng na câmera: "Esse cara é realmente um adversário 'divino'!"
O som de algo sendo cortado no cenário de Caça Noturna não parou com a entrada de Zhang Peng. Provavelmente, o monstro no espelho também não esperava que alguém fosse tão direto a ponto de invadir assim.
"Não posso mais esperar. Preciso ver com meus próprios olhos o monstro do espelho entrar no corpo de Zhang Peng para ficar tranquilo."
Depois de dar uma olhada no monitor e confirmar a posição de Zhang Peng, Chen Ge tirou a corrente de ferro do casaco do Médico Esmagador de Crânios e a jogou no chão. Vestindo aquela capa manchada de sangue, colocou a máscara de pele humana.
Ele tentou balançar o martelo de ferro duas vezes, e uma sensação brutal e maligna emanou dele.
"Por que sinto que sou o maior vilão?"
Pegando as chaves e o celular, enfiando a boneca de pano no peito, Chen Ge segurou o martelo de ferro de design extremamente sangrento e saiu da sala de monitoramento.
...
No cenário de Caça Noturna, Zhang Peng sentia a faca em sua mão cada vez mais pesada. Ele havia se preparado para este dia por muito tempo, mas quem diria que os planos humanos não superam os do céu? Assim que entrou, o inesperado aconteceu.
Já passava de uma da manhã. Uma pessoa normal, mesmo que não estivesse dormindo, estaria no quarto a essa hora. Ele tinha ficado animado por um bom tempo ao ver a placa da sala de descanso dos funcionários, demorando muito para se acalmar.
Ele não parava de se auto-sugestionar, alimentando o ódio em seu coração, até finalmente tomar coragem e arrombar a porta.
Ao invadir a sala de descanso, começou a golpear a cama descontroladamente. Com tanta força, acabou se ferindo.
A lâmina ficou manchada de sangue, mas quando ele percebeu que não havia ninguém na cama e que o único sangue no lençol era o seu, além do rancor, só restava a frustração. Sua sede de matar aumentou, e a razão já estava completamente consumida pela raiva.
"Destruir o Apartamento da Paz, colocar a Juan na prisão... Esse intrometido, eu vou matar você!" Quanto mais Zhang Peng pensava, mais irritado ficava. Ouvindo o som de cortes dentro do prédio, como moscas zumbindo em seus ouvidos, sua irritação só aumentava.
Ele apertou a faca e se aproximou da fonte do som. Para não ser descoberto, foi o tempo todo com cuidado.
"Já estou perto, é neste andar!" Zhang Peng espiou do corredor. Sem nenhuma ferramenta de iluminação, colou o corpo na parede e entrou no corredor do terceiro andar.
"Esta casa mal-assombrada é tão sombria, com caminhos complicados como um labirinto. Quando eu matar ele, escondo o corpo em algum lugar, e os outros só vão descobrir em dez ou quinze dias." Ele sorriu, achando que sua expressão agora devia ser bem cruel.
"O som está na frente! Mas estou curioso: o que esse cara está fazendo acordado de madrugada numa casa mal-assombrada? Consertando os adereços durante a noite?" Zhang Peng se abaixou, relaxou o corpo, enrolou o ferimento com a manga comprida e se aproximou lentamente com a faca na mão.
No fim do corredor do terceiro andar, bem na entrada do cenário de Caça Noturna, Zhang Peng viu uma silhueta escura e borrada.
A figura estava parada no meio da porta, segurando algo, riscando a porta de um lado para o outro.
"Estranho, por que ele também não acende a luz?" Só quando chegou perto é que Zhang Peng percebeu que algo estava errado, mas não pensou muito no motivo. Seu cérebro estava tomado pela euforia da vingança.
O ar ficou mais pesado do que nunca. Ele ergueu a faca lentamente acima do ombro, o corpo esticado como um arco pronto para disparar, a ponta da faca apontada para a silhueta à frente.
"Vá para o inferno!"
Num ataque em velocidade máxima, com o rosto distorcido, Zhang Peng cravou a faca afiada na silhueta à sua frente!
Um sorriso de excitação já se formava em seu rosto, mas, em menos de um segundo, esse sorriso desapareceu completamente.
A faca atravessou diretamente o corpo da silhueta! Errou o alvo!
Com a enorme inércia, Zhang Peng bateu a cabeça na porta, quase torcendo a cintura.
"Mas que porra?!"
Zhang Peng não conseguia aceitar esse resultado de jeito nenhum.
Ele se levantou apressadamente do chão e começou a golpear o ar furiosamente: "Cadê? Cadê o cara?!"
Depois de desabafar toda a raiva, um sentimento que ele nunca tinha sentido antes começou a brotar em seu coração.
"Eu vi claramente uma silhueta de costas para mim ali! Não tem como eu ter visto errado!" Zhang Peng já não se importava mais em se expor. Pegou o celular para iluminar o ambiente. A porta de madeira estava cheia de marcas finas e entrelaçadas, e no chão havia alguns pedaços de espelho com bordas afiadas: "Tudo isso foi deixado pela silhueta. Posso afirmar com certeza que havia uma pessoa ali!"
Se havia uma pessoa ali, por que desapareceu num piscar de olhos?
Zhang Peng sentiu um arrepio inexplicável. A raiva em seu peito já tinha se apagado, e ele olhava sem saber o que fazer para o corredor silencioso.
"Uma pessoa nunca pode desaparecer de repente, a menos que... não seja uma pessoa." O pomo de Adão subiu e desceu. A luz do celular não lhe trazia nenhuma segurança; pelo contrário, só aumentava seu desespero, como se todos os lugares que a luz não alcançasse escondessem monstros.
"O dono da casa mal-assombrada não é humano! Esta casa tem fantasmas de verdade!" A testa de Zhang Peng estava coberta de suor frio, e a mão que segurava a faca também estava encharcada. Vingança, assassinato, tudo foi jogado para trás. Ele saiu correndo desesperado, só pensando em sair daquele lugar amaldiçoado.
Segurando o celular, corria cada vez mais rápido, sem notar que o ângulo de abertura da porta de segurança na saída do corredor era diferente de antes.
"Deixo a vingança para depois. Este lugar não é seguro." Segurando o braço, Zhang Peng mal entrou na saída do corredor quando uma silhueta escura atrás da porta o atingiu.
"Crunch!"
O som de ossos quebrando foi nítido. Zhang Peng olhou para a mão direita mole e sem sensibilidade, e seu cérebro pareceu travar.
"Desculpa, errei o alvo." Chen Ge saiu de trás da porta com o martelo de ferro na mão. A máscara de pele humana, cruel e assustadora, se contorcia em várias expressões horríveis enquanto ele falava: "Eu ia quebrar sua escápula."
O tom calmo, como se estivesse contando algo insignificante. Zhang Peng olhou para Chen Ge atrás da porta e sentiu como se fosse sufocar!
Por que você é tão agressivo?! Eu é que sou o assassino aqui!
Zhang Peng até queria tentar resistir, mas quando seus olhos passaram pelo martelo de ferro de mais de quarenta centímetros, com ranhuras de sangue, na mão de Chen Ge, a mão que segurava a faca se recusou a obedecer.
Ranhuraduras de sangue num martelo de ferro, e o cabo parecendo uma espinha! Você tem medo de que os outros não saibam que você é um maníaco assassino?!
Sem dar mais tempo ao outro, Chen Ge balançou o martelo de ferro novamente em direção à coxa de Zhang Peng. Ele precisava de alguém sem capacidade de resistência para servir de recipiente para o monstro do espelho.
"POW!"
O corrimão da escada foi entortado com a força. Zhang Peng escapou por pouco. Com uma mão sangrando e a outra quebrada, ele não ousava mais resistir. Jogou até a faca e saiu correndo desesperado escada abaixo.
"Tão medroso assim, quem te deu coragem para vir sozinho visitar minha casa mal-assombrada?"
Segurando o martelo de ferro, Chen Ge o seguiu de perto. Os dois, um perseguindo e outro fugindo, voltaram para o primeiro andar da casa mal-assombrada.