Capítulo 361: Abrindo a Porta (Pedindo Votos Mensais)
“Ainda ninguém atende. Deixa pra lá, vou sair da escola primeiro.”
Um sentimento inexplicável se espalhava no coração de Gao Ruxue. Ela estava muito inquieta, e tudo que via parecia ter algo errado.
“Motorista, acelere mais um pouco, tenho uma emergência.”
O espaço fechado a sufocava. Ela abriu a janela do carro, e o vento bagunçou seus cabelos.
Seu olhar varreu a multidão apertada, mas Gao Ruxue não sentia nenhum calor humano. Tinha a sensação de que alguém, em algum lugar, a observava.
“Você é estudante da Faculdade de Medicina de Hanjiang, né? É melhor não sair sozinha tarde da noite. As coisas estão meio complicadas ultimamente.” O motorista segurava o volante e comentou casualmente: “Nestes dias, houve vários assassinatos na área central da cidade durante a madrugada. As vítimas estavam num estado terrível, ouvi dizer que arrancaram os olhos delas. Não estou tentando te assustar, mas até prenderem o culpado, é melhor ficar quieta na escola à noite.”
O motorista talvez tivesse boas intenções, mas aquelas palavras soaram estranhas aos ouvidos de Gao Ruxue. Ela não conseguia controlar a imaginação e começou a ter pensamentos perturbadores.
Assassinatos? Vários seguidos? Por que ele me disse para voltar ao dormitório? Será que ele é o assassino?
Aos olhos de Gao Ruxue, o rosto comum e simples do motorista parecia um tanto sinistro. Cada pequeno movimento parecia esconder maldade.
Apertando o celular, Gao Ruxue não respondeu. Virou a cabeça para olhar pela janela, mas de vez em quando dava uma espiada furtiva no motorista.
Vinte minutos depois, o táxi parou no Condomínio Lago Qixia. Era a casa que o Dr. Gao tinha comprado em Hanjiang dois anos atrás.
Pagou a corrida e desceu apressada. Já eram quase dez da noite, e o movimento no condomínio tinha diminuído bastante.
O Condomínio Lago Qixia era considerado um dos mais sofisticados de Jiujiang, com um ambiente bonito e ao lado do Lago Qixia, mas a localização era um pouco afastada.
Ao entrar no condomínio, as luzes dos postes emitiam uma claridade fraca e branca. Gao Ruxue andava rápido de cabeça baixa, sem ousar olhar para os arbustos dos lados. A vegetação noturna parecia um pouco assustadora.
“Droga, o livro e a garrafa de água ficaram no táxi.” Na pressa de descer, ela tinha esquecido as coisas no carro.
A garrafa de água não era problema, mas o livro seria usado nas aulas. Pensando nisso, Gao Ruxue ficou ainda mais irritada.
O táxi já tinha ido embora, não dava mais para voltar e pegar.
Deu uma olhada no horário do celular: quase dez da noite. Não se via quase ninguém no condomínio, mas as luzes acesas nos prédios distantes pelo menos traziam um pouco de alívio para Gao Ruxue.
O Condomínio Lago Qixia tinha seu próprio jardim. Atravessando-o, Gao Ruxue chegou ao Prédio 3, onde morava, no décimo terceiro andar.
“O condomínio está tão silencioso hoje.”
Ao entrar no corredor, Gao Ruxue sentiu um frio nos braços expostos. Bateu palmas, esperou a luz do sensor acender para ousar continuar.
Comparado com o de sempre, o condomínio parecia não ter mudado, mas Gao Ruxue sentia que algo estava errado.
As palavras do motorista no carro ecoavam de vez em quando: assassinatos, olhos arrancados. Parecia uma corda apertando lentamente seu pescoço.
“Será que aquele motorista é o assassino?”
“Achei o tom dele estranho. Os assassinatos em série aconteceram em lugares diferentes. O culpado conseguiu agir rápido numa única noite, com certeza usou algum meio de transporte. É bem possível que seja um motorista de táxi.”
“Será que o banco onde sentei já foi usado por alguma vítima? Será que no porta-malas estão escondidas ferramentas ensanguentadas?”
Quanto mais pensava, mais medo sentia. A cada poucos passos, olhava para trás, preocupada que alguém surgisse de repente.
Encostada na parede, chegou ao elevador e apertou o botão. Quando a porta do elevador se abriu, a luz do sensor se apagou naquele instante.
A escuridão caiu de repente. O corpo de Gao Ruxue congelou na entrada do elevador. Ela viu vagamente uma silhueta escura e humana dentro do elevador!
“Pá!”
O som de palmas veio de dentro do elevador. Uma pessoa vestindo uma capa de chuva passou por Gao Ruxue e saiu em direção ao corredor.
“Capa de chuva? Mas não está chovendo lá fora.”
O chapéu largo cobria o rosto da pessoa. Ela não era alta, e a capa grande escondia suas pernas e sapatos.
A pessoa saiu apressada, sem manchas de sangue ou coisas suspeitas na capa.
“Será que vai chover à noite?” Gao Ruxue olhou a previsão do tempo no celular: “Chuviscos de madrugada. Que pessoa estranha.”
Esperou até a pessoa se afastar para ousar entrar no elevador.
A luz iluminava o corredor. Ela viu a porta do elevador se fechando lentamente, e uma sensação opressiva indescritível surgiu de repente. Sentiu-se como um peixe jogado na margem, até respirar era difícil.
“Melhor não pegar o elevador.” Estendeu a mão para segurar a porta que estava quase fechando. Gao Ruxue saiu de novo. Olhando para o cubículo do elevador, teve um mau pressentimento.
Correu para a escada de emergência e começou a subir. Os degraus pareciam não ter fim. Quando chegou ao sexto andar, ouviu a porta de segurança do primeiro andar fazer barulho, como se outra pessoa tivesse entrado na escada.
“Alguém está me seguindo?”
Gao Ruxue lembrou-se imediatamente da pessoa estranha de capa de chuva. Ao mesmo tempo, as palavras do motorista de táxi começaram a surgir em sua mente.
“A pessoa de capa de chuva é o assassino em série? Será que ele acabou de matar alguém neste prédio?!” O rosto de Gao Ruxue ficou pálido: “Sem querer, descobri o assassinato dele. Ele está vindo atrás de mim para me pegar?”
No começo, Gao Ruxue tentou diminuir o passo para não fazer muito barulho, mas sob a pressão do medo, começou a correr cada vez mais rápido.
“Preciso chegar em casa logo!”
Passos fracos ecoavam lá embaixo. Parecia que outra pessoa na escada estava subindo atrás dela!
A distância diminuía lentamente. Gao Ruxue corria desesperadamente escada acima. Sua casa era no décimo terceiro andar. No momento, parecia que havia uns cinco andares de diferença entre elas.
Subiu de uma vez até a curva do décimo terceiro andar. Gao Ruxue empurrou a porta de segurança e correu para o corredor.
Tateou nos bolsos para encontrar as chaves. Os passos no corredor ficavam mais claros. Aquela pessoa estava seguindo ela!
Os dedos estavam um pouco rígidos. Gao Ruxue tentou duas vezes até conseguir enfiar a chave na fechadura. Girou a chave para abrir a porta de segurança externa. Nesse momento, o som na escada já estava perto, a cerca de um andar de distância.
“Rápido!”
Encontrou a chave da porta interna, enfiou na fechadura. Os passos nos ouvidos já tinham virado uma corrida!
A outra pessoa também tinha chegado ao décimo terceiro andar!
A mola da fechadura estalou. A porta interna se abriu. Gao Ruxue, sem se preocupar em fechar a porta externa, entrou direto em casa.
Virou-se e fechou a porta interna. Depois, encostou as costas na porta e começou a respirar ofegante.
“Finalmente cheguei em casa.”
Ajeitou a respiração. Gao Ruxue se inclinou na porta interna e olhou pelo olho mágico para fora.
No corredor escuro, não havia vivalma. Todas as portas dos apartamentos estavam trancadas. Só a de Gao Ruxue tinha a porta externa entreaberta.