Capítulo 35: Capítulo 35 Aconteceu algo?

Capítulo 35 – Aconteceu alguma coisa?

“Por que não tem mais barulho lá fora?” Heshan virou a cabeça e olhou para o Velho Zhao: “Que tal a gente sair pra dar uma olhada?”

“Se o inimigo não se mexe, eu também não me mexo. Quando ouvirmos os gritos, aí a gente sai e procura na direção oposta. Assim, com certeza vamos evitar o que é assustador.” O Velho Zhao falou com toda a confiança.

“Isso não é trair os colegas?”

“Trair o caramba. A gente tá usando o sacrifício deles pra ganhar tempo pra vitória.” O Velho Zhao era gordo como uma bola. Ele ficou atrás de Heshan, mas o corpinho magro de Heshan mal cobria metade do corpo dele.

“Então quanto tempo mais a gente vai ficar escondido? E se agora só sobrar nós dois na casa mal-assombrada?” Heshan era ingênuo e, olhando para o veterano que se escondia atrás dele, sentia que o cara estava tentando enganá-lo.

“A gente já revistou todos os cômodos do segundo andar. Do terceiro, a gente já vasculhou a maior parte antes. Eu suspeito que a saída fica no primeiro andar, ou seja, a gente já tá bem perto da saída.” O Velho Zhao deu um tapinha no ombro de Heshan: “Anima aí, não desiste na porta do sucesso.”

“Nessa hora, você ainda tem pique pra me encher de discurso motivacional?” Heshan fez uma cara de frustração, com um aperto no peito que não conseguia expressar. Ele só tinha vindo ali pra guiar os veteranos, nem queria entrar.

“Não seja tão pessimista.” O Velho Zhao começou a contar nos dedos: “Eu ouvi os gritos do Macaco e da Xiaohui antes. Eles dois já devem ter sido mandados pra fora. Tirando também a oitava pessoa que se infiltrou no nosso grupo, isso quer dizer que agora devem ter umas cinco pessoas da nossa escola na casa mal-assombrada. A chance do assassino correr atrás dos outros é de três quintos. A gente não precisa se apressar, é só esperar.”

“Tá bom, vou confiar em você.” Agachado na porta do quarto, Heshan espiou pela fresta. Num piscar de olhos, parecia que tinha algo a mais no corredor escuro.

Ele esfregou os olhos e continuou olhando naquela direção. No chão, do nada, tinha aparecido uma boneca de pano velha.

“Tô vendo coisas? Já tinha uma boneca no chão antes? Impossível. Tô escondido aqui há uns dez minutos, olhando pra fora direto.” Heshan deu uns tapinhas leves no próprio rosto e olhou de novo. A boneca não só estava lá, como tinha ficado mais perto da porta.

“Ela se mexe sozinha? Ou será que eu tô tão nervoso que já comecei a ter alucinações?” Balançando a cabeça, quando Heshan olhou de novo, a boneca tinha sumido da fresta.

“Estranho. Será que eu vi errado mesmo?”

Na passagem dos funcionários do primeiro andar, Chen Ge vestiu o jaleco do Médico Esmagador de Crânios. Ele mandou Xu Wan cuidar dos estudantes de medicina lá fora e entrou pessoalmente na casa mal-assombrada para pegar os outros.

Vestindo o uniforme de médico manchado de sangue, enrolando no corpo as correntes gravadas com rostos humanos, segurando o martelo de ferro de esmagar crânios e colocando a máscara de pele humana falsa, seja pela altura ou pela presença, o Médico Esmagador de Crânios interpretado por Chen Ge era muito mais intimidador do que o de Xiaowan.

“Esses pestinhas tão querendo jogar o jogo do desgaste comigo?” A cada passo, as correntes faziam barulho. Embora fosse opressor, acabava revelando a posição dele. Chen Ge andou pelo cenário por cinco minutos sem ver ninguém.

“Chefe, não tem ninguém no monitor. Eles devem estar todos escondidos nos quartos. Você vai ter que verificar um por um.” A voz de Xu Wan veio pelo fone: “Eu sugiro colocar câmeras em todos os cantos da casa mal-assombrada no futuro. Só colocar nos cruzamentos dos corredores deixa muitos pontos cegos.”

“A gente vê quando tiver dinheiro.” Chen Ge, com o martelo na mão, foi abrindo as portas dos quartos. Quando chegou na esquina do segundo andar, viu de repente uma boneca de pano deitada na frente de uma porta.

“Essa coisinha escapou de novo? E ainda ficou de plantão na porta do quarto.” Chen Ge, segurando o martelo, pensou um pouco e entendeu: “Deve ter alguém escondido aí dentro. A coisinha tá me ajudando.”

Fingindo que não tinha visto nada, ele passou pela porta como se fosse distraído.

Depois de andar uns dez metros, Chen Ge pegou as correntes arrastando no chão, encostou na parede do corredor e se aproximou da porta com cuidado, sem fazer barulho.

Aproveitando o ponto cego, ele se agachou e espiou pela fresta da porta.

Dentro do quarto, Heshan e o Velho Zhao estavam amontoados atrás da porta, tampando a boca.

“O barulho das correntes parou. O assassino deve ter ido longe.” O Velho Zhao estava pálido de medo, mas ainda fingia calma pra manter a pose de veterano: “Pra falar a verdade, eu não tô com medo nenhum. Pela minha dedução, o assassino acabou de subir do primeiro andar, não vai voltar tão cedo. Essa é a nossa chance!”

Com muito esforço, ele se levantou do chão: “A gente vai agora pro primeiro andar e consegue desviar do assassino perfeitamente, deixando ele no nosso controle. Shan, dá uma olhada na porta de novo. Se tiver certeza que o assassino foi embora, a gente parte na hora.”

Heshan também achou que o Velho Zhao tinha razão. Sem pensar muito, ele se deitou na porta e espiou pela fresta.

Uma baforada de ar quente bateu no rosto. Dessa vez, o que Heshan viu foi completamente diferente de antes. Não era o corredor escuro nem o boneco assustador, mas um olho cheio de vasos sanguíneos, colado do outro lado da porta, espiando pra dentro!

“Puta merda!”

Heshan sentiu o couro cabeludo arrepiar. Ele caiu no chão e começou a rastejar pra trás desesperadamente.

A cena assustou o Velho Zhao também: “O que você viu?”

A resposta veio com o som da maçaneta girando. A porta velha foi empurrada, e uma figura encharcada de sangue, cheia de maldade e terror, apareceu na entrada.

Vendo aquilo, o Velho Zhao foi recuando sem parar, como se quisesse se enfiar na parede.

“Ficar tão perto da parede não é bom. E se tiver alguém dentro dela?” Chen Ge colocou a mão no bolso e apertou discretamente a opção de controlar os mecanismos do cenário no celular preto.

O Velho Zhao tremia todo de medo. Antes mesmo de entender o que Chen Ge queria dizer com aquilo, ele sentiu algo encostar nas costas.

Virou a cabeça instintivamente. A parede lisa se abriu para os lados, e dentro dela estava embutida uma mulher de rosto inexpressivo!

A mente ficou em branco. O Velho Zhao, como se tivesse perdido toda a força, caiu sentado no chão. O mundo girou, e seu olhar perdeu o foco.

“Senhores, a experiência acabou. Vou levá-los pra fora.”

Assim que Chen Ge terminou de falar, veio do terceiro andar o som de vidro quebrando, seguido pelo grito do Irmão Feng.

“Aconteceu alguma coisa?” Chen Ge chamou Xiaowan pra entrar correndo. Ele largou Heshan e o Velho Zhao e subiu as escadas apressado.

Seguindo o som, Chen Ge encontrou, num quarto do terceiro andar, o Irmão Feng segurando uma cadeira de madeira, como se estivesse lutando com alguma coisa.

Ele tirou a máscara do rosto e, depois que o Irmão Feng se cansou de se debater e caiu no chão, entrou.

“O que houve?” Chen Ge arrancou a cadeira da mão dele e jogou de lado. O Irmão Feng estava muito instável naquele momento, o medo nos olhos quase transbordando: “Você viu alguma coisa estranha?”