Capítulo 116: Sala 303 (Terceira Atualização, 34ª Parte)
A sombra de Chen Ge se esticava longa sob a luz do poste. Não havia uma alma na rua; de vez em quando, via-se um gato de rua correndo perto das lixeiras, emitindo sons sussurrantes.
"Nos fundos de uma área movimentada, existe um bairro tão silencioso assim." Chen Ge passou por entre prédios escuros, seguindo o caminho estreito de cimento até o fundo do conjunto residencial.
Um odor leve e desagradável pairava no ar. As lixeiras na beira da estrada não eram limpas há muito tempo; sacos plásticos com vários tipos de lixo doméstico se amontoavam, e de vez em quando algo saía de dentro deles.
Comparado aos prédios anteriores, o que Chen Ge tinha diante dos olhos parecia mais velho e deteriorado. As paredes do primeiro andar estavam manchadas de sujeira, e na entrada do corredor havia muitos objetos espalhados.
"Achei." Chen Ge olhou para o prédio de apartamentos de seis andares à sua frente. Era o lugar mencionado nos anúncios do lado de fora do conjunto residencial.
"O local da missão do celular preto é a sala 303 no terceiro andar. Men Nan deve morar lá." Chen Ge verificou as horas: faltavam seis minutos para as oito da noite. "Quando o Dr. Gao chegar, pode ficar inconveniente. Vou entrar primeiro para entender a situação."
Ele não ligou para o Dr. Gao e entrou diretamente no corredor.
O pé-direito era baixo, cerca de dois metros e dez centímetros por andar. As grades eram de ferro, e a cada certa distância, um cordão vermelho estava enrolado nelas, sem que se soubesse para que servia.
Ao entrar, Chen Ge sentiu um cheiro estranho. Era muito sutil, não era fedor; quem estava acostumado a morar ali talvez nem notasse mais. Chen Ge, por ser a primeira vez, era mais sensível.
"Parece o cheiro de comida estragada." Chen Ge parou no primeiro andar por um momento, tentando encontrar a origem do odor, mas não teve sucesso. Era como se o cheiro viesse do próprio prédio, impregnando cada tijolo.
Não havia luz no corredor; Chen Ge usou o celular para iluminar.
No primeiro andar, quatro famílias moravam, parecendo muito apertado. O isolamento acústico do prédio também era ruim; do lado de fora, dava para ouvir claramente as discussões lá dentro.
Andando com cuidado, Chen Ge chegou ao terceiro andar. Ele não bateu na porta do 303 de imediato; primeiro, ficou do lado de fora, ouvindo os sons do interior.
Das quatro unidades do terceiro andar, no 301 a TV estava alta; no 302, um homem falava ao telefone, com a voz instável. Chen Ge ouviu as duas frases que ele mais repetia: "Parem de me pressionar!" e "Vocês querem me matar?"
Já nos 303 e 304, não havia som algum, um silêncio total.
Depois de dois ou três minutos, Chen Ge bateu levemente na porta do 303. Curiosamente, assim que ele bateu, a TV no 301 baixou imediatamente, e o homem no 302 pareceu parar de falar. Todo o terceiro andar ficou subitamente em silêncio.
Chen Ge bateu por um minuto, mas a porta não se abriu. Desconfiado, ele murmurou: "Men Nan? Está em casa?"
Ninguém respondeu. Quando Chen Ge começou a duvidar se tinha se enganado, a porta do 301 se abriu.
Um homem de meia-idade, muito desleixado, apareceu na soleira, exalando um forte cheiro de álcool: "Ei! Quem você está procurando?"
"Men Nan, do 303. Ele é estudante da Universidade Médica de Jiujiang. Ouvi dizer que ele não está bem e vim vê-lo."
"Você se enganou. Não sei quem é Men Nan, mas com certeza ele não mora no 303." O homem coçou o rosto; parecia que um mosquito tinha picado sua bochecha esquerda, e ele já tinha arranhado a pele.
"Mas meu amigo me disse que ele mora aqui." Chen Ge tentava extrair informações do homem de meia-idade. "Além disso, se você não conhece Men Nan, como pode ter tanta certeza de que ele não mora neste quarto?"
"O 303 já teve um morto. Depois do ocorrido, o quarto nunca mais foi alugado. O que você acha?" O homem colocou a mão na frente dos olhos, olhando o sangue na ponta dos dedos; ele tinha aumentado o ferimento. "Pare de bater na porta do 303, ouviu? Que azar."
Dito isso, o homem fechou a porta. Mas Chen Ge notou que o som da TV lá dentro não aumentou; provavelmente o homem não tinha ido embora, mas estava espiando pela porta, observando cada movimento dele.
Chen Ge não bateu de novo. Já tinha obtido uma pista muito importante da boca do homem: no 303 houve uma morte, e desde então o quarto nunca mais foi alugado.
O local da missão do celular preto estava encontrado. Agora, o importante era descobrir como entrar lá antes da meia-noite para investigar.
"O celular preto nunca erra. A doença de Men Nan provavelmente tem a ver com este quarto." Chen Ge olhou o relógio: já eram oito horas.
Ele ligou para o Dr. Gao, que, com medo de que ele se perdesse, tinha ficado esperando do lado de fora do conjunto, sem entrar ainda.
Explicou a situação por telefone. Minutos depois, o Dr. Gao entrou no corredor com Men Nan.
Quando viu Men Nan de novo, Chen Ge se assustou. O jovem agora parecia completamente diferente de uma pessoa normal, como se fosse um deficiente congênito.
Sua cabeça e coluna estavam quase desalinhadas; a cabeça pendia para baixo, como se alguém a estivesse empurrando com força.
Chen Ge apontou para Men Nan e lançou um olhar interrogativo ao Dr. Gao.
O Dr. Gao entendeu imediatamente e balançou a cabeça levemente: "A situação piorou. Depois de tomar o remédio, conseguiu se estabilizar um pouco. Vamos entrar e conversar."
Men Nan, de cabeça baixa, tirou a chave do bolso. A luz no corredor era fraca; ele tentou várias vezes, mas a chave não entrava na fechadura. Sua mão tremia de raiva, como se fosse ter uma crise novamente.
Vendo isso, Chen Ge pegou a chave e o ajudou a abrir a porta do 304.
Os três entraram. O Dr. Gao e Men Nan já estavam acostumados e não notaram nada, mas Chen Ge, na primeira vez, sentiu imediatamente aquele cheiro estranho, como de algo estragado.
"Parece que vem das paredes." Chen Ge olhou em volta. O quarto estava muito limpo; a lixeira não tinha lixo. Não havia nada que pudesse exalar aquele fedor. "Será que tem um corpo escondido na parede?"
Logo ele descartou essa hipótese. A parede no fundo do corredor do terceiro andar do Edifício Ping'an tinha sido especialmente engrossada por Wang Qi; uma parede normal de apartamento não conseguiria esconder um corpo inteiro.
"O que está procurando?" O Dr. Gao notou que Chen Ge estava agindo de forma estranha desde que entrou e perguntou.
"Você não sente um cheiro estranho?" Chen Ge parou perto da parede entre o 303 e o 304, onde o odor era mais forte.
"Tem um pouco. Casas antigas sempre têm algum cheiro peculiar." O Dr. Gao ajudou Men Nan a se sentar na beira da cama, mas Men Nan se recusou a se aproximar; preferia ficar de pé a sentar na cama.
Chen Ge olhou para Men Nan e perguntou baixinho: "O que ele tem?"
"Ele tem medo de dormir. No último sonho, aquele homem já tinha apertado o pescoço dele. Se ele dormir de novo, talvez nunca mais acorde."