Capítulo 445: Quem Tem Mais Gente? (Primeira Atualização)
Incontáveis memórias inundaram sua mente, o idoso sentia a cabeça prestes a explodir de dor, mas seu olhar permanecia extremamente calmo.
Vasos sanguíneos jorravam do chão e das paredes, enrolando-se em seu corpo. O idoso nem se mexeu, continuando parado diante do recipiente de vidro.
Só de olhar já causava dor, mas o idoso nem franziu a testa.
Chen Ge queria ajudar o idoso, mas mal conseguia se salvar. O monstro com o crânio vazio do lado de fora batia furiosamente contra a porta, enquanto mãos humanas com marcas evidentes de sutura se estendiam pelas frestas, tentando agarrá-lo.
— Vovô, você tem que aguentar!
Os vasos sanguíneos, no fim, penetraram no cérebro do idoso. Porém, diferente das vezes anteriores, seus olhos não foram imediatamente tomados por veias vermelhas; ele ainda mantinha a consciência.
O rosto coberto de vasos azulados, uma dor que ninguém poderia imaginar, mas o idoso suportava aquela agonia, em pé ao lado do recipiente de vidro que guardava o corpo do professor.
Seu corpo não era alto, mas estava ereto, como se nada no mundo pudesse derrubá-lo.
O Mundo Sangrento não esperava por esse imprevisto e tentava desesperadamente remediar a situação.
Cada vez mais vasos sanguíneos surgiam de todos os cantos do quarto, a cena diante dos olhos era como o próprio inferno.
Comparado àqueles vasos grossos e aparentemente infinitos, o idoso parecia frágil demais, como uma rocha insignificante em meio a uma tempestade.
Mais vasos penetravam em seu corpo, mas o idoso parecia não vê-los. Ninguém sabia o que se passava em sua mente naquele momento.
De longe, Chen Ge só via os olhos do idoso fixos no recipiente de vidro.
O corpo estava prestes a ser dilacerado pelos vasos, mas o idoso não se importava. Com a palma da mão tocando o vidro frio do recipiente, seu olhar era complexo.
Desejava a vida, mas também não temia a morte.
— Então era aqui que eu deveria estar.
A vida como o orvalho da manhã, a morte como uma estrela. O idoso finalmente se lembrava de tudo. Cerrou os punhos, e de sua garganta saiu um rugido grave.
Dor e sofrimento foram deixados de lado, seus olhos brilhavam com uma luz nunca antes vista.
Com os vasos sanguíneos saltados por todo o corpo, sua figura magra se tornava assustadora, mas sua expressão era surpreendentemente bondosa. Quem o visse jamais imaginaria que aquele velho teimoso e severo pudesse ter um lado assim.
Ele desviou o olhar do recipiente de vidro e balançou levemente a cabeça:
— O que esses garotos estão pensando? Doei meu corpo não para ser colocado numa sala de exibição como uma peça de museu! Que exibicionismo! Quando eu sair daqui, vou dar uma boa bronca neles!
Havia um toque de raiva em sua voz. O idoso, suportando uma dor indescritível, recuperou todas as suas memórias.
Os vasos sanguíneos dentro de seu corpo, ao perceber que não conseguiam afetá-lo, redobraram seus esforços. O quarto inteiro tremia, os órgãos nas paredes e os vasos no teto se rompiam em vários pontos, fazendo sangue escorrer por toda parte.
Em meio à chuva de sangue, o idoso mantinha a mesma postura. Dava para ver que ele estava suportando uma dor imensa, mas não se rendia; seus olhos carregavam até um certo desprezo!
O Mundo Sangrento e a vontade do idoso travavam uma batalha feroz, tendo o corpo do idoso como campo de batalha, uma luta perigosa da qual ninguém mais podia participar.
Chen Ge não podia ajudar; só conseguia, atrás da porta, segurar a madeira para impedir que aqueles "seguranças" interferissem com o idoso.
As frestas nas paredes aumentavam. Não demorou muito, um dos seguranças enfiou um braço e a cabeça para dentro.
— Pá!
A porta vibrava. Os dois monstros, como loucos, colidiam contra ela.
A situação de Chen Ge era crítica, e a do idoso também chegava ao momento crucial.
Os órgãos nas paredes, devido à estimulação intensa, começavam a definhar. Os vasos no teto já estavam dilatados ao limite, mas, mesmo assim, ainda não conseguiam quebrar a vontade do idoso.
Comparado àqueles vasos horríveis e grotescos, o idoso parecia insignificante, mas era ele quem barrava a consciência do Mundo Sangrento.
A breve vida passava como um filme em sua mente, e seus olhos brilhavam cada vez mais.
Os vasos finalmente atingiram o limite. As rachaduras aumentavam, até que, com um estalo, explodiram.
O quarto feito de carne e sangue logo escureceu. Os vasos que envolviam o idoso perderam a vitalidade, caindo no chão como videiras secas.
— Não é grande coisa.
O idoso pisou sobre os vasos ressequidos, sua vontade firme como diamante.
No momento em que o idoso fez os vasos explodirem e protegeu suas memórias, a camada de sangue na superfície do corpo de Chen Ge também se desfez silenciosamente.
Um ar com forte cheiro de sangue invadiu suas narinas. Chen Ge respirou fundo, sentindo o corpo inteiro revigorado!
Era como se tivesse ficado muito tempo submerso na água e finalmente emergisse à superfície — a sensação de alívio era indescritível!
A porta era golpeada, os monstros tentavam entrar por todos os lados.
Suas costas já estavam dormentes de tanta vibração. Olhando para os monstros tão próximos, Chen Ge esboçou um sorriso.
Ele sabia que, a partir daquele momento, não estava mais lutando sozinho.
Apertou o botão do gravador. Quando o som sibilante da corrente elétrica soou, ChenGe apertou o martelo de esmagar crânios e, por iniciativa própria, abriu a porta do depósito de corpos.
— Xu Yin!
Uma figura carmesim surgiu ao seu lado. Os olhos frios de Xu Yin transbordavam intenção assassina, fixos nos monstros que se aproximavam de Chen Ge. Sua túnica vermelha gotejava sangue, e seus dez dedos se abriam como facas de desossar.
Nesse momento, um terceiro som de respiração ecoou no corredor. Os monstros se acumulavam cada vez mais.
— Tudo é feito de carne e sangue, cheio de deformidades e distorções. Então era assim que eu vivia. — O velho recuperara a memória. O que via já não era mais aquele mundo falso. Em poucos segundos, combinando as lembranças de antes e depois da morte, ele compreendeu tudo rapidamente.
Aproximando-se de Chen Ge, o idoso alertou em voz baixa:
— É melhor irmos embora agora. Conheço um caminho para escapar. Há muitos monstros aqui, não precisamos enfrentá-los de frente.
Esticando o corpo, Chen Ge, depois de romper a camada de sangue, sentia-se completamente revigorado. Olhando para os monstros que vinham de encontro a ele, não demonstrava a menor intenção de fugir.
— Os monstros vão se acumular cada vez mais. Se esperarmos, será tarde demais para sair. — O idoso mantinha a calma.
— Pode ficar tranquilo, deixa comigo. — Chen Ge colocou o gato branco da mochila de lado, pegou o álbum de quadrinhos e, em seguida, várias figuras surgiram ao seu redor: — Se for para competir em número de pessoas, eu realmente nunca tive medo de ninguém!