**Capítulo 14 – Procura-se**
Às quatro e meia da tarde, Chen Ge estava sozinho na sala de adereços da casa mal-assombrada, olhando para a mesa cheia de coisas sem saber o que levar.
"O que preciso preparar para passar a noite numa casa assombrada?"
"Documento de identidade, celular, power bank, isqueiro, canivete, martelo multiuso... Ah, e este boneco também tenho que levar."
Chen Ge enfiou na mochila o boneco que aparecera na frente do espelho na noite anterior e, depois de confirmar que não havia esquecido nada, fechou o zíper e saiu do quarto.
"Xiao Wan, hoje vamos fechar mais cedo. Daqui a pouco você tranca a porta. Tenho que resolver um assunto e vou sair."
"Chefe, ainda não são nem cinco horas. O senhor vai viajar?"
"As chaves estão na mesa da sala de adereços. Até amanhã."
Vendo Chen Ge com aquele ar de quem ia se soltar, Xu Wan deu um "ah" resignado, largou os panfletos da casa mal-assombrada e saiu correndo para a sala de adereços.
"Essa garota." A brisa do entardecer espalhou os panfletos. Chen Ge balançou a cabeça, pegou uma pedra e os pesou: "Espero que ela não me veja no noticiário da manhã."
Diferente da leveza que demonstrava, Chen Ge estava, na verdade, muito tenso. A tarde inteira ele estivera inquieto.
A missão de nível pesadelo da noite anterior abrira para ele as portas de outro mundo e também o fizera perceber claramente que as missões do celular preto realmente apresentavam certo perigo.
"A missão de teste certamente será mais difícil que as missões diárias. Esta noite preciso redobrar a cautela." Para passar a noite em segurança, Chen Ge pegou uma bicicleta compartilhada antes do anoitecer e foi para o Apartamento Ping'an.
As informações da missão só forneciam um nome de lugar. Para encontrar o Apartamento Ping'an, Chen Ge combinou a reclamação deixada há nove meses e foi perguntando pelo caminho, levando mais de duas horas para chegar ao destino.
"Um prédio de apartamentos construído num lugar tão isolado. Alguém vai morar aqui?"
A estrada de terra cheia de mato se estendia tortuosamente até o fundo da floresta. Não havia postes de luz ao redor. Por entre os galhos esparsos, dava para ver ao longe um prédio cinza-escuro.
No caminho, Chen Ge perguntara a muitas pessoas, mas a grande maioria nunca ouvira falar do Apartamento Ping'an. No fim, um senhor de mais de sessenta anos lhe indicou o caminho e ainda o aconselhou, dizendo que aquele lugar já tivera mortes, era de muito azar, e que as pessoas da região evitavam passar por lá até durante o dia.
Chen Ge também não podia reclamar. Se não fosse para cumprir as missões do celular preto, quem iria se hospedar num lugar daqueles?
"São seis e cinquenta. A missão exige que eu chegue antes das onze da noite. Ainda tenho tempo suficiente para descobrir a situação da casa assombrada."
Seguindo a estrada de terra sinuosa, Chen Ge entrou no fundo da floresta. Depois de andar algumas dezenas de metros, finalmente avistou a lendária casa assombrada.
O terreno era cercado por um muro alto cinza-escuro. Havia apenas uma entrada. O portão de ferro enferrujado estava aberto para os dois lados, e nele pendia um cadeado novo em folha.
"O portão é tão velho, mas o cadeado é novo. Espera, o que é isto?" Ao lado do portão de ferro estava colada uma folha de papel branco. Chen Ge pensou que fosse um anúncio qualquer, mas, ao olhar de perto com a luz do celular, descobriu que era um cartaz de procura-se.
"Zhang Qing, mulher, 27 anos, 1,57 m, magra, uma pinta preta perto da ponte nasal no olho direito, gosta de usar roupas vermelhas... Quem tiver informações, contate o Sr. Wang. Haverá uma boa recompensa!"
No final do cartaz, havia o contato e o endereço do interessado. O que chamou a atenção de Chen Ge foi que o endereço do Sr. Wang era justamente aquela casa assombrada.
"Que estranho." Instintivamente, ele sentiu que algo não estava certo. Pegou o celular, tirou uma foto do cartaz e só então entrou no pátio.
O prédio era maior do que ele imaginara. O edifício principal tinha três andares, e ao lado havia um depósito e uma construção que parecia uma casa de bombas d'água.
"O reboco está caindo desse jeito. Deve ter pelo menos vinte ou trinta anos." Embora a construção estivesse bastante deteriorada, estava relativamente limpa. Não se via lixo no chão, e o mato também havia sido removido.
Estacionou a bicicleta no pátio, Chenge colocou a mochila nas costas e entrou no edifício principal: "Tem alguém?"
O corredor comprido estava escuro como breu. Depois de alguns segundos, a porta de um quarto perto da escada se abriu uma fresta.
"Olá." Chen Ge se dirigiu ao quarto, mas a pessoa parecia não querer encará-lo. A porta só se abriu na largura de meio dedo e parou.
Não havia luz acesa no quarto. Chen Ge só conseguia ver, pela fresta, uma mulher. Seus olhos estavam cheios de vasos sanguíneos, como se ela não dormisse direito há muito tempo. Seu estado mental parecia péssimo.
"Gostaria de saber quanto custa uma diária neste apartamento?" Chen Ge falou baixo, tentando parecer o mais amigável possível. Para sua surpresa, a reação dela foi muito estranha. Ela sorriu para ele e fechou a porta imediatamente.
"O que significa isso?" Antes que ele pudesse entender, passos soaram no segundo andar. A única lâmpada com sensor de luz no canto do corredor acendeu, e um homem de meia-idade, mancando, desceu as escadas.
Ele parecia ter ouvido o que Chen Ge dissera antes e perguntou: "Você quer se hospedar aqui? Por quanto tempo?"
"O senhor é o proprietário?" Chen Ge se aproximou: "Só uma noite."
"Uma noite?" O homem manco examinou Chen Ge de cima a baixo, com um olhar que parecia querer penetrá-lo por completo: "Está bem. Deixa eu ver seu documento. Sobe para o segundo andar para pagar."
Chen Ge ia seguir o homem para o segundo andar quando ouviu um barulho no portão de ferro da entrada. Ao ouvir aquele som, o homem manco franziu a testa e sua expressão ficou péssima.
Ele parou, e Chen Ge também teve que esperar.
Pouco depois, entrou um homem de meia-idade de aparência abatida, com roupas velhas e surradas, segurando uma pilha grossa de panfletos.
"Wang Qi, já disse que sua namorada não está aqui. Se continuar enchendo o saco, não vou ter educação!" O homem manco parou no meio da escada, bloqueando o caminho.
O homem de meia-idade não ligou para ele e continuou subindo de cabeça baixa.
"Estou falando com você!" O homem manco deu um empurrão forte. O homem de meia-idade, desprevenido, bateu na parede. Os panfletos se espalharam pelo chão, e um deles caiu bem aos pés de Chen Ge.
"É um cartaz de procura-se, igual ao que está colado no portão do prédio." Chen Ge apertou os olhos. Sem fazer alarde, pegou o cartaz do chão e observou discretamente o topo da escada.
O homem de meia-idade não partiu para briga com o homem manco. Levantou-se do chão e, em silêncio, começou a recolher os panfletos, como um morto-vivo.
"Não ligue para ele. Esse cara é um louco." O homem manco acenou para Chen Ge, indicando que ele subisse para o segundo andar.
"Louco?" Ao passar pelo homem de meia-idade, Chen Ge deu uma olhada furtiva: "Na introdução da cena 'Caçada Noturna', mencionava que um paciente psiquiátrico estava infiltrado no prédio. Se esse cara é um louco, será que ele é o assassino que estou procurando?"