Capítulo 1099: Capítulo 1099 Capítulo 1074 – Prédio Sinistro (4000)

Capítulo 1074 - O Prédio Sinistro (4000)

“Como você recebeu essas cartas?”

“Quando voltei do trabalho, todas estavam enfiadas na porta.” A mãe de Xiang Nuan ainda não percebia a gravidade da situação. Segurando a caixa de papelão, achava que era só uma brincadeira de mau gosto: “Na hora, também me assustei com tantos envelopes. Tentei perguntar aos vizinhos, mas ninguém queria falar sobre isso.”

“Claro que não iam te contar, porque foram eles mesmos que te enviaram essas cartas.”

“Mas por que fariam isso?” O tom da mãe de Xiang Nuan mudou: “Vou procurá-los para esclarecer. Se realmente querem que eu e Xiang Nuan vamos embora, podemos nos mudar.”

“E se o que eles querem é a morte de Xiang Nuan?” Chen Ge não tocou na caixa de envelopes. Falou com seriedade.

“Morte?” A mãe de Xiang Nuan inspirou fundo, surpresa com a palavra tão forte vinda de Chen Ge: “Impossível. Somos todos vizinhos. Por mais conflitos que haja, não chegaria a esse ponto.”

“Antes eu também pensava assim. Mas depois de passar por algumas coisas, mudei de opinião. A natureza humana é complexa. Por trás de uma casca, você nunca vai adivinhar o que realmente se passa na cabeça dos outros.” A voz de Chen Ge era baixa, um pouco assustadora: “Cada um desses avisos de morte carrega maldade e maldição. A doença súbita de Xiang Nuan pode ter relação com eles.”

“Então vou queimar todas essas cartas.”

“Não adianta.” Chen Ge sabia bem que a maldição do Sorriso não desapareceria só porque os envelopes fossem queimados. No momento em que a carta foi enfiada na porta de Xiang Nuan, a maldição já devia estar completa: “Esta noite vai ser difícil.”

Vendo tantos envelopes, Chen Ge achava que as chances de Xiang Nuan sobreviver àquela noite eram pequenas.

O Salto Alto Vermelho tinha absorvido as maldições residuais de várias portas do Feto do Inferno, aumentando muito seu poder. Mesmo assim, só conseguira alterar a caligrafia de uma carta. Isso mostrava o quão terrível era a maldição naquelas cartas.

“O hospital amaldiçoado é cruel demais. Usam tantos avisos de morte para amaldiçoar Xiang Nuan. Mesmo que o Feto do Inferno nasça com sucesso, o corpo que ele tanto lutou para conseguir ficará amaldiçoado, entrando num estado muito frágil.”

A vida dos inocentes não importava para aquele hospital. Talvez, aos olhos deles, a vida fosse só um meio para transmitir a maldição, uma ponte para alcançar o objetivo. Contanto que chegassem ao destino, pisar em sentimentos e humanidade parecia não ser problema.

Se a maldade do Feto do Inferno vinha de dentro para fora, misturando raiva, ódio, inveja e outras emoções, a maldade do hospital amaldiçoado era pura, sem qualquer sentimento.

A bondade ingênua quase não tinha chance contra um adversário assim. Para sobreviver, Chen Ge só podia armar sua própria bondade.

“Pá!”

Alguém bateu palmas no primeiro andar. A luz do sensor acendeu. Parecia que alguém estava subindo as escadas.

Chen Ge fez sinal para a mulher ficar em silêncio. Um minuto depois, apareceu o velho que ele encontrara de manhã. O homem carregava uma marmita vazia.

“Xiao Wen, vim devolver a marmita. Como está a Xiang Nuan? Lá de baixo ouvi vocês quebrando coisas.” O velho estava igual ao da manhã, com mais de setenta anos, mas ainda com um ar desleixado, parecendo se importar com tudo, como se adorasse se meter.

“Xiang Nuan já dormiu.” A mulher forçou um sorriso. Pegou a marmita do velho e ia se virar, quando viu que ele também segurava um envelope velho.

Ao ver o envelope, tanto a mulher quanto Chen Ge ficaram com a expressão sombria.

O velho, sem entender, perguntou: “O que vocês estão olhando?”

“Seu velho, o senhor também veio entregar uma carta?” Chen Ge tinha uma impressão razoável do velho.

“Entregar carta?” Ele ergueu o envelope: “Hoje, quando saí, vi uma carta na porta. Não sei quem mandou. O problema é que não sei ler! Estranho! Hoje em dia, até eu, que já estou com um pé na cova, sei usar telefone, e ainda tem gente que manda carta?”

“O senhor ainda não abriu?” Chen Ge usou a Pupila Yin e viu que o envelope realmente não estava aberto. Respirou aliviado.

“Já que vocês estão aí, queria que Xiao Wen lesse para mim o que está escrito.” Sem esperar Chen Ge falar, o velho rasgou o envelope. Quando tirou o aviso de morte, sua expressão ficou feia: “Caramba, parece que o hospital me mandou. Leiam para mim, rápido.”

O velho ergueu o aviso de morte de Xiang Nuan na frente de Chen Ge e da mulher. Não parecia estar fingindo.

Chen Ge achou que podia tentar conquistar aquele velho. Mas antes que falasse, a mulher pegou o aviso e leu o conteúdo em voz alta.

“Isso não é brincadeira? Xiang Nuan é tão nova. Será que erraram?” A mulher leu a última frase do aviso. Se não entregasse o aviso a Xiang Nuan, o próximo seria ele mesmo. O velho ouviu claramente, mas, mesmo assim, pediu a carta de volta.

“Seu velho, é melhor o senhor me dar a carta. Já recebi muitas, não faz diferença mais uma.” A mulher não queria envolver o velho. Sabia que ele não tinha más intenções, e isso já a comovia.

“Essas pessoas estão cada vez piores. Capazes de tudo. Amanhã vou perguntar quem teve essa ideia maldita.” O velho estava irritado.

“Não precisa.”

“Você também é vítima deste condomínio. Por que têm que descontar tudo em você? Deixa comigo. Mesmo que vá embora, não vou deixar barato. Amanhã vou discutir com eles.” O velho falou e desceu com o envelope.

“Parece que nem todo mundo aqui é mau.” Chen Ge olhou para as costas do velho. Talvez, no mundo atrás da porta, aquele velho pudesse ser uma brecha: “Qual é o nome dele?”

“Ele se chama Huang, mora no 104. É o inquilino mais antigo do condomínio.” Ao mencionar o velho, a expressão da mulher melhorou um pouco: “O Sr. Huang sofreu um acidente de trabalho quando jovem. Fez cirurgias no nariz e no ouvido. Depois, trabalhou na limpeza do hospital, cuidando do necrotério.”

“Lidando com cadáveres?”

“É. Trabalhou a vida inteira e não juntou quase nada. É uma boa pessoa, mas muito teimoso.” A mulher deu um sorriso amargo: “Não tem filhos nem esposa. O apartamento onde mora é alugado pelo patrão dele. Uma vez, tentei apresentar uma senhora a ele, mas ele disse que não queria incomodar ninguém e nem foi ao encontro.”

“Esse velho vive de forma despreocupada.”

“Enquanto não tiver doença ou desgraça, está bem. Eu cuido um pouco dele, mas se tiver uma doença grave, só a comunidade pode ajudar.” O velho não tinha deixado a carta com a mulher, o que a deixou um pouco mais aliviada.

“A propósito, ele te chamou de Xiao Wen?”

“É. Meu nome é Wen Qing. Qing de ‘céu limpo’.”

“Wen Qing? Xiang Nuan?” Chen Ge assentiu, gravando o nome: “Ainda temos tempo. Fique aqui no quarto. Vou dar uma olhada nos outros inquilinos.”

Depois de dizer isso, Chen Ge saiu com o celular.

Chamou Xu Yin e circulou entre os condomínios Jinhua e Jiuhong, entrando em cada prédio para verificar. Mas ficou surpreso ao descobrir que quase não havia pessoas vivas nos dois condomínios.

“Para onde foram os inquilinos?” O celular não atendia, ninguém respondia às batidas na porta. Chen Ge mandou os de Vermelho entrarem nos apartamentos para verificar, mas também não encontraram nada. Só sentiam um leve odor pútrido nos cômodos.

Com o passar do tempo, o cheiro no condomínio ficava mais forte. Chen Ge sentia uma grande inquietação.

Subiu no telhado e olhou ao redor. Os condomínios Jinhua e Jiuhong pareciam se afastar cada vez mais das luzes ao redor, como se todo o conjunto estivesse deslizando para um abismo. A sensação era muito estranha.

“Este condomínio tem um grande problema. O Feto do Inferno certamente preparou algo aqui.”

Chen Ge já tinha enfrentado a Sombra. Pela personalidade dela, com certeza deixaria várias cartas na manga para garantir que o plano desse certo. Se essas cartas ainda não tinham sido reveladas, era porque o Feto do Inferno ainda não precisava usá-las.

O tempo voou. Para evitar imprevistos, depois de percorrer os dois condomínios, Chen Ge voltou imediatamente para a casa de Xiang Nuan.

“Como foi?”

“Não vi ninguém. Todos os telefones estão mudos. Sinto que algo vai dar errado esta noite. Seus vizinhos parecem estar tramando alguma coisa.” Chen Ge tirou o gato branco da mochila e fechou a porta de segurança: “Fique tranquila. Não vou passar a noite aqui. Se não houver nada de anormal até uma da manhã, vou embora.”

Com isso, a mulher não pôde recusar. Colocou todos os envelopes numa caixa, planejando queimar fora do condomínio na manhã seguinte.

“Quer comer alguma coisa?”

“Não. Não tenho o costume de comer na casa dos outros.” Chen Ge já estava em estado de alerta máximo. Sabia que a porta de sangue apareceria ao lado da cama de Xiang Nuan, e que as pessoas do hospital amaldiçoado certamente viriam disputar aquela porta.

Onze e meia da noite. Passos ecoaram no corredor. O som ficava mais confuso. Alguém subia, alguém descia. Mas quando Chen Ge olhou pelo olho mágico, o corredor estava vazio.

“Eles chegaram.”

Onze e cinquenta. As luzes piscaram algumas vezes e, sem aviso, apagaram. Tudo ficou escuro.

“O disjuntor desarmou? Vou ver.”

“Não se mexa! Fique aí! Não chegue perto das janelas nem da porta!” Chen Ge gritou. Usou a Pupila Yin para olhar para o quarto de Xiang Nuan. A criança ainda estava deitada na cama, parecendo dormir profundamente.

Abandonando a sala, Chen Ge e a mulher entraram no quarto de Xiang Nuan.

Onze e cinquenta e cinco da noite. Batidas na porta da sala. Tanto a mulher quanto Chen Ge ficaram tensos.

“Ainda bem que você ficou esta noite. Sozinha, eu estaria com medo.” A mulher ouvia as batidas mecânicas e repetitivas, sentindo um frio na espinha: “Vamos ver na porta?”

“Fique atrás de mim. Não vá a lugar nenhum.” Chen Ge não sabia o quão terrível era o hospital amaldiçoado. Só podia ser extremamente cuidadoso.

Depois de um tempo de batidas, uma voz de criança veio de fora da porta: “Xiang Nuan, eu sou Nie Xin. Vim te levar para casa.”

“Quem é Nie Xin?” A mulher perguntou baixinho.

“Um morto.” ChenGe fixou o olhar na porta da sala. Onze e cinquenta e nove. A porta de segurança fez um barulho estranho. Com o giro da trava, a porta, que estava trancada, se abriu sozinha.

A porta de ferro foi empurrada lentamente. Do lado de fora, só o corredor vazio.

“A porta abriu? Como eles têm a chave da minha casa?” A mãe de Xiang Nuan ouviu o som. Seu coração disparou. Mal podia imaginar o que teria acontecido se tivesse ido até lá.

“Silêncio!”

Chen Ge estreitou as pupilas, fitando a escuridão. Algo no corredor se aproximava. Entre eles, só a sala.

Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

O som dos ponteiros, como gotas de sangue caindo de um pulso cortado. Quando a meia-noite chegou, uma porta completamente coberta de sangue apareceu silenciosamente ao lado da cama de Xiang Nuan!

Era uma porta de sangue real! O cheiro de sangue que exalava era mais forte do que qualquer porta que Chen Ge já tinha visto!

Incontáveis fios de sangue e maldições se espalhavam pelo quarto. Os passos no corredor aceleraram. Chen Ge tirou imediatamente o Martelo Esmagador de Crânios da mochila, concentrando toda a atenção no corredor.

Mas, naquele momento, um grito da mulher veio atrás dele: “Xiang Nuan! Xiang Nuan!”

Chen Ge se virou. Xiang Nuan, que estava dormindo na cama, tinha desaparecido. A porta de sangue ao lado da cama já estava aberta.

“Xiang Nuan entrou? Esta porta não é um pesadelo fictício! É a própria porta de Xiang Nuan!”

No instante em que Xiang Nuan entrou na porta, a mulher, sem pensar, também entrou.

Chen Ge não tinha escolha. Pegou a mochila, abraçou o tigre branco e entrou na porta de sangue.

Tentou fechar a porta, mas antes que sua mão tocasse a superfície manchada de sangue, seu corpo foi engolido pelo vermelho.

Abrindo os olhos lentamente, Chen Ge olhou ao redor. Descobriu que ainda estava na casa de Xiang Nuan.

A disposição do cômodo não tinha mudado muito, mas a maioria dos móveis estava danificada, com marcas de pancadas por toda parte.

“Este é o mundo atrás da porta de Xiang Nuan? Quase idêntico à realidade. Até o odor pútrido desapareceu.”

Aqui parecia mais real que a própria realidade. Ao chegar a essa conclusão, Chen Ge sentiu um arrepio, sem saber por quê.

Pegou a mochila e tentou chamar os funcionários, mas não obteve resposta.

Olhou para o lado. O gato branco estava deitado no chão, imóvel, como se não tivesse mais vida.

“Houve um acidente ao entrar na porta de sangue?” Os olhos de Chen Ge ficaram vermelhos na hora. Abraçou o gato.

O calor vindo das pontas dos dedos o fez achar estranho. Sacudiu o gato várias vezes, até que ele miou com insatisfação.

“Você sabe fingir de morto? Isso é habilidade de gato?”

Largou o gato. Chen Ge respirou aliviado. Pegou a mochila e se preparou para inspecionar o cômodo.

Assim que abriu a porta do quarto de Xiang Nuan, Chen Ge congelou. A mãe de Xiang Nuan estava deitada na cama, dormindo.

“Devo acordá-la?” Chen Ge entrou no quarto. Olhou para o rosto da mulher, pensando em outra questão: “Esta mulher é realmente a mãe de Xiang Nuan? É a de dentro da porta, ou a de fora?”