Capítulo 155: Jaula de Cachorro? (III)
"Hospitais psiquiátricos e hospitais comuns têm funções de tratamento diferentes. Embora estejam ambos dentro da cidade, a grande maioria das pessoas, consciente ou inconscientemente, evita esses lugares", disse Chen Ge, falando para a câmera em seu pulso. "Ninguém pode refutar isso, porque, não importa como tentem se justificar, eles são um pouco diferentes de nós. Só que, às vezes, não sabemos se quem está errado são eles ou nós, que nos achamos normais."
Pulando o muro para entrar no centro de reabilitação, Chen Ge concentrou toda a sua atenção: "O hospital à minha frente tem inúmeras lendas. Nas horas mortas da noite, os prédios de enfermaria soltam gritos estranhos e aterrorizantes; nos corredores vazios, palavras de sangue aparecem do nada; o diretor desapareceu misteriosamente e nunca foi encontrado, alguns suspeitam que ele possa estar escondido em algum lugar do prédio."
Depois de toda essa preparação, Chen Ge olhou para a tela do celular. Os seguidores não estavam comprando a história, e alguns até comparavam sua transmissão com a de Qin Guang.
"Transmissão ao vivo de terror, mais um homem andando na linha da morte."
"Através da tela, já consigo ver seu destino. Alguns streamers só podem viver na memória."
"O resto eu até entendo, mas pode explicar por que você está segurando uma galinha? Vai fazer uma comida de terror? Criar um novo estilo?"
"Prédio de enfermaria *noturno? Só pela sua escolha ousada de tema, já estou seguindo!"
Chen Ge olhava os comentários dos seguidores. Esses caras eram bons em falar besteira, mas ninguém parecia sentir medo.
"Um galo vivo afasta o azar. Hoje à noite vou trazer uma experiência de terror diferente para vocês. Falando sério, esse hospital tão sombrio e assustador, levei duas horas de carro para encontrar, e vocês não sentem nem um pouco de medo?" Chen Ge explicou pacientemente, mas os seguidores não se abalaram.
"Medo de quê? Outro streamer disse a mesma coisa, e agora ele está consertando o carro."
"Ah! O gatinho é tão fofo..."
O clima relaxou, e Chen Ge também se acalmou. Depois de conversar mais um pouco com os seguidores, ele começou a verdadeira exploração do Terceiro Centro de Reabilitação de Doenças Mentais.
Este hospital particular ocupava uma grande área. Todo o terreno era cercado por muros de concreto, e no centro havia um pátio para os pacientes se movimentarem livremente. Além de algumas áreas de cimento, o resto estava coberto por ervas daninhas que chegavam até os joelhos.
Mais à frente estavam os prédios conectados que Chen Ge tinha visto antes. Três blocos de enfermaria formavam um formato de "品", e a partir do segundo andar, todos os andares estavam interligados.
"Os que foram construídos voltados para o sol são o primeiro e o segundo blocos. O que está de costas para eles deve ser o terceiro bloco. Estranho, por que o hospital projetou assim? O terceiro bloco não vê a luz do sol. Será que alguns pacientes não podem ver a luz?"
A própria arquitetura do hospital já parecia sinistra. "Tudo tem um motivo. Seja pela missão de teste ou pelas pistas deixadas pelos meus pais, esta noite tenho que entrar no terceiro bloco para dar uma olhada."
Chen Ge andava na frente, e o gato branco o seguia de perto.
A lua estava clara naquela noite, iluminando o chão de cimento com um branco pálido. Chen Ge subiu os degraus e chegou à porta do primeiro bloco.
A porta do prédio era de ferro. Chen Ge apenas empurrou de leve, e, para sua surpresa, ela se abriu diretamente.
"A fechadura está quebrada." As missões de teste anteriores tinham dado a Chen Ge uma vasta experiência. Ele pegou a lanterna e examinou o mecanismo: "A mola de trava se partiu, claramente foi arrombada."
Chen Ge olhou para o corredor escuro dentro do prédio, e uma dúvida surgiu em sua mente: "Quem arrombou?"
Depois que o hospital foi lacrado, alguém mais veio aqui. Foi um paciente em crise, ou seus pais?
O diretor Luo disse que, antes de seus pais desaparecerem, eles mencionaram o terceiro bloco. O bilhete que eles deixaram no parque de diversões também continha informações sobre o terceiro bloco. Mas havia um ponto crucial que Chen Ge não entendia.
O diretor Luo ouviu aquela frase antes do desaparecimento de seus pais, mas o bilhete manchado de sangue parecia ter aparecido depois que eles sumiram.
"O que eles encontraram no terceiro bloco?"
Com um rangido estridente, Chen Ge empurrou a porta de ferro do primeiro bloco.
O corredor estava cheio de lixo e camas, dando para imaginar a cena do centro de reabilitação anos atrás: superlotado, muitos pacientes deitados nos corredores.
Diferente de um hospital comum, o centro de reabilitação de doenças mentais não tinha tantos consultórios. Nos corredores apertados, de ambos os lados, havia salas cuja utilidade era desconhecida.
ChenGe fungou e sentiu um odor fraco e desagradável. Ele já tinha sentido aquele cheiro no Apartamento Haiming, muito parecido com o que emanava de Wang Shenglong.
"Ainda nem entrei, e já me dá uma sensação muito ruim." Chen Ge também estava entrando em um hospital psiquiátrico pela primeira vez. Sem qualquer sinalização ou orientação, ele só podia confiar no mapa em sua mente, que supostamente havia sido desenhado por um paciente.
"A estrutura interna dos três blocos deve ser parecida. O primeiro bloco é o menos perigoso. Vou dar uma volta por todo o prédio primeiro para me familiarizar com o terreno."
Assim que deu um passo à frente, o gato branco, num pulo, agarrou-se na mochila e saltou para o ombro de Chen Ge. Parecia querer comunicar algo, mas Chen Ge, depois de olhar por um tempo, não entendeu.
"O gato branco pulou no meu ombro por conta própria. É a primeira vez que faz um gesto tão carinhoso comigo. O que ele percebeu? Esse gesto significa medo, ou tem outro significado?"
Penetrando no corredor, Chen Ge sentia que pisava em algo. Ele olhou para baixo e viu, nas rachaduras dos azulejos, muitos corpos de insetos desconhecidos.
O prédio estava abandonado há anos, não podia ser por causa de inseticidas. O que aconteceu com esses insetos?
Todas as portas das salas no primeiro andar estavam abertas, e a disposição era praticamente a mesma. Além de camas estreitas e cheias de mofo, não havia mais nada.
"Quantos pacientes este hospital já abrigou?" Chen Ge entrou em uma das salas para sentir o ambiente. Quatro camas de madeira lotavam o espaço, deixando apenas um lugar mínimo para se mover e virar.
"Viver todos os dias num mundo tão apertado, mesmo sem estar doente, a pessoa acaba se tornando insensível e perdendo a esperança de viver." Chen Ge saiu da sala opressiva e logo chegou à primeira esquina.
Ali havia um lugar parecido com um posto de enfermagem de hospital. Em cima do balcão de madeira, estavam alguns frascos de remédio vazios e cartões com nomes escritos.
"Parece que os pacientes vinham aqui pegar a medicação diária." Chen Ge olhou para dentro e encontrou duas coisas que não deveriam estar ali.
No posto de enfermagem, havia duas jaulas de ferro soldadas, não muito grandes, parecidas com as usadas para criar cães em feiras.
"Para que servem essas jaulas?" Chen Ge pulou para dentro do balcão e iluminou o interior das jaulas com a lanterna, fazendo uma descoberta ainda mais chocante.
Dentro de uma das jaulas, havia um pato meio cru, com as penas ainda não arrancadas completamente.
"Não está podre nem estragado. O pato foi jogado na jaula recentemente." Chen Ge pegou o martelo de ferramentas e, com cuidado, encostou-se na parede: "Além de mim, deve haver mais alguém neste hospital."