Capítulo 339: De Onde Veio Esse Gato?
Uma mão pequena, rosada e delicada, pressionou a tampa fria e gasta do caixão.
No momento em que Jiang Ling tocou o caixão vermelho, todas as criaturas monstruosas ajoelhadas no centro da aldeia pararam de chorar e gritar, erguendo lentamente seus rostos deformados e aterrorizantes.
— Me ajude! — Jiang Ling soltou um grito agudo. Seu rosto não tinha mais a doçura de antes, a expressão era assustadora.
— Puf!
A pesada tampa maciça do caixão caiu no chão, e todos olharam para dentro.
Dentro do caixão vermelho-escarlate, estava deitada uma mulher.
Seu cabelo preto encharcado colava ao corpo frágil. A pele era pálida, os traços faciais simétricos, e entre as sobrancelhas havia um toque de vigor. Não era exatamente bonita, mas transmitia uma sensação peculiar.
— Ganhem um tempo para mim. — Jiang Ling entrou no caixão vermelho, com os olhos fixos na mulher deitada.
Todos os aldeões no centro da aldeia se levantaram, falando no dialeto local, com expressões de alegria extrema no rosto.
— Como você quer que eu ganhe tempo? — Chen Ge virou-se para olhar Jiang Ling, sentindo outro sobressalto.
Jiang Ling afastou o cabelo. A parte de trás de seu crânio faltava um pedaço de osso, e o couro cabeludo naquela área estava afundado.
— Essa é a única deformidade no corpo de Jiang Ling?
Dando um passo à frente, Jiang Ling passou seu próprio sangue nas mãos da mulher e, em seguida, segurou a mão dela, colocando-a na parte de trás de sua própria cabeça.
Fios de sangue emergiram da palma da mulher, penetrando pelo buraco sem osso no crânio de Jiang Ling, entrando em sua mente.
— O que ela está fazendo? Foi ela que reencarnou como Jiang Ling, ou está apenas se agarrando ao corpo dela?
Os aldeões deformados e monstruosos viram a mulher adormecida dentro do caixão e, como loucos, correram em sua direção.
— Odeio crianças! — Chen Ge tirou o martelo de esmagar crânios da mochila e se colocou na frente do caixão vermelho, sentindo que seria despedaçado em breve.
Vendo as várias criaturas monstruosas se aproximando, Chen Ge também entrou em pânico. Naquele momento, além de lutar com todas as forças, só podia clamar por Zhang Ya em seu coração.
As bestas furiosas estavam prestes a destruir Chen Ge e o caixão atrás dele, quando de repente uma risada leve ecoou na névoa de sangue:
— Na hora da vida ou da morte, aquela fantasma não veio te ajudar. Parece que ela realmente caiu em um sono profundo.
Uma onda vermelha coberta de rostos dispersou a névoa de sangue, jogando para longe Chen Ge e os aldeões deformados que o cercavam.
— O vermelho da Associação de Contos Macabros! — Chen Ge foi apenas roçado, mas seu corpo pareceu congelar.
Ele olhou para a mão esquerda gelada. Na emergência, só teve tempo de proteger a cabeça com as duas mãos, e o cotovelo foi atingido pelo vermelho.
— Estive seguindo vocês o tempo todo, esperando por este momento. — A criatura coberta de rostos se reagrupou, e de trás dela surgiu uma figura de manto preto. A pessoa parou ao lado do caixão vermelho, mas seus olhos estavam fixos em Chen Ge: — Não esperava, não é? Nos encontramos de novo tão rápido.
Na última frase, o encapuzado mudou a voz, imitando o detetive que havia pulado do prédio.
— Então era você. — Chen Ge ainda tinha um trunfo: a habilidade de Yan Danian. Mas não ousava usá-la descuidadamente, pois o inimigo já a tinha visto antes e provavelmente estava preparado.
— Dois coelhos com uma cajadada só. Nosso alvo original já incluía você. Você é perigoso demais para viver nesta cidade. — O encapuzado tirou um pequeno frasco da manga, com meio frasco de sangue. Ele o balançou levemente, e do sangue rastejaram inúmeros fios de sangue pretos e vermelhos: — Aproveite mais um pouco de tempo livre. Daqui a pouco, será sua vez.
O vermelho de rostos bloqueava os aldeões enlouquecidos, e o encapuzado, sem rodeios, abriu a tampa e inclinou o frasco sobre a cabeça de Jiang Ling.
— Esses fios de sangue são o que encontramos atrás da "Porta", a coisa mais preciosa, de usos infinitos, escondendo o maior segredo dos vermelhos. — A situação estava completamente sob o controle do encapuzado. Ele olhava fixamente para os fios de sangue que rastejavam para fora do frasco, com atenção total: — Uma vez enredados por esses fios, nem mesmo um vermelho pode escapar.
Chen Ge observou o frasco na mão do encapuzado. Os fios de sangue escorriam pela parede do vidro, tocando o cabelo de Jiang Ling.
— Se o ritual entre Jiang Ling e a fantasma for interrompido, será ainda mais difícil sair. — Chen Ge deu um tapinha na mochila, virou-se e acariciou suavemente a cabeça do gato branco: — Chegou a hora da vida ou da morte. Daqui a pouco, você vai derrubar aquele frasco dele. Lembre-se, o frasco na mão dele!
Chen Ge apontou para a palma do encapuzado. Criar gatos por mil dias, usar por um momento. O próprio Chen Ge não tinha certeza se o gato branco tinha entendido.
Aqueles fios de sangue poderiam afetar a sanidade do vermelho. Uma vez que a fantasma fosse controlada pelo encapuzado, não haveria mais chance de reverter a situação naquela noite. Então Chen Ge só podia arriscar, usando todos os itens e fantasmas que tinha para proteger Jiang Ling e a mulher no caixão.
O tempo era curto para Chen Ge, e ele não era alguém que hesitasse. Quando os fios de sangue estavam prestes a entrar na nuca da garota, ele agarrou o martelo e correu com tudo para o encapuzado!
— Presunçoso. — O encapuzado nem se mexeu, mantendo os dedos na posição fixa.
Quando Chenge estava a dois ou três metros de distância, o vermelho coberto de rostos se livrou do cerco dos aldeões e, rindo de forma grotesca, bloqueou seu caminho.
— Yan Danian!
O tio do álbum de quadrinhos parecia entender que, se não agisse naquele momento, também estaria perdido. Ele pegou a caneta e desenhou o vermelho no papel.
Quando o último traço foi feito, o vermelho coberto de rostos hesitou por um instante. Chen Ge não parou, girou o martelo e atacou o encapuzado — era uma oportunidade rara!
— Não cometo o mesmo erro duas vezes. — O encapuzado, com a mão livre, pegou um punhado de bonecos de papel e os espalhou.
Os bonecos de papel correram gritando em direção a Chen Ge, tentando subir em seu corpo.
Com o movimento bloqueado, o vermelho coberto de rostos já havia se recuperado. A situação era crítica, mas naquele momento Chen Ge estava mais calmo do que nunca. Ele segurou a mochila e a jogou diretamente no encapuzado.
— Incansável, não é? — O encapuzado protegeu o frasco, pegou a mochila com a mão livre, mas assim que segurou a alça, uma sombra branca saltou de dentro!
Mesmo ele, que já havia criado inúmeros contos macabros, ficou atônito naquele instante: — O que é isso?
O gato branco, que havia recebido a missão de vida ou morte, não fazia ideia do que Chen Ge estava dizendo. Só sentia que aquele frasco lhe dava uma sensação peculiar.
Mordendo-o, o gato branco saltou do encapuzado e disparou para o telhado.
— Gato?!
Os aldeões deformados e enlouquecidos no centro da aldeia, assim como o encapuzado e Chen Ge, todos se distraíram com o gato branco no telhado. Seu pelo imaculadamente branco destoava completamente daquele mundo vermelho-sangue.
— Muito bem! — Chen Ge gritou, mas o que aconteceu em seguida também o surpreendeu.
Com o frasco na boca, o gato branco inclinou a cabeça para olhar o grupo lá embaixo. Balançou a cabecinha de um lado para o outro, e os fios de sangue que já estavam na borda do frasco caíram direto em sua boca.
Engolindo tudo de uma vez, o gato branco parecia não saber que o frasco já estava vazio. Olhava com olhos pidões, como se procurasse onde Chen Ge estava.