Capítulo 424: Maçã
"Será que o cara na minha frente foi quem deixou essas palavras de sangue?"
Chen Ge decidiu ir pessoalmente perguntar. Segurando o Martelo Esmagador de Crânios, ele tirou o gravador da mochila. Quando apertou o botão de ligar, o homem que caminhava à sua frente pareceu desaparecer de repente.
No corredor, só restaram os passos de Chen Ge. Ao virar a esquina, viu uma frase escrita na parede branca: Você vai se arrepender!
"Isso é uma ameaça?"
Não havia mais nada no corredor além daquelas palavras de sangue horríveis. Chen Ge guardou o gravador em silêncio.
"Ainda não é hora de revelar meu trunfo. O mais urgente agora é entrar na área central do Depósito de Corpos Subterrâneo dentro do prazo estipulado pela missão."
Chen Ge sabia bem que, para um cenário de terror de três estrelas, o verdadeiro medo só se revelaria depois da meia-noite.
Andou por mais alguns minutos no corredor pintado de branco e encontrou cada vez mais lugares estranhos.
Nas paredes brancas, ocasionalmente, via manchas de água, sem saber de onde aquele líquido estava vazando. Olhando com atenção, encontrava fios de cabelo de pessoas vivas no chão, uns longos, outros curtos. Ao pegar um, sentia o forte cheiro de formol que exalava do fio.
O odor parecia ter penetrado nos fios, fundindo-se com eles.
Além disso, o que mais intrigava Chen Ge eram as palavras de sangue nas paredes. Parecia que alguém sabia que alguém entraria no Depósito de Corpos Subterrâneo pelo corredor de transporte de cadáveres, e não parava de alertar os intrusos.
"Essas letras foram escritas pelos monstros do depósito para avisar o pessoal da faculdade de medicina?"
Funcionários da escola e alunos que precisavam fazer experimentos entravam por esse corredor para pegar corpos no depósito. As palavras vermelhas davam a sensação de terem sido escritas por cadáveres, carregadas de avisos, ameaças e um toque de resignação impotente.
A cada poucos passos, via um trecho de texto. As letras ficavam cada vez mais feias, como se a mão de quem escrevia tivesse algum problema. Em alguns lugares, dava para ver claramente que a escrita parava no meio de um traço, como se a caneta tivesse caído da mão.
"Se a mão caiu enquanto escrevia pela metade, isso já é assustador demais."
Até agora, Chen Ge ainda não sabia que monstros habitavam o Depósito de Corpos Subterrâneo. A missão daquela noite estava apenas começando, e ainda havia muito a explorar.
O corredor de transporte de cadáveres tinha uma inclinação, sempre descendo. Quando chegou ao fim, Chen Ge já estava no segundo subsolo, a área mais externa do depósito.
"Mais fácil do que eu imaginava."
Talvez por causa do aparecimento de Xu Yin, o caminho foi tranquilo. Chen Ge só encontrou alguns vestígios, sem nenhum perigo real.
No final do corredor, havia duas bifurcações. Uma não era pintada, mas parecia sombria e assustadora, muito silenciosa.
A outra ainda era pintada de branco, e no chão liso, via-se marcas de rodas de carrinhos.
"Devem ser marcas deixadas pelos funcionários ao transportar cadáveres."
Havia carrinhos específicos para transportar cadáveres no depósito, que pareciam muito leves. Chen Ge ficou um pouco tentado: "O carrinho que o Tio Xu fez é meio pesado. Quando o cenário do Depósito de Corpos Subterrâneo for desbloqueado, posso usar esses carrinhos daqui para transportar turistas desmaiados."
Fazer com que fantasmas empurrassem carrinhos do depósito para transportar pessoas desmaiadas para fora do cenário de terror já era uma experiência especial por si só.
Chen Ge pegou o celular e deu uma olhada. O mapa mostrava que ele já estava na borda do Depósito de Corpos Subterrâneo. O corredor pintado de branco era a entrada para a área externa do depósito.
Seguindo por esse caminho, a cerca de sete ou oito metros, havia três pequenos depósitos de corpos. Mais à frente, um depósito médio, e mais adiante, uma área desconhecida.
ChenGe olhou todos os mapas, mas não encontrou nenhum registro sobre aquele trecho de corredor.
Pegando o Martelo Esmagador de Crânios, Chen Ge foi até a porta do primeiro pequeno depósito. A porta de ferro não estava trancada e não tinha poeira. Parecia que aquele depósito tinha sido usado recentemente.
"Será que devo abrir e dar uma olhada?"
Chen Ge já tinha planejado tudo antes de vir. Ele pretendia limpar tudo pelo caminho, sem deixar nenhum canto, para que, na volta, ficasse mais seguro.
Em um ambiente fechado como aquele subterrâneo, sua maior preocupação era ser pego de surpresa, atacado pela frente e por trás ao fugir.
Ele puxou a porta de ferro, e o eixo rangeu de forma desagradável. Dentro do quarto escuro, havia quatro armários de conservação de corpos.
Os freezers ainda estavam funcionando, e nas portas dos armários estava escrito: "Não toque".
O quarto era pequeno. Chen Ge andou por ele com o gato branco, mas o gato não mostrou nenhuma reação anormal.
Saindo daquele depósito, Chen Ge entrou em outros pequenos depósitos. Nenhum deles tinha problemas.
"As marcas das rodas no chão param na porta do depósito médio. Parece que as pessoas da escola que vêm pegar corpos não costumam ir para o fundo do depósito."
Parado na porta do depósito médio, Chen Ge tentou puxar a porta. Ela não estava trancada.
"Há uma placa bem visível na porta dizendo 'Proibida a entrada', mas a porta pode ser aberta à vontade. Será que foi descuido do administrador, ou alguém abriu a porta depois que ele saiu?"
Chen Ge abriu a porta uma fresta e olhou para dentro. Além dos freezers, no canto do depósito médio, havia algumas mesas de ferro.
Quando seus olhos passaram pelas mesas, sua expressão mudou ligeiramente.
Várias mesas estavam juntas, e sobre elas havia algo parecido com uma pessoa.
Dizia-se "parecido com uma pessoa" porque aquilo tinha apenas o contorno de um corpo, mas os membros e o tronco estavam completamente torcidos.
O gato branco miou baixinho. Chen Ge se aproximou cautelosamente da parede.
Ele passou pela fileira de freezers. Parecia que alguns não estavam bem fechados, e a temperatura estava cada vez mais baixa, dando para sentir um friozinho.
"Será que todos esses freezers estão cheios de corpos?"
Chen Ge instintivamente se afastou dos freezers. Chegou perto da parede e finalmente viu claramente: sobre a mesa de ferro, havia um manequim humano desmontado.
Talvez fosse algo usado pelos alunos de medicina nas aulas, jogado ali.
A barriga do manequim estava aberta, e vários órgãos estavam organizados ordenadamente ao lado. Se fosse só isso, ainda não seria nada. Mas os olhos do manequim estavam abertos, tão realistas que pareciam olhos de verdade incrustados nele.
Naqueles olhos bonitos, havia um toque de desejo. Seguindo a direção do olhar, ao lado da cabeça do manequim, havia uma maçã podre, com um leve cheiro azedo.
A maçã mofada contrastava com o corpo liso do manequim, como se alguém tivesse criado aquela cena de propósito para gerar uma atmosfera.
Chen Ge estava ao lado do manequim, prestes a examinar com mais cuidado, quando ouviu um som estranho vindo do corredor lá fora, como se uma massa de lama tivesse caído de um lugar alto.
"Alguma coisa está vindo?"
Chen Ge não teve tempo de continuar olhando. Pegou o Martelo Esmagador de Crânios e se escondeu na porta do depósito. Desligou a lanterna do celular e, usando a Pupila Sombria, observou o corredor pintado de branco.
Compensando o de ontem. Peguei o trem, chego em casa às oito e pouco da noite, e continuo escrevendo.