Capítulo 1201: Capítulo 1201 Capítulo 1173 Jogo da Maldição

Capítulo 1173: Jogo da Maldição

O quinto andar do hospital era a ala de pacientes graves, com grades de proteção nas janelas e portas especialmente reforçadas.

— Agora é meia-noite e meia. Nosso tratamento começará à meia-noite e quarenta e quatro minutos. — O Dr. Gao abriu o frasco de remédio sobre a mesa: — Antes do início do tratamento, cada paciente deve tomar um comprimido.

Havia apenas quatro comprimidos no frasco do Dr. Gao. Descontando os dois médicos, que não precisavam tomar o medicamento, faltava exatamente um para Chen Ge.

Colocando o frasco vazio no chão, o Dr. Gao tirou outro frasco novo do bolso.

Visualmente, os dois frascos não tinham nenhuma diferença.

Enquanto o Dr. Gao abria a embalagem, o Dr. Sun, sentado ao lado de Chen Ge, tirou um frasco do próprio bolso:

— Ainda tenho um pouco aqui.

Ele derramou um comprimido do seu frasco. A superfície do comprimido era completamente branca, mas, no meio dele, era possível ver vagamente inúmeras linhas pretas finas e densas.

Ao ver isso, o Dr. Gao estendeu a mão para impedir:

— O estado de Chen Ge já melhorou. Ele só precisa tomar meio comprimido.

— Meio comprimido? — O Dr. Sun olhou para o Dr. Gao com dúvida. Ele deveria saber os passos do tratamento com antecedência.

— Sim, só meio comprimido. — O Dr. Gao parecia ter alguma preocupação interna.

— Isso não está de acordo com as exigências do diretor. — O Dr. Sun balançou a cabeça, sem expressão: — Embora você seja o médico responsável por ele, algumas coisas quem decide é o diretor.

Ele se levantou e empurrou o comprimido em direção à boca de Chen Ge. Chen Ge sentiu o comprimido roçar em seus lábios, mas, estranhamente, o Dr. Sun não o fez engolir o comprimido. Apenas bloqueou a boca dele com a mão, e o comprimido ainda estava preso entre os dedos do Dr. Sun.

O Dr. Sun retirou a mão, e Chen Ge instintivamente fez um movimento de engolir.

O medicamento com as linhas pretas finas podia enlouquecer as pessoas, fazendo-as perder a razão. Chen Ge sabia disso claramente. Agora, o Dr. Sun não queria dar-lhe o remédio e ainda enganava secretamente o Dr. Gao e os outros pacientes.

Isso deixou Chen Ge bastante intrigado. O Dr. Sun, sentado ao seu lado, parecia não ter intenção de machucá-lo.

— Desde que entrei no hospital, alguém bate na minha porta todas as noites. O número de batidas corresponde exatamente aos dias que passei aqui. É como se a pessoa estivesse preocupada que eu me perdesse e viesse me lembrar todas as noites.

— Ontem foram cinco batidas. Hoje, quem bate deve bater seis vezes. Curiosamente, quando o Dr. Sun entrou na sala, ele bateu exatamente seis vezes na porta.

— Ele está usando isso para me dizer que é a pessoa que bate?

Relâmpagos brilhavam do lado de fora da janela, mas dentro da enfermaria o silêncio era assustador. Sete pessoas sentadas em círculo. Além de Chen Ge e dos dois médicos, os outros pacientes mantinham a cabeça baixa, como se estivessem dormindo.

— Eles devem ter tomado o medicamento branco normal. O frasco que o Dr. Gao colocou agora na mesa é o que foi trocado, contendo as linhas pretas finas. — O tratamento ainda não havia começado, mas Chen Ge já percebia algo errado.

Segundo o que o Dr. Gao dissera antes, se um paciente tivesse uma crise, os outros deveriam forçá-lo a tomar o remédio da mesa.

Mas era óbvio que o remédio na mesa não era o comprimido branco normal, mas sim o que continha as linhas pretas. Quanto mais os pacientes tomassem esse remédio, mais descontrolados ficariam.

Se o tratamento continuasse assim, o resultado final seria que o paciente que tomasse muitos comprimidos acabaria matando todos na sala.

Chen Ge estreitou os olhos. De repente, lembrou-se de um detalhe: quando o Dr. Gao entrou na enfermaria, pendurou casualmente a chave ao lado da porta. Era como se estivesse incentivando os pacientes a pegá-la.

— Tomar grandes quantidades do medicamento com linhas pretas, perder completamente o controle, matar todos na enfermaria e depois pegar a chave ao lado da porta para sair...

Quanto mais Chen Ge pensava, mais assustador parecia. Se o Dr. Sun não tivesse intervindo, o Dr. Gao teria dado a ele o medicamento com linhas pretas desde o início, e ele certamente seria o primeiro a perder o controle.

O primeiro a perder o controle, depois ser contido pelos outros pacientes, forçado a tomar mais do medicamento com linhas pretas, e então ficar ainda mais frenético.

O resultado final seria Chen Ge matar todos os pacientes na sala, pegar a chave e começar uma caçada insana aos pacientes.

Se Chen Ge realmente fizesse isso, sua humanidade seria completamente destruída. Todas as suas convicções se tornariam pecados que ele não poderia lavar, e ele deixaria de ser quem era antes.

— Todos os pacientes já tomaram o medicamento. Agora, lembrem-se dos números em suas cadeiras. Os números serão seus nomes. — O Dr. Gao tirou o relógio de pulso e o colocou ao lado do frasco: — O tratamento começará à meia-noite, quarenta e quatro minutos e quarenta e quatro segundos.

Todos os pacientes e médicos olhavam para o mostrador de metal. A sala estava muito silenciosa, restando apenas o som dos ponteiros se movendo.

— Tique-taque, tique-taque...

No instante em que o ponteiro passou por um determinado número, Chen Ge sentiu uma sonolência indescritível invadir sua mente.

Suas pálpebras ficaram pesadas, e ele fechou os olhos involuntariamente, mas logo percebeu que não podia dormir de jeito nenhum. Precisava manter a consciência.

Assim que fechou os olhos, ele os abriu novamente. O processo todo durou menos de um segundo.

Mas, nesse único segundo, algo grande parecia ter mudado na enfermaria.

Ele não conseguia dizer exatamente o que era diferente, apenas sentia um desconforto vago, como se a enfermaria em que estavam agora não fosse a mesma de antes.

— Agora é meia-noite, quarenta e quatro minutos e quarenta e quatro segundos. O tratamento começa oficialmente. — A voz do Dr. Gao parecia diferente da de antes, rígida e fria, como a de um cadáver sem emoção.

— Vocês todos sofrem de delírios graves. Chamei vocês hoje para fazer um tratamento unificado.

— Não se preocupem. Vou jogar um pequeno jogo com vocês. Basta escolherem de acordo com o que realmente pensam no fundo do coração.

A voz do Dr. Gao não continha nenhuma emoção. Ele primeiro olhou para o Dr. Fang, sentado no número um:

— Primeiro de abril. Você está de plantão noturno no Hospital Central de Xinhai. Nos últimos dias, você tem estado inquieto, sempre sentindo que alguém está observando você. À meia-noite e quarenta e cinco, você se levanta pela décima sétima vez e vai até a janela para olhar para fora.

O Dr. Gao fez uma pausa repentina. Depois de um longo intervalo, apontou para a janela da enfermaria:

— Vá ver o que há lá fora.

O Dr. Fang, com o olhar um pouco alterado por causa do medicamento, levantou-se do assento número um e, apoiando-se na parede, foi até a janela.

No momento em que abriu a janela, um relâmpago iluminou seu rosto, clareando o interior da enfermaria e também o pátio do hospital.

— Ah! — O Dr. Fang soltou um grito. Segurou firmemente a borda do parapeito, como se temesse cair acidentalmente.

— Você se levanta pela décima sétima vez e vai até a janela. O que você vê? — O tom do Dr. Gao não mudou. Naquele momento, ele parecia um cadáver misturado entre os vivos.

— Lá embaixo tem um louco que não para de rir! Ele está acenando para mim! Quer que eu pule! — A voz do Dr. Fang era baixa, e ele falava como se estivesse sem fôlego.

— Agora você tem duas opções: pular para encontrá-lo ou fazê-lo subir para te encontrar. — As duas opções dadas pelo Dr. Gao, na visão de Chen Ge, não eram realmente escolhas. Estar no quinto andar significava morte certa se pulasse. Para sobreviver, só restava escolher que o outro subisse.

Uma pergunta que nem precisava de hesitação, mas o Dr. Fang começou a pensar seriamente. Gotas de suor escorriam pelo seu rosto.

Seu corpo tremia sem parar. No final, ele não fez nenhuma escolha e simplesmente desabou no chão.

O Dr. Gao não disse nada. Só quando o Dr. Fang se levantou novamente e se escondeu atrás da cortina para olhar para fora, ele perguntou:

— A pessoa ainda está lá embaixo?

— Sumiu. Ele sumiu. — A expressão do Dr. Fang era de pânico. Ele se sentou novamente na cadeira número um.

Ninguém sabia para onde o monstro lá embaixo tinha ido. O Dr. Gao não fez mais perguntas ao Dr. Fang, mas este último não tirava os olhos da porta da enfermaria, como se o louco fosse bater a qualquer momento.

Desviando o olhar, o Dr. Gao se voltou para o paciente número dois:

— À meia-noite e quarenta e seis, você vai ao Hospital Central de Xinhai para investigar um caso antigo. Nos últimos dias, você tem procurado pistas, e todas as informações apontam para este hospital. Você está convencido de que o assassino está escondido no hospital. Quando você olha para cima, vê um médico fechando a cortina apressadamente.

O olhar do Dr. Gao vagou entre o Dr. Fang e o paciente número dois:

— Olhe com atenção. O rosto daquele médico não é igual ao dele?

O paciente sentado na cadeira número dois levantou a cabeça. Ele estava pálido, parecendo mais velho do que realmente era.

O paciente número dois fixou o olhar no Dr. Fang. Depois de muito tempo, balançou a cabeça.

A enfermaria voltou ao silêncio. O som dos ponteiros do relógio mecânico ecoava nos ouvidos. Não se sabia quanto tempo havia passado quando o Dr. Gao falou novamente com o paciente número dois:

— À meia-noite e quarenta e sete, você encontra uma carta de socorro do lado de fora do prédio do hospital. A irmã de um menino foi esfaqueada por um paciente, e esse paciente está escondido em alguma enfermaria. A descrição na carta é semelhante ao caso que você está investigando. Você entra no hospital com a carta.

O estado do paciente número dois não era muito estável. Ele balançava a cabeça mecanicamente, como se não quisesse acreditar em nada.

— Coloque a mão na manga e veja se a carta ainda está aí. — A voz do Dr. Gao soou entre os tiques dos ponteiros. O paciente de meia-idade número dois instintivamente enfiou a mão na manga e tirou um papel amassado.

Olhando para o conteúdo do papel, o paciente número dois agarrou o próprio cabelo com força. Seus olhos foram ficando vermelhos, como se pudesse perder o controle a qualquer momento.

— O que está escrito na carta? — O Dr. Gao não se importava com o estado do paciente número dois. Seu tom de voz não mudou.

Com os olhos vermelhos, o paciente número dois colocou o papel sobre a mesa. A folha inteira estava cheia de palavras tortas escritas repetidamente: "Salve-me".

Aquelas palavras pareciam ter sido escritas por uma criança. Ao vê-las, Chen Ge sentiu aquela sensação familiar novamente, como se ele mesmo as tivesse escrito quando criança.

— Agora você tem duas opções: entrar no hospital para salvá-lo ou entrar no hospital para matá-lo.

Depois de dizer isso, o Dr. Gao não prestou mais atenção ao paciente número dois.

Ele mesmo estava sentado na cadeira número três. Agora, olhou para o paciente na cadeira número quatro.

Na cadeira número quatro estava uma paciente mulher, muito magra, com o uniforme do hospital folgado em seu corpo.

— À meia-noite e quarenta e nove, você é atacada por um paciente na enfermaria do seu irmão. Ele aperta seu pescoço. — O Dr. Gao pegou a borboleta de papel que a paciente número quatro tinha nas mãos e segurou as asas.

Ele foi apertando lentamente com as mãos, rasgando o corpo da borboleta de papel.

Vendo a borboleta sendo rasgada aos poucos nas mãos do Dr. Gao, a paciente número quatro parecia estar sufocando, como se o Dr. Gao não estivesse rasgando uma borboleta, mas sim seu pescoço.

Sem nenhuma cor no rosto, a paciente número quatro emitia sons de alguém agonizando. Ela acenava desesperadamente para o Dr. Gao, mas não ousava tirar a borboleta de papel de suas mãos.

— Você está sofrendo. Desesperadamente, quer que alguém venha te salvar, mas não ousa pedir socorro, porque o assassino disse que, se você abrir a boca, matará você e seu irmão. — O Dr. Gao colocou a borboleta de papel quase rasgada sobre a mesa: — Agora você tem duas opções: atirar-se contra a faca do assassino para que seu irmão possa fugir e pedir ajuda, ou empurrar seu irmão para a ponta da faca e fugir da enfermaria na confusão.

A respiração da paciente número quatro ficou ofegante. Ela parecia realmente imersa naquele problema, sofrendo e se angustiando profundamente.

Acariciando as asas da borboleta de papel com os dedos, o Dr. Gao se virou para o paciente número cinco:

— À meia-noite e cinquenta, você está do lado de fora de uma enfermaria. Dentro dela está a pessoa que você mais ama, e também o irmão dela.

O paciente número cinco tinha mais ou menos a idade de Chen Ge. Ele não falava muito, tinha as mãos cheias de calos, parecendo ser bom em fazer adereços.

— Você hesitou por muito tempo e finalmente decidiu entrar na enfermaria para vê-la. Mas, quando abre a porta, vê um louco com uma faca tentando matar o irmão da pessoa que você ama, e a pessoa que você ama está implorando desesperadamente ao louco.

— Agora você tem duas opções: puxar a pessoa que você ama e levá-la embora, ou avançar e lutar contra o louco, morrendo no lugar do irmão dela.

O Dr. Gao observou a mudança de expressão do paciente número cinco. Quando estava prestes a desviar o olhar, o paciente número cinco falou de repente:

— Eu escolho avançar e lutar contra o louco.

Entre os pacientes, o número cinco foi o único que realmente fez uma escolha.

— Tem certeza? Você pode realmente morrer.

— Tenho certeza. Acho que já fiz isso uma vez antes. — Depois de dizer isso, o paciente número cinco voltou a ficar em silêncio. Suas mãos estavam firmemente entrelaçadas, e pequenos cortes nas palmas sangravam.

Por fim, o Dr. Gao olhou para Chen Ge:

— À meia-noite e cinquenta e dois, você enfia a faca no peito do número cinco. Depois de matar o número cinco, você mata a número quatro e o irmão dela.

Com os dedos, o Dr. Gao rasgou a borboleta de papel sobre a mesa em duas metades:

— Em seguida, você aperta a faca ensanguentada e sai correndo da enfermaria. Vê o número dois no corredor. Depois de matar o número dois, você vê o número um na sala de plantão dos médicos noturnos.

O som do relógio mecânico, tique-taque, ecoava em seus ouvidos. A visão de Chen Ge foi ficando turva lentamente. Suas mãos pressionavam firmemente a mesa, mas seu corpo se levantou incontrolavelmente.

O relógio mecânico sobre a mesa continuava a se mover. No mostrador, o horário era zero horas, cinquenta e um minutos e quarenta e quatro segundos.