Capítulo 297: Capítulo 297 Capítulo 295 O Aviso de Fan Yu

Capítulo 295: O Aviso de Fan Yu

No papel branco, só havia duas cores: vermelho e preto. O estilo de Fan Yu não mudou nem um pouco.

“Este é o quarto onde estamos. Sua irmã estava deitada ali naquela hora.” Os dedos de Fan Yu se moveram sobre o desenho, passando por algumas figuras pretas e parando em uma janela preta.

A enfermeira ao lado olhou para o desenho de Fan Yu, com a testa franzida. Ela estava exatamente perto da janela há pouco; segundo o que Fan Yu disse, a criatura monstruosa em forma de aranha, como um humanoide aterrorizante, estava bem acima dela.

“Lingling, vamos voltar para o quarto brincar, está bem?” A enfermeira se agachou, desviando o olhar do desenho de Fan Yu.

A razão lhe dizia que os monstros que Fan Yu desenhava eram fruto da própria imaginação dele, mas, depois de ver tantos, seu coração ficava inquieto, como se realmente houvesse monstros por perto.

“Não é à toa que muitos psiquiatras acabam ficando loucos. Convivendo tanto com esses pacientes anormais, aos poucos, sem perceber, a gente começa a sentir uma espécie de identificação.”

Na visão da enfermeira, o medo e o arrepio que sentia eram puramente sugestão psicológica.

Ela tentou pegar a menina e levá-la para o lado, mas a criança começou a chorar e espernear, recusando-se a se afastar de Fan Yu.

“Deixe comigo. Não se pode tratar crianças com tanta aspereza.” Chen Ge colocou os lanches e brinquedos que trazia na mesa e segurou suavemente a mãozinha de Jiang Ling.

“Aspereza?” A enfermeira ficou sem palavras, parada de lado: “Só acho que ver esses desenhos tão assustadores com frequência não faz bem para o crescimento futuro de Jiang Ling. Queria tirá-la daqui.”

“Entendo. Cuidar de crianças realmente não é fácil.” Chen Ge parecia maduro e confiante, seu sorriso carregava um calor indescritível. A enfermeira o olhou de relance, deu um leve resmungo e fingiu não se importar, desviando o olhar para o lado, mas de vez em quando seu olhar pousava em Chen Ge.

“Jiang Ling, eu vi sua irmã.” Chen Ge foi direto ao ponto, sem tratar Jiang Ling como uma criança pequena: “Fui até a Vila Linguan. Já entendi tudo sobre você e sua irmã. Daqui a um tempo, vou até a Vila Huoguan, no fundo das montanhas, para investigar tudo a fundo!”

Ao ouvir as palavras “Vila Linguan” e “Vila Huoguan”, a menina parou de chorar de repente. Seus olhos brilhantes pareciam conter uma emoção especial, algo como surpresa, ou talvez medo.

Nenhum dos dois falou mais nada. O ambiente ficou subitamente silencioso. A enfermeira ao lado também começou a murmurar consigo mesma.

“O que esse cara está fazendo? Caixão? Investigação? Por que de repente começou a fazer um roleplay? Enganar criança também tem limite!”

O que mais surpreendeu a enfermeira foi que Jiang Ling, que antes chorava sem parar, de repente se acalmou. Ela estendeu sua mãozinha, muito obediente, e segurou a manga de Chen Ge: “Não vá.”

“É muito perigoso lá?” Chen Ge já tinha ouvido do Tio Bai que Jiang Ling tinha uma leve deformidade. Ela devia ser como a irmã, carregando o sangue daquela vila estranha, e provavelmente sabia de alguns segredos.

“Hum.” A menina assentiu obedientemente: “Minha mãe disse que lá tem muitas pessoas como minha irmã. Elas são muito más.”

“Como sua irmã? O que mais sua mãe te disse?”

“Não toque no caixão.” Jiang Ling fechou a mão esquerda e segurou a manga de Chen Ge com a direita, sem soltar: “Você não pode ir. Se for, não volta.”

“Hum, o tio sabe.” Chen Ge acariciou a cabeça de Jiang Ling e a colocou na cadeira. Durante todo o processo, a menina não resistiu.

“Do que vocês dois estão falando?” A enfermeira, com medo de que Chen Ge dissesse mais coisas estranhas, pegou Jiang Ling e saiu.

Dessa vez, Jiang Ling não resistiu; ficou muito comportada, mas, ao sair, seus olhos ficaram fixos em Chen Ge.

“Não toque no caixão. Essa informação é bem importante.” Chen Ge fechou a porta e sentou ao lado de Fan Yu.

Nesse momento, Fan Yu estava desenhando um segundo quadro. No papel branco, uma figura preta andava no meio, enquanto inúmeras sombras vermelhas flutuavam atrás, numa postura de cem demônios em procissão noturna.

“Fan Yu, você tem interesse em se mudar para a minha casa mal-assombrada?” Chen Ge abriu alguns pacotes de lanches e começou a comer.

Largando o pincel, o pequeno e magro Fan Yu olhou para Chen Ge e assentiu seriamente.

“Depois que eu resolver os assuntos pendentes, venho te buscar. Mas você também precisa me prometer algumas coisas.” Chen Ge se aproximou de Fan Yu, apertando-se ao lado dele: “Eu sei que você não tem nenhuma doença mental. O seu jeito de ser diferente é só porque você tem uma habilidade que os outros não têm. Comparado a eles, você é mais inteligente e maduro. Não vou te levar a psicólogos nem te forçar a tomar remédios. Só espero que você consiga fazer uma coisa.”

“O quê?” Fan Yu levantou a cabeça.

“Vou cuidar da sua matrícula, para que você tenha uma vida como as outras crianças. Não peço que você seja excelente nos estudos, só espero que faça alguns amigos da sua idade e saia desse mundinho fechado.” Chen Ge falou de coração. Ao tomar essa decisão, ele já estava preparado para arcar com todas as despesas escolares de Fan Yu no futuro.

Ele não era do tipo que gostava de ostentar riqueza. Muitas vezes, economizar quando possível não era por mesquinhez, mas porque achava desnecessário.

Fan Yu não respondeu. Baixou a cabeça de novo, pegou o pincel e começou a desenhar o terceiro quadro.

“Você pode pensar sobre isso.” Chen Ge olhou para os desenhos aterrorizantes em preto e vermelho sobre a mesa, sem forçar Fan Yu a decidir: “E mais uma coisa: pare de ficar com essa cara fechada o tempo todo. Aprenda a sorrir, igual a mim. Olha só, não importa onde eu vá, sou sempre bem-vindo. Esse é o meu segredo.”

Fan Yu, que sempre ficava inexpressivo, pareceu não aguentar mais ouvir aquilo. Enfiou o desenho que tinha na mão para Chen Ge, deitou-se na cama e se cobriu com o cobertor.

“Esse garoto.” Chen Ge balançou a cabeça e olhou para o desenho na mão. A princípio, só deu uma olhada rápida, mas, depois de ver, seu olhar não conseguia mais se desviar.

No centro do papel branco, uma menina estava desenhada a lápis preto. Atrás dela, um enorme monstro-aranha vermelho, que à primeira vista parecia igual aos desenhos anteriores de Fan Yu.

Só olhando com mais cuidado dava para notar a diferença: nas mãos esquerda e direita da menina, estavam enroladas duas figuras vermelhas chorando, que pareciam ser seus pais.

“Fan Yu está me dando um aviso?”

Chen Ge guardou o desenho. Olhou para Fan Yu, que se escondia debaixo do cobertor, e não perguntou mais nada. Pegou a mochila e saiu do Orfanato Infantil de Hanjiang.

“Essa menina não é simples.” ChenGe parou um táxi e foi a toda velocidade para o endereço do anúncio de aluguel: “Pego a gaveta e vou embora. Preciso descansar bem esta noite.”

Ele ligou para o número do anúncio, mas era um número inexistente.

Sem conseguir contatar o proprietário, só lhe restou ir pessoalmente.

O Conjunto Residencial do Terceiro Hospital ficava na cidade velha, com pouca gente e prédios geralmente baixos.

Quase nove horas da noite, Chen Ge finalmente encontrou o lugar. O bairro estava meio deserto, com poucas luzes acesas, todas concentradas em dois prédios na periferia.