Capítulo 390: Capítulo 390 Capítulo 382 A Estátua que Chora (Primeira Atualização)

Capítulo 382 – A Estátua que Chora (Primeira Atualização)

No momento mais perigoso, Liu Xianxian encontrou a estátua que tanto procuravam. Em teoria, isso deveria ser motivo de alegria, mas Ma Ying não conseguia esboçar um sorriso.

Ela sabia que havia uma terceira pessoa escondida no depósito. Naquele exato momento, essa pessoa poderia estar observando-as de algum canto.

Sair? Ou arriscar tentar?

— Não, ainda acho muito perigoso. Já que sabemos onde a estátua está, podemos voltar amanhã. Não precisamos nos apressar. — Ma Ying tentou convencer sua melhor amiga. — Me escuta, vamos sair primeiro.

— Só duas perguntas, não leva nem alguns minutos. — Liu Xianxian estava teimosa. O homem de quem gostava já se tornara uma obsessão que ela não conseguia eliminar.

Soltando a mão, Liu Xianxian caminhou sozinha para o fundo do depósito:

— Vai acabar rápido. Logo vou saber a resposta.

Ela parecia hipnotizada, o tom de sua voz estranho.

— Liu Xianxian!

Ma Ying estava aflita. Queria ir embora, mas não queria deixar Liu Xianxian sozinha ali.

Segurando uma cadeira com as duas mãos, rangeu os dentes e a seguiu.

As duas garotas chegaram à última prateleira do lado esquerdo do depósito. Liu Xianxian apontou para o espaço entre a prateleira e a parede:

— Atrás da prateleira foi escavado. A estátua está lá dentro.

Ma Ying se apoiou na prateleira e, com a luz do celular, olhou para dentro. No fundo, viu um rosto humano feio.

Quando a luz incidiu sobre a estátua, os olhos de gesso pareceram piscar levemente.

— É a única estátua no depósito. Deve ser esta. — Liu Xianxian agarrou a borda da prateleira. — O que está esperando? Passamos várias noites procurando, e está bem aqui. Vem ajudar!

— Acho que alguém escondeu essa estátua de propósito atrás da prateleira. — Ma Ying olhou para a estátua. Não sabia por quê, mas sentia uma familiaridade estranha.

As duas empurraram a prateleira juntas. Um odor leve e desagradável se espalhou.

— Você sentiu um cheiro ruim? Parece vir da estátua. Meio cheiro de... cadáver?

— Como uma estátua de gesso poderia cheirar a cadáver? — Liu Xianxian pegou o celular e foi até a estátua, iluminando seu corpo.

Era uma estátua de um homem adulto, um pouco maior que o normal, sem roupas, com um corpo bem proporcionado, mas um rosto extremamente feio, difícil de olhar.

Raros escultores estragariam tanto a própria obra, a menos que houvesse um significado especial.

— Inscrição na base, rosto feio. É idêntica à estátua do seu vídeo. — Liu Xianxian olhou para a estátua, os dedos tremendo levemente. Finalmente encontrara aquela estátua, poderia esclarecer a dúvida que a atormentava há tanto tempo.

Entre a prateleira e a parede, havia apenas pouco mais de um metro de largura. A estátua estava no fundo, como um demônio de braços abertos, pronto para abraçar viajantes perdidos.

Diante da estátua, o odor ficou mais forte, mas Liu Xianxian parecia não sentir nada. Juntou as mãos, sem ousar olhar nos olhos da estátua, e baixou a cabeça em silêncio.

— Eu... no meu coração...

— Espera!

Liu Xianxian foi interrompida por Ma Ying, que estava atrás:

— Pensa bem antes de perguntar. Na lenda, a estátua pode verificar se uma frase é verdadeira. Se for verdade, ela chora lágrimas de sangue. Se for falsa, algo terrível acontece.

— Eu sei. — Liu Xianxian não ouvia conselhos agora. Deu mais um passo à frente e sussurrou para a estátua: — A pessoa de quem eu gosto... também gosta de mim, não é?

No depósito escuro e sombrio, a garota fez a pergunta do fundo do coração à estátua, olhando ansiosa para seus olhos.

Se a estátua chorasse, provaria que ela estava certa.

Liu Xianxian ficou tensa involuntariamente. Conseguia ouvir o próprio coração batendo.

Um segundo, dois segundos...

Meio minuto se passou. Nada aconteceu no depósito.

A estátua não chorou. Nem apareceu nada terrível.

— A lenda é falsa?

Como se a força tivesse sido sugada de seu corpo, Liu Xianxian se apoiou na parede. Todas as suas expectativas se desfizeram como uma bolha.

Ma Ying estava atrás de Liu Xianxian. Já esperava por esse resultado.

Muitas vezes, as pessoas fazem algo não pelo resultado, mas para ter uma esperança.

Batendo levemente no ombro de Liu Xianxian, Ma Ying não sabia como consolar sua colega de quarto.

— Estou bem. — Liu Xianxian exibiu aquele sorriso ensaiado. — Essa estátua apareceu no vídeo que sua irmã gravou. Vai ver se encontra alguma pista. Não precisa se preocupar comigo.

Ma Ying assentiu. Pegou o celular e pausou o vídeo no momento em que a estátua aparecia.

— A estátua no vídeo é idêntica a esta. Se eu descobrir quem era o dono original dessa estátua, posso encontrar o assassino.

Ela tirou fotos da estátua com o celular, sem perder nenhum detalhe.

A câmera passou do peito para o rosto da estátua. A sensação estranha de familiaridade em Ma Ying ficou mais forte, como se ela já tivesse feito algo assim antes.

— Será que esqueci algo? — Depois de fotografar tudo, Ma Ying guardou o celular. — A lenda sobre a estátua é falsa. Mas, para mim, o aparecimento dela pelo menos prova uma coisa: o vídeo que minha irmã me enviou antes de desaparecer é real.

Ela olhou para a estátua tão próxima, para aquele rosto feio, e de repente sentiu um impulso.

Tocando a pele fria da estátua, Ma Ying fez uma pergunta que a atormentava há muito tempo:

— Minha irmã já foi morta?

Desaparecer e ser morto são coisas diferentes. Mesmo depois de tantos anos, ainda guardava um fio de esperança.

Esperou um ou dois segundos. Ma Ying balançou a cabeça:

— A lenda é falsa. Como uma estátua choraria? Tudo é inventado por pessoas. Pena que nós duas fomos tolas o suficiente para acreditar.

Ela falava sozinha. Quando terminou, o odor no ar parecia ter ficado mais forte. A luz do celular começou a distorcer. E, o mais importante, o depósito, antes silencioso, agora ecoava sons de batidas, como se algo tivesse esbarrado nas prateleiras.

Ma Ying percebeu a anormalidade. Levantou a cabeça e, quando se preparava para se virar e sair, Liu Xianxian, atrás dela, soltou um grito!

— Xiao Ying! Olha os olhos dela!

— Olhos? — Ma Ying logo entendeu. Virou-se para olhar o rosto da estátua.

Duas fileiras de lágrimas de sangue escorriam pelos cantos dos olhos da estátua. O sangue era espesso e exalava um odor pútrido, contrastando fortemente com a pele pálida do gesso.

— A estátua está chorando?!

Ma Ying ficou paralisada. Logo, foi tomada pelo medo:

— Se a estátua chora quando a afirmação é verdadeira... mas quando Liu Xianxian perguntou, ela não reagiu.

A luz do celular se distorceu. Os sons de batidas do lado de fora ficaram cada vez mais nítidos.