Capítulo 371: A Mais Bela
"Quando Gao Ruxue estava prestes a pegar o elevador, ela encontrou o homem de capa de chuva descendo as escadas. Isso provavelmente foi apenas uma coincidência."
A caçada policial estava pressionando o homem de capa de chuva. Chen Ge, colocando-se no lugar do outro, achou que o assassino provavelmente queria sair do Complexo Qixia e fugir dali.
"Ainda não podemos ter certeza. Não podemos descartar a possibilidade de perseguição e assassinato." Li Zheng olhou para a câmera de vigilância no elevador: "Também suspeitamos que o assassino more no Complexo Qixia, porque algumas câmeras de vigilância aqui foram danificadas há três dias, exatamente na época do primeiro caso de arrancamento de olhos."
Depois de dizer isso, Li Zheng olhou para Chen Ge com desconfiança. A polícia, com uma grande quantidade de pistas, só conseguiu inferir que o assassino poderia morar no Complexo Qixia. Já Chen Ge, sozinho e sem ajuda de equipe, não só determinou que o assassino estava no Complexo Qixia, como até indicou o andar onde ele morava.
Francamente, se Li Zheng não conhecesse bem Chen Ge, ele até suspeitaria que Chen Ge estivesse envolvido no caso.
Ao entrar no elevador, o funcionário do condomínio forneceu a Chen Ge e Li Zheng as informações básicas de todos os moradores do 23º andar.
O nome do proprietário não incluía "Han Bao'er". Segundo a lembrança do funcionário, no 23º andar do Edifício 3 também não parecia haver uma mulher especialmente bonita.
"Chen Ge, será que você se enganou?"
A primeira coisa que a polícia fez ao chegar no Complexo Qixia foi isolar o Edifício 3. Eles já haviam verificado a maioria dos moradores.
Chen Ge também não estava totalmente confiante na capacidade de previsão do Espírito da Caneta. Ele tinha apenas 50% de certeza.
Pensando um pouco, Chen Ge chamou o funcionário do condomínio e perguntou: "Há câmeras de vigilância na esquina da escada do 23º andar?"
"As câmeras acima do 15º andar quebraram há muito tempo e nunca foram consertadas. Antes, chamamos alguém para arrumar, mas elas quebravam de novo misteriosamente. Depois de algumas vezes, desistimos." O funcionário falou com cuidado, pois era uma falha deles: "Nosso condomínio tem três turnos de seguranças, e nunca aconteceu nada antes..."
"Só porque não aconteceu antes, não significa que não vai acontecer no futuro." Chen Ge não discutiu com o funcionário: "Você conhece bem os moradores do 23º andar do Edifício 3? Há alguém com comportamento estranho?"
"Pessoa estranha?" O funcionário balançou a cabeça.
"Vocês já receberam reclamações de moradores? Por exemplo, barulhos estranhos saindo de algum quarto à noite, ou cheiros fortes?" Chen Ge perguntou, enquanto Li Zheng mal conseguia intervir.
O funcionário pensou por um momento e olhou para uma porta no fundo do corredor: "Já recebemos ligações de moradores, mas não eram reclamações, eram pedidos de ajuda."
"Ajuda?" Chen Ge e Li Zheng pararam.
"No 23º andar, há uma casa onde ocorre violência doméstica com frequência, é bem grave. Mas nunca recebemos ligações da vítima, eram sempre os vizinhos que não aguentavam mais e nos ligavam." O funcionário levou Chen Ge e Li Zheng até a porta no fundo do corredor: "É esta aqui."
De acordo com as informações do proprietário fornecidas pelo condomínio, quem morava ali se chamava Qiu Meng, um instrutor de fitness famoso de um clube de alto padrão.
"A pessoa que vocês procuram não deve ser ele. Qiu Meng tem quase 1,90m de altura. Eu vi o vídeo de vigilância do assassino de capa de chuva, ele tem no máximo 1,70m, com certeza não é a mesma pessoa."
"Abra a porta, vamos dar uma olhada primeiro." Nesse momento, Chen Ge não deixaria passar nenhum lugar suspeito.
O funcionário parecia ter um pouco de medo de Qiu Meng e bateu na porta com relutância: "Tem alguém? Somos do condomínio."
Dentro da casa, estava muito silencioso, ninguém respondeu.
Chen Ge tocou no ombro de Li Zheng: "Esta casa pode ter problemas. Chame seus homens. Se for necessário, arrombem a porta."
"Você fala como se fosse fácil. Sem nenhuma evidência, não temos o direito de arrombar a porta." Li Zheng pensou um pouco e acrescentou: "Pelo menos precisamos da autorização do Chefe Yan."
Enquanto conversavam, passos soaram dentro da casa. Depois de um momento, a porta antifurto foi aberta, e um homem alto, bonito e de corpo musculoso apareceu na entrada.
Ele estava com os olhos sonolentos, bocejando, e os olhos um pouco vermelhos e inchados, como se não tivesse descansado bem por vários dias.
"Vocês precisam de algo?"
O funcionário do condomínio forçou um sorriso e disse, meio sem graça: "Um assassino parece estar escondido no nosso condomínio. A polícia quer fazer algumas perguntas."
"Perguntar para mim?" O homem achou estranho. Ele foi acordando aos poucos e, ao ver o uniforme da polícia em Li Zheng, sua expressão mudou levemente: "Fiquei em casa dormindo o tempo todo, não sei de nada."
"Podemos entrar para conversar?" Chen Ge tinha sentidos muito aguçados. Quando a porta foi aberta, ele sentiu um leve cheiro de sangue no ar.
Qiu Meng olhou para Chen Ge, relutante em deixar estranhos entrarem em sua casa.
"Aqui está minha identificação. Espero que coopere conosco." Depois de mostrar sua identidade, Li Zheng pegou o rádio na frente de Qiu Meng e chamou os outros membros do Grupo 1 para se reunirem no 23º andar do Edifício 3.
Sabendo que não podia evitar, Qiu Meng abriu a porta antifurto: "Entrem. A casa está uma bagunça."
A mesa da sala estava virada, objetos espalhados por todo lado, um vaso quebrado no chão, algumas flores claramente recém-compradas caídas, como se tivessem sido pisoteadas, com as pétalas esmagadas.
"Violência doméstica?" Chen Ge foi o primeiro a entrar na sala. Ao ver a cena, essa palavra veio à sua mente.
"Se têm perguntas, façam logo." Qiu Meng estava com o rosto sombrio. Ele odiava que estranhos entrassem em sua casa, como se seus segredos fossem expostos.
"Onde você estava entre oito e meia-noite?"
"Em casa, jogando no computador."
"Alguém pode confirmar?"
"Precisa confirmar o quê? Eu não sou o assassino! Vocês estão procurando a pessoa errada!" Qiu Meng gritou alto. Ele tinha um temperamento muito ruim, e mesmo diante da polícia, não conseguia controlar a raiva.
"Vou repetir: alguém pode confirmar?" Li Zheng parecia uma pessoa diferente naquele momento. Em altura e porte físico, ele não era páreo para Qiu Meng, mas a sensação que passava era que, se brigassem, ele poderia dominar Qiu Meng em poucos golpes.
"Cheguei em casa às sete e meia, comi, e comecei a jogar." Qiu Meng acabou cedendo. Ele ligou o computador: "Quando não tenho nada para fazer, gosto de fazer lives, ensinando as pessoas a malhar. Hoje à noite estava irritado e não queria falar com ninguém, então fiz uma live só jogando."
Verificando a gravação da live, o que Qiu Meng disse era verdade. Entre oito e meia-noite, ele ficou jogando o tempo todo.
"Por que você estava irritado hoje à noite?" Li Zheng não deixava passar nenhum ponto suspeito no que Qiu Meng dizia.
"Briguei com minha namorada."
"Você bateu nela?" Li Zheng olhou para a sala bagunçada.
"Sim."
"Por que bateu nela? A que horas?"
"Isso também preciso dizer?" Qiu Meng estava com o temperamento à flor da pele, parecia prestes a explodir: "Foi entre dez e dez e meia. Na época, eu estava na live, com a câmera ligada. Se não acreditam, podem ver a gravação."
O horário que Qiu Meng mencionou era exatamente quando o homem de capa de chuva estava agachado do lado de fora do quarto de Gao Ruxue, se preparando para atacá-la.
Se o que Qiu Meng disse fosse verdade, tanto ele quanto sua namorada estariam fora de suspeita.
Li Zheng usou o computador de Qiu Meng para encontrar a gravação da live.
Qiu Meng estava jogando. Por volta das dez da noite, a voz de sua namorada apareceu na tela. Eles discutiram por uma bobagem, e então Qiu Meng saiu da frente da câmera. O vaso foi quebrado, a mesa virada, e depois vieram xingamentos e choros.
"Sei que fiz errado, mas às vezes não consigo me controlar." A atitude indiferente de Qiu Meng deixou todos ali um pouco indignados.
"Em qualquer momento, usar violência contra inocentes é uma violação dos direitos humanos. Você precisa entender que causar ferimentos por violência doméstica também pode render pena de prisão." Li Zheng se levantou e chamou o funcionário do condomínio: "Se isso acontecer de novo, vocês precisam levar a sério. A conivência só o encoraja a cometer erros maiores."
"Entendido."
Li Zheng se levantou, parecendo ainda preocupado: "Onde está sua namorada agora? Preciso ver os ferimentos dela."
"No quarto. Ela trancou a porta e não consigo entrar." Qiu Meng estava recostado no sofá, sem intenção de se levantar.
"Você deve ter uma chave reserva do quarto, não? Abra a porta."
"Vocês, policiais, não têm mais o que fazer? Não tem um assassino lá fora para pegar? Posso resolver os problemas da minha casa sozinho." Qiu Meng franziu a testa, as veias do braço saltando.
"Justamente por ser policial, não posso ignorar." Li Zheng encarou Qiu Meng e apontou para o quarto: "Abra a porta."
Sua atitude era firme. Qiu Meng, sabendo que não conseguiria enrolar, se levantou, pegou a chave no armário e abriu a porta do quarto.
Diferente da sala bagunçada, o quarto estava tudo arrumado, como se tivesse sido limpo ou nunca tivesse sido bagunçado.
Dentro, ouvia-se um choro baixo de mulher, como se ela estivesse magoada, mas com medo de chorar alto demais.
"A violência doméstica não pode ser tolerada. Se precisar de ajuda, pode procurar a federação das mulheres local ou ligar diretamente para a polícia." Li Zheng olhou para a mulher deitada na cama, de costas para ele. Só pelas costas, não via nada de errado.
Mas seus anos de experiência policial lhe diziam que algo estava estranho. Ele contornou a cama para olhar o rosto da mulher.
O perfilador criminal da delegacia havia desenhado a aparência do assassino. O assassino dos arrancamentos de olhos tinha algumas características: usava uma arma especial, não era muito forte, era muito bonito, parecia amigável e fácil de fazer as pessoas baixarem a guarda.
Li Zheng já tinha tudo isso na cabeça. Mas, quando ele estava prestes a ver o rosto abaixado da mulher, seu celular tocou de repente.
Ele pegou o celular e atendeu. Era o Chefe Yan, dizendo que já haviam encontrado o assassino dos arrancamentos de olhos e mandando ele ir imediatamente com sua equipe.
Recebendo a ordem, Li Zheng deu uma olhada rápida na mulher na cama. O cabelo dela cobria metade do rosto, não dava para ver como era.
Confiando cegamente no Chefe Yan, ele deu algumas instruções rápidas para a mulher e saiu do quarto.
"Já pegamos o assassino! Chen Ge, vamos agora!" Li Zheng pegou o celular e saiu, mas Chen Ge o segurou.
"Não vá com tanta pressa. Essa pessoa parece estar mentindo."
Li Zheng estava prestes a ver o rosto da mulher quando recebeu a ligação do Chefe Yan. Para Chen Ge, isso não parecia normal.
O que mais o intrigava era que a equipe de investigação criminal da delegacia municipal normalmente usava rádios para se comunicar no local. Por que, justamente desta vez, o Chefe Yan ligou para o celular de Li Zheng?
"Venham ver este vaso quebrado." Chen Ge apontou para os cacos no chão: "Se tivesse batido no armário e caído, os cacos deveriam estar perto do armário. Mas olhem o centro da dispersão dos cacos. Esse ponto está a mais de um metro do armário. Ou seja, o vaso não caiu sozinho, foi levantado e jogado no chão de propósito."
Li Zheng olhou e viu que era verdade.
"Quando você entrou no quarto, eu olhei para dentro. O quarto estava limpo, sem nenhuma mancha de água no chão, completamente diferente da sala. Fico curioso: por que um homem fora de si só enlouqueceria em uma área específica da sala?"
Chen Ge olhou ao redor: "A cozinha e o banheiro estão limpos. Só a sala está bagunçada, e de uma forma contida. Isso parece ter sido armado de propósito."