Capítulo 192: Capítulo 192 Capítulo 191 Não tenha medo, sou turista

Capítulo 191 — Não tenha medo, sou um turista

De repente, o corredor ficou em silêncio, a ponto de nem a respiração ser ouvida.

O "fantasma" dentro do armário não percebeu os movimentos sutis de Chen Ge; ele ainda esperava o momento certo para dar um golpe fatal.

Na esquina, Chen Ge também contava os batimentos cardíacos, calculando o tempo.

Cerca de trinta segundos se passaram, e um leve som de atrito veio do armário de ferro — provavelmente o ator da casa mal-assombrada estava cansado de manter a mesma posição por tanto tempo.

Em comparação, Chen Ge parecia mais um caçador experiente. Ele se abaixou e se moveu lentamente para frente, ficando a apenas algumas dezenas de centímetros do armário.

Quarenta segundos se passaram, e o "fantasma" dentro do armário, ainda sem ver nenhum turista, começou a estranhar. Ele inclinou o corpo para frente, ajustando o ângulo, tentando localizar Chen Ge.

O confronto silencioso logo chegou à fase final. Faltando apenas três segundos, Chen Ge deu um passo à frente, evitando a fresta frontal do armário e bloqueando a porta.

No mesmo instante, sem qualquer aviso, a voz da fantasma de noiva ecoou de dentro do armário.

Diferente da Sexta-Feira Negra, a música da fantasma de noiva já começava no clímax!

"Bum!"

Sem a menor preparação, o ator da casa mal-assombrada, que estava totalmente focado em encontrar Chen Ge, ouviu de repente, em meio à tensão extrema, a voz estridente da fantasma atrás dele.

O ator bateu com força na porta do armário. Em pânico, parece que pisou acidentalmente em um dos adereços que usava para assustar, escorregando e caindo dentro do armário com um baque.

"De onde veio esse som?! De onde veio esse som!"

O armário de ferro escuro e apertado se tornou um pesadelo que o prendia, como se a fantasma estivesse ali na escuridão.

Ele bateu na porta freneticamente, mas Chen Ge, que já previa tudo, tinha cuidadosamente encostado as costas na porta para bloqueá-la.

"Que som é esse?! Me soltem daqui!"

Preocupado que a agitação excessiva pudesse acelerar os batimentos cardíacos, ChenGe segurou a porta por um tempo e depois se afastou.

"Puf!"

A porta foi arrombada, e um "fantasma masculino" vestindo um uniforme de hospital, com o rosto coberto de sangue artificial, saiu tropeçando.

Ele ofegava pesadamente, segurando o peito, sentado no meio do corredor, com uma expressão de quem ainda estava em choque.

"Não tenha medo, sou um turista." Chen Ge disse naturalmente ao microfone, pegou o celular e desligou o despertador, como se tivesse feito apenas algo insignificante.

Suor e sangue artificial ainda não seco se misturavam. O fantasma masculino olhou para Chen Ge sem vida, sua expressão era de pura mágoa.

"Como você caiu? Se machucou?" Chen Ge virou a cabeça para olhar dentro do armário. Lá no fundo, havia duas luvas especiais, com cabeças de manequim na ponta; uma delas tinha o cabelo comprido arrancado: "Vocês usam adereços tão assustadores? Que maldade."

Chen Ge se aproximou para ajudar o "fantasma masculino", mas ele recuou meio metro rastejando: "Não me toque! Vá embora, eu consigo me levantar sozinho."

"Tem certeza? Você está com uma cara tão pálida."

"Isso é maquiagem! Vá logo visitar, não precisa se preocupar comigo!" O fantasma masculino, teimoso, voltou para o armário e fechou a porta.

"Então tome cuidado." Chen Ge trocou o toque do despertador; aquela música era realmente intensa demais para a ocasião.

Algo tocou a nuca de Chen Ge. Ele olhou para trás e viu o "cadáver feminino" balançando no ar.

Ele segurou as pernas do "cadáver", sentindo-as frias e rígidas. No uniforme do "cadáver" estava escrito um nome — Xu Zhenzhen.

"A qualidade até que é boa, mas não se compara aos manequins da minha casa mal-assombrada."

Comentando casualmente, Chen Ge continuou em frente. Não andou muito, e o "cadáver" no meio do corredor começou a balançar novamente.

Depois de virar a esquina, ele finalmente entrou no Sanatório Tian Teng. Nas paredes brancas, manchas de sangue seco estavam grudadas, com frases como "Não quero morrer" e "Devolvam meu órgão".

"O pano de fundo dessa casa mal-assombrada é meio confuso. Deve ser para os turistas explorarem por conta própria, encontrando pistas para reconstruir a história principal."

Chen Ge caminhava pelo corredor do sanatório. As janelas de ambos os lados eram pintadas, mas com efeitos de luz e sombra, parecia que algo passava correndo do lado de fora.

Quem projetou essa casa mal-assombrada também não era bobo. As janelas eram uma mistura de verdadeiras e falsas. Quando Chen Ge chegou na quarta janela, uma mão de repente se esticou para agarrá-lo.

O pior ainda estava por vir. O teto também tinha mecanismos escondidos.

No momento em que seu corpo foi segurado, uma cabeça caiu do teto, bem nos braços de Chen Ge.

Se fosse outra pessoa, provavelmente já estaria gritando, mas Chen Ge estava incrivelmente calmo. Ele segurou a cabeça com uma mão e, por um momento, sentiu nostalgia: "Quando eu tinha quatro ou cinco anos, já carregava essas coisas por aí. Passou num piscar de olhos."

Do lado da janela, o ator que segurava Chen Ge ficou um pouco intimidado ao ouvir isso.

Carregar cabeças por aí aos quatro ou cinco anos? Que tipo de infância é essa?

Ele soltou a mão silenciosamente e se encolheu de volta para dentro da janela.

A luz dentro da casa mal-assombrada foi ficando mais fraca. A cada poucos metros, havia uma lâmpada verde. O corredor ficou mais estreito, e começaram a aparecer várias salas de diferentes especialidades.

"Sala de autópsia? Já começam pesado assim?" Chen Ge parou na porta da primeira sala e olhou ao redor. Era um hábito que ele desenvolveu após completar várias missões de teste: antes de entrar em um local desconhecido, verificar o ambiente.

Ele virou a cabeça para olhar o caminho de volta. Na esquina do armário de ferro, o segurança, não se sabe quando, tinha se aproximado. Ele usava uma máscara de fantasma e estava ajudando o fantasma masculino a sair do armário.

"Parece que o processo normal de visita deve ser sob perseguição de monstros. Isso cria mais atmosfera e é mais emocionante."

O fantasma masculino dentro do armário já estava apavorado. O segurança fantasma, ao ajudá-lo, também ficou constrangido, pois todo o clima de terror foi arruinado.

"Se fossem só dois, até que não seria problema, mas sinto que tem uma terceira pessoa me seguindo?" Chen Ge ficou alerta e entrou na sala de autópsia.

Mesas e cadeiras estavam amontoadas ao redor. Vários manequins cobertos de sangue artificial estavam espalhados pela sala, criando uma cena sangrenta.

"Esse tipo de cenário é mais comum em casas mal-assombradas japonesas ou europeias." Chen Ge buscava terror e suspense; sangue era apenas a forma mais bruta de expressão.

Seus olhos percorreram a sala de autópsia. Para sua surpresa, não havia atores escondidos ali, apenas manequins quebrados.

Ele pegou alguns manequins para examinar. Todos faltavam um órgão, e o mais interessante é que todos os uniformes dos manequins tinham o mesmo nome — Xu Zhenzhen.

"Isso foi exigido pelo dono da casa mal-assombrada?" Chen Ge lembrou do vídeo que viu na guarita do segurança, que não mencionava esse nome.

"Xu Zhenzhen? Será que a mulher flutuante no final da gravação era ela?"

Jogando o manequim de lado, Chen Ge saiu da sala de autópsia. O segurança fantasma e o fantasma masculino tinham desaparecido, como se já tivessem saído da casa mal-assombrada.