Capítulo 205: Capítulo 205 Capítulo 204 Eu vi com meus próprios olhos

Capítulo 204: Eu vi com meus próprios olhos

Os dois passaram um pelo outro, e Chen Ge virou a cabeça para olhar mais uma vez para a mulher. Ela exalava um cheiro estranho, não parecia perfume, mas sim o odor de desinfetante de hospital.

— Ei!

Chen Ge parou na porta do elevador e chamou a mulher.

Ela parou, virou-se e, pela fresta entre o chapéu e a máscara, um par de olhos bonitos piscou levemente, com um ar de confusão.

Só pelos olhos, aquela mulher não se parecia com a foto fornecida pela polícia, provavelmente não era a paciente do quarto 2 que ele procurava.

— Você não é aquela celebridade da TV? Posso tirar uma foto com você? — Chen Ge admitiu que agiu por impulso, não sabia o que dizer, então inventou uma desculpa fraca.

— Desculpe, você se enganou. — A voz da mulher era muito suave, como se ela não estivesse se sentindo bem. Depois de falar, ela se virou e foi embora.

Parecia que ela achava que Chen Ge era um bandido, e saiu quase correndo.

— Não é igual à foto da polícia, mas a paciente do quarto 2 tem síndrome de Dorian Gray, já fez várias cirurgias plásticas. Esse rosto não pode ser usado como critério de julgamento.

Com a tecnologia de plástica atual, mudar a cabeça é difícil, mas trocar o rosto é muito fácil.

Seguindo a ideia de "preferir matar mil inocentes a deixar um culpado escapar", Chen Ge pegou a mochila e foi atrás dela.

Ao sair do prédio residencial 3, Chen Ge seguiu a mulher até o estacionamento subterrâneo. Depois de dar algumas voltas, a mulher simplesmente desapareceu.

— Para onde foi? — O estacionamento tinha câmeras de vigilância, e Chen Ge, com medo de ser confundido com um ladrão, não ousou continuar procurando e voltou pelo mesmo caminho ao prédio 3.

Pegou o elevador até o 14º andar e bateu levemente na porta da casa de Wang Xin.

— Tem alguém?

Passos soaram dentro da casa, e alguém de chinelos abriu a porta:

— Quem você está procurando?

Atrás da porta estava uma mulher de meia-idade vestindo um conjunto preto e branco. Ela estava muito bem cuidada, a pele firme, parecendo muito mais jovem do que realmente era.

— Sou eu, da última vez que tratei a Wang Xin...

Antes que Chen Ge terminasse, a mulher de meia-idade já o reconheceu:

— Dr. Chen! Entre, por favor! Sempre quis te agradecer direito, mas nunca tive oportunidade.

— Dr. Chen? — O tratamento da mulher fez Chen Ge achar estranho. Embora fosse a primeira vez que o chamavam assim, ele sentiu uma familiaridade inexplicável: — Não sou um médico profissional.

— Você curou a doença da Wang Xin, para mim você é o melhor médico. Não seja modesto, já perguntei sobre você ao Dr. Gao. Entre, por favor! — A mulher de meia-idade o puxou para dentro com muita animação.

— Então, desculpe pelo incômodo. Hoje vim principalmente para ver como está a Wang Xin e também para perguntar algumas coisas.

— Tem maçã e banana na mesa de centro. Espere um pouco, vou pegar um chá que trouxe do escritório.

— Não precisa se preocupar. — Chen Ge sentou no sofá. Ver Wang Xin hoje era secundário; seu verdadeiro objetivo era encontrar a paciente do quarto 2 e completar a tarefa de afinidade com o fantasma da fita cassete.

Claro, ele não diria isso à mãe adotiva de Wang Xin. Manter a imagem era importante.

Enquanto ChenGe e a mulher de meia-idade trocavam gentilezas, a porta do quarto se abriu, e uma garota magra saiu.

Depois de alguns dias sem se ver, Wang Xin estava com uma aparência muito melhor. Antes, ela nunca saía do quarto, mas agora tinha saído por vontade própria.

Ela havia se aberto completamente para Chen Ge. As palavras que aquela garota disse enquanto abraçava o espírito da caneta ainda ecoavam na mente dele.

Ver a mudança na garota fez Chen Ge sentir uma alegria genuína.

Wang Xin sentou-se em frente a Chen Ge, ainda parecendo não muito acostumada a interagir com pessoas, falando bem baixinho.

Chen Ge aprendeu muito com o Dr. Gao sobre como lidar com pacientes com transtornos psicológicos. Ele não interrompeu Wang Xin, ouviu com atenção e tentou ver as coisas do ponto de vista dela.

Aos poucos, Wang Xin também começou a sorrir. Depois de abrir o coração, a garota estava tentando ativamente entrar em contato com o mundo exterior.

Depois que Wang Xin saiu, a mulher de meia-idade trouxe o chá preparado:

— Essa criança guarda muitas coisas para si, não conta nada para a gente. Só quando você vem é que ela sorri assim.

Chen Ge pegou a xícara de chá, mas não bebeu:

— A recuperação da Wang Xin está indo muito bem, o tratamento está sendo eficaz.

Ele olhou para o relógio e continuou:

— Na verdade, hoje também vim perguntar uma coisa para a senhora.

— Pode falar. — A mulher de meia-idade estava muito cooperativa.

— Ouvi dizer que há alguns anos, um dos prédios do bairro Fanghua Yuan era assombrado? É verdade ou não?

Assim que Chen Ge terminou de falar, a expressão da mulher de meia-idade ficou tensa. Ela se levantou, foi discretamente até a porta do quarto de Wang Xin, ouviu o barulho lá dentro e depois levou Chen Ge para a cozinha.

Fechou a porta da cozinha e só então falou:

— Dr. Chen, não vou mentir para você. É verdade.

— Realmente assombrado? — Chen Ge não esperava que a mulher fosse tão categórica.

— Eu vi com meus próprios olhos. — A mulher apontou para o chão: — Na época, o assombrado era o 13º andar do prédio 3.

Ao ouvir "13º andar", Chen Ge lembrou-se da mulher que encontrou antes, que tinha entrado no elevador vindo do 13º andar.

— Pode contar em detalhes? — Chen Ge pegou o celular e procurou a foto da paciente do quarto 2, mas antes que mostrasse à mulher, ela já começou a falar.

— O bairro Fanghua Yuan existe há vinte anos. No começo não era tão grande, só tinha seis prédios baixos na frente. Os três prédios altos nos fundos foram construídos há quatro ou cinco anos, e eu fui uma das primeiras moradoras.

A mulher de meia-idade segurou a xícara de chá e começou a contar, de outro ângulo, as coisas estranhas que aconteceram há dois ou três anos.

O que ela disse era basicamente o mesmo que o velho Wang tinha contado. O mais assustador era que a mulher de meia-idade tinha encontrado pessoalmente uma sombra branca encostada na porta.

Ela disse que, numa noite, ouviu um barulho estranho vindo de fora da porta, como se algo estivesse arranhando. No começo, pensou que fosse um gato ou cachorro, mas depois de um tempo, ouviu alguém falando.

A primeira reação da mulher foi pensar que era um ladrão. Ela foi para a cozinha, pegou uma faca, foi até a porta e olhou pelo olho mágico.

A luz do corredor parecia estar com defeito, e ela só conseguiu ver uma sombra branca.

A mulher chamou a polícia, levantou a faca e bateu na porta de aço, batendo várias vezes até que a sombra branca fugiu assustada.

Sobre a sombra branca ter ido embora, a mulher e o velho Wang disseram exatamente a mesma coisa: a sombra branca corria muito rápido, mas não fazia barulho de passos.

— Até hoje não sei o que era aquilo. Depois, a polícia disse que era um louco fingindo ser fantasma. — A mulher colocou a xícara de chá de lado e suspirou: — Comprei este apartamento com financiamento, coloquei todas as minhas economias. Se não fosse por isso, já teria me mudado daqui há muito tempo.

— Você viu a sombra branca de perto? — Chen Ge refletia sobre as palavras da mulher, enquanto olhava de vez em quando para sua aparência, que não combinava com a idade, e para o conjunto preto e branco que ela vestia.

Não era que ele não confiasse na mãe adotiva de Wang Xin, mas achava estranho que ela parecesse gostar tanto de preto e branco. Na primeira vez que se viram, ela já estava usando uma camisa branca e calças pretas.