Capítulo 105: Me Dê um Minuto (Quarta Atualização)
O quarto estava muito limpo, com um carpete grosso no chão. As bordas das mesas e armários eram todas cobertas com pano grosso. Na mesa de centro, via-se uma fruteira, mas não havia nenhum objeto cortante ou pontiagudo.
— Doutor Gao, entre, por favor. — Uma mulher vestindo uma camisa branca recebeu o Doutor Gao e Chen Ge em sua casa. Ela aparentava ter cerca de quarenta anos e estava muito bem cuidada.
— O estado da Wang Xin melhorou?
— Estou usando o sonífero e os dois antidepressivos que você receitou, mas o efeito é muito ruim. — A mulher deu um sorriso amargo: — Não houve grande melhora, na verdade os efeitos colaterais são mais evidentes: náuseas, mãos trêmulas, calafrios. Hoje, na hora do almoço, ela nem conseguiu segurar os pauzinhos direito, e a comida caiu toda no chão. Doutor Gao, me diga, a Wang Xin ainda vai melhorar?
— Confie em mim, ela vai melhorar.
— Hum. — A mulher só então notou Chen Ge, que vinha atrás: — E este é?
— Meu nome é Chen Ge. — Chen Ge não queria perder tempo na porta: — Posso ver sua filha?
— Isso... — A mulher virou a cabeça e olhou para o Doutor Gao, como se estivesse pedindo a opinião dele.
— Vou acompanhá-lo.
Depois que o Doutor Gao concordou, a mulher, um tanto relutante, deixou Chen Ge entrar: — A criança está no quarto. Só comeu uma garfada no almoço e começou a chorar alto de novo.
A mulher foi até a porta de um cômodo nos fundos, bateu levemente e, como não houve resposta por um bom tempo, girou a maçaneta e abriu a porta uma fresta.
Sem dizer nada, a mulher suspirou e recuou para o lado.
— Vamos entrar. — O Doutor Gao olhou para Chen Ge: — Não provoque a paciente de jeito nenhum. Antes de fazer qualquer coisa, você precisa conversar comigo.
— Tudo bem. — Chen Ge garantiu várias vezes e só então entrou no quarto de Wang Xin junto com o Doutor Gao.
O carpete era mais grosso, as quinas do guarda-roupa e da mesa estavam todas lixadas. Não se via nada pontiagudo no quarto, e as janelas tinham redes de segurança.
Não havia cama no quarto, apenas dois colchões grossos empilhados um sobre o outro. Todos os enfeites eram de cores sólidas, sem muitos padrões.
O Doutor Gao se moveu para o lado, e só então Chen Ge viu o alvo que procurava.
Em cima do colchão estava deitada uma garota de corpo esguio. Ela usava uma blusa branca de gola redonda e folgada, e na parte de baixo, um short azul claro.
A pele era muito branca, os membros estavam estendidos sem força, dando a impressão de que poderiam se quebrar a qualquer descuido.
Percebendo que alguém havia entrado, a garota se sentou lentamente no colchão. Diferente do que Chen Ge imaginava, ela parecia normal, apenas um pouco quieta.
— Wang Xin, ainda está com dor de cabeça? — O Doutor Gao, de porte ereto, agachou-se gentilmente ao lado do colchão, mantendo seu corpo abaixo da linha de visão dela.
A garota balançou a cabeça, olhou para Chen Ge e rapidamente desviou o olhar.
— E consegue dormir? — O Doutor Gao continuou perguntando. Dessa vez, a reação da garota foi mais intensa. Ela estendeu a mão e agarrou o próprio cabelo com força. Quando tirou a mão, entre os dedos estavam cheios de fios de cabelo preto longo que ela havia arrancado.
— Ainda não consegue dormir. — Levantando-se, o Doutor Gao franziu a testa: — Os dois medicamentos não estão fazendo efeito?
— Doutor Gao, posso trocar algumas palavras com ela?
— O estado da Wang Xin está relativamente estável agora. Se tem algo a dizer, pode falar.
Chen Ge se aproximou e, imitando o Doutor Gao, agachou-se na frente da garota.
A garota, talvez pensando que ele também era médico, não resistiu muito, apenas puxou a manga para cobrir as marcas vermelhas no braço, que pareciam ter sido feitas por ela mesma.
Aquela garota era muito frágil. Dava a sensação de ser uma pipa de papel, presa apenas por uma linha fina, que a qualquer descuido poderia se romper, voando para dentro das nuvens escuras e sendo rasgada pela tempestade.
— Wang Xin. — Chen Ge tirou do bolso a caneta esferográfica enrolada com fita adesiva: — Sua amiga sempre quis lhe dizer algo. Eu a trouxe aqui.
Wang Xin olhou para a caneta esferográfica, mas não demonstrou nenhuma emoção especial. Talvez ela quisesse esboçar um sorriso para responder à piada sem graça de Chen Ge, mas percebeu que não conseguia.
O Doutor Gao ao lado e a mulher espiando pela porta também estavam confusos, sem entender o que Chen Ge estava fazendo.
Wang Xin não reagiu, mas Chen Ge não se apressou. Ele pegou uma folha de papel em branco da escrivaninha e a colocou sobre o colchão, segurando a caneta na vertical, na postura de jogar o jogo do lápis.
Chen Ge estava de costas para o Doutor Gao e de frente para Wang Xin. Ele apenas movia os lábios sem emitir som, murmurando as primeiras frases do jogo do lápis através da leitura labial.
A boca se abria e fechava, e a atenção de Wang Xin foi gradualmente sendo atraída por Chen Ge. Pela primeira vez, ela virou completamente a cabeça para olhar para a boca dele. De repente, como se tivesse se lembrado de algo terrível, começou a agitar os braços freneticamente, encolhendo o corpo para o canto da parede.
— O que você fez?! — A mulher do lado de fora entrou correndo e, junto com o Doutor Gao, impediu Chen Ge.
— Estou ajudando-a a resolver o que a prende. — Chen Ge protegeu cuidadosamente a caneta em sua mão: — Algo aconteceu com a Wang Xin que todos nós desconhecemos, e essa coisa é a causa da doença dela! Me dê um minuto, só preciso de um minuto!
Ele estava determinado, protegendo a caneta e se inclinando sobre a cama. Antes de vir, ele só queria completar a tarefa do lápis, mas depois de ver o sofrimento real da garota, Chen Ge sentiu que deveria fazer algo.
— Que tal deixá-lo tentar? — Após um momento de impasse, o Doutor Gao decidiu confiar em Chen Ge uma vez: — Durante todo o meu tratamento com a Wang Xin, ela nunca demonstrou uma emoção semelhante. Talvez desta vez haja esperança.
A mulher acabou sendo convencida pelo Doutor Gao, e eles concordaram em dar a Chen Ge três minutos.
Os dois saíram do quarto, e Chen Ge se levantou para fechar as cortinas e trancar a porta.
— Wang Xin, sua amiga sempre quis lhe dizer algo.
Enquanto ChenGe murmurava, a garota encolhida no canto ficava cada vez mais assustada. As memórias que a atormentavam como um pesadelo há anos voltavam à sua mente.
Chen Ge continuou, com o coração apertado. Não demorou muito, e a caneta pairando sobre o papel se moveu sozinha, escrevendo uma caligrafia elegante no papel branco, completamente diferente da letra de Chen Ge.
— Wang Xin, eu nunca imaginei que uma brincadeira minha te causaria tanto dano. Você deve me odiar muito, não é?
Ao ver a caligrafia familiar no papel, Wang Xin ficou atônita. Naquele instante, sentiu o coração vazio, sem saber por que tinha aquela emoção.
— Minha morte não tem nada a ver com você. Naquele dia, eu só te vi com outra pessoa e quis te assustar de propósito. Preparei a corda, mas não esperava que a cadeira escorregasse de repente.
— Você não fez nada de errado. Isso foi apenas uma brincadeirinha de mau gosto minha, mesquinha e egoísta.
— Desculpe, Wang Xin. Não peço que me perdoe, só espero que você não seja mais influenciada por mim. Seja forte e viva feliz.