**Capítulo 281: A Pessoa que Bate à Porta**
Na estrada da meia-noite, não havia um único carro. O silêncio ao redor era assustador. De vez em quando, um gato de rua parava, mas logo, como se sentisse algo, fugia em disparada.
"Quem é você?"
O investigador estava parado no beco lamacento. Seus sapatos haviam desaparecido. Seus pés pisavam no lixo, e o sangue escorria pelos ferimentos.
"Já não reconhece mais a minha voz?" O homem na sombra saiu lentamente. Em sua mão, ele carregava um martelo de aparência grotesca e aterrorizante.
A luz amarelada do poste alongava sua sombra. Quem falava era claramente um homem, mas sua sombra tinha a forma de uma mulher de cabelos longos.
O investigador viu claramente o rosto do homem. Ele rangeu os dentes e cuspiu duas palavras: "Chen Ge!"
"Eu nem te conheço, e você consegue dizer meu nome. Parece que não me enganei." O homem bloqueando a saída do beco era justamente Chen Ge. Ele e o Capitão Yan revistaram todo o prédio número 3, mas não encontraram o último assassino escondido.
Foi naquele momento que Chen Ge começou a suspeitar. Depois de perguntar ao Capitão Yan sobre o hospital para onde o investigador havia sido levado, ele voltou ao Parque do Novo Século, pegou o Martelo Esmagador de Crânios e se escondeu silenciosamente no hospital para uma emboscada.
"Como você me descobriu?" Com a situação já posta, o investigador, ao contrário, se acalmou. Um sorriso estranho surgiu em seu rosto enquanto encarava Chen Ge.
"Por que eu te contaria?" Apertando o botão do gravador, Chen Ge segurou o martelo com as duas mãos e entrou no beco.
"Me matar não te traz benefício algum. Sou apenas uma vontade escondida dentro do fantasma substituto. Além disso, não se esqueça, agora estou no corpo de um policial." O investigador realmente se assustou quando viu Chen Ge pela primeira vez, mas logo se recompôs: "Se eu morrer, esse policial vai junto comigo."
Chen Ge não perdeu tempo com conversa fiada. O celular no bolso estava gravando o tempo todo; toda a conversa entre os dois estava sendo registrada.
Vendo o martelo ameaçador se aproximando, o canto da boca do investigador se contraiu levemente. A expressão fria de Chen Ge parecia dizer que ambos não eram pessoas boas, e que não adiantava usar ameaças tão baixas.
"Na verdade, ainda podemos conversar direito. Você não tem curiosidade sobre minha identidade? Não quer saber quem eu sou?" O paciente fazia seu último esforço, tentando se comunicar com Chen Ge, mas, pela postura de Chen Ge, parecia que ele não pretendia dar atenção.
Vendo Chen Ge se aproximar cada vez mais, o paciente mudou de assunto novamente: "Você não quer saber quem é, de fato, o presidente da Associação dos Contos Estranhos?"
"Quem é o presidente é uma questão de múltipla escolha, e agora estou usando o método de eliminação para resolver esse problema." Chen Ge disse, de forma bem indireta, ao investigador que ele provavelmente não passaria daquela noite.
Chen Ge também não pretendia matá-lo de verdade. O motivo de ele ter vindo escondido do Capitão Yan era, na verdade, outro plano.
Ele planejava levar o investigador de volta para a casa mal-assombrada e interrogá-lo aos poucos.
Como diz o ditado: "Muita gente, muita força."
"Primeiro, o controlo, depois o entrego à polícia." Chen Ge dizia isso apenas porque o celular estava gravando. Sua verdadeira intenção era quebrar-lhe as pernas primeiro e deixá-lo vivo por enquanto.
Nem com jeito, nem com força bruta. O investigador não encontrava brecha em Chen Ge, mas sua expressão ainda não mudava muito, como se ainda tivesse um trunfo na manga.
"Chen Ge, o que vou dizer agora com certeza vai te interessar. Se você me deixar ir, eu te conto a razão da formação das portas, e também os métodos para fechá-las e abri-las." A expressão do investigador era estranha, um sorriso que não era bem um sorriso, como se tivesse certeza de que Chen Ge se interessaria.
"Pense bem. Você deve saber o valor dessa informação." O investigador mantinha a calma, mas seu corpo, sem querer, recuou dois passos: "Quem controla este policial é apenas um fantasma substituto, contendo um terço da minha vontade. Mesmo que você o mate, eu não serei ferido."
"Se não vai ser ferido, por que está com tanta pressa para ir embora?" Chen Ge diminuiu o passo: "Mostre-me sua sinceridade. Essa é a premissa para a negociação."
Vendo que Chen Ge finalmente se interessara, o investigador suspirou aliviado: "Já que você quer saber sobre as portas, imagino que deve conhecer a localização de uma delas."
"Sim." Chen Ge não negou.
"A razão do surgimento das portas é muito complexa. Por enquanto, ninguém consegue explicar claramente. Só sei que elas geralmente se concentram em lugares com forte rancor e pouco frequentados. Mas o ambiente externo é apenas um pré-requisito. O motivo mais importante é ter uma pessoa que bata à porta."
"Uma pessoa que bate à porta?"
"O mundo atrás da porta é vermelho-sangue, cheio de desespero e destruição, acumulando todos os tipos de emoções negativas do fundo do coração humano. É o oposto do mundo dos vivos, um lugar onde incontáveis pesadelos se reúnem." A voz do investigador ficou um tanto etérea: "Pessoas normais não conseguem ver aquele mundo. Só aqueles com a personalidade destruída, que perderam toda a esperança, têm uma chance mínima de abrir essa porta."
"Já ouvi o primeiro abridor de portas dizer que, naquele dia, ele fez como de costume, sem fazer nada de especial. Apenas abriu a porta que costumava usar, mas o mundo atrás dela estava completamente diferente. A porta apareceu de repente, sem nenhum aviso."
"Sem aviso?"
"Sim. Você tem uma porta, então já deve ter passado por algo parecido. Por exemplo, quando você está do lado de fora da porta, pode ouvir..." Quando o investigador estava no meio da frase, o som de uma sirene veio da entrada do beco! Vários carros de polícia se aproximavam uivando!
"Foi você quem chamou a polícia?" O sorriso no rosto do investigador foi desaparecendo aos poucos.
Chen Ge balançou a cabeça: "Continue. Me conte sobre o mundo atrás da porta. Posso te ajudar a encobrir isso."
"É mesmo?" O investigador riu com frieza.
"Pode tentar. Agora você não tem outra escolha." ChenGe olhou ao redor, procurando um lugar para esconder o martelo.
"Vivendo no inferno, você acha que um demônio acreditaria nas palavras de um diabo?" O investigador se virou e correu em direção ao hospital, com Chen Ge logo atrás.
"Pare!"
Do outro lado do beco, também chegavam viaturas. O caminho do investigador estava completamente bloqueado. Sem hesitar, ele voltou a correr para dentro do hospital.
"Fugir usando o terreno complexo? Ou pretende fazer um refém?" Chen Ge o perseguia, mas logo percebeu que subestimara a crueldade e a determinação do investigador.
"Pá!"
Chutando a porta de segurança, o louco correu direto para o telhado do hospital.
"Não se aproxime!" O investigador pisou no parapeito, na borda do prédio do hospital!
O vento noturno soprava seu avental de paciente. Lá embaixo estava a cidade. Ele estava na escuridão, olhando para tudo de cima.
Chen Ge, que vinha logo atrás do investigador, parou a três metros dele e não continuou a pressioná-lo.
"Chen Ge, seu nome, eu vou lembrar. Na próxima vez que nos encontrarmos, vou te dar uma surpresa." O sorriso voltou ao rosto do investigador. Ele olhou para Chen Ge e, lentamente, abriu os braços.
"Yao Qingyi!" A porta de segurança do telhado foi arrombada. O Capitão Yan e outros da delegacia municipal subiram.
Ao vê-los, o sorriso do investigador ficou ainda mais radiante. Seu corpo começou a se inclinar para trás lentamente, como se a noite infinita fosse seu verdadeiro lar.