Capítulo 134 – Dificuldade nível inferno logo de cara.
Pei Hu recuou vários passos até se firmar, com o rosto pálido.
— Tudo bem? O que você viu? — Wang Wenlong e Xia Meili correram até ele.
— Deixa ele, só um sustinho besta, olha o medo dele? — Wang Hailong tremia nas pernas, a pele do rosto se contraía levemente, mas ele ainda fingia calma: — São só alguns manequins.
Mesmo preparados, os outros três também se assustaram ao se aproximar.
Já era assustador ver mais de vinte figuras surgirem de repente na sala escura. Mais aterrorizante ainda era que todas viravam a cabeça para a mesma direção, algumas com o pescoço torcido 180 graus, a cabeça pendurada nas costas, encarando-os. Quem aguentaria aquilo?
— Eu já estava achando estranho as cenas anteriores não serem nada assustadoras, então era aqui que estava o truque. — Wang Wenlong, ainda calmo, pegou o celular e ligou a lanterna.
— Wenlong, o dono da casa assombrada disse para não usar o celular à toa. — Xia Meili o lembrou.
— Ele não está vendo, não tem problema. — Wang Wenlong iluminou a última sala, a luz passando pelos manequins: — Devem ser todos falsos, a luz bate nos olhos deles e nenhum pisca. Espera! Vi os crachás, tem dois!
— Onde?
— Nos uniformes dos manequins! — Wang Wenlong apontou a luz para um lugar, e todos olharam.
No centro da sala, um manequim tinha um crachá no colarinho, e outro estava numa mesa no fundo. Para pegar os dois, teriam que passar no meio de todos os manequins.
— Esse dono da casa assombrada é muito sem noção!
— Ainda bem que entramos em cinco. Se fosse sozinho, como ele mandou, ia ficar maluco de medo.
— Chega, não vamos desanimar. — Wang Hailong andou de um lado para o outro, sentindo as pernas menos dormentes: — Ainda temos tempo, essa sala deve ter muitos crachás. Não vamos só pegar, vamos revirar tudo e achar todos!
— Longo, pensa bem! Por cinco mil reais, não precisa arriscar a vida. — Pei Hu ainda estava abalado, a cabeça confusa.
— É tão grave assim? Para de besteira, vem cá! — Wang Hailong puxou Pei Hu até a porta da última sala.
— Por que eu vou primeiro?! — Pei Hu mostrou uma forte vontade de sobreviver.
— É para você não fugir, covarde como um rato, merece esse nome? — Wang Hailong empurrou Pei Hu para dentro da sala, e virou para Dou Menglu e Xia Meili: — Nós três vamos dar uma olhada primeiro. Se não tiver problema, vocês entram.
— Tá, cuidado.
— Relaxa, o Wenlong já viu, são só manequins. — Wang Hailong e Wang Wenlong entraram também, os três no palco, olhando para baixo. Imediatamente, os pelos se arrepiaram e o couro cabeludo formigou.
— Isso é doentio, só gente, nem lugar para pisar.
— Pei Hu, você é mais medroso, vai pegar o crachá no centro. Wenlong, revira as gavetas das mesas. O mais longe é comigo. — Wang Hailong mostrou liderança, e Pei Hu, relutante, não pôde reclamar.
— Longo, esses manequins parecem estranhos, os olhos deles parecem se mexer! — Pei Hu recuou antes de descer do palco.
— Você não pode ficar quieto? — Wang Hailong também ficou nervoso com o que Pei Hu disse.
— É normal sentir medo ao olhar para manequins. O dono deve estar usando o efeito do vale da estranheza, coisas parecidas com humanos causam repulsa instintiva. — Wang Wenlong tentou explicar, mas nem ele se convenceu.
— Chega! Não falem mais nada, o dono já está cronometrando lá fora. Temos 20 minutos para achar todos os crachás, não percam tempo. — Wang Hailong desceu do palco de má vontade e foi sozinho para o canto mais fundo da sala.
— Longo é foda. — Pei Hu hesitou, mas foi em direção à mesa do centro. Ele era gordinho, e ao descer, a barriga esbarrou em um manequim parado ao lado, que balançou levemente.
— Quem projetou essa casa devia ter tido trauma na infância... — Pei Hu resmungou, mas antes de terminar, sentiu algo bater nas costas: — Wenlong?
Virou-se e viu Wang Wenlong a uns dois ou três metros de distância.
— Quem me tocou? — Ele ficou parado, olhando para o manequim que ainda balançava.
O manequim era tão realista, parecia vivo. Se não olhasse bem, não dava para distinguir.
— Foi esse boneco?
Pei Hu estremeceu, sem ousar parar, foi até a mesa do centro.
Sentada ali estava uma garota, seu uniforme diferente dos outros, cheio de manchas de sangue, como se tivesse sofrido algo terrível no fim da vida.
Pei Hu olhou para o crachá no colarinho dela, reuniu toda a coragem e estendeu a mão gordinha.
A ponta dos dedos se aproximava cada vez mais da garota. Quando quase tocava o pescoço dela, a cabeça, que estava virada para a janela, de repente se moveu.
— Puta merda! — A mão de Pei Hu recuou como se tivesse levado um choque.
— Mexeu mesmo? Será que é alguém fantasiado? — Ele olhou para os lados. Wang Hailong ainda estava no fundo, Wang Wenlong não longe. Ver os companheiros deu a ele mais coragem.
Ele estendeu a mão novamente e finalmente pegou o crachá.
— Consegui. — Não era algo grandioso, mas Pei Hu se sentiu feliz. No entanto, quando tentou puxar o braço, percebeu que o crachá tinha um cordão amarrado no pescoço da garota, num nó bem apertado.
— Que merda! Isso é sacanagem! — Ele queria matar o dono da casa. Segurou o crachá e deu mais um passo.
A sala estava muito escura, não dava para ver direito. Ele pegou o celular para iluminar, se inclinou e se aproximou da garota.
Não sabia se era impressão, mas quando a luz do celular bateu no rosto dela, a expressão do manequim pareceu mudar.
Pei Hu não percebeu. Com o celular na mão, atrás da garota, abaixou a cabeça e tentou desatar o nó.
Mas, enquanto estava concentrado, Wang Wenlong ao lado soltou um suspiro e disse, com a voz trêmula:
— Tem algo errado, sinto que esse manequim está me seguindo.
— Tá viajando? — Pei Hu, que tinha acabado de superar o medo, riu. Mas quando ia continuar desatando o nó, de repente viu que a garota sentada no centro tinha virado a cabeça para trás, e a distância entre os dois rostos era de menos de meio dedo.