—Então… você é o Grande Criador? Sean não sabia que expressão deveria usar naquele momento diante daquela pessoa. O Criador! Esse nome não era estranho para nenhum mundo, afinal, todos os mundos têm suas próprias histórias mitológicas e imaginam como seria a verdadeira aparência do Criador. Mas até que aquela pessoa aparecesse diante de seus olhos, Sean ainda não tinha processado a situação. Então o Criador é assim! —Você acha estranho? —disse a pessoa, com uma expressão vazia. Por um instante, Sean sentiu que aquele homem parecia não ter expressão, ou melhor, sua expressão parecia mais uma máscara; embora o tom fosse cortante, a aparência e o semblante não combinavam. —Posso perguntar? —Pode perguntar tudo… —Quem sou eu? Embora a pergunta fosse tola, Sean sentia que era a questão que mais queria saber. Ele havia acordado de um sonho, como se fosse um sono normal com sonhos, e ao despertar já estava naquele mundo. Com o passar dos anos, foi se acostumando com a vida ali e raramente buscava suas origens. E, conforme o tempo passava, ele gradualmente esquecia muitas histórias do passado. Como se aquele mundo fosse o sonho, uma história de crescimento dentro do próprio sonho. Mas, ao encontrar tantos deuses antigos, suas histórias se tornavam cada vez mais familiares em sua mente. —Você quer saber? —O que quero saber é por que me tornei tão especial, minha origem e por que vim parar aqui! Sean sentia que aquele era o momento certo, e a questão que mais queria entender era essa. —Porque você originalmente não existia neste universo… A pessoa continuava falando com a mesma leveza. —Então fui mesmo tirado da Terra por você? As informações que Sean vinha obtendo dos Três Pilares ao longo dos anos apontavam para essa resposta, mas ele queria entender o porquê. Ele viu o Criador, de expressão vazia, largar o planeta que segurava e se aproximar. Sem dizer nada. Um dedo apontou para o centro de sua testa. De repente, Sean sentiu que não conseguia se mover… o mundo à sua frente parecia entrar em outro espaço. O que antes era um canto do universo de repente se transformou em um mundo moderno. Prédios altos, ruas largas e muitas, muitas pessoas. Em sua mente, memórias comprimidas por anos explodiram de uma vez. Não era aquele o mundo que ele conhecia? —Eu também vivi por um tempo no mundo que você e eu conhecemos, mas por algumas razões, abandonei todas as memórias e vivi de forma simples e livre. A cena à sua frente mostrava um lugar cheio de gente. Embora muito tempo tivesse passado, Sean ainda conseguia reconhecer: era um campus universitário. Um Criador tinha ido para a universidade? —Você tem um gosto bem peculiar. —Precisa de um pouco de diversão na vida, não é? Depois que recuperei meus poderes e memórias, fui gradualmente esquecido pelo mundo. Sou a existência mais especial… meu corpo está em todos os universos, mas não em nenhum mundo. A cena mostrava uma garota conversando com o homem à sua frente. Havia também algumas cenas em que ela o ajudava. —Essa pessoa é… Parecia familiar, a ponto de confundir um pouco a memória de Sean. —Sua mãe da vida passada. Ela me ajudou uma vez. Então decidi te dar uma chance de viver em outro mundo após a morte. A cena congelou em um grande incêndio… Nem Sean sabia como tinha morrido na vida passada. Então era assim. Não é à toa que, ao acordar, sentia que não conseguia lembrar de algumas coisas! Todos esses anos, ele achava que era por ter fundido as memórias do "Sean" original, mas agora lhe diziam que não era? —E então, você tem sido feliz todos esses anos? —dessa vez, a pessoa esboçou um leve sorriso. —Isso se chama felicidade? Passei quase todo o tempo lutando contra vários desconhecidos. Aliás, por que estou aqui agora? —Porque você morreu! Sean arregalou os olhos para ele. —Eu morri. —Como se fosse o fim de um jogo. Eu te dei uma chance, e agora você a usou. Por isso voltou para me ver. Embora seja uma pena, sua jornada desta vez acabou. Sean o viu se aproximar novamente do planeta de antes. Com um movimento de mão, uma cena maior apareceu diante deles. Parecia um filme projetado, e o que se via era o interior daquele planeta. O mundo ainda estava quase paralisado. Todos andavam sozinhos em meio à loucura e ao caos, enquanto tentáculos vindos de não se sabe onde envolviam quase todo o planeta. Sobre o mar, uma criatura gigante, um polvo monstruoso, erguia-se. Cthulhu. Ele era o verdadeiro exterminador do mundo inteiro. —Isso é muito injusto. O poder dos deuses antigos é impossível de resistir. Quando encontrei um deus antigo de verdade, não tive a menor chance de me defender —disse Sean. —A configuração deles é originalmente a de destruidores de galáxias. Este mundo tem nascimento e, portanto, destruição. Quando criei o mundo no início, sempre aparecia alguém para me desafiar. Para calar esses caras, coloquei essas coisas neste universo baseado em configurações familiares… —E ninguém nunca venceu? Sean olhou para ele. Isso não era um beco sem saída? Não importa o quão forte alguém se tornasse, quando os deuses antigos aparecessem, o mundo acabava. —Isso os faz entender o perigo de bisbilhotar a raiz deste mundo. —Então esse jogo não dá para jogar! —Pode continuar no próximo… Sean o viu se levantar de repente. —Que tal? Quer dar uma volta em algum mundo? Posso te dar essa chance. —Não posso continuar? Ainda tenho muitas coisas para fazer neste mundo… —Que sentido tem um mundo já destruído? —Mas você é o Criador. Vida e morte não são uma questão de um pensamento seu? —disse Sean, suplicante. —Não tem sentido. —Isso porque você já abandonou este corpo e esta alma… Sean disse com raiva. Se tudo terminasse assim, o que seria de seus esforços e das pessoas que se importavam com ele? Mesmo que a pessoa à sua frente fosse a existência mais poderosa do universo, ele precisava dizer aquilo. E a pessoa não respondeu. Por um instante, o Criador pareceu hesitar. Havia esperança. —Se você realmente acha que não tem sentido, por que entrou no mundo em primeiro lugar? Aos seus olhos, nem o próprio universo deve valer nada —continuou Sean, vendo que o outro não falava. —Já que você gosta tanto deste lugar, vou te dar mais uma chance. Mas você precisa aceitar uma condição… —Que condição? —Posso remover essas coisinhas deste mundo, mas, como a existência que administrava este mundo se foi, você vai tomar seu lugar como observador. —Aceita? —Pode ser. Naquele momento, voltar era o que importava, e essas condições não eram problema. —Então está bem. Ele viu a pessoa se aproximar novamente e tocar diretamente o centro de sua testa com o dedo. ………… O mundo voltou ao momento antes do golpe de Cthulhu.