Capítulo 1004: Capítulo 1004 Capítulo 980 O Peixe com Memória de Um Dia

Capítulo 980: O Peixe com Memória de Apenas um Dia

O céu noturno parecia começar a chover, e neste pequeno parque coberto de vegetação seca, prestes a ser demolido, Chen Ge encontrou uma mulher estranha.

— Com licença, você conhece Fang Yu?

A mulher parecia saber dizer apenas essa frase. Ela olhou para Chen Ge, seus olhos límpidos como lagos no planalto, sem qualquer impureza.

— Fang Yu? — Chen Ge pegou a foto e a entregou à mulher: — É ele?

Segurando a foto com as duas mãos, a mulher observou o garoto na imagem por um longo, longo tempo, e então balançou a cabeça: — Não sei.

— Esta foto foi tirada neste parque. O garoto está de frente para a câmera, e quem tirou estava exatamente nesta posição. — Chen Ge se levantou e foi até perto do chafariz: — Ainda não lembra de nada?

A mulher ficou parada, com apenas confusão no olhar.

— Tudo bem, talvez eu tenha me enganado. — Chen Ge voltou para perto do banco, e a mulher, depois de um tempo, também se sentou.

Ela exalava um cheiro de xampu, suas roupas estavam limpas, não parecia alguém incapaz de viver sozinha.

— Hum... posso te fazer uma pergunta? — ChenGe olhou para a mulher. O perfil dela era bonito, mas o rosto estava coberto por muitas tatuagens, causando tanto admiração quanto um certo medo.

— Por que você vem aqui à noite procurar por Fang Yu?

— Parece que venho todos os dias, mas não sei por que venho.

— E você sabe que este parque vai ser demolido em breve? Talvez você não possa mais vir. — Chen Ge segurava a foto, observando a mulher.

Ao ouvir isso, ela não respondeu, apenas ficou olhando fixamente para o nome tatuado no dorso da mão.

— Por que você procura Fang Yu? Ele é da sua família? — Chen Ge tentava conversar com a garota, queria abrir seu coração. Só entendendo mais poderia ajudá-la.

— Não me lembro, mas tatuei o nome dele por todo o corpo. Deve ser porque não quero esquecê-lo.

A chuva começou a cair. No parque velho, dois estranhos sentaram-se num banco enferrujado.

— Na verdade... eu conheço Fang Yu. — Chen Ge baixou a cabeça, e a mulher ao lado olhou para ele surpresa.

— Você conhece Fang Yu? — ela se levantou: — Pode, pode me levar para vê-lo?

— Posso, mas antes disso, quero confirmar mais uma coisa com você. — Chen Ge colocou a foto novamente diante da garota: — Você realmente não se lembra nada deste garoto? Há pouco notei que você ficou olhando a foto por muito tempo.

— Não me lembro, nunca o vi, mas... — a mulher apontou para o garoto sem rosto na foto: — Ele parece ser muito importante para mim.

Essas palavras atingiram Chen Ge como um relâmpago. Ele lembrou da descrição no celular preto sobre a foto: "A primeira vez que percebi que te esqueci foi quando vi sua foto. Não lembro quem é na imagem, só sei que ele é muito importante para mim."

— Guarde bem esta foto. — Chen Ge colocou a foto nas mãos da mulher.

— Por que está me dando a foto? — ela ficou confusa.

— O garoto sem rosto na foto é Fang Yu. — Chen Ge observou a reação dela. Só quando soube que o garoto na foto era Fang Yu é que os olhos dela ganharam um brilho.

Ela parecia um bebê abrindo os olhos pela primeira vez para o mundo, fitando o garoto sem rosto na foto.

— Você pode me ajudar a encontrá-lo?

— Posso, mas está muito tarde. Você sozinha na rua não é segura. Deixe-me levar você para casa primeiro. — Chen Ge tinha certeza de que a garota não era um fantasma; seu corpo tinha temperatura.

Segurando a foto com as duas mãos, a mulher hesitou por um bom tempo antes de concordar: — Está bem.

Ela não guardou a foto no bolso, e assim, segurando-a com as mãos, caminhou para fora do parque.

A aparência da mulher era um pouco assustadora. Os pedestres que a viam se afastavam. Ela parecia ter medo de estranhos, tentando andar onde a luz do poste não alcançava, de cabeça baixa, como se não quisesse incomodar ninguém.

Chen Ge fez com que ela andasse pelo lado interno da calçada, enquanto ele ficava do lado de fora. Ele a acompanhou em silêncio, atravessando ruas e passando por várias avenidas, até parar diante de um prédio antigo no centro da cidade.

Durante todo o caminho, ela manteve a cabeça baixa, segurando a foto, sem falar nada.

— Xiao Yu!

Assim que Chen Ge e a mulher chegaram ao pé do prédio, uma tia aparentemente muito gorda saiu correndo do corredor com um guarda-chuva: — Está chovendo! Eu ia te buscar!

A tia se aproximou da mulher, olhando para ela como se fosse sua própria filha.

— Foi você que a trouxe de volta? Muito obrigado, boa pessoa! — A tia gorda sorriu para Chen Ge: — Xiao Yu, agradeça também.

— Espera. — Chen Ge percebeu algo rapidamente: — Senhora, o que você acabou de chamar ela?

— Xiao Yu? O que foi? — A tia abriu o guarda-chuva e segurou suavemente o braço da mulher, preparando-se para entrar no corredor, mas, para sua surpresa, a mulher não quis voltar e ainda soltou a mão da tia.

Parecia que a mulher nunca tinha resistido antes, e hoje, de repente, teve uma atitude estranha, deixando a tia muito surpresa: — Xiao Yu, está chovendo, vamos voltar logo.

Enquanto a tia tentava convencê-la com paciência, a mulher de repente se virou, apertou a foto nas mãos e gritou: — Eu não sou Fang Yu! Vocês se enganaram! Eu também estou procurando por ele!

— Como você não é Fang Yu? Alguém disse algo para você? — O olhar da tia para Chen Ge ficou imediatamente hostil. Não conseguindo convencer Fang Yu, ela foi direto para Chen Ge: — Foi você que disse algo para ela? Se divertir intimidando uma garota assim, você está feliz?

— Senhora, acho que você se enganou. Ela não é Fang Yu. — Chen Ge chegou a essa conclusão combinando com a descrição do celular preto; ele não acreditava que o celular preto daria informações erradas.

— Então olhe você mesma! — A tia enfiou a mão no bolso esquerdo do casaco da mulher e tirou uma carteira rosa clara. Abrindo-a, dentro estava o documento de identidade da mulher: — Não sei que intenção você tem, mas vou te dizer: hoje sua tia está aqui, e não adianta pensar em artimanhas!

Chen Ge deu uma olhada. O nome no documento era realmente Fang Yu.

— Ela é Fang Yu?

— Se ela não é Fang Yu, você é?

— Mas ela está claramente procurando por alguém!

— E você está usando isso para enganá-la? — A tia se colocou na frente de Xiao Yu: — Não importa qual seja seu objetivo, vá embora! Senão, vou chamar gente!

Ouvindo a discussão, a janela do primeiro andar se abriu de repente. Um senhor idoso apareceu: — O que é essa briga? O que está acontecendo?

— Alguém querendo intimidar Xiao Yu!

— Intimidar Xiao Yu? — O senhor nem fechou a janela. Depois de um tempo, ele saiu do corredor de chinelos, segurando uma espada de tai chi: — Foi ele que intimidou Xiao Yu?

— Calma, pessoal. — Chen Ge, vendo a tia e o senhor à sua frente, apressou-se em explicar: — Eu não a intimidei. Estou ajudando ela.

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