Capítulo 1130: Deixe-me desmaiar, por favor! (4000)
Os dedos trêmulos de Ma Feng seguravam suavemente aquele rosto frio, fios de cabelo caindo sobre seus olhos e boca, a sensação real fazendo seu coração disparar.
Sangue escorria pelas pontas dos cabelos, pingando em seus cílios. Naquele momento, ele sentia como se não estivesse em uma casa mal-assombrada, mas sim forçado a se esconder junto com um morto para fugir de um assassino.
O ar estava impregnado do cheiro nauseabundo de sangue. No silêncio, era possível ouvir uma respiração quase imperceptível. Ma Feng não sabia onde estava o assassino; talvez o monstro de mãos ensanguentadas estivesse agachado ao seu lado.
Movendo o corpo com dificuldade, Ma Feng soltou lentamente as mãos. Quando estava prestes a sair, alguém ergueu a tábua da cama de repente!
As cordas se soltaram, e o corpo amarrado debaixo da cama caiu diretamente no rosto de Ma Feng!
"Ah!"
Membros torcidos em formas grotescas, sangue e restos mortais se tocando. O primeiro contato íntimo com um cadáver desconhecido enlouqueceu Ma Feng. Ele apoiou as mãos no chão, tentando rastejar para fora com braços e pernas, mas, ao levantar a cabeça, bateu com força na tábua da cama.
Um estrondo ecoou, a cama tremeu. A cabeça de Ma Feng ficou tonta, e quando ele estava prestes a cair, alguém o segurou.
"Ma Ge! Você está bem!" Sun Xiaojun segurava a tábua da cama com uma mão e amparava Ma Feng com a outra; ele também tinha levado um susto.
Segurando a cabeça, Ma Feng tremia os lábios e não conseguia dizer uma palavra por um bom tempo.
O medo trazido pela escuridão era indescritível. Não se via nada, e até mesmo coisas comuns da vida podiam causar pânico ali.
"Será que devo desistir?" Ma Feng rangeu os dentes, agarrando o próprio cabelo com força, enquanto varria a escuridão ao redor: "Talvez o tal Chen esteja agora escondido na sala de monitoramento me observando. Ele olha para minha aparência patética, ri alto, espera que eu desista, espera que eu vá implorar para ele me tirar daqui."
Os dedos se fecharam em punho, Ma Feng estava muito relutante.
"Ma Ge, anime-se! Esta casa mal-assombrada é difícil, mas ainda temos chance de escapar." Sun Xiaojun olhou para a cabeça inchada de Ma Feng, sentindo um pouco de culpa; se não tivesse levantado a tábua da cama, o corpo não teria caído: "Ma Ge, não desista. A vida é como uma xícara de chá; às vezes amarga por um tempo, mas nunca amarga para sempre."
"Você está me consolando?" Ma Feng forçou um sorriso: "Fique tranquilo, não sou tão fácil de derrubar."
Os dois se apoiaram mutuamente, tateando as paredes até voltar à sala de estar. Mas antes que pudessem sair do cômodo, o corredor ecoou novamente com miados agudos de gatos.
"De novo não?!" Suor escorria da testa de Ma Feng. Ele encostou as costas na parede e tateou até a porta de outro quarto.
Desta vez, ele abriu a porta apenas uma fresta, entrou e fechou a porta atrás de si.
"Deve ter só eu aqui dentro." Ma Feng não se importava nem um pouco com a vida ou morte de Sun Xiaojun. Ele se agachou atrás da porta, tapou o nariz e a boca, e esperou silenciosamente os miados desaparecerem.
Esperou por um minuto inteiro. O suor frio na testa de Ma Feng escorreu pelo nariz até o queixo. Os miados não só não desapareceram, como começaram a surgir dentro do cômodo onde ele estava, e cada vez mais numerosos, como se mais de um gato tivesse entrado no quarto.
"Por quê? Como eles entraram?"
Ma Feng sentia que estava cercado de gatos. Parecia que os animais estavam sendo cruelmente feridos, seus miados eram lancinantes e aterrorizantes.
Ele queria se encolher num canto, mas ao mover os pés, sentiu algo macio sob os sapatos. Parecia que o chão do quarto estava coberto por um tapete.
Uma sensação de mau presságio o invadiu. Ma Feng estendeu a mão para tocar o "tapete" sob seus pés. Pelos de gato e sangue coagulado formavam uma massa sólida. O quarto inteiro parecia estar cheio de gatos cruelmente mortos.
Um calafrio subiu das costas até o topo da cabeça. Ma Feng esfregou as mãos desesperadamente na roupa, tentando se livrar dos pelos e coágulos de sangue grudados nos dedos.
Seu nojo e repulsa pareciam estimular ainda mais os gatos mortos. O rancor se acumulava no quarto, e os pelos amontoados sob seus pés de repente começaram a se mover.
Gatos que pareciam mortos começaram a rastejar para fora da massa de pelos. Seus olhos piscavam na escuridão, e as feridas deixadas pelos algozes ainda sangravam.
Ma Feng sentia seu corpo afundando lentamente, como se fosse ser engolido pelos cadáveres dos gatos.
"Socorro! Me salvem! Sun! Me salve!"
A escuridão sem fim o devorava. Gatos mortos pulavam sobre seu corpo, uma pilha de carcaças felinas o pressionava.
Gritando alto, Ma Feng não se importava mais em manter a compostura. Cada célula de seu corpo pedia socorro.
"Pá!"
A porta foi aberta, e um par de mãos o arrastou para fora da pilha de gatos mortos.
"Ma Ge, por que você entrou sozinho naquele quarto de novo?" A voz de Sun Xiaojun estava ansiosa. O Ma Feng diante dele estava em frangalhos, completamente diferente de quando entrou. A luz em seus olhos já se apagara, e só restavam medo e inquietação em seu rosto.
"Eu..." Ma Feng cuspiu os pelos de gato da boca. Ele se deixou cair no chão, balançando os braços na direção da voz de Sun Xiaojun: "Só entrei num quarto qualquer."
"Sorte a sua, então." Sun Xiaojun conhecia o segredo daquele quarto. Era o cômodo onde Ying Chen, irmão de Ying Tong, vivia.
Ma Feng tinha se escondido primeiro no quarto de Ying Chen, e depois no quarto onde Ying Chen maltratava gatos. Agora, Sun Xiaojun não ousava deixar Ma Feng continuar ali, porque o terceiro quarto era o de Ying Tong, e parecia conter alguns bonecos muito assustadores.
"Ma Ge, vamos sair primeiro. Este quarto não é seguro." Sun Xiaojun queria ajudar Ma Feng, tentando, com seus próprios esforços, fazer as pazes entre o Virtual Future Park e o New Century Park.
"Talvez... melhor desistir." Quanto mais orgulhosa a pessoa, menos quer se curvar. Na vida de Ma Feng, era a primeira vez que ele vacilava.
"Ficar aqui é mais perigoso!" Sun Xiaojun agarrou a mão de Ma Feng: "Ficar parado no mesmo lugar nunca muda nada. Só seguindo em frente há uma chance de sobreviver."
Ouvindo as palavras sinceras de Sun Xiaojun, Ma Feng mordeu o lábio. Lembrou-se do seu eu do passado, que nunca aceitava a derrota.
Parecia que um pouco de força tinha voltado ao seu corpo. Ma Feng se levantou lentamente do chão: "Você tem razão. A espada afiada vem do polimento. Agora é doloroso, mas quando olharmos para trás daqui a um tempo, veremos que não foi nada."
"Isso." Sun Xiaojun assentiu com força: "Os miados pararam. Vamos sair."
Os dois saíram do quarto com cuidado, apoiando-se nas paredes e se movendo devagar.
"Este quarto é perigoso demais. Espero que nunca mais voltemos aqui." Ma Feng, afinal, era alguém que já tinha feito grandes coisas. Embora estivesse muito desgrenhado, coberto de pelos de gato, ainda assim ajustou rapidamente sua mentalidade.
"Eu também não quero voltar." Sun Xiaojun e Ma Feng chegaram à escada. Um de cada lado, um segurando o corrimão e o outro a parede, desceram lado a lado.
"Vá mais devagar, não consigo acompanhar." Ma Feng andava muito devagar, mas Sun Xiaojun corria rápido, como se a escuridão não o afetasse em nada.
"A escada é a parte mais perigosa. Aqui não há quartos para se esconder, então temos que acelerar, com cuidado para não sermos pegos pelos fantasmas..." Sun Xiaojun nem terminou a palavra "pegos", e miados de gato ecoaram no corredor do andar de cima, como se tivessem sido ensaiados.
"Essa sua boca é abençoada?" A mentalidade que Ma Feng tinha acabado de ajustar estava prestes a desmoronar de novo. Ele segurou o corrimão, sem ousar subir nem descer, solitário e desamparado, como um camaleão grudado no parapeito e nos degraus.
"Não fique aí! Anda!" Sun Xiaojun ajudou Ma Feng a descer as escadas. Ele não estava tão apressado no início, mas logo pareceu que estava chovendo no corredor. Sangue viscoso pingava do teto, e uma aura aterrorizante e desesperadora subia do andar de baixo.
"Irmã Capa de Chuva?" Encontrar outros fantasmas era só um susto, mas encontrar a Capa de Chuva Vermelha... Sun Xiaojun não sabia o que aconteceria: "Anda! Anda! Vai!"
Mesmo naquela hora, Sun Xiaojun ainda era leal. Sabia que deixar Ma Feng sozinho na escada não era seguro, então queria levá-lo.
O problema é que, quando ele arrastou Ma Feng para descer, a Capa de Chuva Vermelha estava vindo de baixo. Ele mudou de direção, querendo que Ma Feng subisse.
Sem ver nada, Ma Feng não fazia ideia do que Sun Xiaojun queria. Seu corpo foi torcido, o pé esquerdo pisou no direito, e ele caiu sentado na escada, rolando inclinado até o patamar.
"Ma Ge?" Sun Xiaojun protegeu a cabeça de Ma Feng. Vendo a Capa de Chuva Vermelha se aproximar, ele teve que se esconder por um momento: "Espere aqui por mim!"
"Eu..." Tonto e zonzo, Ma Feng se deixou cair na escada. Levantou o braço, querendo desistir, quando uma aura de frio e terror o envolveu.
O frio penetrou até os ossos. Ma Feng não conseguia falar, seu rosto ficou cianótico, suas mãos tremiam violentamente.
Gotas de sangue caíam sobre ele. Ma Feng sentiu alguém pisar nele e passar. Seu corpo parecia prestes a se despedaçar.
Deitado no corredor frio e duro, cercado pela escuridão e por fantasmas desconhecidos, Ma Feng sentiu que ia chorar. Não conseguia se controlar; aquela mágoa brotava do fundo de sua alma.
"Não posso mais continuar. Não importa se é vergonhoso, preciso sair..."
"Ma Ge? Você está bem?" Depois que aquela aura de frio extremo desapareceu, a voz de Sun Xiaojun soou novamente.
"Acho que não estou muito bem. Estou começando a querer..." Ma Feng queria desistir, mas não conseguia abrir a boca para pedir socorro a Chen Ge. Sempre dominador e teimoso, ele ainda não conseguia superar aquela barreira interna.
"Ma Ge, na verdade você já é muito bom." Sun Xiaojun podia ver o estado de Ma Feng. Depois de tantos golpes, Ma Feng ainda conseguia se comunicar normalmente, o que surpreendeu Sun Xiaojun: "Li num livro que é nos momentos mais baixos que se vê a verdadeira essência de uma pessoa. Ma Ge, você é uma pessoa muito forte."
Ouvindo isso, Ma Feng não teve coragem de dizer que queria desistir. Ele deu um leve "hum".
"Ge, acredite que podemos escapar. Às vezes, o pior resultado é o fracasso. Uns esperam pelo fracasso, outros xingam o fracasso, e alguns dão o seu melhor e ainda assim fracassam. Nesse ambiente, a mentalidade é a luz de cada um. Se você desanimar, estará desanimado; se for forte, será forte. Ma Ge, acredite em si mesmo, você consegue!" Não havia quartos para se esconder na escada; era o lugar mais perigoso. Sun Xiaojun queria levar Ma Feng embora o mais rápido possível.
Naquele mundo frio e escuro, as palavras de Sun Xiaojun eram como um raio de luz que iluminava o coração de Ma Feng.
Caído no chão, Ma Feng se lembrou vagamente de sua juventude. Sua personalidade teimosa era, na verdade, para esconder sua insegurança interior. Ele precisava armar sua fragilidade para ir mais longe e voar mais alto.
Os dedos apertaram o corrimão de ferro. Ma Feng se levantou do chão aos poucos: "Os obstáculos são a taxa que se paga para alcançar o sucesso. Essa pequena dificuldade não é nada."
"Ma Ge, f*da!" Sun Xiaojun ergueu o polegar para Ma Feng, embora soubesse que ele não podia ver: "O corredor é muito perigoso. Vamos para o próximo andar."
Chegando ao andar seguinte, Ma Feng sentiu que sua alma tinha sido elevada. Quando pisou de novo no chão plano, sentiu que seu interior estava mais forte e resistente: "Nenhuma dificuldade pode me derrubar, e todas as dificuldades que não conseguem me derrubar só me tornam mais forte."
Com a cabeça dolorida e tonta, Ma Feng, com o corpo quase despedaçado, apoiou-se na parede e seguiu em frente, mancando.
"Os próximos andares não devem ser tão perigosos..."
"Cale a boca!" Ma Feng ouviu Sun Xiaojun falar e quase pulou de nervoso: "Toda vez que você fala, algo ruim acontece. Pare de dar opiniões e palpites."
"Tá bom. É, já me disseram isso antes. Parece que o problema sou eu mesmo."
"Já te disseram isso antes?"
"Sim, mas agora parece que só eu sobrevivi naquele prédio." Sun Xiaojun deixou escapar a verdade sem querer. Percebendo o erro, ele deu uma risada forçada: "Brincadeira, não leva a sério."
A frase de Sun Xiaojun fez o coração de Ma Feng gelar. Ele se afastou discretamente alguns passos de Sun Xiaojun.
Mal tinham se separado, e os miados agudos ecoaram de novo no corredor.
"Não é possível!" Ma Feng ficava com as pernas bambas só de ouvir miados. Ele se disfarçava de forte, mas por dentro ainda era frágil.
"Não fica aí parado! Acha um lugar para se esconder!" Sun Xiaojun apressava. Ma Feng tateava desesperadamente as paredes do corredor, quando seu braço esbarrou em algo parecido com um armário.
Sem pensar por que havia um armário no corredor, ele abriu a porta e, antes que os miados chegassem, se escondeu dentro.
Fechou a porta, abraçou os esfregões e vassouras dentro do armário e prendeu a respiração.
Miados agudos e passos pesados surgiram ao mesmo tempo, vindo em direção a Ma Feng.
Cada vez mais perto. Ma Feng mordeu a própria mão com força, o rosto deformado pela tensão extrema.
"Não venham, não venham, não venham..."
Repetia mentalmente. Talvez a prece tivesse funcionado, os miados foram se afastando.
O coração de Ma Feng voltou ao lugar. Mas quando ele estava prestes a suspirar aliviado, os passos pesados e estranhos não desapareceram junto com os miados. Eles foram longe, mas voltaram, parando finalmente na porta do armário.
Os passos cessaram. Ma Feng manteve a posição, sem ousar se mexer. Depois de um minuto inteiro, ele estendeu lentamente a mão para empurrar a porta do armário.
Mas antes que pudesse tocá-la, ouviu um "Pá"!
A porta foi aberta de repente. Vento frio entrou, e o cheiro acre de sangue inundou o armário.
Ma Feng recuou instintivamente, batendo na madeira do fundo do armário.
Esfregões e vassouras caíram no chão. Ma Feng se encolheu, sentindo uma montanha de carne parada à sua frente, como se fosse ser esmagado a qualquer momento.
Aquela pressão o fazia sentir falta de ar. O mundo já desolado e escuro começou a girar, e sua consciência finalmente chegou ao limite.
"Finalmente vai acabar?" Naquele instante, Ma Feng sentiu até uma sensação de alívio. Ele parou de resistir e fechou os olhos serenamente.
"Ma Ge! Ma Ge?!"
A voz de Sun Xiaojun, como um sino de bronze, soou ao lado de seu ouvido. Ma Feng sentiu seu lábio superior ser apertado, inspirou fundo e abriu os olhos novamente.
"Que susto, pensei que você tinha desmaiado." Sun Xiaojun puxou o braço de Ma Feng: "Ma Ge, o corredor não é seguro. Não podemos ficar aqui por muito tempo."
"Sun, Sun Ge, me solta primeiro. Por favor... estou implorando!"