Capítulo 180: Capítulo 180 Capítulo 179 Você é muito duro

Capítulo 179: Você é teimoso demais O corpo do monstro foi despedaçado, e no corredor parecia nevar preto. Zhang Ya estava ali, seus cabelos negros absorvendo o rancor daquelas criaturas esguias, e seu vestido vermelho ficava cada vez mais vívido. "Ela parece ter ficado mais forte de novo..." As pálpebras de Chen Ge tremeram. A afeição de Zhang Ya por ele crescia a uma velocidade vertiginosa. E se um dia ela ultrapassasse algum gargalo e, sem querer, o "matasse por engano"? À primeira vista, ela parecia serena e inocente, mas quando partia para a ação, os inimigos dela ou eram despedaçados ou devorados — era pura e simplesmente a vilã final dos contos de fadas. "Vamos sair do Terceiro Prédio de Doenças primeiro." Chen Ge tomou a iniciativa de andar em direção a Zhang Ya, querendo chamá-la para ir embora. Naquele momento, dos três monstros, só restava vivo aquele com os olhos furados. Ele estava coberto de feridas, e os vários rostos em seu corpo uivavam, tão miserável que até Chen Ge não aguentava mais olhar: "Zhang Ya, ele já sofreu o bastante. Pare de torturá-lo e mate logo. Precisamos ir rápido, este lugar não é seguro para ficar." O monstro no chão encarou com o único olho que lhe restava, quase chorando sangue. Ele se esforçava para se livrar dos cabelos negros, enquanto os vários rostos em seu corpo soltavam gritos estridentes ao mesmo tempo. "Isso é um pedido de socorro? Deixa ele pra lá, vamos!" Chen Ge, segurando o cutelo de matar porcos, deu alguns passos e só então percebeu que Zhang Ya ainda estava parada, com os cabelos negros firmemente enrolados nas pernas do monstro. Do outro lado do corredor, inúmeros fios de sangue escarlate envolviam a parte superior do corpo do monstro, como se tentassem resgatá-lo. O cheiro no ar ficava cada vez mais forte. Enquanto Zhang Ya e aqueles fios de sangue se enfrentavam, o verdadeiro monstro do Terceiro Prédio de Doenças lentamente despertava. Cada vez mais fios de sangue jorravam das paredes e das frestas do chão. Uma parte deles envolvia a parte superior do monstro, enquanto a outra se espalhava em direção aos pés de Zhang Ya. "O que está controlando esses fios de sangue?" Chen Ge, segurando o cutelo, queria ir ajudar Zhang Ya, mas antes de chegar perto, viu o corpo esguio do monstro ser rasgado ao meio. A maior parte foi levada pelos fios de sangue para o andar de baixo, e Zhang Ya só conseguiu pegar um pedaço pequeno. Era a primeira vez que Zhang Ya saía perdendo, mas, na visão de Chen Ge, já era sorte ter escapado com vida numa situação dessas. Ele ia tentar convencer Zhang Ya a ir embora, mas antes que as palavras saíssem, viu uma maré de cabelos negros jorrar atrás dela, e aquela figura de vermelho disparou escada abaixo! Os fios de sangue no caminho foram triturados, e Zhang Ya logo desapareceu no fim do corredor do quarto andar. O vento frio entrou pela boca aberta de Chen Ge. Ele ficou parado um ou dois segundos antes de se recompor: "Isso é coragem de perseguir?" Chen Ge olhou para o corredor escuro e profundo, e várias imagens terríveis passaram por sua mente. A razão dizia que a melhor saída agora era fugir do Terceiro Prédio de Doenças. As coisas já tinham saído do controle, e às vezes desistir era a escolha certa. Ele queria ir embora, mas Zhang Ya tinha entrado sozinha, e podia até ser enganada e atraída para dentro da Porta de Sangue. Do outro lado da porta, os perigos eram inúmeros, escondendo todo tipo de monstro. Zhang Ya podia muito bem se dar mal. Quanto mais pensava, mais medo sentia. As veias no rosto de Chen Ge se sobressaíram, e ele bateu o cutelo com força na parede: "Imprudente! Isso sim é imprudente!" Depois de dizer isso, rangeu os dentes e, com o cutelo na mão, correu atrás dela. Na cama com o cobertor alto atrás dele, o gato branco, com seus olhos de cores diferentes, olhava com perplexidade. Aquele homem reclamava de boca, mas corria mais rápido que qualquer um. Realmente, os vivos são cheios de frescuras. Chen Ge correu até o segundo andar sem ver Zhang Ya. Cada vez mais manchas de sangue apareciam nas paredes, e seu coração disparava de medo. "Os fios de sangue do terceiro e quarto andares foram todos limpos, mas no segundo andar só uma parte foi destruída. Zhang Ya provavelmente encontrou resistência aqui." No segundo andar também não viu Zhang Ya, então Chen Ge só pôde correr para o primeiro andar. No corredor vermelho-escuro, não havia ninguém. Chen Ge entrou com cuidado: "Será que Zhang Ya já entrou na Porta de Sangue?" Ele chegou na porta do quarto número três, que estava completamente aberta, ao contrário de antes. Claramente, alguém tinha passado por ali. Chen Ge pegou o martelo de esmagar crânios no chão e olhou para a mochila. A galinha grande tinha morrido sem explicação, sem nem fazer barulho. "Fico aqui fora? Ou entro para procurá-la?" Do outro lado da porta, não vinha nenhum som. Chen Ge estava indeciso. Se entrasse para procurar, enfrentaria todo tipo de perigo e talvez não conseguisse lidar. Se ficasse lá fora, e Zhang Ya morresse lá dentro, quando o monstro se livrasse dela, as chances de ele sobreviver também seriam pequenas. Agarrando a porta, ChenGe apertou os dedos, respirou fundo e tirou do bolso a caneta esferográfica quase torcida. "Já passou da meia-noite. Vou usar minha chance de previsão de hoje." Chen Ge segurou a caneta na vertical, pairando sobre o cobertor alto da cama: "Bixian, o que devo fazer agora para me proteger e levar Zhang Ya embora ao mesmo tempo?" Sem hesitar, Bixian escreveu duas palavras no cobertor: "Entrar pela porta." "Você respondeu rápido demais! Seja sério!" Chen Ge guardou a caneta, olhou para a porta e finalmente tomou uma decisão. Pegou o celular, a bateria estava quase no fim. Ele aproveitou para perguntar a Men Nan: "Você não disse que algumas memórias que não são suas vêm à mente? Nessas memórias, tem alguma cena vermelha como sangue?" "Tem." "Pense bem nessas memórias que não são suas e me diga o que é preciso prestar atenção nas cenas vermelhas como sangue." Dessa vez, Chen Ge estava realmente disposto a arriscar tudo. Sem Zhang Ya, ele já teria sido possuído por monstros, e além disso, podia precisar dela muitas vezes no futuro. "As memórias extras relacionadas ao vermelho-sangue são poucas, e as que existem acontecem todas no mesmo cenário." Men Nan pensou um pouco: "É um quarto completamente fechado, sem janelas, só uma porta. O espaço é apertado, com uma cama de madeira. Ao lado da cama, há faixas de contenção, e na cabeceira, alguns aparelhos, parecendo uma sala de eletrochoque." "Eletrochoque?" "Isso. Na memória, de tempos em tempos, vários monstros entram naquele quarto. Eles amarram as cordas na cama e conversam baixinho, como se dissessem para não acordar aquilo." Só de pensar nisso, a cabeça de Men Nan parecia ser picada por agulhas, e sua voz soava dolorida: "Não consigo ver bem aqueles monstros, só sei que um deles parece ter o rosto desfigurado, e esse monstro desfigurado mencionou um nome, que soava como — Wu Fei." O rosto desfigurado e Wu Fei eram pacientes do Terceiro Prédio de Doenças, morando nos quartos dez e nove, respectivamente, os mais perigosos daquele hospital. "Tem mais alguma coisa para prestar atenção?" Chen Ge estava na porta, totalmente preparado. "Tem uma coisa que não tenho certeza. Há mais de dez anos, quando a personalidade principal acabou de sair, ela parece ter me dito algo. Se um dia eu quisesse ir procurá-la, depois de entrar no quarto vermelho-sangue atrás da porta, nunca deveria abrir a boca para falar." "Tá bom, entendi." Chen Ge fechou a boca, guardou o celular no bolso, segurou o martelo de esmagar crânios e o cutelo, e deu um passo para dentro da porta.