—Como você veio parar aqui?— Quando Sean viu o aviso de [Alguém se aproximando...], instintivamente pensou que poderia ser Igunia. Afinal, ela vinha o seguindo por toda parte nos últimos dias. Quem diria que a pessoa que apareceu era a Bruxa do Dragão Vermelho! — O quê? Ficou desapontado por não ser sua irmãzinha?— Ela disse, rindo enquanto se aproximava. Por um momento, Sean até achou que ela também conseguia espiar os atributos dos outros. Só pela aparência, era difícil adivinhar a idade de Frellia, pois parecia ter pouco mais de vinte anos. No entanto, ela mesma dissera que o Conde Hamilton a procurara dez anos atrás; se realmente tivesse vinte e poucos anos, na época teria sido uma adolescente! Quem acreditaria que uma líder de uma organização de magos com décadas de existência teria essa idade? Por isso, Sean sempre achou a idade dela muito misteriosa... — Só estou um pouco surpreso. — Ah? Mas notei que o tratamento é bem diferente do que você dá à irmãzinha.— Frellia continuou. A "irmãzinha" a que ela se referia era Igunia... Óbvio, não é? Os níveis de afinidade são muito diferentes, então o tratamento também é. Sean só ousou pensar isso, mantendo um sorriso no rosto. — Deixa pra lá. Eu estava indo até a academia te procurar, mas a irmãzinha disse que você tinha saído da cidade. Imaginei que viria para cá e te segui. Antes disso, quando os dois discutiram sobre a Tábua de Cain, mencionaram os amotinados e esta vila. Na época, Sean também contou a elas sobre a garota que vendia frutas. — Sim, eu já queria saber a origem daquelas árvores frutíferas há muito tempo. Agora que vim para cá, descobri que elas realmente estão aqui. Olhando para a vila deserta... Embora a estrada estivesse tomada por ervas daninhas, os pessegueiros cresciam muito bem. — Pretendo levá-las para plantar em Tyremian, esperando que esses frutos tragam prosperidade ao meu povo. — Você é um bom barão que cuida dos seus súditos!— Frellia disse, rindo atrás dele. Sean virou-se e a encarou seriamente. — Ninguém deixa de cuidar do seu próprio povo, não é?— Embora já tivesse ouvido histórias de lordes que oprimiam seus súditos, essas histórias não combinavam com sua situação atual. Já estava tão pobre; se ainda fizesse bagunça e afugentasse todos, o feudo ficaria vazio. — Depende da pessoa. Mas, mesmo que você se importe com seu povo, ainda há algo mais importante que precisa fazer agora.— Após algumas frases curtas, Frellia finalmente ia dizer o motivo de sua vinda. Desde que a viu, Sean notou o estado [Distraído!] sobre a cabeça dela. Provavelmente estava pensando em outra coisa... — O que é?— Sean perguntou. — Hoje recebi notícias de cima. O caso da cidade de Koga já alarmou o rei. Mas, sobre a nomeação do novo conde e os detalhes do incidente, preciso relatar pessoalmente ao Príncipe Philip.— Disse Frellia. — E o que isso tem a ver comigo? — O Príncipe Philip também o convidou, querendo vê-lo.— O estado de Frellia não mostrava [Mentindo!]. Então ela estava falando sério! O príncipe quer me ver? Um barão do escalão mais baixo? E ainda um barãozinho de uma região remota. — O príncipe quer me ver? Não tenho o direito de audiência com o príncipe. Não foi você que me entregou, foi?— Sean disse de brincadeira, mas notou que o estado dela mudou para [Um pouco irritado!]. — Eu disse que assumiria essa responsabilidade. Acha que não cumpriria minha palavra? Sinceramente, não sei quem falou de você ao príncipe. Deve ser algum visconde. Naquele dia, quando Frellia saiu do palácio do conde com Sean e Igunia, muitos viram, especialmente os nobres que esperavam do lado de fora. Entre eles, devia haver conexões com as camadas superiores, então era bem provável que fosse um deles. Mas, pelas leis do Império Basharan, um barão não tem o direito de audiência direta com o príncipe. No máximo, pode ver nobres até o nível de conde. Isso é uma proteção de classe do país; caso contrário, quanto mais alto o nobre, menos deles existem, enquanto os de baixo são muitos... como uma estrutura de pirâmide. Se todos pudessem ver quem está no topo, será que esses teriam sossego? E é por causa dessas regras que, no pensamento enraizado, "grandes figuras" como príncipes e duques não se dignam a ver pequenos nobres como ele. — Claro, se você tiver receios, pode não ir. Eu explicarei ao Príncipe Philip. Não precisa se preocupar... Só acho que, mesmo que fique aqui, não será bem-vindo. Frellia tinha razão nisso. Por causa do caso do Conde Hamilton, os três filhos dele agora tratavam Sean de forma especial, especialmente Aliyah, que antes era uma parceira de cooperação e teve sua afinidade reduzida de [Amigável] para [Neutro]. Ela sorria o tempo todo, mas por dentro provavelmente já estava insatisfeita com ele. Seja por querer que ele forjasse o testamento do Conde Hamilton, ou por querer saber mais sobre a situação do pai antes da morte. Essas emoções todas foram transferidas para ele... Afinal, a Bruxa do Dragão Vermelho tinha um status muito alto; mesmo que não acreditassem, não ousavam dizer. Só ele, um pequeno nobre, era alvo! — Então você acha que eu deveria ir? — Pelo menos será melhor do que agora... Mude de identidade, mude de lugar. Talvez, quando voltar, eles não ousem mais fazer nada contra você! Fique tranquilo, já que pedi sua ajuda para guardar segredo, não vou deixar você passar por dificuldades. Seja seu feudo ou você mesmo, ah~ até sua irmãzinha, eu protegerei. Hã~ Isso soava como uma chefe de gangue. — Mas o norte é longe. Se formos para lá, como você protegerá meu feudo?— Sean podia ver se ela estava blefando ou não. Desta vez, ela estava [Séria!] e [Confiante!], então não devia ser mentira. Só que, com a distância, quando ele voltasse, Tyremian já seria uma cidade fantasma. — Não se preocupe com isso. Vou declarar publicamente que você é meu aprendiz da Asa que Cobre o Céu. Com essa proteção, ninguém ousará mexer nas suas coisas no sul.— Disse Frellia. Puta merda~ Parecia bem maneiro. Só que esse nome... Asa que Cobre o Céu. Sean nem sabia por onde começar a criticar. — Deixe-me pensar mais um pouco...— Sean não respondeu de imediato. — Hum, quando decidir, me avise. Ainda vou ficar em Koga por mais quatro dias, então qualquer hora serve.— Dito isso, ela se preparou para ir embora. Mas, antes de sair, não resistiu e virou-se para dizer: — Você deve ter aprendido algumas habilidades, não é? — ... — Não precisa negar. Desde o momento em que você atirou, percebi que conhece um pouco de magia. Só que seu método de treino é peculiar... Parece com o de um armeiro, mas é diferente. Em Rietis, há muitos armeiros famosos. Vale a pena conhecê-los, melhor do que ficar só olhando aquele livro! Frellia disse, rindo. Com seu corpo robusto e alto, vestindo pouca roupa, mas de alta defesa! Ao se virar, as curvas exageradas ficavam visíveis... Parece que ela já tinha notado o grimório que ele carregava consigo.