Capítulo 298: Quem é você?
Chen Ge desligou o telefone e tateou até a porta.
Ele segurava o martelo de esmagar crânios na mão direita e, com a esquerda, abriu a porta uma fresta.
A luz iluminou o corredor escuro, como se dentro e fora da casa fossem dois mundos diferentes.
"Quem você está procurando?"
Na porta estava um homem alto e magro, com olhos fundos, pele áspera e uma aparência muito abatida.
"Só vim te dar um aviso." O homem mantinha distância da porta: "Não passe a noite aqui de jeito nenhum. Mesmo que precise ficar no condomínio, nunca durma neste andar."
"Por quê?" Chen Ge queria muito ouvir o que aquele estranho tinha a dizer.
"Não importa o motivo, só não fique aqui à noite." Ele tossiu duas vezes, estendeu a mão direita do bolso para cobrir a boca, como se temesse ser ouvido, e sussurrou entre os dentes: "Alguém desapareceu em um dos quartos deste andar."
"Desapareceu no quarto?" Chen Ge lembrou das palavras do corretor: o segundo inquilino, um professor de inglês, havia desaparecido misteriosamente em casa.
"Vá embora logo, senão será tarde demais." O homem parecia agir por boa vontade, só querendo alertar Chen Ge.
"Como você sabe disso? Você também é inquilino aqui?" Chen Ge estava com metade do corpo para fora da porta, escondendo a mão que segurava o martelo.
"Sim, moro no andar de cima. Ouvi você falando sozinho lá embaixo." O homem alto e magro vestia um casaco velho, com as mãos nos bolsos, e parecia não estar muito bem de saúde, andando devagar: "Achei que você entraria, daria uma olhada e iria embora, mas não, você foi para dentro da casa. Pelo seu jeito, parece que pretende passar a noite aqui, por isso vim te avisar."
"Falando sozinho?" Chen Ge engoliu em seco. Se fosse outra pessoa, já estaria começando a entrar em pânico: "Já aconteceu algo assim antes neste prédio?"
"Já, mas sempre de dia. É a primeira vez que vejo alguém vir à noite como você."
"O que aconteceu com essas pessoas depois?"
"Algumas enlouqueceram, outras se tornaram inquilinos daqui. Mas a sorte desses inquilinos foi pior do que a dos que enlouqueceram. Ou se suicidaram, ou desapareceram."
"Alguns enlouqueceram? Outros desapareceram? Pessoas diferentes tiveram destinos diferentes?"
"Não é bem assim." O homem estendeu a mão direita, fazendo sinal para Chen Ge se aproximar, mas ele não obedeceu.
O homem alto e magro teve que dar um passo à frente e disse em voz baixa: "Ouvi dizer que os que enlouqueceram vieram por agências imobiliárias regulares, enquanto os que se tornaram inquilinos e acabaram se dando mal ligaram para o número da agência fantasma."
"Agência fantasma?" Chen Ge lembrou da voz invariável, mas educada, da garota do outro lado do telefone: "O que é uma agência fantasma?"
"Isso começou há alguns anos. O quarto 304 ao seu lado foi palco de um assassinato. A vítima era um vendedor de uma imobiliária, e o assassino nunca foi pego." O homem respirou fundo e olhou para cima, para o andar de cima. Além do lugar onde Chen Ge estava, tudo era escuridão, e não se sabia o que ele estava procurando.
Depois de confirmar várias vezes, o homem alto e magro disse com cuidado: "Desde que ele morreu, a casa ficou abandonada, mas coisas estranhas não pararam de acontecer. Muitas pessoas vêm aqui para ver o imóvel. Quando pergunto onde viram o anúncio, as respostas são diferentes. Uns dizem que foi na internet, outros em anúncios de rua, e alguns inquilinos nem lembram onde viram."
O homem alto e magro fez uma pausa e olhou para Chen Ge com um pouco de dúvida: "A propósito, onde você viu a informação? E... como conseguiu a chave do quarto em frente ao 304?"
"Essa história é um pouco complicada." Chen Ge olhou para o verdadeiro quarto 304: "Vi o número de telefone que o corretor deixou na porta e liguei. Então um homem de camisa preta, com uns trinta e poucos anos, me deu a chave."
"Trinta e poucos? Camisa preta?" O homem alto e magro repetiu as palavras e de repente arregalou os olhos: "Ele voltou!"
Dito isso, o homem alto e magro subiu correndo as escadas, como se estivesse assustado.
"Ei! Explique direito!" Aquele homem era suspeito demais, Chen Ge não ia deixá-lo escapar. Pegou o martelo e saiu correndo atrás.
O homem, não se sabe se viu o martelo na mão de Chen Ge, só se concentrou em subir.
Prédios antigos como o do Hospital Terciário tinham apenas sete ou oito andares, não muito altos. Quando chegou ao quinto andar, o celular de Chen Ge não parava de vibrar.
"Pare!" Chen Ge não se distraiu e subiu até o sexto andar, finalmente alcançando o homem alto e magro: "Por que você está correndo?"
"O vendedor que morreu na época tinha trinta e poucos anos! A camisa branca que ele usava quando morreu ficou encharcada de sangue e acabou ficando vermelho-escura!" O homem alto e magro estava agitado, e ao ver o martelo na mão de Chen Ge, ficou visivelmente mais "agitado".
"É o que eu imaginava. Parece que o que encontrei há pouco foi o primeiro inquilino. Agora preciso pensar se o corretor tem algum problema." O celular de Chen Ge ainda vibrava, e ele o tirou do bolso.
Enquanto isso, o homem alto e magro do outro lado se encostava no corrimão, como se não quisesse se aproximar.
A tela piscou, e o corretor enviou as informações do imóvel. A primeira página registrava alguns detalhes sobre o terceiro inquilino, um jogador. Chenge rolou até o final da tela, e o corretor, muito atencioso, enviou uma foto do jogador ainda em vida.
"Abatido, olhos fundos, corpo magro!" Ao ver aquele rosto, o corpo de Chen Ge reagiu mais rápido que a mente. Ele ergueu o martelo e bateu no corrimão à sua frente.
Desde que vira o homem alto e magro, Chen Ge já desconfiava. O homem só usava a mão direita para tudo, a esquerda sempre no bolso.
Naquela hora, Chen Ge pensou: será que ele não tem mão esquerda?
"Pah!" A cabeça do martelo entortou a grade de proteção. O homem alto e magro se esquivou para o lado, e seu corpo se contorceu de forma anormal.
Ele não enfrentou Chen Ge de frente. Com um sorriso estranho no rosto, pulou a grade e caiu no andar de baixo, desaparecendo no terceiro andar.
"Ele deve ter entrado no quarto 304."
Quando saiu do quarto, Chen Ge não levou o gravador. Para evitar imprevistos, ele decidiu recuar para o terceiro andar.
De volta ao quarto 305, ligou o gravador e só então se sentiu seguro.
"Este prédio é realmente interessante. Todos falam como se fosse verdade, mas no fundo cada um tem seus segredos. Aqui, não posso confiar em ninguém." Chen Ge relembrou a conversa com o homem alto e magro: "O jogador não parava de me mandar embora. Não sei se estava tentando me dar um aviso psicológico ou se realmente não me queria aqui."
Guardou todas as coisas, pegou o celular e olhou para a tela.
"O corretor só me deu as informações sobre o jogador, não sobre os dois primeiros inquilinos. Será que fez isso de propósito? O que essas pessoas têm a ver com a gaveta?" Chen Ge balançou a cabeça: "O fantasma que peguei desta vez é realmente especial!"
Ele ligou para o corretor, segurando o martelo com uma mão e o celular na outra.
"Olá, já enviei as informações. Precisa de mais alguma coisa?" A voz do corretor do outro lado ainda era muito educada, e já era quase meia-noite!
"Sim, tenho mais uma pergunta."
"Pode falar."
"Por favor, você é um fantasma?"