Capítulo 396: Pense Melhor Nisso (Primeira Atualização)
O gato branco piscou os olhos, deixando Chen Ge pegá-lo no colo, como se ainda não tivesse entendido o que estava acontecendo.
Desta vez, Chen Ge nem levou a mochila. Enfiou um pouco de trocado no bolso e saiu de casa direto.
“Quando eu era pequeno, meus pais nunca me deixavam ir sozinho para o Subúrbio Leste. Agora que penso nisso, deve haver algo muito perigoso escondido lá.”
“Meus pais sabiam da existência dessas coisas, e essas coisas também devem saber algo sobre meus pais.”
“Quem mais te conhece pode não ser um amigo, mas um inimigo. Quem sabe eu consiga arrancar algumas pistas sobre meus pais dessas coisas no Subúrbio Leste.”
Chen Ge olhou para a mensagem no celular preto: “Atravessar o túnel vai me fazer ver os segredos esquecidos no fundo da minha mente. Essa missão de nível pesadelo deve me mostrar um caminho.”
Cada missão de pesadelo era extremamente importante para Chen Ge, não só porque podia mudá-lo, mas principalmente porque parecia estar ligada ao desaparecimento de seus pais.
Chen Ge saiu do Parque do Novo Século com o gato no colo. Esperou um bom tempo na beira da estrada até conseguir parar um táxi.
“Moço, para o Túnel do Buraco do Dragão Branco.” Chen Ge abriu a porta e entrou direto.
“Buraco do Dragão Branco?” O motorista olhou para Chen Ge, surpreso: “O que você vai fazer lá a essa hora da noite?”
“Vou gravar algo lá com um amigo.” ChenGe colocou o gato branco no colo e pegou o celular: “Pode ir, estou com pressa.”
“Você tem que pensar bem, hein? Aquele lugar não é limpo. Há alguns anos, um colega meu sofreu um acidente lá.” O motorista ainda não ligou o carro, parecendo relutante em ir.
“O que é limpo ou não? Tudo bem, me deixa perto e eu vou sozinho.” Chen Ge não queria forçar o motorista, e foi por isso que saiu mais cedo.
“Rapaz, por que você não escuta conselho? Não foi só uma vez que aconteceu coisa no Buraco do Dragão Branco. Dá uma pesquisada na internet e pensa melhor.” O motorista deu partida e seguiu em frente: “Antigamente, a gente que dirigia à noite nem passava por lá, preferia dar a volta. Não é para enganar vocês de dinheiro, não, é que o lugar é muito sinistro.”
Chen Ge achou o motorista gente boa e puxou conversa: “Pode me contar sobre esse seu colega? Fiquei curioso.”
“Aquele cara era de levar vantagem em tudo, sempre enganava os passageiros, bem mesquinho.”
“No dia do acidente, ele deixou um passageiro no destino e quis encurtar caminho, passando pelo Buraco do Dragão Branco às duas e meia da manhã.”
“Ele estava com o rádio do carro ligado, conversando com a gente, quando de repente apareceu a voz de uma mulher do lado dele.”
“A gente achou que era passageiro no carro e não ligou.”
“Depois percebemos que algo estava errado. Ele parecia não saber que tinha outra pessoa no carro, e ainda se gabava de ter enganado uns estudantes e ganhado uma grana.”
“Eu estava lá na hora e avisei pelo rádio, mas ele não respondeu.”
“No dia seguinte à tarde, recebemos um aviso da empresa para todos os motoristas fazerem treinamento de segurança. Quando fomos saber, o cara tinha sofrido um acidente no túnel naquela noite.”
“Só tinha o carro dele no túnel, sem nenhum defeito, mas o acidente aconteceu de um jeito estranho. Ele ficou preso no volante amassado a noite toda, e só tiraram o corpo dele com um maçarico.”
“A investigação disse que foi cansaço ao volante, mas quem conversou com ele pelo rádio naquela noite sabe que ele estava animado até minutos antes do acidente, nada de cansaço.”
Depois de ouvir a história, Chen Ge ficou pensativo: “Vocês ouviram a voz de outra mulher no rádio dele. Acho que a culpada deve ser essa mulher.”
“Pois é, ele tinha alguém no carro e nem percebeu. Não é sinistro?” O motorista segurava o volante com as duas mãos: “Não estou querendo te assustar, só um aviso: quando chegar perto do túnel, se alguém estranho te chamar, não vai.”
O táxi não ia muito rápido, e no caminho Chen Ge conversou bastante com o motorista.
Os prédios na beira da estrada foram ficando mais baixos, a luz diminuindo, tudo parecendo bem desolado.
“Ainda não chegou?” Chen Ge abriu o mapa no celular, e a direção estava certa.
“O Buraco do Dragão Branco está fechado há muito tempo. Agora tem que dar a volta.” O táxi seguiu pela estrada. A noite estava escura, e depois de mais uns dez minutos, o motorista reduziu a velocidade.
“Chegou?”
“Não, olha ali na pista, o que é aquilo?” O motorista não parou, só apontou para frente.
Chen Ge, com sua visão noturna, viu algo parecido com uma pessoa deitada a uns sessenta ou setenta metros.
“É uma pessoa?”
O motorista virou o volante. Quando o táxi estava a uns trinta metros daquilo, a coisa que parecia uma pessoa deitada no meio da pista de repente se arrastou e fugiu.
Era rápida, sumiu no mato como se nunca tivesse estado ali.
“Que diabo é isso?” O motorista ficou claramente nervoso.
“Também não vi direito.” Chen Ge não mentiu. A coisa parecia muito com uma pessoa, vestindo roupas esfarrapadas, mas o rosto era meio borrado.
“Você ainda quer ir?” O motorista estava com medo: “Que tal a gente voltar?”
“Quanto falta para o Buraco do Dragão Branco?” Chen Ge nunca forçava ninguém: “Se for perto, me deixa aqui e vou sozinho.”
“Sua coragem é grande mesmo.” O motorista mexeu os dedos duros e seguiu por alguns minutos, parando o carro numa bifurcação: “Vê aquela estrada bloqueada por troncos? Segue por ela até o fim.”
“Valeu.” Chen Ge pagou a corrida e se preparou para sair.
“Olha, você não quer pensar melhor? Aqui à noite passa pouco carro. Depois que eu for, você vai passar a noite neste lugar deserto.” O motorista olhou para a estrada à frente, abaixando a voz instintivamente, como se falar alto pudesse perturbar alguma coisa.
“Fica tranquilo.” Chen Ge achou o cara legal, trocaram números de telefone, e ele desceu com o gato no colo.
Passando por cima dos galhos que bloqueavam a estrada, Chen Ge andou sozinho pela pista. Tudo ao redor estava silencioso, como se não houvesse um ser vivo naquela mata.
“Meio estranho.” Chen Ge ignorou completamente o olhar melancólico do gato branco no colo e foi com cuidado até o fim da estrada.
O chão estava cheio de areia e terra, galhos secos quebrados por todo lado, as grades enferrujadas dos dois lados tortas, com marcas de batidas. Dava para ver que aquela estrada já tinha visto muitos acidentes.