Capítulo 1105: Capítulo 1105 Capítulo 1080 - Pessoas boas não podem causar confusão?

Capítulo 1080 – Um cara bom não pode causar confusão? (5200)

Qu Ying era morador do prédio, filho da vítima e também parte da estrutura de regras do edifício.

Se esse sujeito insistisse que Chen Ge era o assassino, isso jogaria Chen Ge e Wen Qing no olho do furacão, tornando a situação muito pior.

Por essa razão, Chen Ge puxou Wen Qing e se escondeu num canto.

Qu Ying segurava Qu Yan, os dois irmãos imersos em imensa dor, e os vizinhos também sentiam pena deles. Todos agiam normalmente, ou melhor, todos se esforçavam para reagir de forma normal.

Os demônios disfarçados de humanos se reuniam, cada um com suas intenções ocultas, ninguém sabia o que realmente pensavam.

— Wen Qing, vamos primeiro encontrar o proprietário. — Chen Ge não queria ficar ali por mais tempo; tinha um mau pressentimento.

Ele sabia que pessoas do Hospital Amaldiçoado haviam entrado pela porta, e os monstros do hospital também sabiam da existência dele e de Wen Qing. O outro lado já havia se aliado aos moradores, provavelmente para forçar Chen Ge a aparecer.

Com a morte no prédio, Qu Ying teria motivos para bater em cada porta e perguntar, investigando racionalmente cada cômodo.

Se alguém se recusasse a deixar entrar, isso indicaria que tinha algo a esconder, que poderia ser o assassino.

— Que tática cruel, fazer o próprio assassino investigar o assassino. Na verdade, o verdadeiro culpado está escondido na casa dos parentes da vítima, num lugar que todos ignoram.

O Hospital Amaldiçoado, ao fazer isso, podia revistar abertamente todos os cômodos do prédio e ainda culpar Chen Ge, colocando-o contra todos os moradores. Era matar dois coelhos com uma cajadada só.

— Esses monstros conhecem as regras do mundo atrás da porta. Mesmo que estejam presos e tenham perdido a maior parte do poder, não são fáceis de enfrentar.

Esta era a primeira vez que Chen Ge enfrentava o Hospital Amaldiçoado. Atrás da porta de outra pessoa, dois invasores tramavam um contra o outro.

— Querem me culpar? Vamos ver se têm capacidade para isso. Tomem cuidado para não cavar a própria cova.

Chen Ge não estava muito preocupado. As regras do prédio haviam sido quebradas, e embora os vizinhos quisessem pegar o infrator, cada cômodo escondia seus próprios segredos. Qu Ying teria dificuldade em entrar nos quartos dos vizinhos.

— Para quem esconde segredos na escuridão, invadir seu espaço privado e descobrir seus segredos é como criar uma inimizade. Mesmo que não matem na hora, a semente do assassinato fica plantada. — Chen Ge deu um último olhar para Qu Ying e saiu com Wen Qing.

Os dois entraram silenciosamente no corredor, e a senhora Li os seguiu.

Chegaram ao sexto andar. Chen Ge parou um momento diante da porta de Qu Ying, escondendo-se no ponto cego do olho mágico e usando sua habilidade de Ouvido Fantasma.

Dentro, uma mulher falava sozinha, como se conversasse com alguém, mas Chen Ge só ouvia a voz dela.

— Essa mulher deve ser a namorada de Qu Ying.

Chen Ge olhou para a porta 601, hesitante. Se batesse e entrasse, tinha grande chance de encontrar provas do plano de Qu Ying, talvez até os monstros do Hospital Amaldiçoado escondidos lá.

Mas havia o risco de um evento improvável: se sua dedução estivesse errada, ele se tornaria o principal suspeito.

— O outro lado está armando uma teia, que vai se fechando aos poucos até me prender. — A ideia dos monstros era boa, mas Chen Ge era perspicaz demais. Ao ver Qu Ying, já havia deduzido muita coisa.

— Se o Hospital Amaldiçoado realmente se aliou a Qu Ying, a situação vai piorar para mim. Melhor resolver isso agora do que perder a iniciativa.

A apenas uma porta de distância, os monstros do Hospital Amaldiçoado jamais imaginariam que Chen Ge estava ali.

Bateu levemente na porta. Chen Ge não era apenas perspicaz, mas também muito decisivo; raramente hesitava.

Quando a porta foi batida, a voz da mulher dentro cessou instantaneamente. Silêncio total.

— Nessa hora, quem está dentro vai se aproximar devagar e espiar pelo olho mágico. — ChenGe pensou em todas as possibilidades. Enquanto batia, puxou a senhora Li para ficar bem na frente do olho mágico.

Bateu de novo, levemente. Depois de um tempo, a porta de segurança se abriu uma fresta.

Quem estava dentro devia ter confirmado pelo olho mágico que era a senhora Li.

Talvez pensassem que uma velha maluca não oferecia perigo, mesmo que descobrisse algum segredo. Quem acreditaria nas palavras de uma louca?

— Pare de bater. Não tenho sobras aqui. Vá procurar seu filho. Se incomodar de novo, vou contar ao proprietário para te expulsar. — A mulher disse umas palavras duras, mas a senhora Li só ficou parada com a tigela na mão, sem responder. A mulher resmungou mais um pouco e foi fechar a porta.

A porta de segurança se moveu lentamente, mas a mulher de repente percebeu que não conseguia fechá-la.

Olhou para baixo e levou um susto: uma mão segurava firmemente a parte inferior da porta.

— Quem é?

— Não se assuste. Só quero perguntar umas coisas. — Chen Ge segurava a porta, impedindo que fosse fechada, e apareceu na entrada com um sorriso.

— O que quer perguntar?

— Quanto menos pessoas souberem, melhor. Vamos entrar e conversar. — Chen Ge puxou a porta e entrou à força, sem dar tempo para a mulher recusar.

Tudo aconteceu num piscar de olhos. A mulher mal teve tempo de reagir; quando se deu conta, Chen Ge já estava na sala.

— Quem é você?! — A voz dela subiu de tom. Chen Ge a olhou, já preparado para um confronto. Se ela gritasse por socorro, ele a calaria e a controlaria.

Sem responder, Chen Ge primeiro localizou o banheiro e foi direto para lá.

— Pare! — A mulher tentou bloqueá-lo, mas quando chegou, Chen Ge já tinha aberto a porta do banheiro.

A máquina de lavar estava cheia de roupas sujas, e no canto, vários sapatos encardidos.

Chen Ge usou sua Visão Sombria, mas não encontrou manchas de sangue nas roupas.

— Será que errei? — Seu olhar se moveu para a pia. Finalmente encontrou algo: pequenos coágulos de sangue na borda e fios de sangue não limpos nas frestas dos azulejos.

— As gotas d'água perto da pia ainda não secaram. O sabonete foi usado há pouco. Alguém lavou sangue aqui há não muito tempo!

Essas pistas confirmavam a dedução de Chen Ge: — Qu Gui foi morto a facadas. A cena do crime estava cheia de sangue e padrões. O assassino também deve ter se sujado. Deve haver mais sangue em algum lugar!

Com Visão Sombria, Ouvido Fantasma e Faro Espiritual, Chen Ge não perdia para um investigador criminal experiente. Enganá-lo era muito difícil.

O sangue na pia confirmou suas suspeitas. Então, ele tomou uma atitude ainda mais ousada.

Saiu do banheiro e, sem dizer nada, começou a revistar o quarto.

— O que você está fazendo?! — A voz da mulher ficou estridente. Ela entrou em pânico.

Já era tarde para impedi-lo. Chen Ge abriu a porta do primeiro quarto.

O cômodo estava bagunçado, com as portas do armário abertas e muitas roupas espalhadas na cama de casal.

O único lugar para se esconder ali era debaixo da cama. Chen Ge levantou o lençol, deu uma olhada e, vendo que não havia ninguém, saiu decidido e foi para o segundo quarto.

— Pare! — A mulher agarrou o braço de Chen Ge, cravando as unhas na carne com força. Seu rosto estava distorcido, e ela mesma talvez não percebesse.

— Por que tanta pressa para me impedir? Será que há algo inconfessável naquele quarto?

Chen Ge forçou o caminho até a porta do segundo quarto, mas antes de chegar, ouviu o som de uma janela sendo aberta lá dentro!

Parecia que a janela estava emperrada há muito tempo, e a pessoa dentro teve que empurrar duas vezes para abri-la completamente.

— Tem alguém!

Chen Ge não pensou em mais nada. Pressionou a maçaneta com força.

A porta do quarto estava trancada por dentro. Chen Ge chutou a fechadura várias vezes até arrombar a porta de madeira.

Cortinas vermelhas esvoaçavam no quarto. A janela estava aberta, e havia manchas de sangue no parapeito. Alguém acabara de fugir por ali.

— Que cruel. Para não se expor, preferiu fugir pela janela.

A névoa negra que envolvia o condomínio escondia monstros aterrorizantes. Só de encarar a névoa, o coração de Chen Ge tremia incontrolavelmente, quanto mais entrar nela.

Ele foi até a janela e olhou para fora. Só via névoa negra, nenhum vulto.

A mulher ao lado gritava e xingava sem parar, mas Chen Ge não ligava.

Os gritos eram altos. Os moradores do prédio, já tensos com o assassinato, correram para ver o que estava acontecendo.

— Querida! Você está bem?!

A voz de Qu Ying ecoou no corredor. Quando ele entrou, viu Chen Ge e sua namorada se enfrentando na porta do quarto.

— Ying! Esse homem invadiu nossa casa! — A mulher, aliviada ao ver Qu Ying, correu para o lado dele.

Mais e mais vizinhos se aglomeravam no corredor, todos olhando para Chen Ge com hostilidade. Ele estava no centro das atenções, e qualquer deslize poderia provocar um ataque coletivo.

— Amigo, não se apresse. Acho que você deveria me agradecer. — Chen Ge, acostumado a grandes situações, mantinha a calma. Apontou para a porta arrombada e perguntou à mulher com naturalidade: — Fui eu quem arrombou esta porta, não fui?

O tom casual e confiante fez até Wen Qing, ao lado, achar que Chen Ge estava sendo provocativo demais. Parecia que ele queria irritar o outro de propósito.

— Ying! Esse homem é um louco! Invadiu nossa casa, correu por tudo e ainda arrombou a porta do quarto! — A namorada de Qu Ying, muito irritada, parecia prestes a chorar.

Ouvindo a queixa, Qu Ying franziu a testa. Ele sabia o que estava escondido naquele quarto e agora pensava freneticamente em como reagir.

— Só arrombei a porta porque ela estava trancada por dentro. — Chen Ge apontou para a namorada de Qu Ying na frente dos vizinhos: — Amigo, eu e sua namorada estávamos na sala, mas a porta do quarto estava trancada por dentro. Isso significa que havia mais alguém na casa.

Desde que a namorada de Qu Ying confirmou que Chen Ge arrombou a porta, eles já estavam seguindo o ritmo dele, sendo conduzidos por ele.

— E o que isso prova? — Qu Ying estava visivelmente perturbado, ainda sem saber o que dizer.

— Esta é sua casa. Você não estava, e sua namorada estava com outra pessoa. Isso por si só não é problema. O problema é que, quando abri a porta, não havia ninguém no quarto. — Chen Ge fez sinal para os vizinhos entrarem na sala e verem: — Quando arrombei a porta, vi a janela aberta e as cortinas balançando. Para onde foi a pessoa? Por que fugiu pela janela? O que ela tem a esconder?

Chen Ge olhou para os vizinhos, gravando cada expressão: — Se ainda não entenderam, cheguem mais perto. Há manchas de sangue nas cortinas e coágulos frescos no chão...

— Entendi! O assassino do pai de Qu Ying pode estar escondido neste quarto! — O estudante Sun gritou, assustado, pois nunca tinha passado por algo assim.

Os outros vizinhos também perceberam o problema, mas, cada um com seus segredos, não disseram nada.

— Parece que ainda há quem entenda. — Chen Ge sorriu e se aproximou de Qu Ying: — Então você deveria me agradecer. Se não fosse por mim, sua namorada e você poderiam ter sido vítimas do assassino!

O rosto de Qu Ying se contraía levemente. Chen Ge mudava de ideia tão rápido que ele mal conseguia acompanhar, sem entender seus pensamentos.

Vendo a expressão sombria de Qu Ying, Chen Ge deu um tapinha amigável em seu ombro: — Pela situação no seu quarto, o assassino deve ter entrado na casa da vítima pela janela e saído do mesmo jeito. Isso explica por que ele conseguiu entrar sem a chave. O que acha, Qu Ying?

Os outros podiam achar que Chen Ge estava apenas analisando, mas Qu Ying, como cúmplice, percebeu a ameaça nas palavras.

Claramente, Chen Ge sabia como o assassino entrou na casa da vítima, mas não revelou, deixando uma margem para ambos os lados.

Chen Ge não estava protegendo o assassino. Ele tinha um plano extremamente louco: lidar sozinho com todos os psicopatas do prédio.

Fazer isso era muito difícil, e controlar Qu Ying era o primeiro passo.

— Faz sentido. Nunca pensei que o assassino tivesse entrado pela janela da casa do meu pai. — Qu Ying não sabia o quanto Chen Ge sabia, então só podia concordar.

Vendo Qu Ying concordar, Wen Qing ficou chocada. Preocupada em estragar tudo com sua expressão, ela baixou a cabeça.

— Arrombei a porta há cerca de três minutos. O assassino fugiu na mesma hora, com uma diferença de no máximo cinquenta segundos. Isso prova que o assassino não está entre nós. — Com uma frase, Chen Ge limpou a suspeita de todos os presentes, unindo-os como um grupo. Assim, poderiam usar essa força para investigar os moradores ausentes e desestabilizar o prédio.

Chen Ge sabia quem era o verdadeiro assassino, mas não diria. Ele usaria a desculpa de investigar para "desmontar" as regras do prédio.

Qu Ying também sabia quem era o assassino, mas também não diria, porque o culpado já havia fugido. Se insistisse na investigação, ele mesmo poderia ser exposto, já que Chen Ge o havia ameaçado.

Dois homens que sabiam quem era o assassino estavam à procura dele, numa espécie de acordo tácito.

No processo, Chen Ge foi mais astuto que os monstros do Hospital Amaldiçoado. Ele limpou a suspeita de alguns, dizendo claramente que não eram assassinos, e assim não precisariam revistar seus quartos.

Neste mundo egoísta atrás da porta, cada um só se importava se seus segredos seriam expostos. Quem se importava com os outros?

Então, ao saber que seus quartos não seriam revistados e seus segredos não seriam revelados, eles ficaram tranquilos e seguiram Chen Ge para bisbilhotar os segredos alheios.

Chen Ge usou essa psicologia para dividir o prédio aos poucos. Quando houvesse mais "pessoas boas" do que "más", ele poderia finalmente revelar suas cartas.

O plano do Hospital Amaldiçoado não só foi desfeito por Chen Ge, como todos os benefícios ficaram com ele. Se os monstros soubessem, ficariam loucos de raiva.

— Espera aí. Como você sabia que o assassino estaria escondido no quarto de Qu Ying? — perguntou o homem de meia-idade que escondia roupas íntimas.

— O assassino queria matar Qu Gui e Qu Yan, a família toda. Deve ter uma grande rixa com eles. Então suspeitei que Qu Ying e sua namorada também seriam alvos. Quando vim ver, ouvi barulhos estranhos no quarto de Qu Ying e bati na porta. — Chen Ge abriu as mãos: — Admito que fui um pouco bruto, mas vidas estavam em jogo. Não podia hesitar!

Depois, olhou para a namorada de Qu Ying: — Você escapou da morte por pouco. Se não fosse por mim, estaria em perigo. Não está grata?

A namorada de Qu Ying rangeu os dentes, com lágrimas nos olhos, encostada nele, sem olhar para Chen Ge.

— Parece que ela está muito assustada. Cuide bem dela. — Chen Ge foi para o centro da sala, como se fosse o dono da casa: — O assassino ainda está fugindo. Ele pode entrar pela janela de qualquer um de vocês. Alguém assim é muito perigoso. Precisamos pegá-lo o mais rápido possível.

Cada um no prédio tinha seus segredos, escondidos em seus quartos. O que Chen Ge disse foi um aviso: agora há um assassino que não segue as regras e pode bisbilhotar os segredos de todos. Se não quiserem que seus segredos sejam expostos, é melhor se juntarem a ele para pegar o culpado.

Ao ouvir isso, os vizinhos quase não hesitaram e concordaram. Pareciam ainda mais ansiosos que Chen Ge para pegar o assassino.

Vendo a pressa dos vizinhos, Chen Ge sorriu levemente. Sabia que o verdadeiro espetáculo estava prestes a começar, e tudo estava a seu favor.

— Quem sabe eu possa matar os monstros do Hospital Amaldiçoado aqui mesmo.

Agora, Chen Ge tinha o apoio de todos. Wen Qing, atrás dele, estava pasma. O mundo atrás da porta não era bem como ela imaginava.