Capítulo 182: Você Acordou o Demônio
Em resumo, o que o velho disse é que o mundo atrás da porta é, na verdade, apenas um pesadelo da personalidade principal de Men Nan.
Quando o menino acordar, o canal que conecta este mundo à realidade pode se fechar, ou até desaparecer completamente.
Se Chen Ge não tivesse uma "porta" aparecendo em sua própria casa mal-assombrada, ele talvez aceitasse a explicação do velho. Mas, com "portas" surgindo em dois lugares diferentes, isso não podia ser explicado apenas como o pesadelo de um garoto.
Chen Ge não revelou que também havia uma "porta" em sua casa mal-assombrada. Ele olhou para o velho e fez outra pergunta.
"Você diz que isso é o pesadelo do menino, que cada coisa aqui é uma manifestação do subconsciente dele. Então, pode me dizer qual é o seu papel neste pesadelo? Ou melhor, o que você simboliza no pesadelo dele?"
A expressão no rosto do velho ficou um pouco rígida, mas ele não se esquivou: "Eu sou como você, vim de fora do pesadelo. Somos intrusos. Mesmo dentro do pesadelo, interpretamos a nós mesmos."
"Interpretar a si mesmo?" Chen Ge veio do mundo exterior, e sua aparência física não mudou em nada.
Já o velho não tinha nenhum traço de vida. O que mais chamou a atenção de Chen Ge foi o jaleco médico vermelho-sangue que ele vestia.
Com os olhos percorrendo o jaleco, um pensamento passou pela mente de Chen Ge.
Será que o velho já estava usando esse jaleco quando entrou no mundo da porta? O que ele fez para tingir de vermelho um jaleco branco?
Desde a primeira vez que viu o velho, Chen Ge já tinha uma suspeita.
O diretor do Terceiro Prédio de Doenças havia desaparecido anos atrás, e até hoje não foi encontrado, nem vivo, nem morto.
E aquele velho, tanto pela idade quanto pela aura, se parecia muito com o diretor. Então, ele especulou que o antigo diretor não havia simplesmente desaparecido, mas sim entrado no mundo atrás da porta por algum motivo.
Ele havia lido as cartas deixadas pelo diretor. Na última carta, o diretor realmente demonstrava certa curiosidade sobre o mundo dentro da porta.
No entanto, justamente por ter lido as cartas do diretor e ter uma boa impressão dele, Chen Ge não conseguia conciliar a imagem do diretor que imaginava com a do espectro de vestes vermelhas à sua frente.
Ele balançou a cabeça para afastar esses pensamentos e se recompôs.
Seu conhecimento sobre o diretor vinha apenas daquelas cartas escritas por ele próprio.
Ninguém se retrataria de forma negativa ao escrever cartas para outros, então o diretor retratado naquelas cartas não era necessariamente o verdadeiro.
Lembrando-se da sala de eletrochoque, do Primeiro Prédio de Doenças apertado e sujo, e do Segundo Prédio de Doenças, que preferiam deixar vazio a ocupar, Chen Ge respirou fundo e redobrou a cautela.
"Você entendeu tudo o que eu disse? Não acorde essa criança. Largue-o, e eu o tirarei deste pesadelo." A voz do velho era agradável, fazendo as pessoas inconscientemente ignorarem o perigo que ele representava.
Chen Ge caminhou lentamente em direção à porta: "Não vou machucar essa criança, mas primeiro você precisa me mostrar como sair daqui, provar sua sinceridade."
"Sair é simples, basta atravessar aquela porta..."
"Bum!"
O velho foi interrompido no meio da frase. Um estrondo veio do Terceiro Prédio de Doenças, como se alguma porta tivesse explodido.
Ao ouvir o som, a expressão do velho se tornou sombria. Seu rosto pálido se contorceu, e ele não conseguiu mais manter a aparência benevolente e amigável.
"O que aconteceu?" Chen Ge sentiu que a mudança tinha a ver com Zhang Ya. Quando o velho entrou, ele notou que seus dedos estavam deformados e seus braços tortos de forma não natural, como se ele tivesse sofrido um golpe inesperado ao tentar bloquear algo.
"Nada não, um pequeno problema." O velho falou com um tom sinistro, parou no meio da porta e ergueu a cabeça para olhar Chen Ge: "Dê-me aquela criança, e eu o levarei para fora agora."
Não havia nenhuma expressão extra em seu rosto pálido, dando uma sensação muito estranha. O velho finalmente havia tirado a máscara.
"Primeiro me mande embora, senão não tem acordo." Chen Ge estava firme. A mão que segurava a faca tremia levemente de tensão; era a primeira vez que enfrentava um espectro de vestes vermelhas cara a cara.
"Quer sair, é? Está bem, venha comigo." O velho se virou de repente, tornando-se subitamente proativo.
Chen Ge não ousou descuidar. Cautelosamente, seguiu atrás, mantendo uma distância de três metros.
Para ele, dentro de três metros, não importava o que o outro fizesse, ele poderia reagir a tempo. Mas, mal deu dois passos, percebeu que subestimara o terror de um espectro de vestes vermelhas.
A rigor, ele só deu um passo. Antes que o segundo fosse dado, sua perna, suspensa no ar, perdeu a sensibilidade.
Olhando para baixo, durante a conversa com o velho, fios de sangue invisíveis a olho nu haviam subido por sua perna. Naquele momento, esses fios, como vermes venenosos, estavam perfurando sua carne.
"Você não quer sair? Venha comigo." O velho virou a cabeça, com os olhos encovados, o rosto cheio de rugas, e um sorriso assustador.
Chen Ge, naquele momento, não ousaria mais segui-lo. Segurando a faca, tentou recuar, mas a perna suspensa no ar não obedecia, dando um passo à frente!
"É por causa desses fios de sangue?" Chen Ge sentiu o couro cabeludo formigar. Não sabia quantos fios haviam penetrado em sua perna esquerda. Mais aterrorizante era que, conforme o velho falava, do chão rachado, das frestas das paredes, mais e mais fios de sangue surgiam, como pequenas cobras rastejando em direção a Chen Ge.
Vendo a torrente de fios de sangue, qualquer outra pessoa já teria enlouquecido, começando a golpear aleatoriamente com a faca.
Mas Chen Ge tinha uma habilidade quase inata: quanto mais crítica a situação, mais calmo ele ficava.
Mantendo a faca firmemente no pescoço do menino, Chen Ge deixou os fios de sangue subirem por seu corpo, enquanto pressionava a lâmina cada vez mais fundo.
O velho havia virado as costas de propósito para fazê-lo baixar a guarda, mas agora virava a cabeça para observá-lo.
Se o velho tivesse confiança total, não precisaria de tanta complicação. Ele certamente ainda estava preocupado com o menino.
Chen Ge não entendia por que o velho temia que o menino acordasse, mas, nessa situação, quanto mais o velho temia algo, mais ele queria fazer.
A lâmina cortou a pele. Nenhum sangue escorreu do pescoço do menino. Mais estranho ainda, os fios de sangue controlados pelo velho, ao se aproximarem do menino, perdiam o controle e entravam em seu corpo pelo ferimento no pescoço.
"Esses fios de sangue parecem pertencer originalmente ao menino. Será que o velho está apenas roubando o poder dele?"
Chen Ge já havia descoberto o segredo do velho. Ficou ainda mais ousado. A lâmina caiu por completo, e um grito do velho ecoou em seus ouvidos.
A faca afundou perto da clavícula do menino. O garoto, cujas pálpebras não paravam de tremer, fechou os punhos de repente e abriu os olhos!
Os fios de sangue na sala de eletrochoque se dividiram instantaneamente em duas partes: uma parte recuou, e a outra foi sugada para o corpo do menino.
"Seu louco! Você acordou o demônio!"
O velho parecia ter envelhecido ainda mais. Virou-se e correu, mas, antes de ir longe, do outro lado do corredor, uma onda interminável de cabelos negros começou a surgir.