Capítulo 399 – O Segredo Enterrado no Fundo do Coração (Segunda Atualização)
Não importava a escolha, havia risco de vida, e Chen Ge se viu hesitante, algo raro para ele.
Os gritos da mulher aumentavam, mas, estranhamente, não havia eco no túnel, como se apenas Chen Ge pudesse ouvir sua voz.
“Quem te salvar morre no túnel; quem não te salvar, mesmo que não apareça nos jornais, provavelmente não terá um destino muito melhor.”
Respirando fundo, Chen Ge decidiu ignorar a mulher por enquanto. Depois de completar a missão de nível pesadelo, ele lidaria com essa questão de vida ou morte.
Ao dar o quadragésimo primeiro passo, o som do vento pareceu diminuir um pouco, fosse por causa da multidão de espectros malignos ao redor de Chen Ge, ou por outra razão.
A luz do celular começou a distorcer, e ele podia sentir claramente que o ambiente ao redor escurecera muito.
Reunindo forças, Chen Ge gritou seu próprio nome.
“Faltam apenas os últimos três passos.”
A mulher de vermelho à esquerda do túnel já estava próxima, e vários espectros malignos se amontoavam ao redor. Chen Ge, com os olhos fixos no fundo do túnel, deu o quadragésimo segundo passo sem hesitar.
No momento em que seu pé tocou o chão, a lanterna do celular se apagou de repente.
Sem qualquer aviso, não importava quantas vezes ele apertasse o botão, o celular não respondia.
A escuridão desceu, envolvendo Chen Ge. Mesmo com seus Olhos Yin, ele só conseguia enxergar dois ou três metros a mais que uma pessoa comum.
Sem nenhum vestígio de luz, Chen Ge ficou parado, sem ousar se mover.
Na escuridão absoluta, os cinco sentidos são enganados. Sem qualquer ponto de referência, é fácil se perder.
Ele temia cair acidentalmente e, ao se levantar, não conseguir distinguir para que direção estava virado.
Isso era algo aterrorizante no túnel. Se escolhesse o caminho errado, poderia acabar indo para partes mais profundas.
O silêncio se instalou, e a mulher de vermelho também calou a boca.
Mas essa sensação era péssima. Saber que havia espectros malignos por toda parte, mas não conseguir vê-los.
A respiração de Chen Ge ficou difícil. Uma pressão o envolvia por todos os lados: “Não posso continuar parado aqui.”
Erguendo a perna, Chen Ge deu o quadragésimo terceiro passo.
O túnel ficou ainda mais silencioso, como se todos os espectros tivessem desaparecido. Mais estranho ainda, uma luz fraca surgiu no fundo do túnel.
Muito tênue, difícil de distinguir.
“Estou saindo do túnel?”
A luz ao longe não estava parada; aproximava-se lentamente, como se alguém estivesse carregando uma lanterna.
Chen Ge não agiu precipitadamente. Concentrou toda sua atenção na luz, enquanto seu corpo parecia ser comprimido por algo, como se estivesse entrando em uma parede de ar invisível.
Conforme a luz se aproximava, a pressão sobre Chen Ge aumentava.
“Foda-se, o último passo. Vou dar logo!” Ele sentia que seu corpo estava prestes a ser rasgado. Forçou a perna para cima, preparando-se para o quadragésimo quarto passo.
A luz se aproximava, e a figura por trás dela gradualmente se tornava nítida.
Olhando para frente, suas pupilas se contraíram. Chen Ge ergueu a perna esquerda e até esqueceu de abaixá-la, quase incapaz de acreditar no que via.
“Aquilo é…”
Atrás da luz estava um garoto. Ele carregava uma mochila, com o zíper meio aberto, revelando uma boneca de pano tosca.
A mão esquerda do menino parecia estar sendo segurada por alguém, enquanto a direita segurava um celular para iluminar o caminho. Era um modelo antigo, de muitos anos atrás, sem nem função de lanterna. Ele só podia se mover com a luz fraca da tela, passo a passo.
O garoto tinha uma expressão séria, como se procurasse algo.
Sua mão estava sendo segurada, claramente por um adulto que o acompanhava.
Talvez por estar cansado de segurar o celular o tempo todo, ele abaixou o braço, deu mais alguns passos e parou na frente de Chen Ge.
O menino parecia não perceber que havia alguém à sua frente. Ele fitava a escuridão infinita adiante.
O adulto ao lado pareceu dizer algumas palavras, tentando convencê-lo a desistir, mas o garoto não concordou, continuando a olhar para a escuridão.
Como se tivesse sentido algo, o menino ergueu a cabeça e apontou a tela do celular diretamente para a sua frente.
No túnel de escuridão absoluta, aquela luz fraca, quase imperceptível, conectou os olhares de duas pessoas.
Chen Ge estava imóvel de um lado do túnel, como uma estátua de gesso, os olhos fixos no rosto do garoto.
Aquele menino era ele mesmo, de muitos anos atrás!
Seus braços tremiam. Chen Ge não conseguia descrever aquela sensação estranha.
“Eu já vi uma casa vermelha nos subúrbios orientais de Hanjiang. Havia muitas crianças brincando e rindo ao redor dela. Depois, desmaiei. Quando acordei, estava no carro. O que aconteceu nesse meio-tempo, até hoje não consigo lembrar.”
Chen Ge olhava para o garoto, e o garoto olhava para ele.
Sob a luz fraca do celular, o menino abriu a boca. Chen Ge não conseguia ouvir sua voz, mas, pelos movimentos dos lábios, deduziu que ele disse três palavras, algo como — Encontrei!
O garoto parecia querer dizer mais, mas o adulto ao lado não lhe deu chance. Chen Ge viu claramente o pescoço do menino começar a se deformar, como se o adulto que o acompanhava estivesse apertando sua garganta.
Seu corpo esfriou. ChenGe ofegava pesadamente. Queria impedir aquele adulto. Seu pé tocou o chão, e ele deu o quadragésimo quarto passo!
Aquele passo pareceu pisar no vazio. Seu corpo caiu infinitamente, como se sua alma tivesse sido expulsa do corpo, prestes a ser sugada por algo.
A luz à sua frente se distanciava cada vez mais. Ele tentava desesperadamente agarrar algo, mas ninguém podia ajudá-lo naquele momento.
Um desespero indescritível tomou conta dele. Lentamente, ele fechou os olhos.
Mas, no instante em que suas pálpebras estavam prestes a se fechar, uma figura vermelha como sangue apareceu no fim da luz. Sangue se espalhava, e aquela pessoa parecia um sol vermelho-sangue.
Ela dissipou a escuridão infinita, transformando tudo em um mar vermelho.
“Zhang Ya?”
Uma dor aguda no braço fez Chen Ge abrir os olhos de repente, voltando a si.
Sua roupa estava encharcada de suor. A luz do celular voltara ao normal, e ele ainda estava no túnel.
“Eu vi a mim mesmo de mais de dez anos atrás? É isso que eu esqueci?” Chen Ge sentiu um calafrio vindo do fundo do coração: “Então, já naquela época, alguém queria me matar.”
Em sua memória, não havia pistas sobre o assassino. Nenhum dos conhecidos próximos estava preso. Isso significava que a pessoa que tentara matá-lo poderia estar vivendo ao seu redor o tempo todo.
“Agora, só sei que a pessoa está nos subúrbios orientais. Não é grande coisa. Vou resolver essa conta aos poucos.” Chen Ge olhou para o local onde sentira a dor. O gato branco havia mordido até sangrar: “Ainda bem que trouxe você.”
Acariciando a cabeça do gato branco, Chen Ge queria agradecer ainda mais a Zhang Ya. Quando se virou para olhar sua própria sombra, de repente percebeu que a mulher de vermelho estava colada ao seu lado.
O corpo deformado, a cabeça afundada, a mulher olhava para Chen Ge, repetindo: “Estou aqui, me ajude, estou aqui…”
“Quase me esqueci de você.” Tão perto, Chen Ge não tinha como evitar. Rangeu os dentes, olhou de soslaio para sua sombra e então se virou para a mulher de vermelho: “Como você quer que eu te ajude?”