Capítulo 32: Capítulo 32 Parece que realmente há um problema

Capítulo 32: Parece que tem algo errado mesmo

Macaco se escondeu sozinho na escada do segundo andar, sempre atento aos arredores. Ele ficou no canto, podendo ver ao mesmo tempo as entradas dos corredores do terceiro e segundo andares. Não importa de que direção o assassino viesse, ele poderia fugir o mais rápido possível.

A iluminação do cenário parecia ainda mais escura. No corredor negro, a música de fundo sinistra deixava o coração apertado. Macaco se beliscou com força e respirou fundo. Como estudante de medicina, ele sabia bem que uma leve dor e oxigênio suficiente podiam acalmar rapidamente uma pessoa.

“O momento em que o monstro apareceu é suspeito. Assim que o Zhao descobriu que havia uma oitava pessoa entre nós, o monstro acelerou em nossa direção. Isso não deve ser coincidência.” Ele relembrou tudo o que aconteceu: “Depois que o Zhao percebeu que tinha uma pessoa a mais, todo mundo entrou em pânico. Se naquela hora o Feng tivesse pegado o celular e visto o rosto de cada um, com certeza teria encontrado a oitava pessoa. Perdemos a primeira chance. Quando o monstro veio, se todos tivessem ficado parados, sem se assustar, a gente não teria se separado. Perdemos a segunda chance.”

Macaco suspirou baixinho: “Todo mundo ficou com medo quando o monstro veio, mas não a ponto de fugir. Tudo começou por causa da primeira pessoa que correu. Ela deu o pontapé inicial, bagunçou nosso raciocínio. Se não me engano, a primeira pessoa a fugir deve ser a que estava sobrando. Há pouco ouvi o grito da Xiaohui. Ela foi a segunda a correr, estava mais perto daquela pessoa. Isso também confirma, indiretamente, que meu palpite está certo.”

Ele sorriu amargamente. Adivinhar certo era uma coisa, não ter medo era outra. Escondido sozinho num ambiente tão sombrio e assustador, sentia as costas geladas: “O monstro e a oitava pessoa extra trabalham juntos. Usam o instinto de fuga e o efeito de manada para espalhar o medo, nos separam e depois nos eliminam um por um. Só para assustar alguém, será que precisa mesmo de uma estratégia tão elaborada?”

Macaco era inteligente, mas também muito medroso. Na escola, nunca ousava entrar sozinho no laboratório. “Preciso avisar o Feng e os outros rápido, e depois me encontrar com eles.”

Ele pegou o celular. A luz fraca da tela iluminou suas costas, e ele de repente estremeceu: “Como esse boneco foi parar na escada? Não o deixei no corredor do terceiro andar?”

Com medo de atrair o monstro, Macaco não ousou ligar a lanterna. Aumentou o brilho da tela e apontou para a parede. Lá, deitado no chão, estava um boneco velho e rasgado.

“Será que alguém, sem querer, chutou ele escada abaixo enquanto corria?” Pensando bem, Macaco só conseguia imaginar essa explicação. Dentro do boneco havia papéis, nenhuma peça mecânica, então não podia ser controlado à distância: “Parece bem assustador.”

O boneco não tinha nada de especialmente aterrorizante além de estar surrado. Mas, quanto mais se olhava, mais surgia uma sensação estranha, como se ele tivesse vida própria.

Macaco também se sentiu confuso. Fitando o boneco no chão, sentiu que não era um brinquedo, mas uma menininha pobre, coitada, com um toque de tristeza.

“Deve ser ilusão. Preciso ficar longe disso. Brincar numa casa mal-assombrada está quase me dando problemas psicológicos.” Macaco ligou para o Feng. No corredor do terceiro andar, ouviu-se o toque do celular.

“Ele está no terceiro andar? Ou será que, como o Zhao, deixou o celular cair?”

O toque do telefone ecoou na casa mal-assombrada, tornando tudo ainda mais aterrorizante.

Macaco não desligou. Guardou o celular no bolso e foi silenciosamente até o terceiro andar. Escondido na entrada do corredor, olhou para dentro. O celular do Feng estava jogado no chão.

“O celular do Zhao e do Feng não estão com eles. Só posso tentar os outros.” Macaco ficou sozinho na entrada do terceiro andar, olhando para o corredor vazio e as portas dos quartos que balançavam com o vento, abrindo e fechando. Suas pernas fraquejaram de medo.

Ele deslizou freneticamente pela tela, procurando os números dos outros. Mas, naquele momento, o celular vibrou e de repente tocou.

“P*! O que é isso?” Olhou para baixo. Alguém estava ligando para ele: “Shiling? O que ela quer comigo? Será que ela também está sozinha agora?”

Na frente das garotas, Macaco sempre agia como se não tivesse medo de nada. Esse era um defeito comum entre a maioria dos jovens entusiasmados: “Shiling, você se perdeu dos outros? Onde está agora? Vou te encontrar.”

“Estou trancada num quarto do terceiro andar. Não vi direito o número da porta. Venham rápido, este lugar está estranho!” Shiling era uma garota muito calma, mas agora sua voz estava apressada, quase chorando. Não se sabia o que ela tinha encontrado.

“Calma, fala devagar. Como você foi trancada no quarto? As portas dos quartos individuais no corredor não deveriam poder ser trancadas, certo?” Enquanto falava, Macaco andava pelo corredor, tentando localizar Shiling pelo som.

“Não sei. Depois que entrei e fechei a porta, não consegui mais abrir! E este quarto é diferente dos outros. No centro, há dois bonecos sentados lado a lado!”

“Sentados?!” Ao ouvir falar em bonecos, os pelos de Macaco se arrepiaram. Ele sabia bem o quão sinistros eram os bonecos daquela casa mal-assombrada.

“Venham rápido!” A voz de Shiling foi ficando mais aguda, como se estivesse à beira de perder o controle.

“Já vou! Primeiro, fique longe daqueles bonecos. Faça como o Heshan disse antes. Não toque em nada no quarto. Suspeito que os bonecos...” Macaco parou no meio da frase. Olhou fixamente para a sua frente. A meio metro da ponta do seu pé, havia um boneco deitado no chão.

Ele quase conteve o impulso de quebrar o celular e se aproximou do boneco.

“Cabelo comprido, expressão de sofrimento e culpa. Parece diferente do boneco do corredor. Sinto que é mais maduro.” Depois de falar, Macaco arregalou os olhos: “Que droga, por que consigo analisar tanta coisa num boneco? Estou tendo alucinações de medo? Ou o boneco é tão realista assim? Sempre sinto que são como pessoas vivas, com suas próprias emoções.”

“Não é hora de pensar nisso. Contanto que o boneco daqui seja diferente do da escada, já está bom. Pelo menos mostra que eles não se movem sozinhos. As coisas ainda não chegaram ao pior. Minha prioridade agora é salvar a Shiling.” Balançando a cabeça, Macaco se encorajou: “Estou só me assustando à toa. Se o boneco do corredor tivesse me seguido, como ele poderia estar na minha frente? Deveria estar atrás de mim. Isso é só um truque do dono da casa mal-assombrada. Não preciso ter medo.”

Depois de falar, ele olhou para trás, com o coração na mão: “Eu disse, não precisa...”

O olhar de Macaco congelou a um metro atrás dele. O resto da frase ficou preso na garganta. Porque ali, quietinho, estava deitado um boneco.