Capítulo 256 – Obrigado por sua audiência
Ao sair da floresta, Chen Ge jogou o passageiro na beira da estrada. Ainda em choque, o velho Zhang, ao ver Chen Ge, encolheu-se para trás.
— Velho Zhang, você realmente precisa agradecer a ele. Se ele não tivesse parado o carro para vir te salvar, os assaltantes já teriam conseguido o que queriam.
O taxista que trouxe Chen Ge ficou ao lado do velho Zhang. Ele não sabia exatamente o que havia acontecido, só tinha visto Zhang sendo imobilizado no chão, em uma situação muito humilhante.
Todos os motoristas de turno noturno recebiam treinamento de segurança, então ele imediatamente pensou em um roubo de carro.
— Você não faz ideia do que eu passei — disse o velho Zhang, incoerente, apontando para Chen Ge e para o "cadáver" no chão, sem conseguir se explicar direito.
A experiência daquela noite foi intensa demais para o velho Zhang. Ele provavelmente passaria um bom tempo em casa se recuperando.
— Você está bem? — perguntou Chen Ge, segurando o martelo craniano de aparência aterrorizante, enquanto encontrava a mochila no chão e a colocava dentro.
— Es... estou bem — respondeu o velho Zhang, olhando fixamente para Chen Ge. Ele não conseguia entender por que uma pessoa normal sairia no meio da madrugada carregando um martelo tão grande.
Embora Chen Ge o tivesse salvado e, em teoria, ele devesse ser grato, por algum motivo, só de ver Chen Ge, ele tremia, sentindo um medo genuíno.
— Que bom que está bem. Da próxima vez que dirigir à noite, tenha mais cuidado.
Chenge disse isso de forma casual. Para tranquilizar os dois motoristas, ligou para a equipe Yan na frente deles e explicou a situação.
Ao ouvir Chen Ge falando com a polícia, a impressão do velho Zhang sobre ele começou a mudar. Ele era apenas uma pessoa comum que havia se metido em um evento sobrenatural. Em sua mente, a polícia era a protetora do povo. Já que Chen Ge conhecia a polícia e realmente o havia salvado, ele devia ser uma boa pessoa.
Aos poucos, relaxando a desconfiança, o velho Zhang pensou melhor: Chen Ge nunca o machucara nas duas vezes em que pegou carona com ele. "Parece que eu o julguei mal. Esse cara deve ser um agente disfarçado em uma missão especial. Droga! Será que ele abandonou a própria missão para me salvar? Na TV, isso acontece direto."
Embora fosse uma pessoa comum, o velho Zhang tinha um bom coração. Já havia decidido que, quando a polícia chegasse, falaria bem de Chen Ge.
Chen Ge não sabia dos pensamentos do velho Zhang. Depois de dar algumas instruções, pediu ao motorista que chegou depois para levá-lo ao prédio do escritório da Rádio Fantasma.
— O número cinco é o diretor de programação da Rádio Fantasma, e o número doze, Li Zhi, é a locutora de hoje. Esses dois provavelmente se comunicaram em segredo.
Se o número cinco estava em apuros, Li Zhi, ao receber a notícia, poderia fugir durante a noite.
Para evitar essa situação e complicações desnecessárias, Chen Ge decidiu ir agora ajudar Li Zhi a se "libertar".
— Não importa o motivo, quem erra deve ser punido pela lei.
Chen Ge enviou uma mensagem para a equipe Yan informando sua localização. Em menos de vinte minutos, chegou ao destino.
— Irmão, muito obrigado esta noite. Volte para buscar o velho Zhang. O resto não precisa se preocupar.
Pagou a corrida e entrou sozinho no prédio.
O ambiente de gravação de rádio exige condições acústicas rigorosas. Se os índices acústicos não forem atendidos, equipamentos mais profissionais podem ser mais afetados, revelando vários problemas.
Por isso, estações de rádio noturnas maiores, como a Rádio Fantasma, têm seus próprios estúdios de gravação, geralmente no fundo do prédio.
Chen Ge carregava a mochila, evitando câmeras. Parou na entrada por um tempo, pegou o celular e abriu a rádio noturna.
Li Zhi estava contando uma história de terror chamada "Lenda do Rádio". Usando a si mesma como protagonista, descrevia mudanças ao seu redor de forma sinistra. Não era particularmente assustador, mas pequenos detalhes incrivelmente próximos da vida real faziam os ouvintes se arrepiarem; muitos já haviam passado por situações semelhantes.
Olhando a lista de programas e a prévia do dia seguinte, Chen Ge percebeu que Li Zhi planejava transformar "Lenda do Rádio" em uma série, até a próxima terça-feira.
— Será que ela está tentando criar uma lenda urbana? Quem ouvir a transmissão dela pode sofrer acidentes?
Chen Ge não conseguia entender a mente dessa mulher louca. Entrou no prédio.
O estúdio era à prova de som e isolado acusticamente. Enquanto Li Zhi gravava lá dentro, Chen Ge não se preocupava que ela ouvisse as histórias de terror que ele colocava do lado de fora.
— Nem um segurança neste prédio. Parece que o membro número cinco da Associação de Lendas está muito confiante em sua empresa, achando que ninguém ousaria causar problemas aqui.
Chen Ge pensava assim por um motivo simples: ele também nunca se preocupava com ladrões em sua casa mal-assombrada.
Normalmente, trancava a porta não por medo de invasores, mas com medo de que eles morressem de susto lá dentro, causando problemas desnecessários.
Olhando o mapa do segundo andar, Chen Ge pegou o elevador e encontrou o local de gravação da rádio noturna. O estúdio devia estar dentro da sala.
O resto era simples. Ele tirou o martelo craniano da mochila, encostou-se na parede e esperou do lado de fora.
Li Zhi ainda gravava lá dentro, sem perceber o perigo iminente.
— Você conta lendas sobre os outros, sem saber que também se tornará parte de uma lenda.
No corredor escuro e longo, Chen Ge segurava o martelo craniano, ouvindo a história de terror de Li Zhi pelo celular, separados por apenas alguns metros.
...
No estúdio, Li Zhi narrava várias ocorrências estranhas ao seu redor. Na história, ela era uma vítima inocente e frágil, buscando desesperadamente o culpado e quem a atormentava, mas na verdade, a verdadeira causadora de tudo era ela mesma.
— O programa de hoje termina aqui. Obrigado pela sua audiência. Que você tenha bons sonhos esta noite. Boa noite.
Às duas da madrugada, Li Zhi terminou todas as histórias de terror.
Ela desligou o equipamento, sentou-se na cadeira, e seu rosto exibiu uma expressão estranha, completamente diferente da que tinha durante o dia.
Parecia que, por se envolver demais ao gravar as histórias, ela não conseguia sair daquele estado emocional imediatamente.
O estúdio estava muito silencioso. Depois de um longo tempo, finalmente uma voz soou.
— O que vou provar hoje?
Ela mordia os próprios dedos, falando todo tipo de coisas sem restrições, como se só naquele momento pudesse ser completamente ela mesma.
Quando começou na rádio noturna, tinha muito medo. Uma garota sozinha, no meio da noite, contando histórias de terror, e depois tendo que atravessar o prédio silencioso para voltar para casa.
Pelo salário alto, ela se forçou a continuar. Mas depois, seja por excesso de susto que causou uma reversão, ou por se envolver demais nas histórias diariamente, aos poucos, ela deixou de sentir medo.
Só que, ao perder a emoção do medo, sua mente e seu coração também foram se tornando diferentes dos de uma pessoa normal.
Ela parecia ter se transformado nos monstros das histórias, amando se misturar à noite, sem temer nada de assustador.
— A carne no freezer ainda não acabou, mas hoje posso tentar um jeito diferente de comer.
A voz de Li Zhi continuava tão agradável. Ela afastou a mão mordida e sangrenta, com sangue ainda nos lábios.