Capítulo 380 Inveja (Segunda atualização)
O corredor era longo, com as paredes pintadas de branco dos dois lados. A cada poucos metros, via-se uma porta de ferro enferrujada, com lacres amarelados colados, parecendo ter alguns anos.
"Nas primeiras vezes que entrei, não reparei nisso. Parece ser o corredor de transporte de corpos."
Algumas faculdades de medicina têm corredores específicos para transportar corpos. Esse tipo de corredor especial geralmente fica no subsolo, com o chão nivelado para facilitar o deslocamento de carrinhos. Outra característica marcante é que as paredes são pintadas de branco, sem qualquer decoração extra.
"Pare de olhar, vamos logo para o depósito." Liu Xianxian puxou o braço de Ma Ying e, com o celular na mão, entrou no corredor à direita.
À esquerda ficava o necrotério, e à direita, um depósito comum para vários tipos de objetos e equipamentos descartados.
As duas caminharam pelo corredor por um bom tempo. De repente, Ma Ying ouviu passos atrás dela. Parou rapidamente e iluminou com o celular para trás.
"Xiaoying? O que foi?"
"Parece que alguém está nos seguindo." Ma Ying não tinha tanta certeza; quando prestou atenção, os passos pareciam ter desaparecido.
"Será que você ouviu errado?" Liu Xianxian forçou um sorriso estranho no rosto. Sorrir diante do medo já era um hábito nela.
"Vamos entrar no depósito primeiro. Este corredor é reto, sem nenhum lugar para se esconder."
Acelerando o passo, Ma Ying e Liu Xianxian logo chegaram à primeira esquina, onde havia uma porta de madeira cheia de marcas.
A fechadura estava muito danificada, e a porta tinha várias marcas pretas escuras. O mais estranho era que alguém havia escrito duas palavras na porta — "Paraíso".
"Que estranho. Da última vez que saí, lembro claramente de ter fechado a porta."
A porta estava entreaberta, como se alguém tivesse entrado depois que elas saíram.
"Cuidado." Ma Ying empurrou a porta de madeira com as duas mãos e parou na entrada, sem entrar imediatamente.
A garota parecia despreocupada, mas era cuidadosa nos detalhes. Iluminou o interior com o celular, varrendo as prateleiras, sem encontrar nada anormal.
"Desta vez, vamos ficar juntas, não nos separamos." Ma Ying cuidava de Liu Xianxian e foi na frente.
O prédio de aulas estava lacrado há muitos anos. Teoricamente, ninguém deveria ter entrado nesse depósito por muito tempo, mas o estranho era que havia pouca poeira, como se alguém viesse limpar de tempos em tempos.
A maioria dos objetos da Faculdade de Medicina Legal de Hanjiang estava amontoada ali, cheia de todo tipo de coisa esquisita.
Nas prateleiras, havia vários frascos e potes, alguns com líquidos alaranjados e viscosos, que pareciam ter conservado órgãos de amostras.
Havia muitas coisas assim. Se uma pessoa comum entrasse, poderia se assustar e sair correndo, mas, como estudantes de medicina legal, Ma Ying e Liu Xianxian não achavam aquilo assustador.
Passando entre as prateleiras, a bagunça aumentava. No canto, havia extintores, copiadoras e computadores quebrados, mesas e cadeiras empilhadas, gavetas cheias de relatórios bagunçados, e entre as cadeiras, equipamentos esportivos danificados.
Mais adiante, havia fantasias do clube de teatro, quadros e cavaletes usados pelo clube de arte, e uma porção de coisas inúteis.
Quando a Universidade Médica de Hanjiang se mudou para o novo campus, a maioria dos objetos descartados foi parar ali, lotando o espaço.
"Perguntei ao orientador do novo campus. Antes da mudança, alguns clubes entregaram à administração coisas difíceis de levar, mas que não queriam jogar fora. Para facilitar, a escola colocou tudo no depósito subterrâneo." Ma Ying ia na frente, iluminando com o celular e começando a revirar a bagunça: "O único clube que pode usar esculturas na nossa faculdade é o de arte. Hoje à noite, vamos focar nesta área."
Depois de alguns passos, Ma Ying percebeu que Liu Xianxian ainda estava parada: "O que foi?"
"Olha ali."
Liu Xianxian apontou para o computador no canto. O plugue atrás do monitor estava na tomada da parede: "Da última vez que entrei, notei o plugue na tomada. Preocupada com curto-circuito e incêndio, tirei, mas agora está de novo."
"Parece que alguém entrou mesmo. Será um ladrão?"
"Ladrão não teria tempo de vir aqui brincar no computador, né? Além disso, este modelo já está obsoleto há anos, provavelmente não funciona mais." Liu Xianxian apertou o botão do monitor. Depois de um tempo, algo surpreendente aconteceu: a tela ligou normalmente.
Uma luz fria surgiu na tela, mas a imagem parecia travada, sem carregar.
"Deixa pra lá, vamos procurar as coisas. Mesmo que alguém entre, não nos afeta." Ma Ying se virou e foi até o local com quadros e cavaletes, afastando as pinturas amadoras para procurar possíveis esculturas.
Liu Xianxian ficou parada, olhando para a tela do computador. Não sabia se era um defeito, mas na tela parecia haver o contorno de uma pessoa.
Ela se inclinou para perto da tela. O contorno foi ficando mais nítido: parecia um homem, careca, com o rosto mais inchado que o normal.
"Liu Xian, vem ajudar!" Ma Ying chamou, segurando um cavalete pesado.
"Tá." Liu Xianxian puxou o plugue e foi até Ma Ying, segurando um lado do cavalete.
Juntas, elas afastaram alguns cavaletes que bloqueavam o caminho. Atrás, encostado na parede, havia um armário de madeira.
"Este armário pode ter algo escondido." Ma Ying disse, indo abri-lo, mas, assim que seus dedos tocaram a porta, ela os recolheu.
"O que foi?"
"Parece que tem algo grudado." Ma Ying esfregou os dedos e cheirou: "Por que tem formol na maçaneta?"
Formol na escada podia ser explicado como derramamento acidental, mas na maçaneta do armário atrás dos cavaletes era muito estranho.
"Será que tem um corpo de professor dentro?"
O coração de Ma Ying acelerou, e ela sentiu a respiração pesada. Preparando-se psicologicamente, abriu a porta do armário uma fresta.
Olhando pela fresta, não havia corpo, apenas alguns quadros.
Aliviada, Ma Ying pegou os quadros. Mas, ao ver o conteúdo, seu coração apertou novamente.
As pinturas eram abstratas, retratando estudantes de medicina dissecando um cadáver. O estranho era que a perspectiva era a do cadáver.
Deitado na mesa fria, observando os estudantes envoltos em roupas, olhando para os instrumentos em suas mãos, e finalmente para o próprio corpo.
A pintura transmitia uma emoção especial: uma inveja da vida. Inveja da pele macia e elástica, inveja dos membros flexíveis e ágeis, inveja de poder ter tudo, em vez de ficar na mesa de experimentos, à mercê dos outros.