Capítulo 983: O Monstro Carregando um Santuário
Assim que adentrou a floresta densa, antes mesmo de percorrer uma longa distância, Xu Yin apareceu silenciosamente.
Chen Ge não havia chamado seu nome, mas ele surgiu por conta própria, o que indicava que havia percebido algo perigoso, algo que poderia matar Chen Ge antes mesmo de ele se manifestar.
Não havia nada de anormal ao redor, mas todos os Vestes Vermelhas agiam de forma estranha, como se o perigo estivesse oculto bem ao lado.
As folhas balançavam com o vento, a chuva escorria pelas nervuras, e Chen Ge caminhou pela floresta por muito tempo, a ponto de perder a noção do tempo.
Quanto mais se adentrava na mata, mais a temperatura caía, e o silêncio se instalava ao redor.
Xu Yin ia na frente, seu sangue vermelho se misturando à chuva. Ele afastou galhos secos, revelando um caminho tortuoso à sua frente.
De ambos os lados do caminho, plantas murchas cresciam, e no fim dele, uma pequena casa cinzenta era vagamente visível.
"Quando eu era criança, entrei aqui com meu boneco de pano, e você não me matou, apenas o feriu gravemente. Sempre fui justo; hoje também não vou te matar. Vou te espancar até ficar à beira da morte e depois te levar para dentro do álbum de quadrinhos."
Na noite chuvosa, vários Vestes Vermelhas acompanhavam Chen Ge, todos avançando em silêncio.
"Este lugar não parece ser algo que qualquer um possa encontrar. Se não fosse Xu Yin me guiando, não teria entrado tão facilmente."
Ao se aproximar da pequena casa, as imagens borradas na memória de Chen Ge se alinharam com a realidade. Coisas que ele quase havia esquecido ressurgiram em sua mente, mais nítidas do que nunca.
"Cuidado."
Ele quase foi morto aqui uma vez, então agora estava extremamente cauteloso. Sentia que estava cada vez mais perto da verdade.
A cerca do pequeno pátio estava derrubada, coberta de musgo, e no pátio havia muitas bacias vazias.
Essas bacias eram interessantes: todas do mesmo tamanho, grandes o suficiente para caber a cabeça de um adulto.
Além das bacias, o pátio tinha alguns brinquedos: um cavalo de pau quebrado, um balanço enferrujado e um balanço com uma corda partida.
"Parece que ninguém vem aqui há muito tempo."
Se estava abandonado, melhor, significava que nenhuma criança havia sido vítima novamente.
Atravessando o caminho lamacento, Chen Ge empurrou a porta da casa cinzenta.
Um odor suave e desagradável emanava do interior. ChenGe franziu o nariz, parado na entrada, sem entrar.
"Já senti esse cheiro em Liwan Town. É peculiar, indescritível, não tão forte quanto o de cadáver, mas carrega uma frieza que, ao ser inalada, faz os pulmões tremerem."
Usando sua Visão Yin, Chen Ge olhou para dentro da casa.
A maioria dos móveis estava destruída, o chão coberto de fragmentos e roupas rasgadas de crianças.
"Esta casa não deveria ser assim originalmente."
Chen Ge olhou para a bagunça, mas outra imagem surgiu em sua mente.
A mesma casinha, mas cheia de risadas infantis, paredes com papel de parede azul claro e rosa, mesas baixas cobertas de brinquedos e comidas gostosas.
"O fantasma que morava aqui foi embora?"
Quando Chen Ge estava prestes a entrar, seu celular vibrou de repente. A tela mostrava um número desconhecido.
"Tenho os números do Chefe Li e do Chefe Yan, então não deve ser a polícia. Quem ligaria para mim agora?"
Atendeu a chamada, e uma voz clara de menino veio do outro lado.
"Chen Ge, quando você vem me buscar para casa..."
"Fan Yu?" Chen Ge demorou um segundo para reagir.
"Sr. Chen, sou eu. Nos vimos ainda agora." A voz familiar do funcionário do orfanato veio novamente: "Fan Yu, deixa eu falar um pouco primeiro."
"Vocês encontraram algo aí?" Chen Ge havia deixado seu número para o orfanato, então não se surpreendeu com o contato. O que o surpreendeu foi Fan Yu, que raramente falava, chamá-lo pelo nome, o que, além da surpresa, lhe trouxe um pouco de alegria.
"Uma descoberta importante. Os arquivos e registros de tratamento do Orfanato Hanjiang antes da reforma estavam trancados no depósito. Focamos em examinar os materiais relacionados a Fang Yu e descobrimos que faltava a informação de uma criança da turma dele."
"Faltava a informação de uma criança?"
"Isso, como se tivesse sido completamente apagada. Pode não acreditar, mas o número de pacientes no tratamento nunca fecha, e em uma foto de grupo, o rosto de um menino está borrado, exatamente como naquela foto que você me mostrou!" O funcionário deu uma pista importante a Chen Ge: "Acabei de ligar para alguns veteranos que trabalhavam no orfanato particular na época. Todos se lembram daquele menino tagarela, sabem que ele existia, mas ninguém se lembra de sua aparência."
"Todos esqueceram a aparência dele?"
"Não só a aparência, mas também o nome, a idade, etc."
"Além disso, encontraram mais alguma pista?"
"Ouvi de um veterano que aquele menino era muito falante quando pequeno, mas foi se tornando normal com o tempo. Todos pensaram que ele estava curado, mas não era o caso." O funcionário revelou outro segredo: "A doença dele piorou, só que ele cresceu e entendeu que as pessoas não gostavam daquele jeito, então reprimiu sua natureza. O veterano viu o menino ir para um canto vazio, falando sozinho sem parar, e ele também desenvolveu o hábito de escrever um diário. Vamos chamar de diário. Ela espiou uma vez: o caderno estava cheio de palavras, muitas frases sem sentido, impossível saber o que ele queria expressar."
"Esse diário ainda pode ser encontrado?"
"É bem difícil. Vou ligar para perguntar de novo. Depois a gente se fala."
O funcionário desligou. Chen Ge ficou parado na entrada da casinha, olhando para o interior tão diferente de sua memória: "Ninguém consegue lembrar o nome ou o rosto dele. Por que isso acontece?"
Parecia que todos o haviam esquecido, exceto Fang Yu, que tinha a pior memória, mas sempre se lembrava dele, sempre o procurava.
Ao entrar na casa, o odor ficou ainda mais forte.
O primeiro andar era para as crianças brincarem. Chen Ge não encontrou nada ali e, acompanhado por Xu Yin, subiu para o segundo andar.
Assim que chegou à escada de madeira, Chen Ge tapou o nariz e a boca. O cheiro especial e intenso vinha do segundo andar.
"Vamos subir juntos para ver."
A escada de madeira, construída há muitos anos, rangia a cada passo, como se fosse desabar a qualquer momento.
Conforme subia, Chen Ge notou que começavam a aparecer marcas nos degraus, como se tivessem sido cavadas com unhas ensanguentadas.
"Fang Yu?"
As marcas nos degraus se tornavam mais densas. Quando Chen Ge chegou ao segundo andar, seus olhos se arregalaram, e ele ficou paralisado.
No chão, nas paredes, no teto do segundo andar, cada espaço vazio estava densamente gravado com as palavras "Fang Yu".
E naquele exato momento, não muito longe de Chen Ge, um homem estava deitado no chão, usando os dedos ensanguentados para cavar lentamente o assoalho.
Ele estava totalmente concentrado, ajoelhado, com um santuário nas costas.
O santuário tinha a mesma forma daquele no Parque Virtual do Futuro, só que a cabeça de barro dentro dele não havia caído, e não estava escrito o nome de Chen Ge, mas sim "Fang Yu".