Capítulo 1155 — Por favor, encontre-me
Cobrindo os olhos, tapando os ouvidos, sem poder revelar informações da missão a ninguém, repetindo apenas o próprio nome em voz baixa.
Chen Ge caminhou por muito tempo na escuridão silenciosa. Tentou recordar o mapa da Casa do Terror, mas aos poucos percebeu algo terrível: o lugar onde estava agora parecia não estar mais dentro da Casa do Terror.
Ele não sabia até onde tinha ido, não conseguia se comunicar com ninguém, não ouvia som algum, e ao seu redor só havia escuridão.
Um frio cortante penetrou em seu peito, e Chen Ge finalmente parou.
— Ainda estou na Casa do Terror?
Era a primeira vez que sentia uma sensação de estranheza em relação à sua própria casa mal-assombrada.
— Será que, ao abrir alguma porta, já saí da Casa do Terror?
Pensamentos aterrorizantes surgiam em sua mente. Chen Ge não sabia o que o esperava adiante, muito menos quando conseguiria abrir a verdadeira porta.
Tateando no escuro, quando não via esperança, tentava abrir as portas que tocava.
Chen Ge sentia que já tinha vivido aquela cena antes. A missão diária de nível pesadelo chamada "Porta" parecia querer lhe ensinar algo.
Na escuridão absoluta e no silêncio mortal, o tempo perdia gradualmente o sentido. O corpo de Chen Ge ficava rígido, a temperatura da sua pele assustadoramente fria. Memórias do passado passavam por sua mente, e aquela sensação estranha de familiaridade se intensificava.
— Chen Ge?
Chamava seu próprio nome repetidamente, repetindo o mesmo gesto sem parar.
O ambiente ao redor ficava cada vez mais silencioso e mais frio. Os passos de Chen Ge diminuíam, e um pensamento terrível surgia em sua mente: se continuasse andando assim, talvez nunca mais conseguisse voltar.
Seu raciocínio ficava lento, seu cérebro começava a divagar sem controle. Chen Ge sentiu uma emoção há muito tempo não experimentada: desespero.
Antes, mesmo diante dos inimigos mais assustadores ou dos oponentes mais aterrorizantes, Chen Ge nunca desistia, porque tinha sua própria convicção. Mas naquela missão de pesadelo, essa convicção estava desaparecendo lentamente.
Parecia haver uma voz em sua mente dizendo que o desespero era o normal.
Foi só naquele momento que Chen Ge percebeu que a esperança era como uma bolha de sabão colorida: bastava um toque leve para se desfazer.
Ele sempre foi como uma criança segurando uma bolha de sabão, teimosamente parada do outro lado do mundo, acreditando que dentro da bolha estava o verdadeiro mundo.
Suas memórias eram reviradas por uma mão invisível. Frio, dor, sufocamento — várias memórias que não eram suas fervilhavam em sua mente.
A sensação era péssima, mas, estranhamente, ele a achava familiar, como se já tivesse passado por aquela dor antes, e mais de uma vez.
Seus passos ficavam cada vez mais lentos. À sua frente, parecia haver uma estrada sem fim. Todas as memórias e experiências eram "infectadas" pelo desespero, que queria fazer Chen Ge parar e ficar ali para sempre.
À frente era perigoso, não havia chance de escapar, a escuridão não tinha fim.
Enquanto ainda conseguia manter a mente clara, Chen Ge estendeu a mão e tocou a venda nos olhos. Hesitou em tirá-la.
Se tirasse a venda, a missão falharia. Mas, se não tirasse, sentia uma grande inquietação.
— Será que já entrei no mundo atrás da porta? Só quem abre a porta pode fazê-lo fora da meia-noite. Mas e se eu for justamente quem abre a porta? E se a porta na Casa do Terror tiver sido aberta por mim?
Com os dedos apoiados na ponte do nariz, Chen Ge finalmente decidiu não tirar a venda e continuou andando.
— Estou passando por uma dor que nunca existiu nas minhas memórias. Estou experimentando um desespero que não me pertence. Não sei o que o celular preto quer me dizer, mas sei que, se existe desespero no mundo, também deve existir esperança.
Uma pessoa desesperada, mesmo cercada de felicidade, ainda se sente ansiosa e inquieta.
Uma pessoa cheia de esperança, mesmo não tendo nada, consegue ver um mundo colorido dentro de uma bolha de sabão.
— Nunca fui tratado com bondade por este mundo, mas isso não me impede de amá-lo.
Chen Ge, sem saber por quê, pensou em Zhang Ya e nos outros funcionários da Casa do Terror: — Mesmo no fundo do desespero, é possível encontrar o acaso mais belo.
Sem tirar a venda, Chen Ge suportou uma dor que nunca havia sentido, sofrendo torturas físicas e mentais, e continuou avançando.
Sem hesitar, sem pensar demais, ele acelerou o passo.
A dor em seu corpo se intensificava, a pressão mental aumentava. Cenas de sua própria morte surgiam em sua mente.
Antes de morrer, ele se debatia desamparado, implorava, mas só conseguia morrer repetidamente.
Concessões, boa vontade, confiança — tudo era traído, e o fim era apenas desespero.
As veias de seus braços saltavam, Chen Ge suportava tudo em silêncio, sem parar, continuando em frente.
— Não importa a quem pertença esse desespero, vou seguir em frente.
Antes de receber o celular preto, a maioria das memórias que restavam na mente de Chen Ge eram boas. Seus pais queriam que ele continuasse vivendo assim.
Na verdade, quando ele pegou o celular preto pela primeira vez, fez uma escolha. Se tivesse aberto a tela e escolhido recusar, teria continuado vivendo com aquelas memórias felizes.
Mas Chen Ge escolheu outro caminho. Queria saber a verdade, estava disposto a suportar o desespero, e passo a passo, foi em busca de seus pais.
À medida que se aproximava da verdade, o desespero oculto era lentamente lembrado, mas ele não se arrependia.
Só Chen Ge sabia o quão difícil foi essa jornada.
Dias e noites invertidos, correndo sem parar, buscando uma chance de sobrevivência entre a vida e a morte, convivendo com espíritos malignos e vultos vermelhos.
Dançar na ponta de uma faca nem chega perto de descrever a situação de Chen Ge. Um pequeno descuido, e ele já seria um cadáver.
Ele escolheu o caminho mais difícil e chegou ao lugar mais próximo da verdade.
Isso não foi sorte dada por ninguém, mas algo que ele conquistou lutando contra a corrente do destino.
— Não vou mudar por causa desse desespero, muito menos me curvar ou abandonar meu passado. Não importa o que tenha acontecido, vou enfrentar!
Cenas de morte passavam por sua mente. Chen Ge sentia como se seu corpo estivesse sendo rasgado. Suportando torturas físicas e mentais, ele avançava firmemente na escuridão sem limites.
Não via nada ao redor, estava sozinho.
Não ouvia sons, não sentia a passagem do tempo.
Ele gritava seu próprio nome sem parar, abrindo portas uma após a outra.
— Chen Ge...
Ao abrir a porta à sua frente, na enésima vez que gritou seu nome, de repente ouviu outra voz vindo de algum lugar.
— Nunca imaginei que um dia você realmente conseguiria chegar até aqui.
A poucos passos de Chen Ge, veio sua própria voz. Naquele instante, ele quase tirou a venda. Seu corpo tremia sem controle.
— Todos querem me matar. Você é minha última esperança. Por favor, encontre-me.
Algo foi colocado em sua palma, e a voz foi ficando cada vez mais baixa.
— Estou na Casa do Terror daquela cidade. Por favor, encontre-me!
— Aquela cidade? A cidade vermelha? Também tem uma Casa do Terror na cidade vermelha? — Apertando o objeto na mão, Chen Ge não conseguiu mais se conter. Abriu a boca para perguntar: — Você...
Mas, assim que disse a primeira palavra, o frio ao redor desapareceu instantaneamente. Seu braço erguido tocou a maçaneta de uma porta.
Ao abrir a porta à sua frente, as memórias que não eram suas começaram a se dissipar. Era como se ele tivesse voltado do inferno para o mundo dos vivos.
O celular no bolso começou a vibrar. Chen Ge ficou paralisado por um momento, depois lentamente tirou a venda e os protetores de ouvido.
A primeira coisa que viu foram todos os funcionários da Casa do Terror parados à sua frente, todos olhando para ele com expressões surpresas.
— Estou... no banheiro? — Olhando ao redor, Chen Ge percebeu que estava dentro de um dos cubículos do banheiro da Casa do Terror, com a mão ainda segurando a porta.
— Não estou no cenário subterrâneo?!
— Você entrou no banheiro de olhos vendados, se trancou no cubículo e não saiu. Pensamos que estava possuído por um fantasma, mas depois de pensar bem, nenhum fantasma faria algo tão trabalhoso e sem recompensa. — Men Nan estava na porta. Ao ver que Chen Ge estava bem, ele abriu caminho entre a "multidão" e foi embora: — Vamos, vamos, está tudo bem.
— Não entrei no cenário subterrâneo, fiquei no cubículo do banheiro o tempo todo. Isso significa que, desde o momento em que abri a porta do cubículo, entrei no mundo atrás da porta! — Chen Ge suava frio. Olhou para a palma da mão. Antes de desaparecer, a voz havia colocado em sua mão uma chave cheia de rachaduras.
— Chave? A chave do autocontrole? — ChenGe apertou levemente, e a chave em sua palma soltou grandes pedaços de ferrugem, partindo-se em dois pedaços: — Eu entrei no mundo atrás da porta agora? Será que, segurando a chave do autocontrole, posso sair normalmente do mundo atrás da porta da Casa do Terror?
Chen Ge já tinha obtido duas chaves do autocontrole antes, mas nunca tinha entendido como usá-las.
— Não deve ser tão simples. A pessoa atrás da porta talvez quisesse me alertar sobre algo através da chave.
As últimas palavras daquela voz ecoavam em sua mente. Chen Ge franziu a testa: — Também tem uma Casa do Terror naquela cidade vermelha? Ele está escondido na Casa do Terror da cidade vermelha? E me vê como sua última esperança?
Apoiado na porta do cubículo, suas costas estavam encharcadas de suor frio, e ele não tinha forças.
— A porta na Casa do Terror deve ter sido aberta por ele. — Chen Ge olhou para a porta do cubículo e a empurrou levemente, mas ela não mudou.
Só quem abre a porta pode controlá-la. Chen Ge não conseguia abri-la sozinho. Ele só tinha conseguido entrar no mundo atrás da porta porque o verdadeiro "abridor" a abriu de alguma forma.
— Espera! Será que existe a possibilidade de o abridor da porta ter sido dividido em duas partes, e só quando as duas partes tocam a porta ao mesmo tempo ela pode ser aberta?
Levantando-se do chão, Chen Ge explicou rapidamente aos funcionários e pediu ao Lao Bai que continuasse vigiando o banheiro. Ele correu para a sala de descanso dos funcionários.
Assim que abriu a porta, viu o gato branco roubando comida de gato premium do armário, mas não tinha ânimo para se preocupar com isso. Pegou o celular preto e deslizou a tela.
— Sortudo favorecido pelos vultos vermelhos! Parabéns por completar a missão diária de nível pesadelo — Porta! Você receberá uma recompensa de talento especial — Boca da Desgraça!
— Boca da Desgraça (talento): A desgraça sai pela boca. A partir do momento em que você obtiver esse talento, suas palavras serão ouvidas por todos eles.
— Sortudo favorecido pelos vultos vermelhos! Incrivelmente, você agora possui seis talentos: Rosto de Mortalha, Olhos Sombrios, Faro Espiritual, Ouvidos Fantasmagóricos, Boca da Desgraça e Marionete Viva. Agora, você pode criar o eu que deseja.
Olhando para as informações no celular preto, Chen Ge, sem saber por quê, sentiu um arrepio. Teve a impressão de que a última mensagem estava insinuando algo.
— Agora posso criar o eu que desejo? Fazer um eu com minhas próprias mãos? O que isso significa?
Dos seis talentos, Chen Ge ainda não tinha elevado nenhum ao limite. Além dos Olhos Sombrios, ele usava pouco os outros. Sempre achou esses talentos meio inúteis, mas a realidade parecia não ser bem assim.
— Deixa pra lá, não vou pensar nisso agora. — Chen Ge sabia bem que, para realmente usar o talento Marionete Viva, primeiro precisaria de uma pessoa viva para testar.
Uma marionete viva perfeita exigia uma vida humana, algo que Chen Ge jamais tentaria.
— Talvez no futuro eu mude de ideia, mas espero que esse dia nunca chegue.
Guardando o celular preto, a missão de pesadelo daquela noite lhe trouxe muitas dúvidas. Ele precisava se recompor.
— O desespero que senti durante a missão era a experiência do outro eu? Que tipo de ser ele é? Todo o meu desespero está nele?
Inquieto, Chen Ge viu o gato branco ainda roubando comida. Pegou-o e o colocou na cama, acariciando seu pelo macio, e seu coração foi se acalmando.
— Até um gato sabe buscar o que é bom e evitar o que é ruim, mas eu insisto em seguir o caminho mais difícil. O mais desesperador é que só tenho esse caminho diante de mim.
Segurando o gato branco, este ficava tenso, como se soubesse que tinha feito algo errado, e se comportava como um bom menino.
— O gato branco engoliu os fios de sangue da Associação de Contos Estranhos. Esses fios eram originalmente preparados pelo Dr. Gao para o fantasma do poço. São coisas do Dr. Gao. — Chen Ge acariciou a barriga do gato: — Será que posso rastrear o Dr. Gao através dos fios de sangue no corpo do gato? Ou fazer com que o Dr. Gao me procure ativamente através deles?
O Hospital Amaldiçoado tinha pelo menos dois deuses malignos. Chen Ge achava que não conseguiria enfrentá-lo sozinho, então queria contatar o Dr. Gao para irem juntos.
Passando os dedos na barriga do gato, seus movimentos faziam o bicho tremer: — Os fios de sangue podem já ter se fundido ao corpo do gato. Só me resta levá-lo comigo para o mundo atrás da porta.
Chen Ge acariciou a cabeça do gato com suavidade: — Você é muito medroso, precisa treinar mais.
Olhou o relógio. Ainda faltava muito para o amanhecer. Chen Ge, segurando o gato branco com uma mão, encontrou o certificado de formatura da Escola Assombrada na sala de adereços.
— Faz tempo que não volto. Será que a Escola Assombrada mudou alguma coisa?
O Hospital Amaldiçoado lhe trazia grande pressão. Chen Ge decidiu reunir todas as forças para enfrentá-lo.
— A cidade vermelha fica perto da Escola Assombrada. Com sorte, posso até encontrar algum vulto vermelho desconhecido perdido por lá.