Capítulo 1109: Capítulo 1109 Capítulo 1084 Névoa Negra (4700)

Capítulo 1084 Névoa Negra (4700)

Chen Ge não estava disposto a perder mais tempo com os moradores do prédio; ele queria resolver a situação rapidamente, e foi por isso que fez uma proposta tão agressiva.

Assim que o Dr. Li e a Tia Ding percebessem a verdade, entenderiam que tudo era obra de Chen Ge, e que a pessoa que realmente precisava ser eliminada era ele.

Dançando na ponta de uma faca, Chen Ge sabia desde o início qual era sua situação, mas não tinha outra escolha a não ser agir assim.

Ele precisava, antes que o Dr. Li e a Tia Ding se dessem conta, eliminar o maior número possível de inquilinos do prédio, até que, mesmo unidos, não representassem mais ameaça para ele. Só então poderia assumir o controle do prédio abertamente.

— Tia Ding, descanse bem no quarto, mantenha portas e janelas fechadas, tome cuidado. Eu e o Cabeçona vamos dar uma olhada. — O Dr. Li ainda estava com a expressão impassível, e Chen Ge não conseguia adivinhar o que ele pensava. Mas uma coisa era certa: o Dr. Li se interessou pela proposta de Chen Ge.

Era uma boa oportunidade para se livrar das suspeitas, e eles naturalmente não a deixariam passar.

Vendo que o Dr. Li havia "mordido a isca", Chen Ge se levantou e, com um tom de preocupação, disse à Tia Ding:

— Não tenho certeza se o assassino do proprietário e o assassino de Qu Gui são a mesma pessoa. Fique em casa sozinha e tome cuidado.

— Vou prestar atenção. — A Tia Ding não percebeu o significado oculto nas palavras de Chen Ge. Ela se deitou no sofá, fingindo estar muito fraca.

— Vamos, a Tia Ding precisa descansar. — O Dr. Li abriu a porta de segurança primeiro e sussurrou algumas palavras no ouvido do Cabeçona.

Chen Ge usou seu Ouvido Fantasma e ouviu vagamente a palavra "termo de compromisso".

Sua expressão não mudou; ele seguiu o Dr. Li para fora do quarto com calma.

Em termos de estratégia e astúcia, o Dr. Li era uma pessoa bastante perigosa, mas ele subestimou demais Chen Ge.

Talvez ele se visse instintivamente como um predador, matando os fracos. Assassinato após assassinato fazia o demônio dentro dele crescer descontroladamente, e pessoas comuns eram apenas presas em potencial para ele.

Se pudesse aproveitar a correnteza e culpar alguém, ótimo. Se não conseguisse se livrar da culpa, então mataria todos que soubessem do segredo.

Essa mentalidade distorcida fez com que ele não levasse Chen Ge a sério. Na verdade, não era culpa dele; quem poderia imaginar que um estranho, através de pequenos indícios, conseguiria reconstruir a maior parte da verdade em tão pouco tempo?

Claro, com o tempo, suas suspeitas sobre Chen Ge só aumentariam, e seu desejo de matá-lo se tornaria cada vez mais forte.

A Tia Ding morava no quarto andar. O Cabeçona era vizinho dela. Depois que o Dr. Li terminou de falar com ele em segredo, o Cabeçona deu uma desculpa e voltou para casa.

Meio minuto depois, o Cabeçona saiu de casa com uma expressão normal.

— A Tia Ding precisa descansar, deixe-a ficar em casa. — Chen Ge olhou para os outros: — O homem do terceiro andar ainda não voltou?

— Vamos direto procurá-lo, assim economizamos tempo. — O Dr. Li falou diretamente, sem perceber que cada palavra de Chen Ge parecia guiá-lo para fazer algo.

Ele não se sentia manipulado; apenas achava que "trabalhar" com Chen Ge era confortável, como se, quando estivesse com sono, alguém sempre aparecesse para lhe oferecer um travesseiro.

Eles foram direto à porta do homem de meia-idade do terceiro andar. Chen Ge bateu por um bom tempo até que o homem abrisse a porta.

— Desculpe, meu estômago estava meio ruim, fui ao banheiro. Vamos, para qual casa vamos agora? — O homem de meia-idade estava com gotas de suor na testa e falava um pouco ofegante. Não parecia que tinha acabado de sair do banheiro.

— Vamos verificar um por um. Já que você abriu a porta, vamos começar pela sua casa. — O Dr. Li entrou no quarto sem esperar o homem recusar, e o Cabeçona o seguiu de perto.

— Podem verificar, mas não estraguem minhas coisas. Tenho muitos itens de colecionador aqui. — O homem de meia-idade parecia já ter se livrado de seus "segredos" e não se preocupava que o Dr. Li encontrasse algo errado.

Olhando para o homem confiante, Chen Ge balançou a cabeça. Mesmo sem segredos, era possível criar segredos, e quem os criava não tinha nada a ver com ele. Naquele momento, ele era apenas um espectador.

Todos entraram no quarto alugado. O cômodo do homem estava uma bagunça, com garrafas de bebida e lixo espalhados pelo chão. O lugar mais limpo era a parede coberta de pôsteres de mulheres bonitas.

— Você coloca tantos retratos na parede. Não tem medo quando acorda à noite? — O estado de busca de Chen Ge era completamente diferente do que quando foi à casa do eletricista. Ele ficava olhando fixamente para os pôsteres, distraindo o homem de meia-idade e dando oportunidade ao Dr. Li e ao Cabeçona.

— Por que eu teria medo ao vê-las à noite? Não é uma coisa feliz?

— Que felicidade há em apenas olhar pôsteres? — Chen Ge olhou para o sofá e viu que as roupas íntimas femininas ainda estavam jogadas desordenadamente.

As roupas íntimas não tinham sido arrumadas, o que significava que o homem não se importava que outros as vissem. Elas não eram o segredo dele.

No começo, Chen Ge achou que o homem era apenas um fetichista, mas agora sentia que a coisa era mais séria. Aquele homem vulgar não devia apenas colecionar roupas íntimas; devia ter feito algo ainda pior.

— Ei! Venham ver! — A voz do Dr. Li veio do quarto do homem. Todos foram atraídos e se amontoaram na porta do quarto.

Tirando o pano preto que cobria o guarda-roupa, o Dr. Li abriu a porta. Lá dentro, havia vários filmes e livros pornográficos de capas explícitas.

— São todos itens da minha coleção pessoal. Não estou distribuindo ilegalmente. Não é crime, certo? — O homem de meia-idade se apoiou no batente da porta.

— Esses vídeos podem conter outras coisas?

— Se não acredita, pode ver você mesmo. Mas para assistir a todos esses filmes, levaria meses, não?

O homem se aproximou para fechar a porta do guarda-roupa, mas o Dr. Li segurou sua mão:

— Abra essa caixa trancada debaixo da cama para vermos.

— Não vão longe demais!

— Você não quer ser acusado injustamente de assassinato, quer? Abra e veja. Se não tiver relação com o crime, não diremos nada. — O Dr. Li estava com a expressão fria, e sua voz gelada causava medo instintivo.

— Tudo bem, vou cooperar. Depois, quando eu for à sua casa, também vou revistar bem o seu quarto. — O homem de meia-idade fez ameaças inúteis. Tirou a chave do bolso e abriu a caixa de madeira debaixo da cama.

Dentro da caixa, havia um manequim feminino, tão realista que, de longe, parecia uma pessoa de verdade.

— Esta é minha esposa. Ela me acompanha há muito tempo. — O homem ficou ao lado da caixa, não permitindo que ninguém tocasse no manequim.

Se fosse um leigo em fabricação de bonecos, acharia o manequim bonito. Mas, infelizmente, Chen Ge era um mestre na fabricação de bonecos.

Ele conhecia todos os materiais usados para fazer bonecos. Nenhum deles conseguia deixar a pele tão realista, a menos que fosse pele humana.

O manequim na caixa era diferente da maioria dos bonecos do mercado. Era dividido em dezenas de partes, todas destacáveis e substituíveis.

Comparado a um boneco pronto, aquele parecia mais uma estrutura corporal, onde rosto, cabelo, pele, etc., podiam ser trocados manualmente.

O homem mostrava o manequim na caixa, só deixando ver, não tocar. Além do manequim, não havia mais nada na caixa. Os inquilinos do prédio não interferiram no hobby do homem.

— Já viram? Posso fechar a caixa? — O homem estava prestes a fechá-la quando ouviu a voz do Cabeçona vinda do banheiro.

— O que é isso?

Os outros correram para lá. O homem, sem pressa, trancou a caixa novamente, com uma expressão aliviada, como se tivesse escapado de um grande perigo.

Ele foi o último a sair do quarto. Quando chegou à sala, viu que todos estavam olhando para ele.

— O que houve?

— Você pergunta? Dê uma explicação. — O Cabeçona abriu a mão, mostrando um dente muito desgastado: — Encontrei isso no ralo da pia do seu banheiro.

— Impossível! Não pode ter isso na minha casa! — O homem olhou para o dente na palma da mão do Cabeçona e sentiu um mau presságio.

— Foi encontrado no seu banheiro. É melhor nos dar uma explicação. — A voz do Cabeçona era fina, e com sua aparência deformada, parecia muito assustadora.

— Estou dizendo de novo! Não pode ter isso na minha casa! — O homem enfrentou o Cabeçona, sem recuar. Quando a situação ficou tensa, Chen Ge se aproximou.

— Calma. Encontrar um dente não é grande coisa. Você monta bonecos. Esse dente é para o boneco?

— A boca do boneco não precisa de dentes. — O homem explicou para Chen Ge, que era leigo.

— Então você jogou os dentes deles no ralo? E o boneco é realmente um boneco? — O Cabeçona aproveitou para atacar o homem novamente.

— O que você está dizendo? — O homem olhou para o Cabeçona, tentando se defender, mas ninguém o ouvia com atenção.

— Só um dente não prova nada. Todos se acalmem. — Chen Ge olhou para o Cabeçona com confusão: — Além do dente, encontrou mais alguma coisa?

— Esses dentes não são suficientes? — O Cabeçona apontou para o ralo do banheiro.

— Esses? — Todos, incluindo o homem, olharam para o ralo.

A tampa de drenagem de ferro foi removida, e no cotovelo do cano, vários dentes estavam caídos. Alguns ainda tinham carne podre presa.

— Por que há essas coisas aqui? — O homem sentiu os olhares hostis ao redor e começou a suar frio: — Juro que não sei por que há tantos dentes no ralo! Podem ter caído de outras casas pelo cano! Acreditem em mim!

— Os dentes estão todos no cotovelo do cano. Se fossem de outra casa, teriam sido levados pelo cano principal. — A voz do Dr. Li veio do outro quarto. Seu olhar frio fixou-se no homem: — Sugiro que todos fiquem longe dele. Encontrei mais uma coisa.

O Dr. Li ergueu um livro de instruções sobre fabricação de bonecos, cheio de anotações do homem. Ele o abriu em uma página e tirou de dentro um papel manchado de sangue seco.

— Olhem o que é isso.

Xiao Sun e Qu Ying foram os primeiros a se aproximar. Quando viram o que estava escrito no papel, suas expressões mudaram.

— Termo de compromisso?

— "Eu garanto que não vou..."

O papel inteiro estava coberto de sangue. Quem o escreveu estava em péssimo estado, parecia gravemente ferido. As poucas palavras legíveis estavam tortas, como se os dedos tivessem sido quebrados.

O conteúdo do meio era completamente ilegível. Só se via o início, "Termo de compromisso", e o final, com o nome do proprietário.

— Por que você tem um termo de compromisso assinado pelo proprietário? O que ele prometeu a você?

— Como eu saberia? Isso não é meu! — O homem já percebeu que algo estava errado. Duas pessoas tinham acabado de morrer no prédio, o assassino não tinha sido pego, e agora apareciam objetos relacionados ao crime em seu quarto. Alguém estava tramando contra ele.

Um medo profundo o envolveu. Ele encostou na parede, as pupilas tremendo, examinando cada pessoa no quarto: — Alguém colocou isso de propósito na minha casa! Assim como os dentes no ralo! Foi o assassino! Estão me incriminando!

— Estamos todos aqui. Por que o assassino escolheria incriminar você? — O Dr. Li segurava o termo de compromisso com as duas mãos, impedindo que o homem, desesperado, tentasse tomá-lo.

— Acreditem em mim! Isso realmente não é meu! — O homem estava suando frio. Antes, só pensava em esconder seus próprios segredos, e nunca imaginou que alguém o incriminaria.

— Que tal prendermos ele primeiro? Essa pessoa é muito perigosa. — O Cabeçona olhou ao redor: — A cama na casa do eletricista, onde ele amarrou o corpo, serve para amarrá-lo. Naquela sala tem um aparelho de eletroterapia. Não acredito que ele vai continuar teimando.

— O que acham? — O Dr. Li olhou para os outros inquilinos.

Chen Ge parecia ainda estar em choque e não disse nada.

Xiao Sun balançou a cabeça: — Fazer isso não é diferente do assassino? Acho melhor conversarmos todos em um quarto.

— Concordo com a proposta do Cabeçona. Quem matou o proprietário pode ter chave de todos os quartos do prédio. Temos que arrancar dele onde estão as chaves! Senão, não conseguiremos dormir tranquilos! — Qu Ying e sua namorada não se importavam se o homem era inocente ou não, nem com o sofrimento que ele passaria. Só pensavam em seus próprios interesses.

— Eu, o Cabeçona, este casal, somos quatro a favor da pressão. Maioria vence. Vamos fazer assim! — O Dr. Li guardou cuidadosamente o termo de compromisso. Ele, o Cabeçona e Qu Ying cercaram o homem.

Em situação de perigo, o homem sabia que alguém queria que ele morresse, que se tornasse o bode expiatório.

— Escutem! Juro que não tenho nada a ver com a morte do proprietário! Perguntem ao Wu You! Aquele menino sabe quem é o verdadeiro assassino! Ele já viu alguém rondando a porta do proprietário tarde da noite! — O homem estava realmente desesperado. Sabia que a maioria dos inquilinos do prédio era anormal. Se fosse amarrado ao fio elétrico, mesmo que não fosse o assassino, seria torturado até ficar com metade da vida.

— Wu You gosta de mentir para chamar a atenção dos adultos. Você mesmo disse isso. Agora mudou de ideia? Acho que você também é cheio de mentiras. Mas não se preocupe, vou fazer você falar a verdade. — O Dr. Li deu um passo à frente. Ele não precisava que o homem dissesse a verdade; só precisava que dissesse o que ele queria ouvir. Se não dissesse, seria torturado até dizer.

— Por que você está me pressionando tanto? — O olhar do homem passou entre o Dr. Li e o Cabeçona: — O Cabeçona encontrou os dentes, você encontrou o termo de compromisso...

Seus olhos mudaram de repente, e ele gritou: — São vocês dois que estão me incriminando! O Cabeçona é seu paciente desde criança! Ele obedece a você cegamente! Quem realmente matou o proprietário são vocês dois!

O homem gritou com todas as forças, olhando para Chen Ge e Wen Qing, os únicos que não tinham se manifestado: — Acreditem em mim! Estou falando a verdade! Eles dois são os assassinos!

Naquele momento, Chen Ge e Wen Qing eram a única esperança do homem. Ele tinha esquecido completamente que, não muito tempo atrás, estava constantemente criando problemas para Chen Ge.

— Eu também quero acreditar em você, mas as evidências estão aí. É melhor não resistir. — Chen Ge levantou a cabeça, e suas palavras foram a gota d'água para o homem: — Desde que o corpo foi encontrado, você tem influenciado minhas decisões. Pode me dizer por que fez isso?

— Chega de conversa. Vamos pegá-lo primeiro. — O Dr. Li e o Cabeçona avançaram ao mesmo tempo, e o homem lutou desesperadamente.

— Vocês vão se arrepender! Todos serão mortos pelo assassino! — Ser amarrado ao fio elétrico era praticamente uma sentença de morte. O prédio já não era seguro. O homem, depois de se livrar do Cabeçona e do Dr. Li, fez algo que ninguém esperava.

Ele correu até a janela da sala e a abriu rapidamente. Quando estava prestes a pular, uma boca apareceu vagamente na névoa negra.

— Ah! — O homem gritou, e sangue vermelho espirrou no batente da janela. A boca parecia ter mordido seu pescoço.

A névoa negra se moveu, e o homem desapareceu. Ninguém no quarto ousou se aproximar da janela.

— O que foi aquilo? — Chen Ge, com sua Visão Sombria, tinha a melhor visão entre todos, mas mesmo assim não conseguiu ver claramente o que era: — Há um monstro devorador de pessoas na névoa negra?