Capítulo 442: Eu não já morri? (Segunda atualização)
Comparado a quando Chen Ge entrou, o mundo atrás da porta também começou a mudar, como se uma pessoa adormecida estivesse lentamente acordando.
Ao atravessar o corredor, Chen Ge ouviu duas pessoas conversando no Depósito de Corpos nº 7.
— Ouvi dizer que o experimento falhou de novo? — É, todos morreram, ninguém conseguiu sair daquela sala. Que medo, espero que nunca chegue a minha vez. — Você sonha alto. Provavelmente a próxima leva será a nossa. Você notou que ultimamente têm chegado poucos novatos? — Notei. Talvez os experimentos estejam mais intensos por causa disso. Algo aconteceu lá fora. — Na verdade, tenho pena daquele cadáver. Ser amado por um louco, mesmo morto sofre tortura, sem descanso. — Cala a boca, isso não é assunto para a gente discutir. Vamos trabalhar direito.
Chen Ge parou na porta e olhou para dentro. Os dois que conversavam eram monstros.
Eles tinham aproximadamente a forma de uma pessoa, rostos normais, mas os corpos pareciam amontoados como lama, mantidos juntos apenas por costuras de fios vermelhos.
Ao passar o olhar pelos rostos dos dois monstros, Chen Ge ficou um pouco surpreso.
Os corpos eram montados artificialmente, mas os rostos eram deles mesmos. Chen Ge já tinha visto fotos dos dois no quarto cheio de retratos do lado de fora da Porta de Sangue.
Ambos eram vítimas da Associação de Contos Estranhos. Um deles era o pai do Paciente 41, aquele homem de meia-idade que maltratava o próprio filho.
Chen Ge não entrou correndo no Depósito nº 7. Sua mente trabalhava rápido, e o que via coincidia com suas suposições.
Esses dois deviam ser o que Liu Zhengyi chamava de pessoal de apoio. Eram formados pelos resquícios das vítimas da Associação, servindo diretamente ao "Diretor".
— Cúmplices do mal? — A palavra veio à mente de Chen Ge. Para ele, a Associação era uma organização sem qualquer limite. Até depois da morte, levavam os resquícios das vítimas, forçando-os a trabalhar para eles.
— Esperem, vou tirar todos vocês daqui. — ChenGe apertou o Martelo Esmagador de Crânios, agachou-se na esquina do corredor e, usando a Pupila Sombria, observou secretamente o Depósito nº 7.
Os dois monstros ergueram um pano vermelho no chão. Debaixo dele, havia corpos, que pareciam ter sido trazidos do mundo lá fora.
Eles levantaram os corpos e os colocaram em um carrinho, alinhados com a porta do armário de corpos.
— Pronto, abre o armário.
Um dos monstros, nervoso, ficou ao lado do armário, respirou fundo e estendeu a mão cheia de cicatrizes para destrancar a fechadura.
No instante em que a mola da fechadura estalou, a porta grossa do armário foi arremessada para fora. De dentro, inúmeros vasos sanguíneos grossos como cobras gigantes se esticaram.
O outro monstro, mais experiente, assim que a porta se moveu, empurrou o carrinho para frente.
Quando os vasos saíram, ele já tinha empurrado o corpo na direção deles.
Os vasos, como tentáculos de polvo, envolveram o corpo e o arrastaram para o fundo do armário.
— Fecha a porta rápido!
Os dois monstros juntos fecharam a porta do armário, mas na hora de trancar, algo deu errado. Um vaso escapou pela fresta, enroscou no braço de um dos monstros e arrancou seu antebraço.
A porta continuava sendo batida, como se dentro do armário houvesse várias feras enjauladas.
O braço arrancado, o monstro nem gritou de dor, como se já estivesse acostumado. Enquanto o vaso recuava, ele aproveitou para fechar a fechadura.
Depois de uns dez segundos, o armário se acalmou. Os dois monstros começaram a preparar o segundo armário.
Só depois de colocar todos os corpos nos armários é que eles respiraram aliviados. Nesse ponto, já estavam cobertos de feridas, com várias partes do corpo faltando.
— Finalmente acabou.
Os dois monstros empurraram o carrinho e saíram do Depósito nº 7. Chen Ge os seguiu silenciosamente.
— Eles colocam os corpos de fora nos armários para os vasos absorverem. Isso fornece nutrientes para o mundo vermelho? — Chen Ge olhou para os vasos grossos no teto e para os inúmeros fios vermelhos que fluíam silenciosamente por dentro. Achou o mundo ainda mais estranho e deformado.
— A Associação descobriu a "porta" cinco anos antes de mim. Parece que eles já dominam o método de modificar a "porta". — Chen Ge passou pelo Depósito nº 7 e deu uma olhada. Sentiu que aquele lugar não era uma escola vermelha, mas sim uma fábrica vermelha. — Acho que o Dr. Gao é um monstro mais assustador que a própria "porta". Esse cara é louco demais, não dá para saber o que ele está pensando.
Andou mais alguns metros. Na porta do Depósito nº 6, dois médicos de jaleco branco discutiam. Usavam muitos termos técnicos sobre o corpo humano, e Chen Ge não entendeu nada.
Os médicos pareciam ter um status alto naquele mundo vermelho. Os dois "funcionários de apoio" nem ousavam se aproximar, como se chegar perto fosse uma falta de respeito.
Só depois que os médicos foram embora, discutindo, é que os monstros ousaram murmurar algumas palavras, desabafando.
— Parece que o experimento falhou de novo. Aquela sala já engoliu centenas de pessoas. — Na verdade, não é bem uma falha. Há muito tempo, aquele cadáver já conseguia se mover, não? — O que você entende? O corpo reviveu, mas a alma já se dissipou. Aquele louco quer encontrar a alma da esposa dele. Só juntando alma e corpo é que dá para considerar alguém uma pessoa. — Não entendo. Também não me afeta. Vamos andar rápido. Estamos chegando perto do lugar onde aquele velho maluco mora. Se ele nos pegar, vai dar problema. — É mesmo, quase esqueci.
Os dois monstros se calaram. Ao passar pelo Depósito nº 4, diminuíram o passo, com medo de fazer barulho.
Mas o que não esperavam é que um velho estivesse atrás da porta do Depósito nº 4. Quando viu os dois se aproximando, abriu a porta.
— Vocês dois, parem aí! — A voz do velho era severa, sem humor, dava medo só de ouvir.
— Dr. Wei, o senhor nos chama? — Os dois monstros se encolheram, sem ousar se aproximar.
— Respondam a uma pergunta. — O velho tinha olhos de águia, um olhar afiado.
Os monstros, intimidados pelo olhar, não ousaram resistir e concordaram relutantemente: — O que o senhor quer perguntar?
Os lábios se moveram, e o velho, com expressão confusa, disse: — Eu já morri ou não?
Assim que a pergunta foi feita, os vasos no corredor aceleraram, e os órgãos nas paredes começaram a pulsar mais forte.
— O senhor não está bem vivo? — Os dois monstros forçaram um sorriso.
— Mas eu me lembro claramente de já ter morrido? — O velho franziu as sobrancelhas, começando a pensar.
Um dos monstros puxou discretamente o outro, e os dois recuaram lentamente para o fundo do corredor, saindo correndo.