Capítulo 318: Boneca (II)
"Não aja sozinho! Vá mais devagar!"
Lao Wei puxou o Tio Bai às pressas para trás. Os dois juntos somavam mais de cem anos de idade, mas ainda assim conseguiram alcançar Chen Ge.
"Só ia perguntar o caminho, por que vocês vieram?" Chen Ge não queria expor Xu Yin na frente de Lao Wei, então afastou os dedos do gravador.
"Nesta vila não se vê uma alma viva, para quem você vai perguntar o caminho?" Lao Wei temia que Chen Ge fizesse algo impulsivo, como arrombar a porta com o martelo e invadir a casa ao lado.
"Você vai saber daqui a pouco." Chen Ge fez sinal para Lao Wei ficar em silêncio. Ele se posicionou na esquina, contou as batidas do coração e apertou o Martelo Esmagador de Crânios.
Esperou um minuto inteiro, mas a mortalha vermelha ainda não apareceu. Chen Ge se virou para olhar a esquina, e a mortalha já havia desaparecido.
"Fugiu?"
Provavelmente ouviu a voz de Lao Wei e se escondeu.
Chen Ge guardou o martelo e, encostado na parede, começou a pensar no próximo passo.
"A Vila do Caixão Vivo é um cenário de três estrelas no índice de gritos, mas o terror que está mostrando agora está longe do padrão de três estrelas." Chen Ge olhou para o fim da estrada de terra, para aquelas casas antigas quase idênticas: "O labirinto fantasma deve ser só o começo. Os monstros desta vila parecem estar despertando aos poucos."
Um cenário de terror de três estrelas indica que certamente há um fantasma de vermelho escondido ali!
Era isso que mais preocupava Chen Ge. Ele sabia muito bem o peso das palavras "fantasma de vermelho".
"Por enquanto não há jeito melhor. Só posso investigar enquanto procuro fantasmas solitários para alimentar Xu Yin. Se ele conseguir se tornar um fantasma de vermelho ainda esta noite, mesmo que esta missão fracasse, não será uma perda para mim."
Chen Ge era uma pessoa de bom humor, mas o que o preocupava era encontrar um fantasma de vermelho furioso de mau humor. Xu Yin já havia devorado tantos monstros na vila, e isso poderia muito bem provocar o outro.
Fazendo um balanço de todos os fantasmas que tinha, o único que podia usar era Xu Yin.
O recém-adquirido Yan Danian, embora fosse chamado de o fantasma mais forte abaixo do vermelho, ainda não havia desbloqueado sua última habilidade crucial.
Além disso, pela aparência habitual dele, não parecia ser um fantasma particularmente feroz. Se o soltasse e ele fosse acidentalmente despedaçado por um fantasma de vermelho, Chen Ge certamente ficaria de coração partido por muito tempo.
"Preciso ser cauteloso." ChenGe repetiu isso para si mesmo, gravou bem na mente e olhou para o Tio Bai: "Os monstros da vila estão começando a despertar. Você já esteve na Vila do Caixão Vivo antes. Sabe se há construções especiais por aqui?"
"No fundo da vila há um templo ancestral, proibido para estranhos. Há muitos poços cavados na vila, mas normalmente o povo da Vila do Caixão prefere ir até o outro lado da montanha buscar água, nunca tiram água dos poços. Eles se desviam ao ver a boca de um poço." O Tio Bai se esforçou para lembrar: "Outra coisa estranha: esta vila não tem chefe. Quem manda é uma mulher, jovem, que mora sozinha na maior casa da vila."
"Entendo que estranhos não possam entrar no templo ancestral, mas por que eles têm tanto medo dos poços? Será que a água tem alguma qualidade especial que deforma o corpo de quem bebe?" Chen Ge não entendia.
"A água não tem problema. Meu pai fez testes com animais capturados, mas não sei por que o povo da Vila do Caixão se recusa a usá-la e também nos impedia de chegar perto dos poços." O Tio Bai também não sabia explicar o motivo.
"Vamos prestar atenção nesses lugares. Quanto mais eles nos impedem de chegar perto, mais provável é que escondam a verdade."
"Tá bom. Para onde vamos agora?" Perdidos, as lanternas de papel branco balançavam nas ruas, parecendo especialmente assustadoras.
"Vamos indo, um passo de cada vez."
Os três voltaram pelo mesmo caminho, mas não encontraram a casa antiga de antes. Olhando ao redor, todas as casas tinham lanternas brancas penduradas na porta.
"Agora não tem mais como sair." O Tio Bai colocou o pingente de jade para fora da roupa e o segurou firme com a mão: "Ficar na rua não é solução. Que tal entrarmos numa casa ao lado para passar a noite?"
"Pode ser que nos quartos com lanternas de papel branco morem fantasmas, mas isso foi o que a velha fantasma disse. Não é certeza, ela pode estar tentando nos enganar de propósito." Lao Wei ainda sentia que a experiência desta noite era como um sonho.
"Então vamos dar uma olhada?" O Tio Bai foi até a porta de uma casa antiga ao lado, levantou a mão, mas não ousou bater.
As palavras da velha, "não bata à porta quando escurecer", ecoavam como um feitiço em sua mente.
Chen Ge não impediu o Tio Bai de bater. Ele também pensava no que fazer. Embora agisse de forma impulsiva, dos três, era o que mais entendia o perigo da Vila do Caixão Vivo.
"Não podemos ficar parados num lugar só. Quem sabe quantos monstros vamos atrair." Chen Ge estava pensando em uma estratégia quando o gato branco na mochila soltou um miado. O som era muito agudo, continha um medo raro.
A última vez que ouvira um miado assim foi quando a porta do banheiro da casa mal-assombrada de Chen Ge estava prestes a ser aberta.
"Merda! Algo está vindo!" Chen Ge reagiu na hora. Agarrou os ombros do Tio Bai e de Lao Wei, e os três entraram juntos na casa com a lanterna de papel branco pendurada.
"Chen Ge? O que você está fazendo?"
"Silêncio! Não abram a boca de jeito nenhum!"
Chen Ge fechou a porta de madeira. No instante em que a porta se fechou, ouviu-se o choro de um bebê do sexo masculino na esquina da rua.
"É uma criança?"
"Quieto!"
Vendo a expressão de gravidade sem precedentes no rosto de Chen Ge, Lao Wei e o Tio Bai ficaram tensos. Parados no lugar, não ousavam se mexer.
O choro se aproximava cada vez mais. Mesmo tampando os ouvidos, aquele som estranho e triste ainda conseguia penetrar no cérebro.
Chen Ge inclinou o tronco para a frente, sem ousar mover os pés com medo de fazer barulho. Só assim conseguiu se aproximar da porta e, com a visão noturna, enxergar a rua do lado de fora.
As lanternas penduradas na porta escureceram todas, como se tivessem sido manchadas de sangue.
O vento lá fora parou de repente. Na rua inteira, só se ouvia o choro do bebê.
Ele chegou!
Um braço curto se estendeu da esquina. A pupila de Chen Ge se contraiu num ponto, fixando-se naquela direção.
Logo o rosto do monstro apareceu. Parecia uma criança afogada. Não tinha cabelo, a pele estava pálida e inchada, os traços faciais borrados, envolta num pano vermelho encharcado e ensanguentado!
"Fantasma de vermelho? Como uma criança tão pequena pode ser um fantasma de vermelho?!"
O choro do bebê continuava. Ele rastejava rapidamente pelo chão, como se procurasse algo. Só parou quando chegou na porta onde Chen Ge e os outros estavam escondidos.
O rosto borrado se ergueu, a pele enrugada se esticou, revelando sua verdadeira face.
Aquele bebê não tinha olhos nem nariz. No rosto, só havia três buracos negros e uma boca deformada.
Chen Ge prendeu a respiração. Agradeceu por ter trazido o gato branco. Se não fosse o aviso prévio, com a velocidade do monstro lá fora, talvez nem tivesse tempo de apertar o botão do gravador antes de ser derrubado.