Capítulo 426: Depósito Oito
"Foi minha culpa? Se você não insistisse para eu levantar aquilo, minha mão não teria se machucado." Li Xu resmungou com o Wei Ge, esfregando a mão com força na roupa, mas não adiantou nada. As manchas vermelhas não só não desapareceram, como pioraram. "Para de falar besteira? Anda logo, termina isso e vaza. Por que esse lugar maldito é tão frio?" Wei Ge foi na frente, carregando o balde, seguindo o caminho de memória pelo corredor, cada vez mais para dentro. No corredor pintado de branco, a cada poucos metros, via-se uma porta de câmara frigorífica, com o número do depósito marcado nela. Os dois passaram pela porta do Depósito Seis, depois pelo Depósito Sete. Quando Wei Ge se preparava para continuar, Li Xu de repente puxou ele. "O que foi agora?" Wei Ge olhou para Li Xu com impaciência. Parado no lugar, Li Xu apontou a lanterna para o lado do Depósito Sete, com uma expressão estranha: "Antes, quando entramos, não era uma parede ao lado do Depósito Sete?" "Não me lembro bem. E daí?" A voz de Wei Ge saiu abafada por trás da máscara. "Olha você mesmo. Como é que tem mais um depósito do lado do Depósito Sete? Foi construído recentemente?" Li Xu não ousava avançar: "A porta está com tanta poeira, com certeza foi construído antes. Mas como é que não me lembro disso?" "Que drama, pensei que fosse coisa séria." Wei Ge passou pela porta do Depósito Sete e parou ao lado do depósito extra. A porta desse depósito era idêntica às anteriores, a diferença era que o número estava muito borrado, como se alguém tivesse raspado com as unhas, pedaço por pedaço. "Será que a gente devia dar uma olhada?" Wei Ge pensou bem. Antes, quando vieram, realmente não parecia haver um depósito ao lado do Sete. "Se você quer entrar, vai você. Eu não tenho coragem." Li Xu balançou a cabeça, segurando a lanterna para iluminar atrás. "Olha só a sua coragem. A gente lida com corpos todo dia no crematório, não são mais que esses estudantes? Olha o estado que você está." Wei Ge falava assim, mas parecia também ter um pouco de medo. Ele pulou o assunto, acelerou o passo e passou rápido pela porta do depósito. "Espera por mim!" Li Xu correu para frente com a lanterna, mas aconteceu algo que ninguém esperava. A distância entre Wei Ge e Li Xu aumentou. Quando Li Xu estava quase passando pela porta do depósito, a porta de ferro do lado de fora se abriu sozinha. Foi muito repentino, como se alguém tivesse empurrado com força lá dentro. Li Xu já não era muito corajoso. A porta de ferro se abriu de repente, assustando ele, que gritou alto. Ao ouvir o grito de Li Xu, Wei Ge parou, olhou para trás e, ao ver a porta de ferro aberta, seu rosto ficou pálido. "Por que você abriu a porta, caramba? Em vez de ficar curioso, melhor vir ajudar logo!" Wei Ge repreendeu Li Xu, que respondeu, magoado: "A porta abriu sozinha, eu não encostei nela." Ele olhou para dentro da sala. Bastou um olhar para seu corpo congelar, como se sua visão tivesse se fixado em algum lugar. "O que foi com você?" Wei Ge, que trabalhava com Li Xu há muitos anos, conhecia bem o colega. Não era do tipo que fazia brincadeiras de mau gosto. Ele largou o balde, foi até Li Xu e olhou para dentro do depósito. Dentro de um recipiente de vidro perto da porta, flutuava um corpo. O que dava medo era que os olhos do corpo estavam abertos. "Wei Ge, sinto que ele está olhando para a gente." A voz de Li Xu era baixa. Cada vez que abria a boca, sentia um ar frio entrando. "Vamos dar uma olhada." Wei Ge segurou o braço de Li Xu, e os dois entraram juntos no depósito. Aquele depósito parecia uma sala de exibição. Na parede, havia uma placa que dizia que todo doador de corpo merece respeito, e que se deve manter respeito por eles em qualquer momento. A placa estava na parede, mas Wei Ge e Li Xu estavam tão focados no corpo de olhos abertos que não viram o que estava escrito. Os dois se moveram pela sala e pararam ao lado do corpo de olhos abertos. "Liu Zhengyi?" Havia uma descrição no recipiente de vidro. O corpo de olhos abertos se chamava Liu Zhengyi. Ele se formou na Faculdade de Medicina Legal de Jiujiang e, depois de formado, ficou como professor. Ele tinha um forte senso de justiça. A biografia dizia que, no primeiro dia como professor, ele decidiu que, após a morte, doaria seu corpo para a escola. Certa vez, um aluno fez piada sobre a aparência de um "professor modelo" na aula, e ele repreendeu severamente os alunos. Dentro do recipiente, ele ainda parecia jovem. Quanto à causa da morte, a descrição não mencionava. "Está bem preservado, parece de verdade." Wei Ge bateu no recipiente de vidro com a mão. O corpo lá dentro não reagiu. "O que você está fazendo? E se ele acordar de verdade?" As manchas vermelhas na palma da mão de Li Xu já estavam se espalhando, mas ele ainda não tinha percebido. Ele puxou Wei Ge com força para o lado: "Aqueles seguranças disseram que o depósito subterrâneo é assombrado. Nem o pessoal da escola quer entrar aqui. Vamos sair logo. Depois não aceitamos mais trabalho dessa escola." "Termina esse serviço primeiro." Wei Ge soltou a mão de Li Xu e olhou para o lado. À esquerda e à direita de Liu Zhengyi, havia outros recipientes de vidro, cada um com um "professor modelo". Havia um idoso de aparência bondosa, muito sereno, que parecia ser um professor da faculdade de medicina legal. E um rapaz forte de uns dezesseis ou dezessete anos, de olhos fechados, com um sorriso radiante no rosto, como se estivesse tendo um sonho bom. Wei Ge passou o olhar por todos os recipientes de vidro. Quando viu o recipiente atrás da porta, ele parou. Aquele recipiente estava vazio. Mais estranho ainda, a tampa no topo estava aberta, como se alguém tivesse acabado de sair de lá. Os dois se aproximaram do recipiente de vidro, iluminaram com a lanterna e encontraram algo ainda mais impressionante. Do topo do recipiente de vidro, saía um forte cheiro de formol. Mais importante, havia duas marcas de mãos molhadas ao lado. Wei Ge e Li Xu se entreolharam, com expressões de pânico. "O que estava no tanque escapou?" "Calma." Wei Ge era bruto, mas tinha seus momentos de cuidado. Ele olhou ao redor do recipiente: "Se o corpo dentro do tanque tivesse escapado, não teria deixado só duas marcas de mão. Mas não há marcas de mão ou pegadas por perto." Li Xu iluminou ao redor com a lanterna e viu que era como Wei Ge disse: "Então como é que tem duas marcas de mão aqui em cima?" "Não sei. Vamos sair primeiro." Aquele era o segundo subsolo, tudo escuro ao redor. A sensação sinistra não era dissipada pela luz da lanterna. Wei Ge também começou a desistir. Ele se virou e saiu com Li Xu. "Vou despejar o que está no balde. Espera aqui." "Tá bom. Vai e volta logo." Wei Ge e Li Xu saíram pela porta. Nenhum dos dois percebeu que, atrás do recipiente de vidro, havia um armário, e naquele momento, formol escorria sem parar pela fresta na base do armário.